sábado, 3 de outubro de 2026

 



🥑 O que é a dieta cetogênica?

A dieta cetogênica é uma estratégia alimentar muito baixa em carboidratos, geralmente com algo em torno de 20–50 g de carboidratos por dia, quantidade que pode levar o organismo à cetose nutricional. Nessa situação, o corpo aumenta a utilização de gordura e produz corpos cetônicos, que passam a servir como fonte de energia. (Diabetes Journals)

Em termos práticos, costuma priorizar:

  • 🥩 carnes, frango e peixes

  • 🥚 ovos

  • 🥑 abacate

  • 🫒 azeite e outras fontes de gordura

  • 🧀 queijos e alguns laticínios

  • 🥜 castanhas e sementes

  • 🥦 vegetais com pouco carboidrato

  • 🫐 pequenas quantidades de frutas com menor teor de carboidratos

E restringe bastante:

  • açúcar e doces

  • refrigerantes e bebidas açucaradas

  • pão, massas e farinha

  • arroz e outros cereais

  • batata e outros tubérculos

  • grande parte das frutas

  • leguminosas, dependendo do nível de restrição

Ela emagrece?

Pode ajudar no emagrecimento, principalmente no curto prazo. A redução dos carboidratos pode diminuir a ingestão calórica espontaneamente e também provoca perda inicial de água associada ao glicogênio.

Porém, a evidência não mostra que simplesmente entrar em cetose torne a dieta necessariamente superior a outras estratégias alimentares para perda de peso no longo prazo. A ADA 2026 destaca que dietas com restrição de carboidratos podem ser úteis para algumas pessoas, mas os resultados dependem também da qualidade da alimentação, ingestão energética, adesão e sustentabilidade. (Diabetes Journals)

🩸 E para diabetes?

Aqui é importante separar dieta com baixo carboidrato de dieta cetogênica.

A redução de carboidratos pode melhorar a glicemia em algumas pessoas com diabetes tipo 2, especialmente no curto prazo. Entretanto, a ADA 2026 ressalta que os benefícios das dietas muito restritas em carboidratos tendem a diminuir com o passar do tempo e que não existe uma única distribuição ideal de carboidratos, proteínas e gorduras para todas as pessoas. (Diabetes Journals)

Um ponto particularmente importante: pessoas que utilizam medicamentos da classe dos inibidores de SGLT2 — como dapagliflozina, empagliflozina e similares — devem evitar uma dieta cetogênica devido ao risco aumentado de cetoacidose. (Diabetes Journals)

⚠️ Existem desvantagens?

Sim. Uma cetogênica mal planejada pode levar a:

  • baixa ingestão de fibras;

  • constipação;

  • deficiência de vitaminas e minerais;

  • ingestão excessiva de gordura saturada;

  • aumento do LDL-colesterol em algumas pessoas;

  • dificuldade de manutenção a longo prazo;

  • sintomas iniciais como dor de cabeça, fadiga, tontura e alterações intestinais.

Isso não significa que toda dieta cetogênica cause esses problemas. A composição da dieta importa muito.

Por exemplo, uma cetogênica baseada principalmente em bacon, manteiga, embutidos e queijos é nutricionalmente muito diferente de uma estratégia que utiliza azeite, abacate, peixes, castanhas, sementes e muitos vegetais.

Inclusive, a ADA 2026 cita um ensaio de 12 semanas no qual uma dieta cetogênica bem formulada não melhorou significativamente a HbA1c em comparação com uma dieta mediterrânea de baixo carboidrato e apresentou aumento do LDL-colesterol. (Diabetes Journals)

🚨 Quem deve ter cuidado especial?

A dieta cetogênica não deveria ser iniciada por conta própria em situações como:

  • gravidez ou amamentação;

  • doença renal;

  • uso de determinados medicamentos para diabetes;

  • histórico ou risco de transtorno alimentar;

  • algumas condições metabólicas;

  • crianças e adolescentes, salvo indicação e acompanhamento médico/nutricional específico.

A própria ADA 2026 recomenda acompanhamento profissional para pessoas que fazem dietas muito baixas em carboidratos e ressalta essas situações de cautela. (Diabetes Journals)

Uma observação importante

Existe uma diferença entre “low carb” e “cetogênica”. Não é necessário eliminar praticamente todos os carboidratos para obter benefícios de uma alimentação com menor quantidade de carboidratos.

Para muitas pessoas, uma alimentação moderadamente reduzida em carboidratos e rica em vegetais, fibras, proteínas adequadas, azeite, castanhas, peixes e alimentos minimamente processados pode ser mais fácil de manter.

A recomendação atual da ADA é justamente individualizar a alimentação, priorizando alimentos nutricionalmente densos e minimamente processados, em vez de considerar apenas a quantidade de carboidrato. (Diabetes Journals)

Referências principais:

  • American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being. (Diabetes Journals)

  • American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Obesity and Weight Management. (Diabetes Journals)

  • American Diabetes Association. Nutrition Therapy for Adults With Diabetes or Prediabetes: A Consensus Report. (Diabetes Journals)

Inez & Sara

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