sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010



Considerações sobre cromo, insulina e exercício físico.



Mariana Rezende Gomes; Marcelo Macedo Rogero; Julio Tirapegui.

Dentre os suplementos utilizados no meio esportivo, destaca-se o mineral cromo, cuja deficiência na dieta contribui para a intolerância à glicose e alterações prejudiciais relacionadas ao perfil lipídico. A função primária do cromo é potencializar os efeitos da insulina e, desse modo, alterar o metabolismo de carboidratos, lipídios e aminoácidos. Além disso, a suplementação com cromo tem sido utilizada com a finalidade de promover aumento de massa muscular e diminuição da gordura corporal.

Também é atribuído ao cromo um efeito lipolítico que, somado a seus possíveis efeitos anabólicos, estimula principalmente o público esportista ao uso do cromo como suplemento na dieta para obtenção de efeitos desejáveis sobre a composição corporal.

Objetivo de se sugerir o cromo como suplemento alimentar, voltado para o esportista, não decorre apenas da preocupação da ocorrência de deficiência orgânica, mas de estimular a captação de aminoácidos e, conseqüentemente, a síntese protéica, aumentando a resposta metabólica adaptativa decorrente do próprio treinamento. Este fato pode acarretar em aumento do componente corporal magro devido ao ganho de massa muscular. Ainda existe a especulação de um efeito lipolítico causado pelo cromo, porém os resultados de estudos em humanos ainda são controversos. Por outro lado, a suplementação de cromo pode auxiliar no controle da glicemia de indivíduos diabéticos engajados em atividade física.



Carina Ferreira de Melo

Marília Cremonezi


Adoçante X Gravidez

Maria Regina TORLONI et al.

Os adoçantes são substâncias naturais ou artificiais do açúcar que conferem sabor doce com menor caloria, e, como qualquer outra droga, também recebem uma classificação de risco potencial para o uso na gravidez e por isso recebem uma recomendação de ingestão diária aceitável (IDA) elaborada pelos órgãos regulatórios nacionais e internacionais.
Os principais adoçantes são:

- Sacarina: é derivada da naftalina, 400 vezes mais doce do que o açúcar, é lentamente absorvida e não é metabolizada pelo corpo.
Na gravidez o uso de 25 - 100mg desse adoçante passa a barreira placentária sendo identificada no sangue, porém sem efeito teratogênico. A preocupação é quanto seu efeito carcinogênico que ainda não foi confirmado pelos estudos, portanto é recomendado que a sacarina seja evitada.

- Ciclamato: Adoça de 30 - 40 vezes mais que o açúcar e não possui calorias.
Na gravidez também passa pela barreira placentária e estudos dizem qe pode causar efeitos teratogênicos sobre os linfócitos e má formação do feto, porém não há comprovação.
Não existem dados disponíveis para recomendação durante a lactação.

- Aspartame: tem sabor e valor calórico semelhante ao do açúcar, porém tem o poder de adoçar 180 - 200 vezes mais que o açúcar.
Após a ingestão, o aspartame se decompõe e forma um composto alcoólico (metanol), porém não há a possibilidade de dano fetal pela quantidade irrisória presentes nos podutos.
Portanto, o uso de aspartame na gradivez é considerado seguro.

- Sucralose: é obtida a partir da substituição de grupos hidroxila por cloros nos carbonos. Grande parte é metabolizada e seu poder de adoçante é 600 vezes mais que o açúcar e não possui calorias.
Estudos mostram que seu uso durante a gravidez não tem risco teratogênico.

- Estévia: não possui calorias, adoça 300 vezes mais que o açúcar e também não é metabolizado. Tem gosto amargo de ervas, pois é um adoçante natural extraído da Stevia Rebaudiana Bertoni.
Reduz a glicemia pós-prandial em diabéticos tipo 2  e mascara os testes de glicose durante a gestação. Não possui evento adverso na gestação em animais, porém não existem estudos quanto ao seu uso em humanos.

O uso de adoçante durante a gestação deve ser reservado para pacientes que precisam controlar seu ganho de peso e para as diabéticas. Baseado nas evidências disponíveis deve se dar preferência ao aspartame, sucralose e estévia.

Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia - 2007

Ana Paula SANTOS
Carolina AGUILAR

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010


Distorção da imagem corporal em adolescentes com transtornos alimentares

Comparação de uma auto-avaliação do tamanho corporal em adolescentes com diferentes tipos de transtornos alimentares.


Foi realizado um estudo em novembro de 2009 na Alemanha com adolescentes portadores de diferentes tipos de transtornos alimentares. Foi pedido que os adolescentes estimassem a circunferência de algumas partes do corpo.


O resultado mostrou uma média de superestimação de 8 a 16% dos participantes, dependendo da parte do corpo. Os adolescentes estimaram seus corpos em média 30% além do tamanho real.


Não houve diferença significativa entre os pacientes com bulimia nervosa e anorexia nervosa sendo a distorção da imagem corporal um importante papel em ambos os transtornos alimentares.

Autores:
Nora Schneider, Katja Frieler , Ernst Pfeiffer , Ulrike Lehmkuhl , Harriet Salbach-Andrae

Carina Ferreira de Melo  

Marília Cremonezi




Hidratação e Exercício Físico, a sede é suficente?


Christiano Antônio Machado-Moreira; Ana Carolina Vimieiro-Gomes; Emerson Silami-Garcia; Luiz Oswaldo Carneiro Rodrigues


 
Alguns estudos dizem que a reposição hídrica guiada pela sede pode ser suficiente para a manutenção das respostas termorregulatórias e da capacidade de realizar exercício, mesmo com a pequena desidratação involuntária que freqüentemente ocorre nesta situação.

Durante o exercício físico acontece uma perda substancial de água e eletrólícos que precisam ser repostos para que não haja desidratação, pois essa diminui a capacidade aeróbica, aumenta o débito cardíaco, diminui de 20% a 60 % a função renal e causa fadiga muscular.

Para compensação das perdas é necessário fazer uma boa hidratação durante o exercício ingerindo água ou bebidas esportivas pelo menos 2 horas antes do treino e fazer a reposição a cada 15 ou 20 minutos durante o exercício. Após o exercício, a reposição hídrica deve ser de acordo com a perda total durante o treino.

Muitas pessoas preferem as bebidas isotônicas ao invés de água por sua melhor palatabilidade o que faz com que a ingestão de líquidos seja maior. Além da reposição hídrica essas bebidas repõe os sais minerais e mantém o equilíbrio eletrolítrico.

Contudo, para assegurar o estado de hidratação, os atletas devem ingerir aproximadamente 500 a 600mL de água ou outra bebida esportiva duas a três horas antes do exercício e 200 a 300mL 10 a 20 minutos antes do exercício. A reposição de líquidos deve aproximar as perdas pelo suor e pela urina.


Rev Bras Med Esporte vol.12 no.6 / 2006.

Ana Paula SANTOS
Carolina AGUILAR

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010


Controvérsia Cientifica – Creatina
           
Eric S. Rawson        
Priscilla M. Clarkson
   
Apesar de aproximadamente 300 estudos terem sido realizados para testar os efeitos da creatina no desempenho de exercícios, uma resposta definitiva para a questão “A creatina funciona” ainda é incerta para os cientistas.
Dados sugerem que a carga de creatina pode melhorar o desempenho em exercícios de alta intensidade que durem menos que 30s. Estudos reportam que os benefícios da creatina nos exercícios de treino de resistência são mais consistentes para demonstrar os efeitos positivos.
Parece ser possível que a creatina permita que alguns atletas treinem com cargas mais altas de trabalho. Ainda assim, a motivação poderia ser um fator de confusão nesses estudos porque é difícil se realizar estudos cegos quando não há aumento óbvio no peso corporal e no “edema” de músculos.
A creatina fosfato é um combustível crítico para a prática de sprints e outras atividades de curta duração que exigem grande produção de potência. A suplementação com creatina na dieta pode aumentar os níveis de creatina e creatina fosfato nos músculos, mas a resposta à suplementação apresenta muitas variações individuais.
É interessante observar que nenhum estudo relatou efeitos negativos da suplementação de creatina no desempenho (a menos que isso fosse secundário a um aumento do peso corporal).
O uso da creatina é comum. Pesquisas indicam que 17-74% dos atletas de diversas faixas etárias e que praticam diversas modalidades esportivas usam suplementos de creatina.
Mostrou-se que a suplementação de creatina melhora o desempenho de exercícios de alta intensidade e de curta duração (<30s), mas há poucas evidências que mostrem que essa tenha o mesmo efeito em exercícios que durem mais que 90 s.
A suplementação de creatina durante o treino de resistência pode permitir que os atletas completem mais repetições por série de um determinado exercício e permite que eles se “recuperem” mais rapidamente entre as séries.
O fato de a creatina ingerida não aumentar a concentração de creatina muscular em alguns indivíduos indica um potencial para a melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade e de curta duração. Entretanto, há uma ampla variabilidade interindividual nas mudanças de creatina muscular em resposta à suplementação.
Não está claro porque alguns indivíduos têm mais propensão que outros para aumentar os níveis de creatina muscular em resposta à suplementação de creatina. Como não há exceções à regra de que um nível inicial alto de creatina muscular causa uma resposta deficiente à suplementação de creatina, diferenças nos níveis iniciais de creatina certamente não conseguem explicar totalmente a variabilidade na resposta à ingestão dessa substância.
Alguns indivíduos podem apresentar um gene variante que permite que armazenem mais creatina nos músculos. Se assim for, então amostras pequenas, característica de muitos trabalhos sobre os efeitos de creatina no desempenho de exercícios, poderiam ou super- ou infra- representar os indivíduos predispostos a aumentar os níveis de creatina muscular em resposta à suplementação destas.
O desempenho de alguns indivíduos, mas não de todos, pode melhorar com a suplementação de creatina; mas não há efeitos “mágicos” para todos. Se apenas alguns indivíduos se beneficiam, então essas pessoas têm uma vantagem injusta no desempenho esportivo. As questões éticas associadas à suplementação com creatina permanecem inconclusivas.

Sports Science Exchange Junho/Junho/Agosto 2004

Carina Ferreira de Melo
Marília Cremonezi

Whey Protein - Aplicação no esporte e benefícios à saúde.


Fabiano kenji Haraguchi
Wilson César de Abreu 
Hebert de Paula   


     Whey protein é a denominação que se dá às proteínas solúveis encontradas no soro do leite.

     As proteínas do leite tem alto valor biológico e possuem compostos bioativos que atuam como agentes antimicrobianos, antihipertensivos e reguladores da função imune.

     No exercício, os efeitos dessas proteínas favorecem o crescimento muscular e a perda de peso. Um estudo feito mostrou que a administração das proteínas do soro o leite 90min antes do exercício resultou em maior saciedade resultando na redução do apetite.

     A redução de peso também acontece pelo cálcio que está presente em altas quantidades no whey protein , sendo esse um precursor da inibição da síntese de gordura.

     Por serem rapidamente absorvidas, recomenda-se a ingestão de whey protein logo após o exercício, pois ajuda na síntese proteica, aumento da insulina plasmática, aumento do HDL-colesterol e melhora do desempenho físico.

 Revista de Nutrição de Campinas Jul/Ago 2006.


Ana Paula SANTOS
Carolina AGUILAR

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010


O Papel da Leptina e Grelina no controle da obesidade.

Carla Eduarda Machado ROMERO
Angelina ZANESCO

A etiologia da obesidade não é de fácil identificação, uma vez que a mesma é resultado de uma complexa interação entre fatores comportamentais, culturais, genéticos, fisiológicos e psicológicos. Pode, dessa forma, ser classificada em dois contextos: por determinação genética ou fatores endócrinos e metabólicos, ou então, influenciados por fatores externos. Acredita-se que os fatores externos são mais relevantes na incidência de obesidade do que os fatores genéticos.

A leptina é uma proteína produzida principalmente no tecido adiposo. Seu pico de liberação ocorre durante a noite e às primeiras horas da manhã, e sua meia-vida plasmática é de 30 minutos. É responsável pelo controle da ingestão alimentar, atuando no sistema nervoso central. A ação da leptina promove a redução da ingestão alimentar e o aumento do gasto energético, além de regular a função neuroendócrina e o metabolismo da glicose e de gorduras. Assim, altos níveis de leptina reduzem a ingestão alimentar enquanto que baixos níveis induzem hiperfagia (aumento da fome).

A expressão da leptina é controlada por diversas substâncias, como a insulina, os glicocorticóides e as citocinas pró-inflamatórias. Estados infecciosos e as endotoxinas também podem elevar a concentração plasmática de leptina. Inversamente, a testosterona, a exposição ao frio e as catecolaminas reduzem a síntese de leptina. Situações de estresse impostas ao corpo, como jejum prolongado e exercícios físicos intensos, provocam a diminuição dos níveis circulantes de leptina.

No entanto, indivíduos obesos apresentam elevados níveis plasmáticos de leptina, cerca de cinco vezes mais que aqueles encontrados em sujeitos magros. As mulheres possuem maior concentração plasmática de leptina que os homens. A hiperleptinemia, encontrada em pessoas obesas, é atribuída a alterações no receptor de leptina ou a uma deficiência em seu sistema de transporte, fenômeno denominado resistência à leptina. A produção de leptina em pessoas eutróficas segue um ritmo circadiano e aumenta durante o ciclo menstrual em mulheres.

A leptina, além de seu importante papel no metabolismo, controla o sistema hematopoiético, o sistema imune, o sistema reprodutor e o sistema cardiovascular.

Já o hormônio grelina, (Ghre grow hormone release) é responsável pelo aumento da secreção do hormônio do crescimento (GH).  É produzida predominantemente em células do sistema tratogastrointestinal.

Além de sua ação como liberador de GH, a grelina possui outras importantes atividades, como controle do gasto energético, controle da secreção ácida e da motilidade gástrica, influência sobre a função endócrina pancreática e metabolismo da glicose e ainda ações cardiovasculares e efeitos antiproliferativos em células neoplásicas.
A grelina está diretamente envolvida na regulação em curto prazo do balanço energético. Níveis circulantes de grelina encontram-se aumentados durante jejum prolongado e em estados de hipoglicemia, e têm sua concentração diminuída após a refeição ou administração intravenosa de glicose. Estudos recentes envolvendo liberação desse hormônio, em humanos, mostram que são os tipos de nutrientes contidos na refeição, e não o seu volume, os responsáveis pelo aumento ou decréscimo pós-prandial dos níveis plasmáticos de grelina.

Esses achados sugerem que a contribuição da grelina na regulação pós-prandial da alimentação pode diferir dependendo do macronutriente predominante no conteúdo alimentar ingerido. Sua concentração plasmática é diminuída após refeições ricas em carboidratos, concomitantemente à elevação de insulina plasmática. Por outro lado, após refeições ricas em proteína animal e lipídeos foram encontrados altos níveis plasmáticos de grelina, associados ao pequeno aumento da insulina plasmática.

Revista de Nutrição, Campinas, jan./fev., 2006


Marília Cremonezi e Carina Ferreira de Melo


Nutrição e Performance do Atleta


ADA - American Diet Association 
American College of  Sport Medicine Nutricion and Performance.


Exercícios são uma ótima opção para manter a saúde do corpo e associado a uma alimentação balanceada, hidratação constante e escolhas certas de suplementos gera respostas positivas.

Uma dieta adequada em carboidratos e proteínas ajuda a manter o peso corporal, diminuição da perda muscular, além de manter os níveis de glicogênio muscular. Os lipídios também devem ser adequados para que não aconteçam perdas e dados à massa muscular nunca sendo sua ingestão menor que 15% da recomendação diária.

Consumir uma adequada dieta e hidratação antes, durante e depois do exercícios ajuda a manter os níveis de glicose normal no sangue, e caso a dieta esteja bem balanceada em relação aos níveis de proteína não há a necessidade do uso de suplemento.

A hidratação também é um fator importante para melhorar o desempenho e minimizar os efeitos do exercício, como, por exemplo, a perda de massa muscular. Para uma boa hidratação o atleta deve ingerir de 400 a 600ml antes de iniciar os exercícios e a cada 15 ou 20 minutos durante a performance.

Após a atividade uma dieta rica em proteína e pobre em fibras e gordura deve ser consumida. A reposição de carboidrato deve ser suplementada com bebidas esportivas nos primeiros 30 minutos de exercício e suplementar novamente depois de 2,4 e 6 horas.

Os atletas vegetarianos devem tomar cuidado na hora da prática de exercício físico, pois a perda de vitaminas e minerais, além de elementos importantes como o ferro e a vitamina B12, podem prejudicar o desempenho e principalmente a saúde do atleta. Deve ser feita uma dieta própria com a distribuição adequada de vitaminas, minerais, carboidratos, proteínas e gorduras para que não haja deficiências e nem perdas nutricionais.

É importante lembrar que a suplementação deve ser feita de maneira adequada seguindo orientações de médico ou recomendação nutricional e principalmente que tenha comprovação científica.



Journal of the American Diet Association - Nov/Dez 2000



Ana Paula SANTOS

Carolina AGUILAR





segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010


Leite, a nova bebida esportiva
Brian D Roy



Muito tem se falado da utilização do leite bovino como uma bebida para ser utilizada por indivíduos praticantes de atividade física, principalmente durante a recuperação de treinos de resistência e esportes de endurance.



Baseado em pesquisas recentes, o leite parece ser uma bebida eficaz pós- treino de resistência que resulta em alterações favoráveis no metabolismo das proteínas. O consumo de leite aumenta muito a síntese de proteínas musculares, além do mais, quando o consumo do leite no pós-exercício é associado com treino de resistência (mínimo 12 semanas) há um aumento na hipertrofia muscular.



Presentes em todos os tipos de leite, a proteína do leite bovino contém cerca de 80% de caseína e 20% de proteínas do soro, percentual que pode variar em função da raça do gado, da ração fornecida e do país de origem.



A ingestão de proteína ou aminoácidos, após exercícios físicos, favorece a recuperação e a síntese protéica muscular. Além disso, quanto menor o intervalo entre o término do exercício e a ingestão protéica, melhor será a resposta anabólica ao exercício.



Mesmo que pesquisas com o leite sejam limitadas, há algumas evidências que sugerem que o leite pode ser uma efetiva bebida pós-exercício para atividade de endurance.



O leite desnatado mostrou-se tão efetivo, senão mais, como bebida hidratante do que as bebidas esportivas comercializadas. O leite representa uma bebida mais rica em nutrientes sendo esta, ótima escolha para indivíduos que participam de atividades de endurance e força.



O leite desnatado bovino é uma bebida segura e efetiva no pós exercício para a maioria do indivíduos, exceto para aqueles que apresentam intolerância à lactose, porém, mais pesquisas são necessárias para melhor delinear a possibilidade de aplicação e eficácia do leite bovino na área da nutrição esportiva.


                                       Journal of the International Society of Sports Nutrition 2008.








Efeito Ergogênico de Uma Bebida Esportiva Cafeinada Sobre a Performance em Testes de Habilidades Específicas do Futebol

Ergogenic Effect of a Caffeinated Sports Drink on Performance in Soccer Specific Abilities Tests



Ana Paula Muniz Guthierez

Antonio Jose Natali

Rita de Cassia Gonçalves Afenas

João Carlos Bouzas Martins



O objetivo do presente estudo foi comparar o efeito de uma bebida esportiva cafeinada (BEC) frente a uma bebida carboidratada comercial (BCC) sobre a performance durante a execução de testes físico-motores de habilidades específicas do futebol.

Recursos ergogênicos são procedimentos ou recursos capazes de aprimorar a capacidade de realizar um trabalho físico ou o desempenho atlético. Dentre os diferentes tipos, os recursos ergogênicos nutricionais, como bebidas esportivas e bebidas energéticas, vêm sendo utilizados por jovens esportistas com o objetivo de aumentar o desempenho físico. A cafeína, presente nas bebidas energéticas, tem demonstrado um papel positivo durante o exercício devido, prin¬cipalmente, a sua ação estimulante sobre o sistema nervoso central.

Os efeitos fisiológicos da cafeína ainda são controversos, contudo, alguns estudos demonstraram que o consumo de cafeína diminuiu a fadiga durante exercícios prolongados. Outros estudos avaliaram o efeito da cafeína sobre a execução de habilidades específicas em atletas de esportes coletivos; identificaram que esse composto foi capaz de aumentar o tempo de exercício, o pico de potência, a capacidade de executar sprints, condução de bola e a acurácia dos passes. Outros estudos observaram alguns efeitos que podem contribuir positivamente sobre o desempenho esportivo de jogadores de futebol como, por exemplo: sua ação sobre a reserva do glicogênio muscular, a potencialização na força de contração muscular, diminuição da dor mus¬cular nos membros inferiores produzidas pelo exercício extenuante e diminuição da percepção de esforço.

Devido a esses possíveis efeitos ergogênicos, produtos com cafeína em sua formulação têm sido utilizados por jogadores de futebol, visando otimizar a execução de habilidades específicas anaeróbicas, como saltar o mais alto possível e correr na máxima velocidade (sprint), ações essas que podem ser decisivas para o sucesso esportivo.

Novas evidências mostram que a cafeína usada com moderação durante a prática de exercícios físicos não causa desi¬dratação ou desequilíbrio de eletrólitos. No entanto, é necessária atenção ao uso de bebidas energéticas contendo cafeína por adolescentes, visto que, além de ser capazes de exercer efeito ergolítico (efeito que promove diminuição do desempenho físico), podem ser potencialmente perigosas à saúde quando consumidas em excesso ou em combinação com estimulante ou álcool.

Foi observado que os jogadores que atingiram a menor e a maior altura no salto apresentaram melhoria no desempenho com o consumo de BEC. Antes da ingestão de BEC, os jogadores com o menor e maior desempenho atingiram, respectivamente, 37 e 58 cm, e após o seu consumo obtiveram 40 e 59 cm. Com BCC ocorreu esse aumento no desempenho individual do valor mínimo de 38 para 47 cm, mas o mesmo não foi observado para o valor máximo, que de 53 cm foi para 51 cm. Dessa forma, é possível sugerir que a melhora na execução do salto promovida pelo consumo de BEC pode resultar em efeitos positivos sobre a desempenho de atletas juniores ao longo de uma competição.

A ação positiva que BEC poderá exercer sobre o aumento de potência de membros inferiores pode ser importante, principalmente, nos momentos finais da partida, nos quais a fadiga é expressiva devido à depleção do glicogênio muscular.

Enfim, analisando o estado de fadiga de jogadores de futebol categoria Júnior por meio da comparação dos resultados dos testes de força explosiva e de agilidade executados antes e após as partidas, pode-se concluir que o consumo de BEC durante o jogo foi capaz de melhorar a altura atingida no salto vertical, mesmo após o desgaste físico promovido pela partida, o que não ocorreu após o consumo de BCC. Conclui-se que, para jovens futebolistas, BEC foi considerada um agente ergogênico capaz de evitar a instalação dos sintomas da fadiga para a execução de testes após o jogo.





Revista Brasileira de Medina do Esporte Nov/Dez de 2009.



Ana Paula Ferreira dos Santos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010


Chá verde e redução da gordura corporal



Renata da Costa LAMARÃO
Eliane FIALHO


A obesidade está sendo considerada uma epidemia mundial, presente em países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo decorrente de um desequilíbrio entre a energia ingerida e a energia despendida. As conseqüências do excesso de peso à saúde têm sido relatadas por diversos autores, uma vez que é fator de risco para dislipidemias, hipertensão arterial, diabetes melitus, doenças cardiovasculares, alguns tipos de câncer, dentre outras doenças.


Os alimentos funcionais são definidos pelo International Food Information Council como alimentos que provêm benefícios adicionais à saúde aos já atribuídos nutrientes que contêm. Propriedade funcional é aquela relativa ao papel metabólico ou fisiológico que o nutriente ou não nutriente tem no crescimento, no desenvolvimento, na manutenção e em outras funções normais do organismo humano. Dentre os alimentos funcionais, o chá é uma bebida amplamente utilizada. O chá verde contém componentes polifenólicos, que incluem flavanóis, flavandióis, flavonóides e ácidos fenólicos, que totalizam cerca de 30% do peso seco das folhas, e dentre estes, predominam as catequinas que tem função no metabolismo lipídico.


Entre uma variedade de efeitos benéficos do chá verde, tem sido relacionado à redução da gordura corporal. Evidências sugerem que o extrato do chá verde possa reduzir o apetite e aumentar o catabolismo de gorduras. As doses de chá verde que surtem tais efeitos variam largamente, mas tipicamente ficam em torno de 3 copos por dia, equivalente a, aproximadamente, 240 a 320mg de polifenóis. A redução de gordura corporal tem sido relatada como fator importante para a melhora do quadro de obesidade, e dentre os fatores envolvidos neste processo, a utilização do chá verde tem se mostrado de grande utilidade.


Finalmente, com o objetivo de obter redução de gordura corporal torna-se importante aliar o consumo do chá verde a um plano alimentar equilibrado, além da prática freqüente de atividade física, consideradas condutas favoráveis para acelerar o metabolismo energético.


Entre os efeitos adversos do chá verde, relataram que o consumo, por 5 anos, de chá obtido diariamente de 65g de folhas, pode levar à disfunção hepática, a problemas gastrointestinais como constipação e até mesmo, à diminuição do apetite, insônia, hiperatividade, nervosismo, hipertensão, aumento dos batimentos cardíacos e irritação gástrica.
Revista de Nutrição, mar./abr., 2009


Carina Ferreira de Melo e Marília Cremonezi

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Carboidratos e Desempenho Atlético

                          


Edward F. Coyle

Embora poucos discordem de que os carboidratos sejam um componente vital na dieta dos atletas, ainda há dúvidas sobre como tirar o maior proveito deles através da dieta.

Os amidos encontrados nos vegetais e cereais são digeridos e absorvidos pela corrente sangüínea em forma de glicose, o único tipo de carboidrato utilizado diretamente pelos músculos para obtenção de energia.

A sacarose (açúcar de mesa) é desdobrada em glicose e frutose durante o processo absortivo no intestino delgado, onde todos os carboidratos são ingeridos.

Quando o glicogênio é degradado no músculo, a energia pode ser liberada em taxas capazes de permitir uma aceleração metabólica de até 150% da captação máxima de oxigênio. Em comparação, a energia obtida de gorduras não pode ser liberada de modo suficientemente rápido para permitir que uma pessoa se exercite em níveis além de 50% da captação máxima de oxigênio (corrida lenta). O principal "combustível" para o exercício intenso é o glicogênio muscular, não a gordura. Quando a concentração de glicogênio muscular é normal, a energia presente é mais do que suficiente para abastecer os treinos da maioria dos atletas e outras atividades com 90-120 min. de duração. Após 1h a 3 h de corrida contínua, ciclismo ou natação, há 65-80% da captação máxima de oxigênio, ou após sprints (80-95% ou mais da captação máxima de oxigênio), as reservas de glicogênio muscular podem ser depletadas. Aparentemente, o consumo de alimentos com carboidratos durante tais exercícios melhora o desempenho, uma vez que fornecem uma fonte adicional de energia.

A ingestão de carboidratos durante o exercício retarda a fadiga em até 30-60 min., ao permitir que os músculos em atividade dependam, basicamente, da glicemia para a obtenção de energia ao final do exercício e não poupando o glicogênio muscular. Embora os atletas possam ficar hipoglicêmicos, ou seja, apresentar um quadro de baixa glicemia, menos de 25% sofrem de sintomas, como tonturas e náuseas. A maioria dos atletas costuma apresentar, em primeiro lugar, fadiga muscular local. O consumo de carboidratos não evita a ocorrência de fadiga, apenas a retarda.



Carina Ferreira de Melo e Marília Cremonezi




quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O papel da carne na dieta do atleta: seu efeito na inter-relação entre macro e micro nutrientes






Autor:Susan M. Kleiner

Gerações de atletas tem consumido uma dieta centralizada na carne, hoje existem evidências científicas que solidificam a ligação entre a elevada quantidade de gordura e a ingestão de dietas a base de carnes, com este dado os atletas estão sendo atraídos por um estilo de dieta diferente evitando a carne e outras carnes vermelhas.

A exclusão de todas as carnes da dieta não fornece uma alimentação adequada teoricamente, tendo que ter uma alimentação muito adequada para não existir deficiencias. De modo geral, as carnes vermelhas como as de boi são ótimas fontes de zinco e ferro e são semelhantes na sua composição às carnes dos pescados e carnes brancas de aves. O porco é uma excelente fonte de ferro, como as ostras são também uma excelente fonte de zinco.

Com dietas isentas de carnes, insuficiências e deficiências de nutrientes tendem a aumentar. A ingestão sub-ótima de ferro e zinco resulta em uma diminuição do estado nutricional que tem sido observado comumente em atletas que eliminaram a carne de sua alimentação. Podendo ter definitivamente um efeito negativo no desempenho esportivo se o atleta não for bem organizado com sua alimentação.

É possível obter todos os nutrientes essenciais ingerindo uma dieta bem planejada. Entretanto, o planejamento e a execução, desta dieta isenta de carne, é crítico, tanto para a saúde quanto para o desempenho do atleta. Praticamente, as dietas vegan são ricas em fibras, e energia e pobre em proteínas. Os atletas precisam aprender que não podem cortar definitivamente algum nutriente sem saber como reorganizar a dieta; estes alimentos contém nutrientes essenciais que são repostos cuidadosamente, o que não acontece com outros alimentos. Se a decisão é deixar de consumir carne por uma questão moral ou por um princípio ético, isto não pode ser feito de uma maneira drástica, é sempre interessante que o atleta inclua algum tipo de proteína na sua dieta. É também importante que os atletas observem as evidências científicas e não se baseiam exclusivamente em mitos e crendices.

Carina Ferreira de Melo e Marília Cremonezi