🥑 O que é a dieta cetogênica?
A dieta cetogênica é uma estratégia alimentar muito baixa em carboidratos, geralmente com algo em torno de 20–50 g de carboidratos por dia, quantidade que pode levar o organismo à cetose nutricional. Nessa situação, o corpo aumenta a utilização de gordura e produz corpos cetônicos, que passam a servir como fonte de energia. (Diabetes Journals)
Em termos práticos, costuma priorizar:
🥩 carnes, frango e peixes
🥚 ovos
🥑 abacate
🫒 azeite e outras fontes de gordura
🧀 queijos e alguns laticínios
🥜 castanhas e sementes
🥦 vegetais com pouco carboidrato
🫐 pequenas quantidades de frutas com menor teor de carboidratos
E restringe bastante:
açúcar e doces
refrigerantes e bebidas açucaradas
pão, massas e farinha
arroz e outros cereais
batata e outros tubérculos
grande parte das frutas
leguminosas, dependendo do nível de restrição
Ela emagrece?
Pode ajudar no emagrecimento, principalmente no curto prazo. A redução dos carboidratos pode diminuir a ingestão calórica espontaneamente e também provoca perda inicial de água associada ao glicogênio.
Porém, a evidência não mostra que simplesmente entrar em cetose torne a dieta necessariamente superior a outras estratégias alimentares para perda de peso no longo prazo. A ADA 2026 destaca que dietas com restrição de carboidratos podem ser úteis para algumas pessoas, mas os resultados dependem também da qualidade da alimentação, ingestão energética, adesão e sustentabilidade. (Diabetes Journals)
🩸 E para diabetes?
Aqui é importante separar dieta com baixo carboidrato de dieta cetogênica.
A redução de carboidratos pode melhorar a glicemia em algumas pessoas com diabetes tipo 2, especialmente no curto prazo. Entretanto, a ADA 2026 ressalta que os benefícios das dietas muito restritas em carboidratos tendem a diminuir com o passar do tempo e que não existe uma única distribuição ideal de carboidratos, proteínas e gorduras para todas as pessoas. (Diabetes Journals)
Um ponto particularmente importante: pessoas que utilizam medicamentos da classe dos inibidores de SGLT2 — como dapagliflozina, empagliflozina e similares — devem evitar uma dieta cetogênica devido ao risco aumentado de cetoacidose. (Diabetes Journals)
⚠️ Existem desvantagens?
Sim. Uma cetogênica mal planejada pode levar a:
baixa ingestão de fibras;
constipação;
deficiência de vitaminas e minerais;
ingestão excessiva de gordura saturada;
aumento do LDL-colesterol em algumas pessoas;
dificuldade de manutenção a longo prazo;
sintomas iniciais como dor de cabeça, fadiga, tontura e alterações intestinais.
Isso não significa que toda dieta cetogênica cause esses problemas. A composição da dieta importa muito.
Por exemplo, uma cetogênica baseada principalmente em bacon, manteiga, embutidos e queijos é nutricionalmente muito diferente de uma estratégia que utiliza azeite, abacate, peixes, castanhas, sementes e muitos vegetais.
Inclusive, a ADA 2026 cita um ensaio de 12 semanas no qual uma dieta cetogênica bem formulada não melhorou significativamente a HbA1c em comparação com uma dieta mediterrânea de baixo carboidrato e apresentou aumento do LDL-colesterol. (Diabetes Journals)
🚨 Quem deve ter cuidado especial?
A dieta cetogênica não deveria ser iniciada por conta própria em situações como:
gravidez ou amamentação;
doença renal;
uso de determinados medicamentos para diabetes;
histórico ou risco de transtorno alimentar;
algumas condições metabólicas;
crianças e adolescentes, salvo indicação e acompanhamento médico/nutricional específico.
A própria ADA 2026 recomenda acompanhamento profissional para pessoas que fazem dietas muito baixas em carboidratos e ressalta essas situações de cautela. (Diabetes Journals)
Uma observação importante
Existe uma diferença entre “low carb” e “cetogênica”. Não é necessário eliminar praticamente todos os carboidratos para obter benefícios de uma alimentação com menor quantidade de carboidratos.
Para muitas pessoas, uma alimentação moderadamente reduzida em carboidratos e rica em vegetais, fibras, proteínas adequadas, azeite, castanhas, peixes e alimentos minimamente processados pode ser mais fácil de manter.
A recomendação atual da ADA é justamente individualizar a alimentação, priorizando alimentos nutricionalmente densos e minimamente processados, em vez de considerar apenas a quantidade de carboidrato. (Diabetes Journals)
Referências principais:
American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being. (Diabetes Journals)
American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Obesity and Weight Management. (Diabetes Journals)
American Diabetes Association. Nutrition Therapy for Adults With Diabetes or Prediabetes: A Consensus Report. (Diabetes Journals)
Inez & Sara

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