quarta-feira, 1 de agosto de 2012

TREINAMENTO FUNCIONAL




O nome Treinamento Funcional pretende ser auto-explicativo, traduzido do inglês Functional Training, esse conceito de preparação física tem por objetivo privilegiar o aprimoramento dos movimentos do indivíduo, nas atividades que lhe são próprias ou específicas.

Surgido como uma nova vertente do treinamento esportivo de alto rendimento, no começo dos anos 90, a princípio era um apanhado de técnicas oriundas da Reabilitação, do Atletismo, do Levantamento de Peso, da Ginástica Olímpica e de várias estratégias de Condicionamento Físico, encontradas nas mais diversas atividades esportivas.

Desde então, criando sua própria identidade, evoluiu para um conceito de treinamento mais amplo e abrangente, que se destina não só ao atleta, mas principalmente ao indivíduo comum, que encontra nessa forma não convencional de treinar a melhor alternativa para ganhar saúde, adquirir disposição, obter ganho de massa muscular, perder peso corporal e obtendo performance superior nas atividades que realiza, de maneira mais específica, motivante e eficiente.

Tem como princípio preparar o organismo de maneira íntegra, segura e eficiente através do centro corporal, chamado nesse método por CORE.
  
Vários dos objetivos desse método de exercício representam uma volta à utilização dos padrões fundamentais do movimento humano (como empurrar, puxar, agachar, girar, lançar, dentre outros), envolvendo a  integração do corpo todo para gerar um gesto motor específico em diferentes planos de movimento. Um exemplo contrário a esse método, é o trabalho isolado do corpo para gerar um gesto motor específico, como visto na musculação tradicional.

Essa visão abrangente permite que atinja o objetivo de controlar o sistema músculo-esquelético, sem abrir mão do aperfeiçoamento do sistema sensório-motor e proprioceptivo, geralmente esquecido pelos treinamentos convencionais. Além disso, a postura do corpo humano é controlada diretamente através destes órgãos sensitivo, que tem entre suas principais funções, a regulação do equilíbrio e a orientação do corpo no ambiente. No entanto, esse treinamento visa aprimorar ou resgatar a eficiência do movimento humano para atividades do cotidiano.

Os movimentos que compõem o  Treinamento Funcional , realizados sobre uma biomecânica corporal correta, claramente poderão trazer os benefícios desejados pelo praticante, seja este um atleta, um indivíduo fisicamente ativo ou uma pessoa sedentária que deseja ingressar na atividade física. O programa de exercícios funcionais traz vários benefícios tanto ao corpo como também à mente.

Utilizando aparelhos alternativos ou acoplados aos aparelhos de musculação, exigirão de maneira mais significativa dos proprioceptores corporais para a execução das atividades. Contudo, os exercícios podem ser realizados com o peso do próprio corpo, cabos, elásticos, pesos livres, base de suporte instável e reduzida, medicine balls, bolas suíças, trazendo benefícios mais significativos à capacidade funcional do corpo. São exercícios bastante motivacionais e desafiadores, onde o indivíduo que segue esse método, tem a possibilidade de alcançar a funcionalidade corporal natural de seu organismo, além de um corpo saudável e bem condicionado. 

Alguns dos benefícios do Treinamento Funcional:

·      Desenvolvimento da consciência sinestésica e controle corporal;
·      Melhoria da postura;
·      Melhoria do equilíbrio muscular;
·      Diminuição da incidência de lesão;
·      Melhora do desempenho atlético;
·      Estabilidade articular, principalmente da coluna vertebral;
·      Aumento da eficiência dos movimentos;
·      Melhora do equilíbrio estático e dinâmico;
·      Melhora da força, coordenação motora;
·      Melhora da resistência central ( cardiovascular ) e periférica ( muscular );
·      Melhora da lateralidade corporal;
·      Melhora da flexibilidade e propriocepção.



Fonte:
Sites CORE 360 e Artur Monteiro.


Postado Por: Dr. Rogerio Nascimento

HIDRATAÇÃO NA PRÁTICA DE EXERCÍCIOS FÍSICOS





A água é o principal elemento de constituição do corpo humano em peso e volume. O volume hídrico corporal é dependente da composição corporal do individuo, do sexo, da idade, do estado de treinamento, do conteúdo muscular de glicogênio (principal reserva energética) ente outros fatores.

    Apesar de as pequenas alterações no equilíbrio hídrico corporal diário serem facilmente corrigidas para níveis normais, a imposição de exercícios e o estresse ambiental nas atividades diárias pode gravemente ameaçar a homeostase (processo responsável por manter estável o ambiente interno), o desempenho e a saúde.

    O calor produzido nas atividades esportivas eleva a temperatura corporal, o que aumenta a demanda dos mecanismos termorregulatórios para a transferência de calor do organismo para o ambiente, especialmente quando realizadas em ambientes quentes e úmidos.

    A perda hídrica pela sudorese durante o exercício pode levar o organismo à desidratação, com aumento da osmolaridade, da concentração de sódio no plasma e diminuição do volume plasmático. Quanto maior a desidratação, menor a capacidade de redistribuição do fluxo sanguíneo para a periferia, menor a sensibilidade hipotalâmica para a sudorese e menor a capacidade aeróbica para um dado débito cardíaco.

    A percepção subjetiva do esforço é aumentada em proporção ao déficit de líquidos. Mesmo uma reposição parcial de fluidos tem um efeito significativo na percepção subjetiva do esforço durante um exercício de alta intensidade.

    O estresse do exercício é acentuado pela desidratação, que aumenta a temperatura corporal, prejudica as respostas fisiológicas e o desempenho físico e produz riscos para a saúde. Estes efeitos podem ocorrer mesmo que a desidratação seja leve ou moderada, com até 2% de perda, agravando-se à medida que ela se acentua. Com 1 a 2% de desidratação inicia-se o aumento da temperatura corporal em até 0,4ºC para cada percentual subsequente de desidratação. Em torno de 3%, há uma redução importante do desempenho; com 4 a 6% pode ocorrer fadiga térmica; a partir de 6% existe risco de choque térmico, coma e morte. Assim, a desidratação afeta o desempenho aeróbio, diminui o volume de ejeção ventricular pela redução no volume sanguíneo e aumenta a frequência cardíaca.

    É importante que sejam reconhecidos os sinais e sintomas da desidratação. Quando leve a moderada, ela se manifesta com:
Ø     Fadiga
Ø     Perda de apetite
Ø     Sede
Ø     Pele vermelha
Ø     Intolerância ao calor
Ø     Tontura
Ø     Oligúria (redução do volume urinário)
Ø     Aumento da concentração urinária

Quando grave, ocorre:
Ø  dificuldade para engolir
Ø  Perda de equilíbrio
Ø  Pele se apresenta seca e murcha
Ø  Olhos afundados
Ø  Visão fosca,
Ø  Disúria (dificuldade para urinar)
Ø  Pele dormente
Ø  Delírio
Ø  Espasmos musculares
    A reposição apropriada de líquidos antes, durante e depois de exercícios intensos, especialmente em ambientes quentes, é amplamente aconselhada como o primeiro passo preventivo na redução do risco de danos ao organismo durante treinamentos e competições.

   Para garantir que o indivíduo inicie o exercício bem hidratado, a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) recomenda que o indivíduo beba cerca de 250 a 500 ml de água duas horas antes do exercício. Durante o exercício recomenda-se iniciar a ingestão já nos primeiros 15 minutos e continuar bebendo a cada 15 a 20 minutos. Após o exercício, deve-se continuar ingerindo líquidos para compensar as perdas adicionais de água pela urina e sudorese. Ainda segundo a SBME é recomendada a ingestão de bebidas a uma temperatura em torno de 15 a 22 ºC.

Estudos mostram que a maioria dos praticantes relatam que faziam o consumo de algum líquido somente quando ocorria a sensação de sede. De acordo com Wilmore et al. (2001), o mecanismo de sede do organismo não mensura precisamente o seu estado de desidratação. Somente se sente sede bem após a desidratação haver começado.

O atleta não pode depender da sede para iniciar a reposição hídrica durante o exercício vigoroso e prolongado. A ingestão abundante antes do exercício pode levar a um estado de hiperidratação, protegendo contra o estresse térmico, por retardar a desidratação, aumentar a transpiração durante o exercício e minimizar a elevação da temperatura central, contribuindo para um melhor desempenho.

Postado por: Christiana Nastari

Referência:
FURTADO, C.M.; GARCIA, J.M.; GONÇALVES, J. P.; VIEBIG, R. F. Avaliação de hábitos e conhecimentos sobre hidratação de praticantes de musculação de uma academia na cidade de São Paulo. Rev. Digital, n.133, jun. 2009.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A VERDADE SOBRE O GLÚTEN




O glúten é uma proteína encontrada no trigo, na aveia, na cevada, no malte, no centeio e em seus derivados, como pães, massas, bolachas, cerveja, e em uma infinidade de produtos industrializados. O que muita gente não sabe é que, apesar de estar presente na maioria dos alimentos, o glúten é o protagonista da doença celíaca, que é a intolerância à substância, surpreendentemente comum. Ingerir comidas que contenham essa substância pode ser o gatilho para reações desagradáveis: diarreia, dor abdominal, inchaço, danos ao intestino delgado, problemas na absorção dos nutrientes, anemia e fadiga. Para resolver o problema deve-se adotar uma dieta livre de glúten.
Você já parou para analisar se a sua barriga fica estufada após comer pão ou pizza? Você sente algum desconforto, leve que seja, após comer tortas, massas ou biscoito?! Se sim, fique atento! 
 A doença celíaca se caracteriza por uma inflamação no intestino delgado, que ocorre em indivíduos geneticamente predispostos, com formação de anticorpos e dependente do glúten. A investigação para a conclusão do diagnóstico costuma seguir três passos: histórico familiar da doença, exame de sangue e biópsia do intestino delgado por endoscopia. Por ser genética, a doença pode estar presente em um ou mais membros da mesma família.
Mesmo nos casos mais amenos da doença, a detecção é fundamental. Isso porque as complicações podem levar a problemas graves, como osteoporose, doenças autoimunes, linfoma e outros cânceres e problemas na tireoide. Isso ocorre porque a exposição ao glúten faz com que o sistema imunológico trabalhe sempre acima do seu limite.
A doença celíaca é mais frequente em mulheres. O consumo de cereais que contém glúten por celíacos prejudica o intestino delgado, atrofiando e achatando suas vilosidades e conduzindo dessa forma, à limitação da área disponível para absorção de nutrientes.
Existe também a sensibilidade ao glúten não celíaca pode ser definida como desordens ou condições morfológicas, imunológicas ou funcionais que respondem à exclusão do glúten, na ausência de doença celíaca. Esta condição pode ser encontrada, por exemplo, em muitos pacientes com síndrome do intestino irritável (SII), que respondem favoravelmente à retirada do glúten da dieta.


Postado por: Christiana Nastari

Referências:
COSTA, M.F.; MENDES, K. F.; TEIXEIRA, N. M.; MOURA, R.C. Alergia Alimentar. Icb-departamento de nutrição, Juiz de Fora, 2010.
ARAUJO, H.M.C.; ARAUJO, W. M. C.; BOTELHO, R. B. A.; ZANDONADI, R. P. Doença celíaca, hábitos e práticas alimentares e qualidade de vida. Revista de Nutrição. Vol.23 no.3 Campinas, May/June 2010.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Jejum prolongado




O jejum é um estado no qual o indivíduo não ingere alimentos durante um tempo, sendo o jejum prolongado caracterizado pela falta de ingestão de alimentos durante um período superior a 72 horas. Um organismo humano saudável possui uma reserva de energia composta por gorduras, proteínas e açúcares. As gorduras constituem cerca de 85% das fontes de energia do corpo, as proteínas em torno de 14% e os carboidratos (açúcares) somente 1%.

O jejum é prejudicial à saúde porque o organismo é dependente de quantidades constantes de glicose para sobreviver, não sendo a quantia de carboidrato armazenada o suficiente para manter constante o nível de glicose no corpo.

A fim de gerar energia o organismo precisa degradar os carboidratos e transformá-los em glicose, bem como quebrar as proteínas em subunidades chamadas aminoácidos e reduzir as gorduras a ácidos graxos. Glicose, aminoácidos e ácidos graxos são substratos usados pelas células do corpo como combustível para realizar tarefas necessárias à sobrevivência do organismo.

Grandes quantidades de glicose são armazenadas sob a forma de glicogênio, principalmente no fígado, assim como aminoácidos formam as proteínas e são estocados em maiores proporções nos músculos e os ácidos graxos compõem os triacilgliceróis e constituem as reservas do tecido adiposo.

Durante as primeiras horas de jejum, a quantidade de glicose, aminoácidos e ácidos graxos que circulam no sangue diminui progressivamente, sendo essa baixa concentração responsável pela redução da quantidade de insulina secretada, ao passo que provoca um aumento da liberação de glucagon.

A insulina e o glucagon são hormônios produzidos e liberados pelo pâncreas e são responsáveis pela regulação do metabolismo (processos físicos e químicos que acontecem no corpo) da glicose, dos ácidos graxos e das proteínas. Os dois hormônios têm funções opostas: enquanto a insulina desempenha papel importante no armazenamento de energia, promovendo a retirada dos substratos usados como combustível do sangue e estocando-os, o glucagon determina uma elevação da quantidade de fontes de energia no sangue para serem usadas pelas células do corpo.

Atividade física em jejum: Sabe-se que a principal fonte de energia para o nosso organismo é o carboidrato (CHO). Ao realizar atividade física em jejum, esse estoque de carboidrato, ou seja, o glicogênio muscular estará em baixa e seu corpo será obrigado a utilizar a gordura como fonte primária de energia. O exercício moderado a leve recrutará mais a gordura como fonte de energia do que a atividade rapidamente feita. Como o glicogênio está em baixa, realizando a atividade de uma forma que você fique ofegante de imediato, estará ultrapassando o limiar aeróbio e com isso ocorrerá o catabolismo, ou seja, perda massa magra.

Alterações fisiológicas no jejum: Entre as diversas alterações sofridas pelo organismo durante o jejum estão: redução acentuada da gordura corpórea, aumento dos ácidos graxos e da glicose circulantes no sangue, perda de massa muscular, diminuição do número de células de defesa imunológica, hálito, bem como redução da quantidade de vitaminas.

Manifestações clínicas: Como consequência das mudanças fisiológicas que ocorrem durante o jejum acontecem algumas manifestações clínicas tais como: perda progressiva de peso, sensação de fraqueza, anemia, inchaço, maior suscetibilidade a infecções, comprometimento da fase alimentar, intolerância a alimentos, alteração do humor com acentuada irritabilidade e mau hálito, entre outros.

Referências : Champe PC, Harvey RA. Bioquímica Ilustrada. 2. ed. Porto Alegre: Artes médicas sul (ARTMED), 1996.

Guyton AC. Tratado de fisiologia médica. 11. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006 Porth CM. Fisiopatologia. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

CCI, Nídia Denise; FONTES, Belchor; POGGETTI, Renato Sérgio. Avaliação de um esquema de realimentação utilizado após 43 dias de jejum voluntário. Rev. Nutr. [online]. 2008, vol.21, n.5, pp. 503-512. ISSN 1415-5273. doi: 10.1590/S1415-52732008000500003.
Postado por: Christiana Nastari

quinta-feira, 26 de julho de 2012

BAROPODOMETRIA EM ATLETAS DE FUTSAL APÓS A APLICAÇÃO DE KINESIO TAPING



O futsal possui como característica movimentos bruscos a cada 6 segundos, os quais exigem do corpo níveis de força muscular, amplitude de movimento articular e transferência de peso superior aos fisiologicamente suportados, facilitando a ocorrência de lesões. A Kinesio Taping é uma técnica desenvolvida através da hipótese dos músculos e outros tecidos poderem ser auxiliados por um contato externo, utilizando bandagens elásticas a fim de permitir uma melhor integração corporal entre o ambiente e o corpo humano por meio da estimulação tegumentar. A tensão gerada pela bandagem mantém a comunicação com os tecidos mais profundos através de mecanoreceptores da epiderme e derme. O objetivo foi observar os efeitos da técnica de Kinesio Taping em atletas de futsal na distribuição da pressão plantar em apoio unipodal por meio da baropodometria. A amostra foi composta por 10 atletas de futsal do sexo masculino com idade média de 26,3(±4,13)anos, peso médio de 75,7 (±12,53)kg e altura média de 177,8 (±5,34)cm. Para a coleta da baropodometria foi utilizada plataforma de força da Midcaptures  com sensor piezoelétrico de quartzo e o software Footwork . Tanto as coletas como a aplicação das bandagens, foram realizadas nos pés de apoio dos atletas (unipodal). Primeiro foi realizada a coleta sem a bandagem e outra, 30 minutos após a aplicação da bandagem. A técnica utilizada foi de estabilização de tornozelo sem tensão, com uma bandagem indo de maléolo a maléolo, passando pelo calcâneo, e outra partindo da face látero-dorsal do mediopé, passando pelo tendão calcâneo, indo até a face médio-dorsal do mediopé. O membro de apoio fixo analisado foi o esquerdo para 70% da amostra. A distribuição da pressão plantar no pé de apoio em antepé reduziu após a aplicação da técnicade 298,3(±128,4)kgf–52,52% para 291,6(±118,4)kgf–51,85%, mas permanecendo maior que as outras regiões; em mediopé apresentou um leve aumento de 107,9(±52,5)kgf–19% para 103,7(±63,4)kgf–18,45%, mas ainda permanecendo menor, enquanto que em retropé aumentou de 161,7(±31,0)kgf–28,48% para 167,0(±23,07)kgf–29,7%, ficando entre as outras regiões. Todas as diferenças foram significantes estatisticamente (p<0,002). Após a aplicação da bandagem, foi possível observar a posteriorização da pressão plantar, embora a descarga anterior tenha permanecido maior. Esta diferença pode estar relacionada com a nova propriocepção fornecida pela bandagem em contato com a pele.


DIAS, R. L., BRAZ, A. G., MAGNANI, R. M., ONOFRE, A. L. R. BAROPODOMETRIA EM ATLETAS DE FUTSAL APÓS A APLICAÇÃO DE KINESIO TAPING. Revista Ciência & Saúde, Porto Alegre, 2009; 64.


Postado por: Dr. Rogerio Nascimento.

terça-feira, 24 de julho de 2012

Atividade eletromiográfica no agachamento em diversas posições



Durante muitos anos, fisioterapeutas dedicados à reabilitação de atletas utilizaram os exercícios em cadeia cinética aberta (CCA), no qual os movimentos são desenvolvidos com o segmento distal livre, para o fortalecimento da extremidade inferior. Todavia, uma melhor compreensão da cinesiologia e da biomecânica proporcionou a atual aplicação dos exercícios em cadeia cinética fechada (CCF), os quais foram incorporados aos protocolos de reabilitação, principalmente, da articulação do joelho. Este tipo de exercício envolve movimentos multiarticulares executados com a extremidade distal fixa.

Algumas suposições são apresentadas para a utilização de exercícios em CCF do ponto de vista biomecânico, sugere-se que esses exercícios são mais seguros e produzem estresses e forças que oferecem menor risco às estruturas em recuperação quando comparados com os exercícios em CCA. A co-ativação ou co-contração dos músculos agonistas e antagonistas ocorrem durante os movimentos em CCF, a fim de proporcionar a estabilização articular. Além disso, os exercícios em CCF são igualmente eficazes na produção de força no quadríceps femoral, quando se compara com os exercícios em CCA.

A co-contração tem sido vista de maneira positiva, como algo necessário para ganhos em estabilidade dinâmica. Devido a sua aplicabilidade, a mensuração da co-contração se torna relevante em diversas áreas que têm como foco de interesse o movimento
humano.

Dentre os exercícios em CCF, o agachamento, tríplice flexão do membro inferior, vem sendo considerado efetivo no desenvolvimento da musculatura do quadril, joelho e tornozelo, por meio do aumento da atividade do quadríceps, isquiotibiais e tríceps sural. Apesar disso, ele deve ser utilizado cautelosamente nos indivíduos portadores de alterações patelofemorais (PF) e do ligamento cruzado posterior (LCP), especialmente nos maiores ângulos de flexão do joelho, ocasião em que as forças de translação e compressão aumentam nessa articulação.

Durante o agachamento, a linha de gravidade se desloca posteriormente ao eixo do joelho, aumentando o torque flexor. Os isquiotibiais promovem uma estabilização no joelho mediante uma tração posterior na tíbia para contrapor a força anterior imposta pelo quadríceps. O grau de ativação em que os músculos isquiotibiais atuam na pelve, provavelmente, depende dos ângulos do joelho e quadril e dos comprimentos musculares individuais. Dessa forma, a tensão dos isquiotibiais pode ser aumentada com uma ligeira flexão anterior do tronco, o que também move o centro de gravidade anteriormente, diminuindo o torque de flexão do joelho e reduzindo, assim, a força de translação tibial e a compressão na articulação patelofemoral.

Prosseguindo o agachamento, um torque de flexão também é criado no tornozelo quando a linha de gravidade se desloca anteriormente à articulação talo-crural. O sóleo desacelera a dorsiflexão do tornozelo e cria um torque de extensão no joelho tracionando a tíbia posteriormente, o que minimiza a força de cisalhamento anterior nesta articulação. Desse modo, toda a cadeia cinética da extremidade inferior é recrutada pela aplicação de uma força axial no segmento distal.
Escamilla et. al. recomenda uma amplitude de 0o a 50° de flexão do joelho para os exercícios de agachamento utilizados na reabilitação, por se tratar da amplitude em que ocorrem as menores forças de cisalhamento anterior na articulação tibiofemoral. Entretanto, experimentos realizados com atletas demonstraram que os agachamentos com a coxa paralela ao solo (0°-100°) não causam lesões e instabilidade em joelhos saudáveis. Por outro lado, a utilização de cargas externas tende a aumentar a força de cisalhamento e, provavelmente, solicita maior atividade dos estabilizadores dinâmicos da articulação do joelho.

Entender e comparar as atividades musculares que ocorrem na articulação do joelho durante o exercício de agachamento é importante para determinar as posições de melhor equilíbrio muscular, tensão ligamentar e compressão articular. A atividade eletromiográfica (EMG) tem sido amplamente utilizada em estudos de análise do movimento humano, com o objetivo de investigar a função muscular, por meio da aquisição e análise de sinais elétricos produzidos pelos músculos. A amplitude do EMG estimada pela média do sinal retificado ou pelo RMS (root mean square) reflete o padrão de recrutamento ou ativação das unidades motoras que controlam um determinado músculo, havendo uma relação muito próxima do linear entre o EMG e a força gerada pelo músculo, principalmente, em contrações isométricas.
  
O Objetivo do estudo foi a comparação da atividade eletromiográfica (EMG) dos músculos reto femoral, bíceps femoral, tibial anterior e sóleo no agachamento, associando a posição de tronco ereto com 2 ângulos de flexão do joelho (40° e 60°) e a posição de tronco fletido a 45° com 3 ângulos de flexão do joelho (40°, 60° e 90°). Todas as combinações foram realizadas com e sem acréscimo de carga (10kg). A amostra foi composta por 12 indivíduos saudáveis com idade de 21,1 ± 2,5 anos e massa corporal de 62,8 ± 7,4kg. O EMG dos músculos citados foi registrado, isometricamente, em 10 posições de agachamento.

Concluiu-se que o agachamento é um exercício em CCF, multiarticular, em que ocorre uma flexão simultânea do quadril, joelho e tornozelo, proporcionando uma co-contração de diversos músculos, a qual representa um fator importante para a estabilidade dinâmica. Em concordância com alguns estudos apresentados na literatura, ocorreu co-ativação muscular significativa entre os músculos reto e bíceps femoral apenas nas posições com tronco fletido, o que ratifica a necessidade deste posicionamento do tronco durante a realização dos exercícios de agachamento proporcionando menores tensões sobre o LCA, principalmente, em angulações superiores a 60° de flexão do joelho. Adicionalmente, a coativação entre os músculos reto femoral e sóleo, abre perspectivas para a inclusão do fortalecimento específico deste último, nos programas de reabilitação, como forma de equilibrar as forças de translação tibial anterior e, conseqüentemente, reduzir a tensão no LCA.

O aumento da profundidade do agachamento acentuou bastante a diferença de ativação do reto femoral, principalmente, em relação ao bíceps femoral, o que pode indicar um desequilíbrio de forças, onde ocorre um aumento desproporcional da força extensora em relação à flexora. Como a ação extensora do joelho tende a provocar translação tibial anterior, não seria recomendável a utilização de agachamentos profundos no pós-cirúrgico precoce de reconstrução do LCA devido à maior demanda de torque exercida sobre o aparelho extensor durante os exercícios de agachamento com o joelho flexionado além de 40°.

Os resultados mostraram co-ativação entre os músculos reto femoral e bíceps femoral nas posições de tronco fletido e joelho em flexão de 40° e, entre os músculos reto femoral e sóleo, nas demais posições. Houve co-ativação entre o tibial anterior e bíceps femoral com o joelho a 40°, com o tronco ereto e fletido e, entre o tibial anterior e sóleo, nas demais posições. Quanto à ativação muscular isolada, a maior flexão do joelho no agachamento foi um fator determinante para maior ativação dos músculos, exceto para o sóleo. A posição do tronco e a carga adicional de 10kg influenciaram a ativação muscular do reto femoral, a 60° de flexão de joelho, na qual o tronco ereto proporcionou maior ativação. E para o bíceps femoral, a 40° de flexão de joelho, na qual o tronco flexionado proporcionou maior ativação. A co-ativação entre o reto femoral e o bíceps femoral na posição de tronco fletido, e entre o reto femoral e o sóleo nas demais posições, apontam para novas possibilidades de exercícios na reabilitação.

Este estudo teve um aspecto inovador, à medida que analisou a interação de vários músculos das cadeias musculares anterior e posterior que atuam na estabilização dinâmica da articulação do joelho em CCF, associando ao posicionamento do tronco com e sem carga e a vários graus de flexão do joelho. Entretanto, o estudo foi realizado em sujeitos sadios utilizando um posicionamento estático. Assim, existe a necessidade de continuar os estudos com o propósito de se estabelecer uma relação entre ativação muscular e a magnitude das forças de translação tibial em condições de posicionamento dinâmico e incluindo sujeitos com LCA deficiente, para que se possa validar a utilização destes achados em programas de reabilitação.



Sousa CO, Ferreira JJA, Medeiros ACLV, Carvalho AH, Pereira RC, Guedes DT, Alencar JF. Atividade eletromiográfica no agachamento nas posições de 40 o, 60 o e 90 o de flexão do joelho. Rev Bras Med Esporte. 2007; 13: 310-16.



Postado por: Dr. Rogerio Nascimento.

sábado, 14 de julho de 2012

REABILITAÇÃO: MECANOTERAPIA E FORTALECIMENTO MUSCULAR





O exercício resistido, exercício ativo no qual uma contração muscular dinâmica ou estática é resistida por força externa, aplicada mecânica ou manualmente, é um quesito imprescindível num programa de reabilitação, para se promover a saúde e o bem-estar físico e prevenir o risco de lesões. Ele restaura, melhora ou mantém a força, a potência e a resistência muscular a fadiga entre outros efeitos. As contra-indicações a este tipo de exercício são: doença cardiopulmonar grave, inflamação e dor; e as precauções são com cardiopatias (evitar manobra de Valsalva), fadiga (principalmente em portadores de câncer), treinamento excessivo, dor muscular induzida por exercício e fratura patológica.

Os exercícios resistidos mecanicamente constituem um estímulo à recuperação do indivíduo, pois permitem o estabelecimento de um valor inicial a partir da capacidade funcional do indivíduo, a quantidade de resistência pode ser mensurada quantitativamente, progredindo os protocolos de tratamento para as fases intermediária e avançada da reabilitação. Dessa forma, é possível fazer a documentação dos avanços e usá-la como instrumento de motivação quantitativa. Além disso, muitas variáveis como intensidade, carga, tempo e frequência podem ser acrescentadas ao programa.

Em contrapartida, esses exercícios são impróprios para membros muito fracos e sobrecarregam o músculo em apenas um ponto da amplitude do movimento, quando executado em uma única posição. Portanto, devem ser realizados isometricamente em vários ângulos ou isotonicamente.

·      Treino de flexibilidade

A flexibilidade refere-se à amplitude de movimento (ADM) disponível para uma ou mais articulações. Sua importância no embasamento da criação de um plano de fortalecimento muscular é devido ao papel que desempenha na prevenção de lesões. A ADM ao redor de uma articulação é específica, portanto a flexibilidade varia de acordo com a necessidade de cada indivíduo (atividades de vida diária AVDs e esportes praticados), idade e sexo (sendo as mulheres mais flexíveis do que os homens). Antes realizar exercícios resistidos deve-se realizar exercícios de aquecimento e após deve-se realizar o alongamento muscular com o intuito de diminuir a dor muscular tardia, evitar lesões, funcionar como relaxante e, principalmente, produzir uma maior tensão no momento da contração (relação entre comprimento e tensão).

·      Treino de força

Dispositivos mecânicos representam um relevante papel no ganho de força muscular. Como consequência a este tipo de treinamento, alterações fisiológicas irão ocorrer; as primeiras são alterações agudas (aprendizado psicomotor) e, posteriormente, alterações crônicas (hipertrofia muscular), que variam de acordo com a predisponibilidade genética (tipo de fibra predominante) e com o sexo, que está relacionada ao fato de os homens possuírem níveis séricos de testosterona maiores que as mulheres.

O treino de força induz alterações no sistema nervo central, o qual pode aumentar o número de unidades motoras recrutadas, alterar a frequência de disparo dos motoneurônios, melhorar a sincronia da unidade motora durante determinado padrão de movimento e reduzir ou cancelar gradativamente os impulsos inibitórios permitindo que o músculo atinja níveis mais elevados de força, que geralmente acontecem na segunda ou terceira semana, para a partir da sexta semana acontecer hipertrofia muscular.

Comparando-se a mecanoterapia com a eletroestimulação, verifica-se que a primeira oferece uma maior vantagem no plano de treinamento de força, já que proporciona ao paciente um aprendizado psicomotor, recrutamento assincrônico das unidades motoras, estimula os órgãos tendinosos de Golgi para proteger o músculo e diminui o risco de lesão, enquanto que na última isso não acontece.

·      Variáveis de um programa de exercício

A unidade de mensuração para o número de repetições é o RM (repetição máxima). O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda que o treino contra resistência tenha pelo menos uma série de oito a dez exercícios para os principais grupamentos musculares, e cada exercício deve ser feito com 8 a 12 repetições. Intimamente ligado ao número de repetições está a carga; DeLorm usava 10RM, que é a maior quantidade de peso que uma pessoa pode levantar dez vezes. São também utilizadas fórmula do máximo previsto e a porcentagem de 1RM, porém esta última expõe o paciente a uma descarga máxima de sua energia para a realização de uma repetição o que pode levar a possíveis lesões, enquanto a 10RM subdivide a carga a ser levantada em dez repetições. Todavia a medida mais precisa está no uso de dinamômetros isocinéticos.

Há dois fatores relacionados à velocidade. O primeiro refere-se ao princípio da especificidade do treinamento, na qual a velocidade do exercício deve imitar ao da função desejada. O segundo fator é a transferência de treinamento, já que o treino de força em uma determinada velocidade pode proporcionar ganho de força em velocidades de exercícios mais altos e/ou mais baixos. Vale ressaltar a relação entre repetições e velocidade de execução do exercício, ou seja, quando realizado de forma lenta e com menor número de repetições haverá um maior  desenvolvimento de força muscular.

Há uma relação inversa entre a carga/repetição do treinamento e o número de séries. Assim conforme o treino aumenta, o número de séries deve diminuir. Para o ganho de força e resistência as séries múltiplas são mais eficientes que as séries únicas para iniciantes. Para força deve ser feito um menor número de séries, já para resistência muscular à fadiga o número de séries é maior.

Os intervalos podem ser curtos (menor que 1 minuto), indicados para o treinamento de resistência muscular, todavia, resultam em altas concentrações de lactato sanguíneo; médios (são de 1 a 3 minutos), direcionados para o ganho de massa muscular e longos (maiores que 3 minutos), indicados para desenvolver força e potência máxima. Quanto a frequências, para os iniciantes, são indicadas duas ou três sessões semanais no intervalo de 24 horas.

·      Formas de treinamento

Para promover ganho de força muscular podem ser usadas as contrações isométrica e isotônica. A contração isométrica é utilizada nos estágios iniciais da reabilitação, usando uma carga de exercícios de 60% a 80% da capacidade de desenvolvimento de força do músculo. O maior empecilho ao treinamento isométrico é a sua fraca transferência para o cotidiano, visto que a maioria das AVDs envolvem contrações excêntricas e concêntricas.

A contração isotônica pode ser dividida em concêntrica e excêntrica. Há evidências de que os ganhos de força adaptativos, após um programa de exercícios, pareçam similares, embora uma contração concêntrica máxima produza menos força que uma contração excêntrica. Foi observando ainda que um número maior de unidades motoras precisa ser recrutado para controlar a mesma carga concêntrica do que excentricamente.

Vale destacar também, que os exercícios dinâmicos podem ser realizados contra uma resistência constante ou variável, dependendo das necessidades do paciente. Os procedimentos de treinamento isométricos e isotônicos produzem melhorias substanciais na força, porém os métodos isotônicos oferecem resultados discretamente superiores em termos de força muscular, endurance local e hipertrofia muscular.

·      Considerações

Os estudos sobre o tratamento e a reabilitação da força muscular por meio de recursos mecânicos são fragmentados e escassos, com poucas associações entre os aparelhos e os seus respectivos aspectos fisiológicos e biomecânicos, o que dificulta o planejamento e periodização dos exercícios terapêuticos. Entretanto, ao consultar as referências existentes, observa-se que a periodização dos exercícios em quaisquer recursos mecânicos são parecidos, diferenciando apenas pelo objetivo terapêutico almejado.

A realização de estudos clínicos de mecanoterapia aliados ao conhecimento da fisiologia e biomecânica poderia transportar a fisioterapia do plano empírico para um de maior reconhecimento científico, principalmente por fornecer medidas quantificáveis de seus parâmetros e, consequentemente, facilitando a escolha dos recursos mais versáteis ao treino muscular.



Lima PT; Ribeiro IA; Coimbra LCM; Santos MR; Andrade EN. PHYSIOTERAPEUTIC MECHANICAL DEVICES AND ENRACEMENT OF MUSCULAR FORCES: A SAFE BASEMENT FOR AN EFFICIENT TREATMENT. Rev. Saúde C. om 2006; 2(2): 143-152.


Postado por: Dr. Rogerio Nascimento

sábado, 7 de julho de 2012

Alongamento muscular na performance e na prevenção de lesões



Os exercícios de alongamento muscular estão entre os mais comumente utilizados na reabilitação e na prática esportiva. São técnicas utilizadas para aumentar a extensibilidade musculotendínea e do tecido conjuntivo muscular e periarticular, contribuindo para aumentar a flexibilidade. Existem basicamente três métodos de alongamento para desenvolver a flexibilidade: o alongamento passivo, o ativo e a facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP). Apesar de o método FNP ser o mais eficaz, o alongamento estático é o mais utilizado, pois é o método mais seguro, simples e com menor risco de lesão. No método estático, o membro é mantido em posição estacionária em seu maior comprimento possível por um período de 15 a 60 segundos. O procedimento deve ser realizado de forma lenta e gradual para evitar a resposta neurológica do reflexo do estiramento e estimular a atividade dos órgãos tendinosos de Golgi.

Os efeitos do alongamento muscular têm sido estudados de forma extensiva recentemente. Dentre os aspectos mais polêmicos, nestes estudos destacam-se a influência do aquecimento muscular prévio ao alongamento, influência deste na performance esportiva e na prevenção de lesões. Durante décadas, o alongamento antes do treinamento físico tem sido uma prática comum em todos os níveis do desporto. Contudo, tem-se demonstrado que o alongamento pré-exercício não reduz as taxas de lesões e, em alguns casos, pode  predispor a lesão, ou seja, é provável que haja pouco ou nenhum benefício na prevenção de lesões quando o atleta é submetido ao exercício de alongamento antes da sessão de treinamento.

Foi verificado que 30 segundos de alongamento muscular realizado uma vez por dia são suficientes para promover ganhos na extensibilidade muscular de adultos jovens, e não há diferenças em relação a tempos de manutenção superiores a 30 segundos. Para indivíduos com idade de 65 anos o alongamento deve ser mantido por 60 segundos.

Em relação à performance e ao alongamento agudo, realizado antes da prática esportiva e ou de exercícios, promove diminuição da performance muscular principalmente em salto vertical. Quando comparado os tipos de alongamentos musculares, foi verificado que o FNP e o estático são os que mais induzem déficits na performance do músculo quando comparado com o balístico. No entanto, em estudos que envolveram programas de alongamento e verificaram seus efeitos crônicos, constatou-se que o alongamento realizado antes da prática esportiva ou do exercício, trouxe ganhos para a flexibilidade e performance muscular no longo prazo.

A relação da eficiência do alongamento antes do exercício ou treino com o objetivo de prevenir lesões não tem sido sustentado por muitos autores, apesar de existir controvérsias à respeito do assunto. Alguns autores acreditam que a incidência de lesão está estritamente ligada a idade e ao nível do condicionamento e não a prática de alongamento estático antes da atividade física.

Em certos casos a prática do alongamento agudo apresenta efeito prejudicial a performance muscular e que a realização do alongamento antes do exercício não implica em menor número de lesões. Acredita-se que há outros mecanismos, provavelmente relacionados ao processo de aquecimento, que justificaria uma menor incidência de lesões e melhora na performance.

Recomenda-se realizar avaliação criteriosa para a prescrição do exercício de alongamento, contribuindo desta forma para melhores resultados tanto no treinamento quanto na reabilitação e prevenção de lesões. Assim, mais estudos de alta evidência deveriam ser desenvolvidos para investigar os efeitos do alongamento na prevenção das lesões musculares.

Fonte:

Almeida PHF, Barandalize D, Ribas DIR, Gallon D, Macedo ACB, Gomes ARS, ALONGAMENTO MUSCULAR: suas implicações na performance e na prevenção de lesões. Fisioter. Mov., Curitiba, v. 22, n. 3, p. 335-343, jul./set. 2009.


Postado por Dr. Rogerio Nascimento.