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sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Ortorexia Nervosa





         A preocupação com uma vida mais saudável tem gerado um grande interesse pelo alcance de uma alimentação saudável. Um novo quadro surpreendente relacionado à alimentação é denominado Ortorexia Nervosa (do grego, orthos significa correto e orexis, apetite), que é um comportamento obsessivo doentio, que caracteriza-se pela fixação por saúde alimentar, qualidade dos alimentos e pureza da dieta, acarretando restrições alimentares significativas.

As principais características da ortorexia nervosa (ON) são:

- Fixação em alimentação saudável, com mais de três horas ao dia de dedicação em torno da sua dieta.

- Preocupação exagerada com a qualidade dos alimentos, a pureza da dieta (livre de herbicidas, pesticidas, aditivos e outras substâncias artificiais) e o uso exclusivo de “alimentos politicamente corretos e saudáveis”.

- Sensação de segurança, conforto e tranquilidade vinculada à alimentação orgânica e funcional.

- Desejo de ser puro e natural, mesmo que a custo de perder o prazer na alimentação.

- Inicia-se com o desejo de melhorar a saúde ou perder peso, e finalmente a dieta passa a ocupar lugar central na vida.

- Atinge pessoas de personalidade meticulosa, ordenada e perfeccionista, com exagerada necessidade de autocuidado.

- É preferível ficar em jejum a comer o que se considera impuro ou perigoso à saúde.

- O cotidiano se torna extremamente limitado devido ao padrão restritivo de alimentação, gerando uma diminuição da qualidade de vida, conforme aumenta a “qualidade” da alimentação.

- Isolamento social devido à diferença da alimentação comum aos demais da sociedade.

- Tentativas insistentes de esclarecer para os outros sobre “alimentação saudável”

         Além disso, as pessoas com ON são excessivamente preocupadas com alguns aspectos como: a qualidade e o frescor dos vegetais, a ponto de cultivá-los para uso próprio; a contagem da mastigação a cada colherada de alimento; o local de alimentação e a quantidade de comida.

         Estudos sugerem que estudantes e profissionais da área de saúde, tais como estudantes de medicina, nutricionistas e médicos, podem ter maior predisposição ao desenvolvimento da ON.

         Contudo ainda são necessários mais estudos para descrever de modo mais completo o comportamento ortoréxico, sua etiologia, possível diagnóstico, tratamento, grupos e/ou populações vulneráveis.
Pois na busca da “pureza alimentar”, essas pessoas podem se tornar muito seletivas em relação aos alimentos que escolhem, optando por condutas alimentares cada vez mais restritivas que podem levar à carência de determinados nutrientes, colocando em risco a própria saúde.


Postado por: Letícia Andrade e Vivian Giubine

Referência

 MARTINS, M. C. T. Ortorexia nervosa: reflexões sobre um novo conceito. Rev. Nutr., Campinas, v. 24,n. 2, p. 345-357, mar./abr., 2011

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Transtornos Alimentares


A imagem corporal é a figura de nosso próprio corpo que formamos em nossa mente, ou seja, o modo pelo qual o corpo se nos apresenta.


Os transtornos alimentares (TA) têm uma etiologia multifatorial, ou seja, são determinados por uma diversidade de fatores que interagem entre si de modo complexo, para produzir e, muitas vezes, perpetuar a doença. Classicamente, distinguem-se os fatores:

Predisponentes - são aqueles que aumentam a chance de aparecimento do TA, mas não o tornam inevitável;
Precipitantes  - fatores que precipitam a doença marcam o aparecimento dos sintomas dos TA;
Mantenedores- determinam se o transtorno vai ser perpetuado ou não

 Conheça os Transtornos Alimentares

Anorexia
Anoréxicos atingem uma grande perda de massa, de modo que o seu Índice de Massa Corporal se reduza a valores inferiores a 17,5 kg/m². A perda de peso pode ser efetivada por estrita restrição dietética, em adição a exercícios físicos excessivos; outros, em conjunção a esses métodos, também podem abusar de técnicas purgativas (provocar-se vômitos, abusar de laxantes ou diuréticos, etc.) que acreditam resultar em perda das calorias consumidas, sem necessariamente, como no caso da bulimia, ter antes havido períodos de comilança desenfreada.

Bulimia
Por definição, bulímicos passam por episódios (pelo menos duas vezes por semana) de comilança desenfreada que resultam num consumo de calorias muito superior ao de uma pessoa normal no mesmo período. Seguidos desses episódios, são por eles empregados vários hábitos que visam compensar o ganho calórico, entre os quais os mais usados são as técnicas purgativas e vômitos provocados.

Hipergafia
Segundo a OMS, Hipergafia é quando um evento traumático resulta em um aumento no consumo de alimentos e consequentemente um rápido aumento de peso, geralmente resultando em obesidade piorando a auto-estima e auto-confiança do indivíduo.

Ortorexia
É a obsessão por alimentos saudáveis e nutritivos excluindo uma grande quantidade de alimentos, principalmente os mais industrializados, dessa dieta. Quase sempre ocorre em países desenvolvidos.

Pica
A pica, também conhecida como alotriofagia ou alotriogeusia, é uma condição rara entre seres humanos de apetite por coisas ou substâncias não alimentares  
Para que tais hábitos sejam considerados pica isso precisa persistir pelo menos por um mês durante um período de vida quando não se considera normal, dentro do quadro de desenvolvimento humano, utilizar a boca para explorar e ingerir coisas como barro, excremento, brinquedos, solo, botões, pedrinhas, etc. Acomete principalmente crianças e mulheres grávidas.
 .
Transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP)
É uma classificação relativamente recente para a compulsão por comer característica da bulimia que não envolve o uso de métodos extremos de perda de peso como vômito, anfetaminas e laxantes. 30% dos obesos possuem esse transtorno e sua prevalência na população gira em torno de 2%.

Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) por alimentos
Semelhante aos outros transtornos obsessivos compulsivos, envolve pensamentos incontroláveis, repetitivos e persistentes, que só são aliviados enquanto o indivíduo se alimenta. Enquanto não se alimentar seguindo suas crenças o indivíduo sofre de uma ansiedade crescente e pensamentos constantes até ceder e é imediatamente reforçado positivamente (com o prazer de comer) e negativamente (com o alívio da ansiedade) enquanto estiver comendo. Mesmo que esteja ciente de que seus pensamentos são prejudiciais a si mesmo, irrealistícos e inapropriados o indivíduo não consegue controlá-los. Ao contrário dos outros transtornos alimentares os anti-depressivos são bastante eficazes no tratamento do TOC.

Transtorno de ruminação
Mais frequente em crianças pequenas é caracterizado pela regurgitação ou remastigação repetida que não podem ser explicados por nenhuma condição médica. Podem resultar em desnutrição, perda de peso, alterações do equilíbrio hidroeletrolítico, desidratação e até morte.

Vigorexia
É a obsessão por um corpo musculoso e atraente, quase sempre em homens. Envolve um treinamento muscular obsessivo e alimentação voltada para a manutenção desse corpo com uso frequente de anabolizantes. É classificada junto com os transtornos alimentares por envolver um disformismo corporal reforçado pelo culto a imagem

Outros transtornos alimentares não específicados
Cerca de um terço dos diagnósticos feitos são classificados como não específicados por não possuirem um ou mais critérios essenciais para a classificação em outro transtorno.

Postado por: Daniela Alvarenga e Elineides Silva

Referências:

Cooper Z. The development and maintenance of eating disorders. In: Brownell KD, Fairburn CG, editors. Eating disorders and obesity: a comprehensive handbook. New York: The Guilford Press; 1995.

Ghaderi A, Scott B. Prevalence, incidence and prospective risk factors for eating disorders. Acta Psychiatr Scand 2001

THOMPSON, J. K. - Body Image, Eating Disorders and Obesity. Washington D.C.: American Psychological

Association, 1996


AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION (APA). - Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders.4th ed. Washington DC, 1994

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Anorexia Nervosa




A incidência de transtornos alimentares praticamente dobrou nestes últimos 20 anos.

O aumento da incidência coincide com a ênfase na magreza feminina (já que na maioria dos casos acomete mulheres) como uma expressão de atração sexual. Atualmente a sociedade valoriza a atratividade e a magreza em particular, fazendo da obesidade uma condição altamente estigmatizada e rejeitada. A associação da beleza, sucesso e felicidade com um corpo magro tem levado as pessoas à prática de dietas abusivas e de outras formas não saudáveis de regular o peso.

Anorexia nervosa é uma desordem caracterizada por uma imagem distorcida do próprio corpo e um medo mórbido de engordar, o que leva à recusa por manter um peso minimamente normal. Anorexia significa "falta de apetite", mas, na realidade, ocorre uma negação consciente para se alimentar e com o transcorrer do tempo, a falta de apetite se concretiza. Os anoréxicos fazem de tudo para anular seu apetite e conseqüentemente emagrecerem, e quanto mais emagrecem, mais se sentem gordos, desenvolvendo um ciclo vicioso que pode ser fatal. 

Acredita-se atualmente que características biológicas, psicológicas, familiares e socioculturais são fatores que interagem na determinação da manifestação de anorexia nervosa. 

Dentre as características biológicas, devemos considerar os fatores genéticos. A incidência de anorexia nervosa em irmãs de pacientes com o transtorno é de 6%, aproximadamente seis vezes maior do que os valores mais altos encontrados em estudos populacionais. 

Em relação às características psicológicas, a descrição comumente encontrada é a de indivíduos frustrados, insatisfeitos e raivosos, que se sentem incapazes de condenar os “cuidados” pelas suas insatisfações. Ao contrário, acreditam que as suas próprias necessidades é que são inadequadas e devem ser negadas. 

Sintomas comuns:

Contagem obsessiva de calorias;

Saltar refeições;

Brincar com a comida no prato em vez de comer;

Esconder comida (num guardanapo, debaixo de uma travessa, etc.) para evitar comê-la;

Mentir quanto a já ter comido, numa tentativa de evitar uma refeição;

Ingerir apenas um determinado tipo de comida;

Fazer exercício em excesso, particularmente depois de uma refeição, ou “para abrir o apetite”;

Perda dramática de peso;

Excessivo interesse em questões relacionadas com peso, imagem corporal e jejum;

Vestir (para esconder o corpo) roupa larga ou disforme;

Baixos níveis de energia;

Doenças frequentes;

Sono excessivo;

Reduzido ou inexistente apetite sexual.


Complicações médicas

Desnutrição e desidratação;

Hipotensão (diminuição da pressão arterial);

Anemia;

Redução da massa muscular;

Intolerância ao frio;

Motilidade gástrica diminuída;

Amenorréia (parada do ciclo menstrual);

Osteoporose (rarefação e fraqueza óssea);

Infertilidade em casos crônicos;

Maior propensão a infecções por comprometimento do sistema imunológico.



Tratamento

Dentro da equipe multidisciplinar que deve tratar do paciente com transtornos alimentares, o nutricionista é capacitado para propor modificações do consumo, padrão e comportamento alimentares, aspectos estes que estão profundamente alterados.

As metas do tratamento nutricional na anorexia nervosa envolvem o restabelecimento do peso, normalização do padrão alimentar, da percepção de fome e saciedade e correção das seqüelas biológicas e psicológicas da desnutrição.

O tratamento nutricional normalmente é dividido em duas etapas, educacional e experimental (em casos mais graves, tratamento hospitalar é indicado). Onde é realizada uma detalhada anamnese acerca dos hábitos alimentares do paciente e histórico da doença. 

A educação nutricional abrange conceitos de alimentação saudável, tipos, funções e fontes dos nutrientes, recomendações nutricionais, conseqüências da restrição alimentar e das purgações. 

Na fase experimental, trabalha-se mais intensamente a relação que o paciente tem com os alimentos e o seu corpo, ajudando-o a identificar os significados que o corpo e a alimentação possuem. 

Uma das “táticas” no tratamento nutricional nos pacientes com transtornos alimentares é o uso do diário alimentar, que é um instrumento de automonitoração, onde o paciente registra quais alimentos foram consumidos e a quantidade, os horários e locais das refeições, a ocorrência de compulsões e purgações, a companhia durante as refeições, os sentimentos associados e uma "nota" para o quanto de fome estava sentindo antes de alimentar-se e o quanto de saciedade ele obteve com aquela ingestão. Esse registro faz com que o paciente adquira maior consciência sobre diversos aspectos da sua doença e constantemente exerça disciplina e controle. 

O tratamento nutricional visa à promoção de hábitos alimentares saudáveis, a cessação de comportamentos inadequados (como a restrição, a compulsão e a purgação) e a melhora na relação do paciente para com o alimento e o corpo. 

A participação do profissional da nutrição no tratamento dos transtornos alimentares é fundamental, já que essas doenças implicam em alterações profundas no consumo, padrão e comportamento alimentares. 


Postado por Danielle Loverri.

Fontes consultadas: 

MORGAN, C.M. et al. Etiologia dos transtornos alimentares: aspectos biológicos, psicológicos e sócio-culturais. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.24 suppl.3 São Paulo. 2002

APPOLINÁRIO, J. C. e CLAUDINO, A. M. Transtornos alimentares. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22. São Paulo. 2000.

FLEITLICH, B.W. et al. Anorexia nervosa na adolescência. Jornal de Pediatria - Vol. 76, Supl.3. Rio de Janeiro. 2000.

LATTERZA, A. R. et al. Tratamento nutricional dos transtornos alimentares. Rev. psiquiatr. clín. vol.31 no.4. São Paulo. 2004.

http://emedix.uol.com.br/com/distal/psi014_1g_anorexia.php

http://www.alimentacaosaudavel.org/Anorexia-Nervosa.html

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?138