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segunda-feira, 21 de maio de 2012

Berinjela x Redução de lipídeos






         A berinjela (Solanum melongena L. ) é uma planta da família das solanáceas, originária da Índia, sendo seus frutos muito utilizados na alimentação humana. É um vegetal com alto teor de água, baixo de proteínas, rico em fibras, sais minerais (cálcio, fósforo, potássio e magnésio) e vitaminas (A, B1, B2, Niacina e Vitamina C), compostos fenólicos e flavonoides (antioxidantes).

         Atualmente, estudos mostram um papel hipolipemiante da berinjela, sendo seu suco e cápsulas contendo extrato seco da planta utilizados para a redução do colesterol sanguíneo.

         Para explicar essa redução do colesterol, estudos sugerem que ocorre uma inibição na absorção do colesterol, por ligação de algum componente da berinjela com sais biliares que são essenciais na absorção intestinal do colesterol. A presença da niacina no vegetal, também, pode influir na redução do colesterol plasmático.

         Os resultados dos estudos relatam que o extrato seco da berinjela, na forma de cápsula, exerce um modesto efeito hipolipemiante, junto ao controle nutricional, pois verificou-se que no grupo experimental todos os valores estavam menores, com destaque para o colesterol total.

         O suco de berinjela, nas condições da experimentação, também representa um tratamento alternativo e de baixo custo para as hipercolesterolemias, melhorando o colesterol tecidual, e provocando uma significativa proteção sobre a parede vascular.

         Portanto, os benefícios da berinjela, aliada ao controle da dieta, com baixo teor de gorduras saturadas e colesterol, é uma opção terapêutica viável para o auxílio na prevenção de doenças cardiovasculares, principalmente as dislipidemias.


Postado por Letícia Andrade e Vivian Giubine


Referências

GONÇALVES, M. R. et al. Modesto efeito hipolipemiante do extrato seco de Berinjela (Solanum melongena L.) em mulheres com dislipidemias, sob controle nutricional. Rev. bras. farmacogn.,  João Pessoa, v. 16, p. 656-663, dez. 2006 

JORGE, P. A. R. Efeito da Berinjela sobre os Lípides Plasmáticos, a Peroxidação Lipídica e a Reversão da Disfunção Endotelial na Hipercolesterolemia Experimental. Arq Bras Cardiol, Campinas, v. 70, n. 2, p. 87-91, 1998

sábado, 13 de agosto de 2011

Flavonóides e Doenças cardiovasculares




Os flavonóides são uma classe de compostos fenólicos que diferem entre si pela sua estrutura química e características particulares. Frutas, vegetais, grãos, flores, chá e vinho são exemplos de fontes destes compostos.

Várias propriedades terapêuticas dos flavonóides têm sido estudadas nas últimas décadas, destacando-se o potencial antioxidante, anticarcinogênico e seus efeitos protetores aos sistemas renal, cardiovascular e hepático.

As doenças cardiovasculares destacam-se, nos dias atuais, como a mais freqüente causa de óbito. A patogenia mais encontrada das doenças cardiovasculares é, indiscutivelmente, a aterosclerose coronária, que pode acometer inclusive pacientes jovens.

A incidência de coronariopatia é, em geral, dependente da prevalência de seus fatores de risco. Quanto maior a presença de fatores de risco para a aterosclerose, maior a probabilidade de incidir uma coronariopatia. A aterosclerose é uma doença multifatorial que se inicia na infância, entre 5 e 10 anos de idade, e se desenvolve ao longo dos anos. Dentre os fatores de risco mais freqüentes estão a hipercolesterolemia, o hábito de fumar, a hipertensão arterial (HA), a hipertrigliceridemia, o excesso de peso e a história familiar de cardiopatia isquêmica.

A uva, o vinho e os produtos derivados da uva contêm grande quantidade de componentes fenólicos que agem como antioxidantes. Eficácia dos flavonóides da uva, consumo desses flavonóides está associado ao risco reduzido de eventos coronários, e a ingestão de produtos da uva, incluindo vinho tinto e suco de uva roxa, inibe a agregação plaquetária. Em pacientes com Doença Arterial Coronariana estas bebidas mostraram um efeito antioxidante potente, pois melhoraram a função endotelial, induziram a vasodilatação dos vasos arteriais e inibiram a oxidação do colesterol LDL. Essas propriedades antioxidantes são atribuídas à presença dos polifenóis na casca e sementes da uva.

O vinho tinto tem recebido atenção especial devido a seus componentes fenólicos inibirem fortemente a oxidação do colesterol LDL in vitro. Como a oxidação deste lipídio tem papel  importante no desenvolvimento da doença cardiovascular aterosclerótica. O consumo moderado do vinho tinto foi associado à redução na incidência de eventos cardiovasculares, pois seus componentes, os flavonóides, estão implicados nos benefícios cardiovasculares devido a sua habilidade em inibir a função plaquetária.

O suco de uva também é um antioxidante poderoso, mas existem controvérsias quanto a sua eficácia. Os efeitos antioxidantes foram demonstrados in vitro, onde ocorreu redução da oxidação do colesterol LDL e melhora do fluxo médio de vasodilatação (FMD) em pacientes com Doença Arterial Coronariana.
Os flavonóides presentes no suco de uva, como a catequina, epicatequina, quercetina e antocianinas, são fontes ricas de antioxidantes, e estudos in vitro mostraram atividade eficaz na inibição do colesterol LDL

A capacidade de inibição da oxidação do colesterol LDL pela atividade antioxidante do vinho tinto e do suco de uva foi testada em um estudo randomizado in vitro com 20 homens saudáveis, com idade média de 56 anos, no qual a oxidação catalítica do colesterol LDL foi determinada na presença de vinho tinto, suco de uva e outras bebidas alcoólicas. Suco de uva e vinho tinto inibiram significativamente a oxidação do colesterol LDL in vitro. O mesmo experimento in vivo contou com a participação de 20 voluntários (8 homens e 12 mulheres) com idade média de 29 anos, que consumiram vinho tinto (300 ml), suco de uva (300 ml) em 30 a 45 minutos; amostras de sangue foram coletadas antes e depois da ingestão destas bebidas. A atividade antioxidante foi significativa na inibição da oxidação do LDL-C com vinho tinto, mas não com suco de uva, embora o conteúdo de flavonóides fosse maior nesta bebida. Os autores concluem que o efeito antioxidante do vinho tinto e do suco de uva in vitro foi associado à abundância de flavonóides destas bebidas. In vivo isto foi demonstrado com o vinho tinto, mas não com o suco de uva. Estes pesquisadores sugerem que os flavonóides do vinho tinto são melhor absorvidos no intestino do que os do suco de uva.

As organizações oficiais manifestam-se de forma cautelosa sobre o assunto. Segundo a AHA (American Heart Association, disponível em ) o consumo moderado de vinho está associado com a redução de doenças cardiovasculares, recomendando duas doses por dia para homens e uma dose por dia para mulheres. Estas recomendações equivalem a 90-120ml por dia de vinho, que deve ser consumido com uma refeição. Ressaltam que a bebida alcoólica não deve ser usada como prevenção única, pois pode desencadear outras doenças, assim recomenda-se antes de iniciar qualquer alteração a dieta, devemos consultar um profissional da saúde especializado.


Postado por: Bruno Garbini e Danielle Loverri


Fontes consultadas: 


ZOFFI R.S.G; ZIELINSKY P. Fatores de Risco de Aterosclerose na Infância. Um Estudo Epidemiológico. Porto Alegre, RS Arq Bras Cardiol, volume 69 (nº 4), 231-236, 1997


GIEH M.R. et al. Eficácia dos flavonóides da uva, vinho tinto e suco de uva tinto na prevenção e no tratamento secundário da aterosclerose. Scientia Medica, Porto Alegre, v. 17, n. 3, p. 145-155, jul./set. 2007

BEHLIN E.B. et al. FLAVONÓIDE QUERCETINA: ASPECTOS GERAIS E AÇÕES BIOLÓGICAS. Alim. Nutr., Araraquara, v. 15, n. 3, p. 285-292, 2004