Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição
terça-feira, 1 de setembro de 2026
Alimentos azuis e roxos: o que essas cores dizem sobre seus nutrientes?
Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição
Comer rápido demais pode atrapalhar a percepção de saciedade?
Você já terminou uma refeição e percebeu que comeu muito mais do que pretendia? A velocidade com que comemos pode ter relação com a forma como percebemos a saciedade. A saciedade não acontece instantaneamente. Durante uma refeição, diversos sinais são enviados ao cérebro à medida que o alimento é ingerido, como a distensão do estômago e a ação de hormônios envolvidos na regulação da fome e da saciedade. Quando comemos muito rapidamente, podemos dar menos tempo para que esses sinais sejam percebidos antes de continuarmos comendo. Isso pode favorecer uma ingestão maior de alimentos e dificultar a identificação do momento em que estamos satisfeitos. Além disso, comer com pressa geralmente está associado a distrações, pouca mastigação e menor atenção à refeição. Por isso, desacelerar pode ser uma estratégia interessante para desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação.
🥗 Como tornar as refeições mais conscientes?
* Reserve um tempo adequado para comer, evitando fazer as refeições com pressa.
* Mastigue bem os alimentos e procure perceber textura, sabor e temperatura.
* Evite comer sempre em frente ao celular, televisão ou computador.
* Observe os sinais de fome e saciedade ao longo da refeição.
* Faça pequenas pausas durante a alimentação.
Comer mais devagar não significa transformar a refeição em uma competição de tempo. Significa dar ao corpo a oportunidade de participar desse processo. Afinal, alimentação também é sobre prestar atenção no próprio corpo.
- Beatriz Vitória da Silva Teixeira
Referências
1. ROBINSON, E. et al. A systematic review and meta-analysis examining the effect of eating rate on energy intake and hunger. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 100, n. 1, p. 123–151, 2014.
2. KOLAY, E. et al. Self-Reported Eating Speed Is Associated with Indicators of Obesity in Adults: A Systematic Review and Meta-Analysis. Healthcare, v. 9, n. 11, 1559, 2021.
3. HOLLIS, J. H. The effect of mastication on food intake, satiety and body weight. Physiology & Behavior, v. 193, p. 242–245, 2018.
4. HALLETT, A. C. et al. Influence of oral processing on appetite and food intake: A systematic review and meta-analysis. Physiology & Behavior, 2018.
5. JIMÉNEZ-TEN HOEVEL, C. et al. Effects of Chewing Gum on Satiety, Appetite Regulation, Energy Intake, and Weight Loss: A Systematic Review. Nutrients, v. 17, n. 3, 435, 2025.
6. CHEN, Y. et al. Factors associated with eating rate: a systematic review and narrative synthesis informed by socio-ecological model. Nutrition Research Reviews, v. 37, n. 2, p. 376–395, 2024.
Massa muscular: o verdadeiro patrimônio do seu corpo
Você pode perder peso e ainda assim piorar sua composição corporal. Entenda por que preservar e construir massa muscular é fundamental para a estética, o metabolismo, a performance e o envelhecimento saudável.
Quando pensamos em massa muscular, normalmente pensamos em definição, pernas mais firmes, glúteos desenvolvidos ou um físico mais atlético.
Mas existe uma dimensão muito mais importante por trás do músculo: ele é um dos grandes patrimônios do nosso organismo.
Ter uma boa quantidade de massa muscular significa ter mais capacidade de produzir força, movimentar-se, realizar atividades do dia a dia e enfrentar períodos de doença, imobilização ou estresse físico.
E essa reserva se torna cada vez mais importante com o passar dos anos.
O que acontece quando perdemos massa muscular?
A perda muscular pode acontecer por diversos motivos: envelhecimento, sedentarismo, dietas muito restritivas, baixa ingestão de proteínas, doenças e longos períodos de inatividade.
Com a redução da massa e da qualidade muscular, podem ocorrer:
- diminuição da força;
- redução da capacidade funcional;
- piora da composição corporal;
- maior dificuldade para realizar atividades cotidianas;
- aumento do risco de quedas e fragilidade;
- alterações na utilização da glicose;
- maior dificuldade para manter a independência com o avanço da idade.
Quando a perda muscular vem acompanhada de redução importante da força e do desempenho físico, podemos estar diante da sarcopenia, uma condição relacionada principalmente ao envelhecimento, mas que também pode ser influenciada por fatores nutricionais, doenças e inatividade física.
Por isso, atualmente, a avaliação muscular não deve considerar apenas quanto músculo a pessoa possui, mas também quanto de força e função ela consegue produzir.
Músculo não é apenas estética
Do ponto de vista estético, a massa muscular contribui para o formato, proporção e definição corporal.
Mas metabolicamente, o músculo também desempenha funções importantes.
O tecido muscular participa ativamente da utilização da glicose e da energia e funciona como um importante reservatório de aminoácidos.
Além disso, durante a contração muscular, são liberadas substâncias chamadas miocinas, que participam da comunicação entre o músculo e outros tecidos.
Por isso, quando falamos em hipertrofia, não estamos falando apenas de aparência.
Estamos falando de tecido funcional.
O grande erro: olhar apenas para o peso
Imagine duas pessoas com 70 kg.
Uma possui maior quantidade de músculo e menor quantidade de gordura.
A outra possui menos músculo e maior quantidade de gordura.
O peso é exatamente o mesmo.
Mas a composição corporal, a aparência, a capacidade física e o metabolismo podem ser completamente diferentes.
É por isso que, principalmente em programas de emagrecimento, o objetivo não deveria ser simplesmente:
"perder peso".
Um objetivo muito mais interessante é:
perder gordura enquanto preserva ou aumenta a massa muscular.
Essa estratégia tende a produzir uma melhora mais significativa da composição corporal.
E o que acontece durante o envelhecimento?
A partir da vida adulta, o organismo passa por mudanças progressivas na massa, força e qualidade muscular.
Esse processo pode ser acelerado pelo sedentarismo, baixa ingestão proteica, doenças e períodos de imobilização.
O problema é que a perda de músculo pode iniciar um ciclo:
menos músculo → menos força → menos atividade → mais perda muscular.
Com o passar dos anos, esse ciclo pode contribuir para perda de mobilidade, fragilidade e redução da independência.
Mas existe uma excelente notícia:
o músculo continua respondendo ao treinamento mesmo na terceira idade.
Uma meta-análise publicada em 2026, com 25 ensaios clínicos e mais de 1.300 participantes com sarcopenia, mostrou que o treinamento resistido promoveu melhorias significativas na força, massa magra e desempenho físico.
Outro estudo publicado em 2026, reunindo 13 ensaios clínicos randomizados, também encontrou melhora significativa da força de preensão, velocidade de caminhada, massa muscular e desempenho funcional após treinamento resistido em idosos com sarcopenia.
Ou seja:
idade não elimina a capacidade de desenvolver e preservar músculo.
Treinamento de força: muito além da hipertrofia
Para quem busca estética, a musculação é uma das principais ferramentas para desenvolver massa muscular e melhorar a composição corporal.
Mas seus benefícios vão muito além disso.
O treinamento resistido estimula adaptações neuromusculares, melhora a capacidade de produzir força e ajuda a preservar a funcionalidade.
Em pessoas mais velhas, as evidências recentes mostram benefícios sobre força, massa magra, capacidade de caminhar e desempenho em tarefas funcionais.
Por isso, musculação não deveria ser vista apenas como um recurso para quem deseja "ficar musculoso".
É uma estratégia para envelhecer com mais capacidade física.
E onde entra a nutrição?
Músculo precisa de estímulo e matéria-prima.
O treinamento resistido fornece o estímulo mecânico.
A alimentação fornece energia, proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais necessários para que o organismo possa se adaptar.
A proteína merece atenção especial porque fornece os aminoácidos utilizados na síntese das proteínas musculares.
Com o envelhecimento, ocorre uma redução da sensibilidade do músculo aos estímulos anabólicos, fenômeno conhecido como resistência anabólica. Por isso, treinamento, ingestão adequada de proteína e alimentação equilibrada tornam-se ainda mais importantes.
Suplementos podem ser úteis em situações específicas, mas não substituem uma alimentação adequada nem o treinamento.
Massa muscular é uma reserva para o futuro
Existe uma maneira interessante de pensar sobre músculo:
massa muscular é uma reserva fisiológica.
Imagine duas pessoas chegando aos 70 anos.
Uma possui boa força, mobilidade e massa muscular.
A outra apresenta baixa força e pouca massa muscular.
Se ambas passarem por uma cirurgia, uma infecção ou algumas semanas de imobilização, a capacidade de enfrentar e recuperar-se desse período pode ser muito diferente.
Ter mais reserva muscular não significa estar protegido contra doenças.
Mas significa chegar aos desafios do envelhecimento com mais capacidade funcional disponível.
O objetivo não é simplesmente viver mais. É viver melhor.
O envelhecimento saudável não deveria ser medido apenas pelo número de anos vividos.
Também precisamos pensar em:
- Como você vai caminhar aos 70?
- Como vai subir escadas aos 80?
- Conseguirá levantar-se sozinho de uma cadeira?
- Terá força para carregar suas compras?
- Conseguirá manter sua independência?
É nesse contexto que a massa muscular ganha uma importância enorme.
A ciência atual mostra que o treinamento resistido é uma estratégia robusta para melhorar força, massa magra, composição corporal e função física em pessoas mais velhas.
O músculo que você constrói hoje pode ser uma das suas maiores reservas amanhã
- Cuidar da massa muscular não significa apenas buscar um corpo mais bonito.
- Significa construir um corpo mais forte, funcional e preparado para o futuro.
- Para quem busca estética, o músculo ajuda a construir forma e definição.
- Para quem busca performance, fornece capacidade de produzir força.
- Para quem busca emagrecimento, ajuda a preservar uma composição corporal mais favorável.
- E para quem pensa em longevidade, representa uma importante reserva funcional.
Treinar hoje é investir no corpo que você terá amanhã.
Músculo não é apenas estética. É estrutura, força, metabolismo, autonomia e qualidade de vida.
Referências científicas
Li G-Q et al. The intervention effects of resistance exercise on sarcopenia in older adults: a systematic review and meta-analysis. BMC Geriatrics, 2026.Tan Z et al. Optimizing prescription of resistance training for body composition, muscle strength, and physical performance in older adults with sarcopenia. European Review of Aging and Physical Activity, 2026.Yang B et al. Comparative effectiveness of protein or protein-related supplementation combined with resistance or functional exercise for sarcopenia in older adults. Frontiers in Nutrition, 2026.Ohta T et al. Effects of exercise and nutritional interventions on muscle-specific strength in older adults. Ageing Research Reviews, 2026.The effectiveness of protein supplementation combined with resistance exercise programs among community-dwelling older adults with sarcopenia: a systematic review and meta-analysis. 2024.
Inez & Sara
Carboidratos complexos + proteínas: uma combinação estratégica para emagrecer e ganhar massa muscular
Quando o objetivo é reduzir gordura corporal e preservar ou construir massa muscular, a qualidade e a distribuição dos macronutrientes na alimentação são fundamentais. Nesse contexto, a combinação de carboidratos complexos e proteínas pode ser uma estratégia eficiente dentro de uma dieta equilibrada.
Por que combinar os dois?
Os carboidratos complexos, presentes em alimentos como aveia, batata-doce, arroz integral, quinoa, feijão e outros cereais e leguminosas, fornecem energia para as atividades diárias e para o treinamento. Quando associados a alimentos ricos em fibras, também podem contribuir para maior saciedade e melhor qualidade nutricional da dieta.
Já as proteínas fornecem aminoácidos essenciais para a síntese e manutenção do tecido muscular. Para pessoas fisicamente ativas, a ingestão adequada de proteínas, associada ao treinamento de força, favorece a recuperação e os ganhos de massa magra. Uma meta-análise com 49 estudos e 1.863 participantes observou benefícios adicionais da suplementação proteica sobre força e massa livre de gordura durante o treinamento resistido, com ganhos tendendo a se estabilizar próximo de 1,6 g de proteína/kg/dia em adultos saudáveis.
E no emagrecimento?
Para perder gordura, o principal fator é a existência de um déficit energético sustentável. Não é necessário eliminar carboidratos para emagrecer: diferentes estratégias de distribuição de macronutrientes podem funcionar quando a ingestão energética é adequadamente controlada.
A proteína ganha importância durante o processo de emagrecimento porque auxilia na preservação da massa magra, especialmente quando associada ao treinamento de resistência. Além disso, apresenta elevado efeito térmico dos alimentos e pode contribuir para a saciedade.
Na prática
Uma refeição equilibrada pode combinar:
Carboidrato complexo: arroz integral, batata, mandioca, aveia ou quinoa;
Proteína: frango, peixe, ovos, carnes magras, leite e derivados ou leguminosas;
Fibras e micronutrientes: verduras, legumes e frutas;
Gorduras de boa qualidade: azeite, castanhas, sementes e abacate.Exemplo: arroz integral + feijão + frango grelhado + salada e legumes.
Conclusão
A combinação de carboidratos complexos e proteínas não “engorda” por si só. O resultado sobre composição corporal depende principalmente do balanço energético, da quantidade total de proteínas, da qualidade da alimentação e, para ganho de massa muscular, de um treinamento de força adequado.
Para quem busca emagrecer mantendo ou aumentando massa muscular, a estratégia mais consistente é individualizar calorias e macronutrientes, priorizar alimentos minimamente processados e garantir proteína adequada ao longo do dia.
Referências científicas
Morton RW et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine. 2018;52(6):376–384.Aragon AA et al. International Society of Sports Nutrition position stand: diets and body composition. Journal of the International Society of Sports Nutrition.International Society of Sports Nutrition. Position stand: protein and exercise.
Inez & Sara
SuperCoffee Original: análise nutricional e funções dos principais componentes
O SuperCoffee Original é um suplemento alimentar que combina macronutrientes, cafeína, triglicerídeos de cadeia média (TCM), aminoácidos, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos.
Sua proposta está relacionada principalmente a energia, atenção, disposição e suporte ao desempenho físico. É importante, porém, não interpretar o produto como um simples “queimador de gordura”.
Informações nutricionais
Porção: 10 g
Componente Quantidade Função/ significado fisiológico Energia 49 kcal Fornece energia, principalmente proveniente das gorduras. Carboidratos 1,3 g Fonte de energia de rápida utilização; presente em baixa quantidade. Proteínas 2 g Fornecem aminoácidos para manutenção e reparação dos tecidos. Gorduras totais 4 g Fonte de energia e componentes importantes das membranas celulares. Gorduras saturadas 2,6 g Fornecem energia e participam da estrutura celular, devendo fazer parte de uma alimentação equilibrada. Fibras 0,3 g Contribuem para a saúde intestinal e controle glicêmico, mas estão presentes em pequena quantidade. Compostos funcionais e bioativos
Cafeína — 100 mg
É o principal componente estimulante da fórmula. Atua no sistema nervoso central, principalmente por antagonizar os receptores de adenosina.
Pode contribuir para: aumento do estado de alerta, atenção, disposição, redução da percepção de esforço e melhora do desempenho físico. Também pode aumentar discretamente a termogênese e a oxidação de gordura.
TCM C8 + C10
São triglicerídeos de cadeia média que apresentam digestão e absorção relativamente rápidas, sendo direcionados ao fígado para utilização e oxidação.
Função principal: fornecer uma fonte de energia de rápida disponibilidade.
TCM não significa, automaticamente, maior perda de gordura corporal. Seu papel deve ser interpretado dentro do contexto da alimentação e do gasto energético.
Taurina — 650 mg
A taurina participa de diversos processos celulares.
Funções: osmorregulação, equilíbrio do cálcio, estabilidade das membranas, função neuromuscular e proteção antioxidante.
L-tirosina — 263 mg
É um aminoácido precursor de neurotransmissores como dopamina, noradrenalina e adrenalina.
Funções: participação na neurotransmissão, atenção, concentração e resposta ao estresse.
L-carnitina — 130 mg
Participa do transporte de ácidos graxos de cadeia longa para a mitocôndria, onde ocorre a β-oxidação.
Função principal: participação no metabolismo energético dos ácidos graxos.
Coenzima Q10 — 50 mg
Participa da cadeia respiratória mitocondrial, processo fundamental para a produção de ATP.
Funções: metabolismo energético celular e ação antioxidante.
Ácido clorogênico — 25 mg
É um composto fenólico encontrado naturalmente no café.
Funções: atividade antioxidante e possível participação na regulação do metabolismo da glicose e dos lipídios.
Micronutrientes
Micronutriente Quantidade Principal função Vitamina B1 — Tiamina 0,4 mg Participa do metabolismo de carboidratos e da produção de energia. Vitamina B3 — Niacina 2,7 mg Participa da formação de NAD/NADP e de reações do metabolismo energético. Vitamina B5 — Ácido pantotênico 1,7 mg Componente da coenzima A, envolvida no metabolismo de carboidratos, proteínas e gorduras. Vitamina B6 — Piridoxina 0,43 mg Participa do metabolismo de aminoácidos e da síntese de neurotransmissores. Vitamina B9 — Folato 60 µg Importante para síntese de DNA, divisão celular e metabolismo de aminoácidos. Vitamina B12 — Cobalamina 0,76 µg Participa da formação das células sanguíneas, metabolismo celular e funcionamento neurológico. Cromo 12 µg Está relacionado à ação da insulina e ao metabolismo de nutrientes. Um ponto importante sobre as vitaminas do complexo B
As vitaminas do complexo B não são estimulantes, como a cafeína. Elas participam das vias metabólicas responsáveis pela utilização dos nutrientes e produção de energia, mas isso não significa que doses adicionais aumentem automaticamente a energia ou acelerem o metabolismo em pessoas que já possuem ingestão adequada.
Interpretação para Nutrição Esportiva
De forma resumida, podemos entender a composição da seguinte maneira:
Cafeína → estímulo, foco, disposição e potencial ergogênico
TCM → fonte de energia de rápida disponibilidade
Taurina → função neuromuscular e equilíbrio celular
L-tirosina → participação na síntese de neurotransmissores
L-carnitina → transporte de ácidos graxos para a mitocôndria
CoQ10 → metabolismo energético mitocondrial
Ácido clorogênico → ação antioxidante e possíveis efeitos metabólicos
Vitaminas do complexo B → participação no metabolismo energético
Cromo → participação na sinalização relacionada à insulina
Macronutrientes → fornecimento de energia e suporte estrutural e metabólico
Afinal, qual é o principal destaque da fórmula?
Do ponto de vista esportivo, a cafeína é o principal componente associado aos efeitos estimulantes e ergogênicos. Os demais ingredientes complementam a proposta do produto, mas não devem ser considerados, isoladamente, como responsáveis por emagrecimento ou ganho de massa muscular.
Em resumo: o SuperCoffee Original apresenta baixa quantidade de carboidratos, gordura predominantemente proveniente de TCM, cafeína e diversos compostos bioativos. Sua composição está mais relacionada a energia, foco, disposição e suporte ao desempenho físico do que a um efeito direto de “queima de gordura”.
Importante: suplementos devem ser avaliados individualmente, considerando alimentação, objetivos, rotina de treinamento, tolerância à cafeína e necessidades nutricionais. A presença de determinados ingredientes no rótulo não garante, por si só, um efeito clínico significativo.
Inez e Sara
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Açúcar e alimentos ultraprocessados
🍬 1. Açúcar e alimentos ultraprocessados
O açúcar, refrigerante, doces, biscoitos e outros produtos industrializados representam o consumo excessivo de açúcares, principalmente quando esses alimentos aparecem com muita frequência na alimentação.
O problema não é consumir um doce eventualmente. A questão é o excesso e a frequência, especialmente de produtos com grande quantidade de açúcares adicionados.
⚠️ 2. Quais podem ser os impactos?
O consumo elevado de açúcares, especialmente em padrões alimentares de baixa qualidade, pode contribuir para:
* maior ingestão de calorias e ganho de peso;
* aumento do risco de obesidade;
* maior risco de cárie dentária;
* aumento dos triglicerídeos em determinadas situações;
* pior qualidade geral da alimentação;
* maior risco de doenças cardiometabólicas quando associado a outros fatores da dieta e do estilo de vida.
Por isso, a mensagem “Quais são os impactos na saúde?” chama a atenção sem transformar a arte em um texto médico enorme.
🍎 3. Frutas e alimentos in natura
Do outro lado aparecem frutas, salada e outros alimentos naturais para mostrar que reduzir açúcar não significa deixar de comer alimentos doces.
A fruta, por exemplo, contém açúcares naturalmente presentes, mas também oferece fibras, vitaminas, minerais e outros componentes importantes.
Isso é diferente de simplesmente consumir grandes quantidades de açúcar adicionado em bebidas e produtos ultraprocessados.
💧 4. Água
A água aparece como uma alternativa prática ao refrigerante e a outras bebidas açucaradas.
Uma das mudanças mais simples para reduzir o consumo de açúcar é priorizar água no lugar de bebidas açucaradas.
⚖️ 5. A balança no centro
A balança representa equilíbrio.
A ideia não é passar uma mensagem de “proibição” ou de que nunca se pode comer doce. A nutrição trabalha com equilíbrio, frequência, quantidade e qualidade da alimentação.
🌱 6. “Pequenas mudanças podem fazer diferença”
Essa é a principal mensagem educativa.
Em vez de dizer:
“Você nunca mais pode comer açúcar.”
a comunicação fica mais acolhedora:
“Vamos melhorar algumas escolhas do dia a dia.”
Por exemplo:
* trocar refrigerante por água;
* reduzir açúcar adicionado ao café;
* diminuir a frequência de doces;
* escolher frutas;
* preferir alimentos in natura ou minimamente processados;
* observar os rótulos dos produtos.
O alimento muda quando você muda a forma de prepará-lo?
O cozimento não serve apenas para deixar a comida mais saborosa. Calor, água e tempo podem modificar a estrutura dos nutrientes e de outros compostos presentes nos alimentos.
Cozinhar pode diminuir alguns nutrientes?
Sim. Vitaminas sensíveis ao calor e à água, como a vitamina C, podem ser reduzidas durante alguns métodos de cocção. Em vegetais, estudos mostram que fervura e outros métodos convencionais podem diminuir determinados compostos bioativos. Porém, o resultado depende do alimento e da técnica utilizada.
Isso não significa que comer vegetais crus seja sempre melhor. O cozimento também pode facilitar a digestão e modificar a disponibilidade de alguns compostos.
E o carboidrato? Ele também muda!
Um exemplo interessante acontece com alimentos ricos em amido, como arroz, batata e massas.
Durante o cozimento, o calor e a água provocam a gelatinização do amido, deixando-o mais acessível à digestão. Quando alguns desses alimentos são posteriormente resfriados, parte do amido pode se reorganizar e formar amido resistente, que é menos digerido no intestino delgado.
É por isso que a forma de preparar e até o que acontece depois do cozimento pode influenciar a resposta glicêmica de determinados alimentos.
O aquecimento intenso, especialmente em processos como fritura, assamento e torrefação, pode provocar a reação de Maillard, responsável por parte da cor, aroma e sabor característicos dos alimentos aquecidos.
Ao mesmo tempo, temperaturas elevadas podem favorecer a formação de compostos como acrilamida, principalmente em alimentos ricos em carboidratos. Por isso, controlar tempo e temperatura durante o preparo é importante.
Então, qual é a melhor forma de preparar os alimentos?
Não existe um único método perfeito.
Cozinhar, vaporizar, assar, refogar ou consumir cru podem apresentar vantagens e desvantagens dependendo do alimento e do objetivo.
O mais importante é variar as preparações, evitar o excesso de temperaturas muito altas e lembrar que nutrição não está apenas no alimento, mas também na forma como ele é preparado.
Da próxima vez que você colocar uma panela no fogo, lembre-se:
você não está apenas preparando a comida, está também transformando sua estrutura.
Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição
Referências científicas
- KOSEWSKI, G. et al. The Impact of Culinary Processing, including Sous-Vide, on Polyphenols, Vitamin C Content and Antioxidant Status in Selected Vegetables—Methods and Results: A Critical Review. Foods, 2023, 12(11), 2121.
- QIA, H. et al. Effects of Domestic Cooking Methods on Physicochemical Properties, Bioactive Compounds and Antioxidant Activities of Vegetables: A Mini-Review. Food Reviews International, 2023, 39(9), 7004–7018.
- Physiological effects of resistant starch and its applications in food: a review. Food Production, Processing and Nutrition, 2023, 5, 48.
- JEEVARATHINAM, G. et al. Macromolecular, thermal, and nonthermal technologies for reduction of glycemic index in food—A review. Food Chemistry, 2024, 445, 138742.
- Acrylamide in food: Occurrence, metabolism, molecular toxicity mechanism and detoxification by phytochemicals. Food and Chemical Toxicology, 2023.
Alimentos laxativos: o que comer para aliviar a constipação intestinal?
O que é constipação intestinal?
A constipação intestinal, também conhecida como prisão de ventre, é caracterizada principalmente por evacuações pouco frequentes, fezes endurecidas ou dificuldade para evacuar.
A alimentação pode ter um papel importante na prevenção e no manejo da constipação. Entre as estratégias nutricionais mais estudadas estão o aumento adequado da ingestão de fibras, o consumo de líquidos e a inclusão de determinados alimentos que podem favorecer o funcionamento intestinal.
Quais são os melhores alimentos para constipação?
Alguns alimentos apresentam evidências científicas de benefício e podem fazer parte de uma alimentação voltada para melhorar o trânsito intestinal.
🥝 1. Kiwi
O kiwi é uma das frutas com resultados mais interessantes para a constipação.
Além de fornecer fibras, contém componentes que podem favorecer o funcionamento intestinal. Estudos mostram que seu consumo pode aumentar a frequência das evacuações e melhorar a consistência das fezes.
🍑 2. Ameixa seca
A ameixa seca é um dos alimentos mais conhecidos quando o assunto é intestino preso — e existe uma explicação para isso.
Ela fornece fibras e sorbitol, um composto que pode aumentar a quantidade de água no intestino e facilitar a eliminação das fezes.
Por isso, a ameixa seca pode ser uma opção interessante para pessoas com constipação.
🌾 3. Psyllium
O psyllium é uma fibra solúvel que absorve água e aumenta o volume das fezes.
Revisões sistemáticas indicam que a suplementação com fibras, especialmente o psyllium, pode melhorar a frequência das evacuações e a consistência das fezes em pessoas com constipação.
É importante lembrar que o psyllium deve ser consumido com quantidade adequada de líquido.
🥣 4. Aveia e cereais integrais
Aveia, centeio e outros cereais integrais são boas fontes de fibras.
As fibras contribuem para aumentar o volume das fezes e podem ajudar na regularidade intestinal.
Entretanto, aumentar o consumo de fibras de maneira muito rápida pode provocar gases, distensão abdominal e desconforto. O ideal é fazer esse aumento gradualmente.
5. Feijão, lentilha e outras leguminosas
Feijão, lentilha, grão-de-bico e ervilha são alimentos naturalmente ricos em fibras.
Quando consumidos regularmente, podem contribuir para uma alimentação adequada em fibras e favorecer a saúde intestinal.
🥬 6. Verduras, legumes e frutas
Uma alimentação variada, com presença diária de frutas, verduras e legumes, ajuda a aumentar a ingestão de fibras.
Além de contribuir para o funcionamento intestinal, esses alimentos fornecem vitaminas, minerais e diversos compostos bioativos importantes para a saúde.
💧 Beber água ajuda na constipação?
Sim, a hidratação adequada é importante para o funcionamento intestinal.
Porém, simplesmente aumentar muito o consumo de água não costuma ser suficiente para resolver a constipação quando a alimentação é pobre em fibras.
Uma estratégia mais adequada é combinar fibras + líquidos + atividade física + rotina intestinal adequada.
O que evitar quando o intestino está preso?
Não existe uma lista única de alimentos que todas as pessoas com constipação precisam evitar.
Entretanto, uma alimentação baseada predominantemente em produtos ultraprocessados e com pouca variedade de frutas, verduras, legumes e cereais integrais tende a fornecer menos fibras.
Por isso, mais importante do que procurar apenas “alimentos laxativos” é avaliar a qualidade geral da alimentação.
Afinal, quais alimentos soltam o intestino?
- Entre as opções que podem ajudar no funcionamento intestinal estão:
- 🥝 Kiwi;
- 🍑 Ameixa seca;
- 🥣 Aveia;
- 🌾 Cereais integrais;
- 🫘 Feijão e outras leguminosas;
- 🍎 Frutas;
- 🥬 Verduras e legumes;
- Psyllium, quando indicado;
- 💧 Líquidos em quantidade adequada.
O efeito pode variar entre as pessoas. Por isso, não é necessário consumir todos esses alimentos ao mesmo tempo.
Uma alimentação rica em fibras é sempre melhor?
Não necessariamente.
O aumento de fibras deve ser individualizado e gradual. Algumas pessoas podem apresentar aumento de gases, distensão abdominal ou desconforto quando aumentam rapidamente a quantidade de fibras.
Além disso, pessoas com determinadas doenças gastrointestinais podem precisar de orientações específicas.
Por isso, em casos de constipação persistente, o acompanhamento com nutricionista e/ou médico pode ser importante.
Quando procurar ajuda médica?
A constipação ocasional é comum. Porém, alguns sinais precisam de avaliação profissional.
Procure atendimento se houver:
- Sangue nas fezes;
- Perda de peso sem explicação;
- Dor abdominal intensa ou persistente;
- Vômitos;
- Mudança intestinal importante e recente;
- Constipação persistente ou que não melhora com mudanças na alimentação.
Conclusão
Os chamados alimentos laxativos podem ser aliados no combate à constipação, mas não existe um único alimento capaz de resolver todos os casos.
Kiwi, ameixa seca, psyllium, aveia, cereais integrais, frutas, verduras e leguminosas podem contribuir para melhorar a regularidade intestinal, principalmente quando fazem parte de uma alimentação equilibrada e rica em fibras.
A melhor estratégia é olhar para o conjunto: alimentação adequada, ingestão suficiente de líquidos, atividade física e hábitos intestinais regulares.
Referências científicas
Systematic review and meta-analysis: Foods, drinks and diets and their effect on chronic constipation in adults. 2023.
The Effect of Fiber Supplementation on Chronic Constipation in Adults: An Updated Systematic Review and Meta-Analysis. 2022.
Systematic review: the effect of prunes on gastrointestinal function. 2014.
Kiwifruit and Kiwifruit Extracts for Treatment of Constipation: A Systematic Review and Meta-Analysis. 2022.
Fibras: a estratégia invisível por trás da saúde, da composição corporal e da performance
Nutrição Esportiva Funcional
Existe uma diferença importante entre simplesmente se alimentar e construir uma estratégia nutricional.
A primeira responde à fome.
A segunda considera metabolismo, composição corporal, desempenho, recuperação, saúde intestinal e longevidade.
É dentro dessa perspectiva que um componente muitas vezes subestimado da alimentação ganha protagonismo: as fibras.
Quando pensamos em nutrição esportiva, é natural que proteínas, carboidratos, hidratação e suplementação estejam no centro das discussões. Porém, uma estratégia realmente completa precisa olhar para algo que sustenta todo esse processo: a saúde do organismo como um sistema integrado.
E o intestino ocupa um lugar central nessa conversa.
O intestino não é apenas sobre digestão
Durante muito tempo, falar sobre intestino significava falar sobre frequência intestinal.
Hoje, sabemos que essa visão é limitada.
O trato gastrointestinal mantém uma relação dinâmica com a microbiota, o sistema imunológico, o metabolismo e diversos processos fisiológicos.
As fibras alimentares participam dessa interação.
Determinados tipos de fibra chegam ao intestino e podem ser utilizados pelas bactérias da microbiota, contribuindo para a produção de metabólitos como os ácidos graxos de cadeia curta.
Esses compostos participam de mecanismos relacionados à função intestinal e metabólica.
É por isso que, na nutrição funcional, não olhamos para a fibra simplesmente como algo que “faz o intestino funcionar”.
O objetivo é compreender o papel que ela desempenha dentro de todo o organismo.
Uma revisão publicada no Sports Medicine em 2025 chama atenção justamente para esse aspecto: a fibra é frequentemente esquecida nas recomendações tradicionais de nutrição esportiva, apesar de sua relação com saúde gastrointestinal, microbiota e outros aspectos relevantes para o atleta.
Saúde intestinal também faz parte da performance
Um atleta não depende apenas de músculos fortes.
Ele depende de uma boa capacidade de digerir, absorver e utilizar nutrientes.
Por isso, sintomas gastrointestinais recorrentes, alterações no trânsito intestinal ou baixa tolerância alimentar merecem atenção dentro de uma estratégia esportiva.
A relação entre exercício, alimentação e microbiota ainda está sendo investigada, e a ciência não permite afirmar que simplesmente aumentar fibras irá melhorar o desempenho de todos os atletas.
Mas já existe uma compreensão mais ampla:
a saúde gastrointestinal é um componente importante da saúde do atleta.
E cuidar dela começa, muitas vezes, pelos fundamentos da alimentação.
Fibras e composição corporal
Quando o objetivo é melhorar a composição corporal, a fibra pode exercer um papel estratégico.
Alimentos naturalmente ricos em fibras tendem a apresentar maior densidade nutricional e podem contribuir para a saciedade.
Frutas, verduras, legumes, feijões, lentilhas, aveia, sementes e cereais integrais permitem construir refeições volumosas, nutritivas e mais satisfatórias.
Isso pode ser especialmente interessante em estratégias de redução de gordura corporal, nas quais controlar a fome e manter a qualidade alimentar são fatores importantes para a adesão a longo prazo.
Mas existe uma diferença fundamental entre ciência e promessa:
Fibras não emagrecem sozinhas.
O resultado sobre composição corporal depende do contexto completo: ingestão energética, quantidade e qualidade de proteínas e carboidratos, treinamento, sono, estresse, comportamento alimentar e características individuais.
É justamente por isso que uma estratégia personalizada é superior a uma regra universal.
Fibras e saúde metabólica
A qualidade do carboidrato que consumimos importa tanto quanto sua quantidade.
Uma das maiores revisões sistemáticas e meta-análises sobre qualidade dos carboidratos, publicada no The Lancet, encontrou associações importantes entre maior consumo de fibras e melhores desfechos de saúde.
Estudos também demonstram associações entre maior ingestão de fibras e menor risco de diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e mortalidade por diferentes causas.
Uma análise abrangente publicada em 2025 reuniu evidências de mais de 17 milhões de indivíduos, reforçando a associação entre maior consumo de fibras e diversos desfechos favoráveis de saúde.
Esses resultados não significam que a fibra seja uma “solução” isolada.
Eles reforçam algo mais interessante:
dietas ricas em fibras geralmente fazem parte de um padrão alimentar de maior qualidade.
O paradoxo da fibra na nutrição esportiva
Existe, entretanto, um detalhe que diferencia uma orientação genérica de uma estratégia esportiva individualizada:
o momento do consumo importa.
Imagine um atleta que precisa correr uma prova às 7h da manhã.
Uma refeição extremamente rica em fibras imediatamente antes da competição pode ser excelente para a saúde em outro momento do dia, mas não necessariamente será a melhor escolha para a performance naquele momento.
Dependendo da modalidade, intensidade, duração do exercício e sensibilidade gastrointestinal, uma quantidade elevada de fibras próxima ao treino pode aumentar o risco de desconforto.
É aqui que entra a periodização nutricional.
Não significa retirar fibras da alimentação.
Significa saber quando priorizá-las e quando reduzir temporariamente sua presença.
Longe do treinamento
Priorize variedade vegetal e alimentos naturalmente ricos em fibras.
Antes do treino
Avalie individualmente a quantidade, o tipo de fibra e a tolerância gastrointestinal.
Durante competições
A estratégia pode exigir alimentos com menor teor de fibras para favorecer tolerância e disponibilidade energética.
Após o exercício
Retome progressivamente uma alimentação variada e nutricionalmente completa, de acordo com as necessidades individuais.
Nutrição de alta performance não é apenas sobre o alimento certo. É sobre o alimento certo, na quantidade certa, no momento certo, para a pessoa certa.
A fibra que você consome importa
Nem todas as fibras são iguais.
Elas diferem em estrutura, viscosidade, fermentabilidade e efeitos fisiológicos.
Por isso, não considero interessante transformar a alimentação em uma corrida para atingir determinado número de gramas por dia.
Uma estratégia mais sofisticada é construir diversidade alimentar.
Quanto maior a variedade de alimentos vegetais dentro da tolerância individual, maior a diversidade de fibras e compostos bioativos disponíveis na alimentação.
Pense em uma semana, não apenas em um dia.
Varie frutas.
Varie vegetais.
Varie leguminosas.
Varie sementes.
Varie cereais e tubérculos.
A diversidade é uma das formas mais elegantes de enriquecer uma alimentação.
Quanto de fibra precisamos?
As necessidades variam de acordo com idade, sexo, ingestão energética, nível de atividade física, composição corporal, objetivos e tolerância gastrointestinal.
Para muitos adultos, recomendações gerais ficam na faixa de aproximadamente 25 a 38 g de fibras ao dia.
No atleta, entretanto, a estratégia pode ser diferente.
Uma revisão recente sobre fibras na nutrição esportiva sugere que atletas que consomem quantidades muito baixas podem aumentar gradualmente a ingestão, com atenção à tolerância individual.
Isso é importante porque aumentar fibras rapidamente pode provocar:
- distensão abdominal;
- gases;
- cólicas;
- alterações no hábito intestinal;
- sensação de estômago pesado.
Portanto, não existe mérito em consumir uma grande quantidade de fibras se o seu organismo não está preparado para isso.
A evolução deve ser gradual.
E a hidratação precisa acompanhar esse processo.
O conceito mais importante: individualidade
Imagine duas pessoas consumindo 30 g de fibras por dia.
Uma pode apresentar excelente funcionamento intestinal.
A outra pode sentir desconforto diariamente.
Isso acontece porque alimentação não é matemática pura.
A resposta depende de genética, microbiota, rotina, composição da dieta, nível de atividade física, hidratação e tolerância individual.
É por isso que uma consulta nutricional não deveria começar com uma lista pronta de alimentos.
Ela deveria começar com perguntas.
Como você treina?
Como você dorme?
Como está sua digestão?
Como funciona seu intestino?
Como é sua energia durante o dia?
Como você se sente durante os treinos?
Como está sua composição corporal?
Quais são seus objetivos?
E, principalmente:
o que o seu organismo está tentando comunicar?
Fibras, performance e longevidade
Existe uma visão limitada de performance que considera apenas o resultado da próxima competição.
Uma visão mais madura entende que performance também é capacidade de sustentar saúde, treinamento e recuperação ao longo dos anos.
Uma alimentação rica em fibras está associada a melhores desfechos de saúde cardiovascular e metabólica e a menor risco de diversos problemas crônicos.
Para quem pratica esporte, isso significa que a estratégia nutricional não precisa escolher entre performance e saúde.
Ela deve buscar integrar as duas.
Porque o melhor corpo para performar é também um corpo preparado para permanecer saudável.
Para começar hoje
Se você deseja melhorar a qualidade da sua alimentação, não precisa fazer mudanças radicais.
Comece pelo básico — mas faça isso com consistência.
Inclua diferentes frutas ao longo da semana.
Aumente a variedade de vegetais.
Mantenha leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, na rotina.
Inclua alimentos como aveia, chia e linhaça quando fizerem sentido para você.
Observe sua digestão.
Mantenha uma boa hidratação.
E ajuste o consumo de fibras ao redor dos treinos conforme sua tolerância.
Pequenas escolhas, quando repetidas diariamente, podem produzir grandes mudanças ao longo do tempo.
Uma última reflexão
A nutrição mais sofisticada nem sempre é aquela que utiliza a estratégia mais complexa.
Muitas vezes, ela é aquela que consegue olhar para o básico com profundidade.
Fibras são um excelente exemplo disso.
Um componente discreto da alimentação que participa de uma rede extraordinariamente complexa envolvendo intestino, microbiota, metabolismo, saciedade, saúde cardiovascular e desempenho.
Por isso, talvez a pergunta não seja:
“Quanto de fibra eu preciso comer?”
Talvez a pergunta mais interessante seja:
“Como posso utilizar a fibra de maneira estratégica para que minha alimentação trabalhe a favor da minha saúde, da minha composição corporal e da minha performance?”
Essa é a essência de uma nutrição verdadeiramente personalizada.
Nutrir não é apenas alimentar.
É compreender.
É ajustar.
É antecipar necessidades.
É construir saúde para que a performance possa existir.
Referências científicas
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McRae MP. Dietary Fiber Is Beneficial for the Prevention of Cardiovascular Disease: An Umbrella Review of Meta-analyses. J Chiropr Med.
Hughes RL, Holscher HD. Fueling Gut Microbes: A Review of the Interaction between Diet, Exercise, and the Gut Microbiota in Athletes. Adv Nutr. 2021;12(6):2190-2215.
Estagiárias: Inez & Sara





