sábado, 3 de outubro de 2026

Congelar alimentos faz eles perderem nutrientes? Nem sempre!




 O congelamento, por si só, não destrói os nutrientes dos alimentos. Na verdade, ele pode ajudar a preservar vitaminas, minerais e outros compostos presentes em frutas e vegetais, além de aumentar sua durabilidade. Alguns nutrientes podem sofrer alterações dependendo do alimento, do tempo de armazenamento e principalmente do processamento antes do congelamento e do preparo depois do descongelamento. Por isso, congelar corretamente e evitar preparos com excesso de água e calor pode ajudar a preservar melhor sua qualidade nutricional.

Curiosidade: estudos comparando frutas e vegetais frescos e congelados encontraram, em muitos casos, valores nutricionais semelhantes — e alguns nutrientes chegaram a apresentar maior retenção nos alimentos congelados. Congelar também pode ser uma estratégia para reduzir desperdícios e facilitar uma alimentação mais prática e nutritiva.


-Beatriz Vitória 


Referências:

BOUZARI, A.; HOLSTEGE, D.; BARRETT, D. M. Vitamin retention in eight fruits and vegetables: a comparison of refrigerated and frozen storage. Journal of Agricultural and Food Chemistry, v. 63, n. 3, p. 957–962, 2015. (PubMed)

BOUZARI, A. et al. Mineral, fiber, and total phenolic retention in eight fruits and vegetables: a comparison of refrigerated and frozen storage. Journal of Agricultural and Food Chemistry, 2015. (PubMed)

USDA. Freezing and Food Safety. Food Safety and Inspection Service. (FSIS)

Já que eu comi, vou comer tudo: você conhece?

 


Você come um pedaço de bolo e pensa:

“Bom… já saí da dieta mesmo. Agora vou comer o resto.”

Ou come algo que considera “proibido” e sente que o dia inteiro já está perdido.

Esse pensamento é mais comum do que parece e pode estar relacionado ao chamado pensamento tudo ou nada.

O que acontece?

Quando dividimos os alimentos entre “permitidos” e “proibidos”, comer algo que consideramos errado pode gerar a sensação de que já estragamos tudo.

E então aparece o famoso:

“Já que eu comi, vou aproveitar.”

O problema não está em comer o bolo, o chocolate ou a pizza.

A questão é quando um alimento desencadeia um ciclo de restrição, culpa, exagero e nova restrição.

Mas por que isso pode acontecer?

Dietas muito rígidas podem aumentar a sensação de privação. Quando determinado alimento é colocado na categoria de “não posso comer”, ele pode ganhar ainda mais importância.

Além disso, a culpa depois de comer pode levar a pessoa a pensar que precisa “compensar” depois, pulando refeições, restringindo alimentos ou tentando seguir uma dieta ainda mais rígida.

E o ciclo pode começar novamente.

E se eu comer algo fora do planejado?

Nada precisa ser “jogado fora”.

Você comeu um chocolate? Foi um chocolate.

Comeu uma pizza? Foi uma pizza.

Isso não transforma automaticamente o restante do dia em um fracasso.

Uma alimentação equilibrada não depende de uma única escolha, mas do conjunto de hábitos ao longo do tempo.

Uma mudança de pensamento

Em vez de:

“Já que eu comi, vou comer tudo.”

Experimente pensar:

“Eu quis comer, comi e posso continuar minha alimentação normalmente.”

Parece uma mudança pequena, mas abandonar o pensamento de “tudo ou nada” pode ajudar a construir uma relação mais flexível com a comida.

Para pensar

Você precisa terminar um pacote de biscoitos só porque abriu? Não.

Assim como você não precisa compensar uma refeição diferente depois.

Comer não precisa ser uma prova de perfeição.


Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências

POLIVY, J.; HERMAN, C. P. Dieting and bingeing: a causal analysis. American Psychologist, v. 40, n. 2, p. 193–201, 1985.

HERMAN, C. P.; POLIVY, J. Restrained eating. In: STUNKARD, A. J. (ed.). Obesity. Philadelphia: Saunders, 1980.

SCHAEFER, J. T.; MAGNUSON, A. B. A review of interventions that promote eating by internal cues. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 114, n. 5, p. 734–760, 2014.

TYLKA, T. L.; KROON VAN DIEST, A. M. The Intuitive Eating Scale–2: Item refinement and psychometric evaluation with college women and men. Journal of Counseling Psychology, v. 60, n. 1, p. 137–153, 2013.

 



🥑 O que é a dieta cetogênica?

A dieta cetogênica é uma estratégia alimentar muito baixa em carboidratos, geralmente com algo em torno de 20–50 g de carboidratos por dia, quantidade que pode levar o organismo à cetose nutricional. Nessa situação, o corpo aumenta a utilização de gordura e produz corpos cetônicos, que passam a servir como fonte de energia. (Diabetes Journals)

Em termos práticos, costuma priorizar:

  • 🥩 carnes, frango e peixes

  • 🥚 ovos

  • 🥑 abacate

  • 🫒 azeite e outras fontes de gordura

  • 🧀 queijos e alguns laticínios

  • 🥜 castanhas e sementes

  • 🥦 vegetais com pouco carboidrato

  • 🫐 pequenas quantidades de frutas com menor teor de carboidratos

E restringe bastante:

  • açúcar e doces

  • refrigerantes e bebidas açucaradas

  • pão, massas e farinha

  • arroz e outros cereais

  • batata e outros tubérculos

  • grande parte das frutas

  • leguminosas, dependendo do nível de restrição

Ela emagrece?

Pode ajudar no emagrecimento, principalmente no curto prazo. A redução dos carboidratos pode diminuir a ingestão calórica espontaneamente e também provoca perda inicial de água associada ao glicogênio.

Porém, a evidência não mostra que simplesmente entrar em cetose torne a dieta necessariamente superior a outras estratégias alimentares para perda de peso no longo prazo. A ADA 2026 destaca que dietas com restrição de carboidratos podem ser úteis para algumas pessoas, mas os resultados dependem também da qualidade da alimentação, ingestão energética, adesão e sustentabilidade. (Diabetes Journals)

🩸 E para diabetes?

Aqui é importante separar dieta com baixo carboidrato de dieta cetogênica.

A redução de carboidratos pode melhorar a glicemia em algumas pessoas com diabetes tipo 2, especialmente no curto prazo. Entretanto, a ADA 2026 ressalta que os benefícios das dietas muito restritas em carboidratos tendem a diminuir com o passar do tempo e que não existe uma única distribuição ideal de carboidratos, proteínas e gorduras para todas as pessoas. (Diabetes Journals)

Um ponto particularmente importante: pessoas que utilizam medicamentos da classe dos inibidores de SGLT2 — como dapagliflozina, empagliflozina e similares — devem evitar uma dieta cetogênica devido ao risco aumentado de cetoacidose. (Diabetes Journals)

⚠️ Existem desvantagens?

Sim. Uma cetogênica mal planejada pode levar a:

  • baixa ingestão de fibras;

  • constipação;

  • deficiência de vitaminas e minerais;

  • ingestão excessiva de gordura saturada;

  • aumento do LDL-colesterol em algumas pessoas;

  • dificuldade de manutenção a longo prazo;

  • sintomas iniciais como dor de cabeça, fadiga, tontura e alterações intestinais.

Isso não significa que toda dieta cetogênica cause esses problemas. A composição da dieta importa muito.

Por exemplo, uma cetogênica baseada principalmente em bacon, manteiga, embutidos e queijos é nutricionalmente muito diferente de uma estratégia que utiliza azeite, abacate, peixes, castanhas, sementes e muitos vegetais.

Inclusive, a ADA 2026 cita um ensaio de 12 semanas no qual uma dieta cetogênica bem formulada não melhorou significativamente a HbA1c em comparação com uma dieta mediterrânea de baixo carboidrato e apresentou aumento do LDL-colesterol. (Diabetes Journals)

🚨 Quem deve ter cuidado especial?

A dieta cetogênica não deveria ser iniciada por conta própria em situações como:

  • gravidez ou amamentação;

  • doença renal;

  • uso de determinados medicamentos para diabetes;

  • histórico ou risco de transtorno alimentar;

  • algumas condições metabólicas;

  • crianças e adolescentes, salvo indicação e acompanhamento médico/nutricional específico.

A própria ADA 2026 recomenda acompanhamento profissional para pessoas que fazem dietas muito baixas em carboidratos e ressalta essas situações de cautela. (Diabetes Journals)

Uma observação importante

Existe uma diferença entre “low carb” e “cetogênica”. Não é necessário eliminar praticamente todos os carboidratos para obter benefícios de uma alimentação com menor quantidade de carboidratos.

Para muitas pessoas, uma alimentação moderadamente reduzida em carboidratos e rica em vegetais, fibras, proteínas adequadas, azeite, castanhas, peixes e alimentos minimamente processados pode ser mais fácil de manter.

A recomendação atual da ADA é justamente individualizar a alimentação, priorizando alimentos nutricionalmente densos e minimamente processados, em vez de considerar apenas a quantidade de carboidrato. (Diabetes Journals)

Referências principais:

  • American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Facilitating Positive Health Behaviors and Well-being. (Diabetes Journals)

  • American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026: Obesity and Weight Management. (Diabetes Journals)

  • American Diabetes Association. Nutrition Therapy for Adults With Diabetes or Prediabetes: A Consensus Report. (Diabetes Journals)

Inez & Sara

 




Combate ao Food Noise (Barulho Alimentar) e a Era dos GLP-1: o novo papel da nutrição no comportamento alimentar

Introdução

Nos últimos anos, a relação entre alimentação, comportamento e obesidade passou por uma importante transformação. Com a popularização dos medicamentos que atuam sobre o sistema das incretinas — especialmente os agonistas do receptor de GLP-1 e os agonistas duplos GIP/GLP-1 — uma expressão ganhou espaço tanto nas redes sociais quanto na prática clínica: food noise, ou “barulho alimentar”.

O termo é utilizado para descrever uma experiência subjetiva caracterizada por pensamentos frequentes, persistentes e, em alguns casos, intrusivos sobre comida: pensar constantemente no que comer, quando comer, quanto comer, sentir desejo por determinados alimentos ou permanecer mentalmente envolvido com comida mesmo sem apresentar fome fisiológica. A literatura científica mais recente reconhece o crescente interesse pelo conceito, mas ressalta que ainda não existe uma definição clínica universalmente estabelecida nem evidências suficientes para considerá-lo uma entidade diagnóstica independente.

Esse fenômeno ganhou ainda mais visibilidade porque muitas pessoas em tratamento com medicamentos GLP-1 relatam uma redução significativa desses pensamentos. Estudos recentes vêm investigando essa percepção e sugerem que os medicamentos podem influenciar não apenas a quantidade de alimento consumida, mas também a fome, os desejos, a resposta aos estímulos alimentares e a recompensa associada à comida.

Nesse cenário, surge uma questão fundamental para a nutrição: se o medicamento reduz o “barulho”, como ajudar o paciente a desenvolver uma relação mais equilibrada com a alimentação para além do efeito farmacológico?

O que é, afinal, o food noise?

É importante diferenciar o pensamento normal sobre comida do chamado food noise.

Pensar em comida faz parte da fisiologia humana. Sentir fome, escolher uma refeição, apreciar um alimento ou planejar o jantar são comportamentos normais.

O problema aparece quando os pensamentos relacionados à comida se tornam excessivamente frequentes, difíceis de controlar e percebidos como indesejados, interferindo na rotina, no bem-estar ou na relação com a alimentação.

Uma definição proposta recentemente descreve food noise como pensamentos persistentes sobre comida que são percebidos como indesejados ou desagradáveis e que podem gerar prejuízos sociais, psicológicos ou físicos.

Entretanto, a literatura mais recente alerta para uma questão importante: o conceito pode se sobrepor a fenômenos já conhecidos, como:

  • desejo intenso por determinados alimentos (craving);

  • preocupação excessiva com alimentação;

  • reatividade a estímulos alimentares;

  • fome hedônica;

  • comportamento alimentar emocional;

  • perda de controle alimentar;

  • ruminação relacionada à comida.

Por isso, o food noise deve ser encarado atualmente como uma descrição de uma experiência alimentar, e não como um diagnóstico isolado.

Fome fisiológica x fome hedônica

Um dos conceitos mais importantes para compreender o food noise é a diferença entre fome fisiológica e motivação hedônica para comer.

A fome fisiológica está relacionada à necessidade energética e aos mecanismos homeostáticos do organismo. É influenciada por sinais provenientes do trato gastrointestinal, tecido adiposo, pâncreas e sistema nervoso central.

Já a alimentação hedônica está relacionada ao prazer, recompensa, desejo e motivação para consumir alimentos, podendo ocorrer mesmo quando as necessidades energéticas imediatas já foram atendidas.

A literatura diferencia, inclusive, o conceito de “gostar” (liking) do conceito de “querer” (wanting). Uma pessoa pode não estar particularmente com fome e, ainda assim, apresentar forte motivação para consumir determinado alimento diante de estímulos ambientais, emocionais ou sensoriais.

Isso ajuda a explicar situações comuns, como:

“Eu acabei de jantar, estou satisfeita, mas não consigo parar de pensar naquele chocolate.”

Nesse caso, o desejo não necessariamente representa uma necessidade energética.

O que os GLP-1 mudam?

Os medicamentos que atuam no sistema GLP-1 modificam diversos mecanismos envolvidos na regulação do apetite.

O GLP-1 participa da comunicação entre intestino, cérebro e metabolismo. Os medicamentos que mimetizam sua ação podem aumentar a saciedade, reduzir a ingestão alimentar e retardar o esvaziamento gástrico. Revisões de ensaios clínicos também identificaram efeitos sobre apetite, preferências alimentares e percepção relacionada aos alimentos.

Uma revisão sistemática sobre os efeitos dos agonistas de GLP-1 no comportamento de recompensa encontrou redução consistente da ingestão energética e alterações em respostas relacionadas à recompensa e aos estímulos alimentares.

Pesquisas mais recentes também vêm observando redução de food noise, cravings e responsividade a estímulos alimentares em pessoas utilizando esses medicamentos.

Um levantamento com 550 adultos que utilizavam semaglutida encontrou redução importante nos escores de food noise relatados após o início do tratamento. Entretanto, os próprios autores destacam a necessidade de estudos prospectivos e longitudinais, pois o estudo foi baseado em autorrelato retrospectivo e não permite estabelecer causalidade de forma definitiva.

Portanto, é possível que parte do benefício percebido pelo paciente seja justamente a redução da intensidade com que os estímulos alimentares dominam sua atenção.

O medicamento “desliga” o barulho alimentar?

Essa é uma simplificação que merece cuidado.

Os GLP-1 podem reduzir a intensidade de determinados sinais relacionados à fome, recompensa e desejo alimentar, mas não significa que eliminem todos os pensamentos sobre comida ou que “curem” compulsões, ansiedade ou outros transtornos alimentares.

Além disso, ainda não sabemos exatamente quais mecanismos explicam a redução do food noise. Uma revisão de 2026 destaca que diferentes mecanismos podem estar envolvidos, incluindo regulação homeostática, resposta a estímulos alimentares, recompensa, supressão de pensamentos e processos relacionados à memória.

Portanto, a ciência ainda está construindo uma resposta definitiva.

Onde entra a nutrição?

É justamente nesse ponto que o trabalho do nutricionista se torna particularmente relevante.

A proposta não deve ser simplesmente ensinar o paciente a “resistir” ao desejo de comer.

O objetivo é desenvolver autonomia alimentar, percepção dos sinais corporais e estratégias para lidar com pensamentos e estímulos alimentares, respeitando a individualidade do paciente.

A nutrição pode ajudar o indivíduo a responder a algumas perguntas fundamentais:

Estou com fome?

Estou satisfeito?

Estou buscando comida por prazer?

Estou tentando aliviar uma emoção?

Estou diante de um estímulo externo?

Estou realmente desejando esse alimento ou estou simplesmente habituado.


Referências principais

  1. Hayashi et al. (2023). What Is Food Noise? A Conceptual Model of Food Cue Reactivity. Nutrients, 15(22), 4809.
  2. Boswell & Kober (2016). Food cue reactivity and craving predict eating and weight gain: a meta-analytic review. Obesity Reviews, 17(2), 159–177.
  3. Kanoski & Grill (2022). Food cue reactivity: Neurobiological and behavioral underpinnings.
  4. Dhurandhar et al. (2025). Food noise: definition, measurement, and future research directions. Nutrition & Diabetes.
  5. Brewis et al. (2026). Food noise: Conceptual, methodological, and ethical considerations. Appetite.
  6. Wylie et al. (2026). Food noise: A theoretical review. Appetite.
Inez & Sara


quarta-feira, 30 de setembro de 2026

O cheiro da comida pode aumentar a fome?



Já percebeu que, às vezes, basta sentir o cheiro de uma comida para começar a pensar em comer? Isso acontece porque o olfato participa do comportamento alimentar. Os aromas podem estimular respostas relacionadas ao apetite, despertar memórias e emoções associadas aos alimentos e até aumentar a salivação, preparando o organismo para a refeição.
Além disso, o ambiente em que estamos como o cheiro vindo da cozinha, de uma padaria ou de um restaurante pode influenciar nossa vontade de comer.
 Curiosidade: muitas vezes, o cérebro começa a responder aos alimentos antes mesmo da primeira mordida!

-Beatriz Vitória 

Referência:
Spence, C. (2015). The significance of flavor in the food choice. Food Quality and Preference, 42, 248–261.

Ovo: muito além da proteína



O ovo é pequeno, acessível e aparece em várias refeições do dia. Mas você sabia que ele oferece muito mais do que proteína?

Além de proteínas de alta qualidade, o ovo fornece nutrientes como colina, vitamina B12, selênio, riboflavina e vitamina D, além de carotenoides como luteína e zeaxantina, encontrados principalmente na gema.Proteína de alta qualidade

O ovo contém todos os aminoácidos essenciais, o que faz dele uma fonte de proteína de alta qualidade. As proteínas são importantes para a manutenção e formação de tecidos, incluindo músculos.

E a colina?

A gema é uma das fontes alimentares de colina, nutriente envolvido na formação das membranas celulares, no metabolismo e no funcionamento do sistema nervoso.

A gema também merece atenção

A gema contém luteína e zeaxantina, carotenoides que se concentram na retina e estão relacionados à saúde dos olhos.

E aqui vai uma curiosidade: retirar a gema significa retirar justamente uma parte importante dos micronutrientes do ovo.

E o colesterol?

Durante muito tempo, o ovo foi tratado como um grande vilão por causa do colesterol presente na gema. Hoje, a evidência científica é mais complexa.

Revisões e meta-análises mostram que o consumo moderado de ovos não está claramente associado ao aumento do risco cardiovascular na população geral. Porém, os resultados não são completamente uniformes, e o contexto da alimentação, o estado de saúde e outros fatores individuais também importam.

Por isso, não faz sentido olhar apenas para um alimento isoladamente. A qualidade da alimentação como um todo continua sendo fundamental.



No fim das contas...

O ovo pode ser um alimento nutritivo, versátil e acessível, contribuindo com proteínas, vitaminas, minerais e outros compostos bioativos.

E talvez a melhor forma de enxergá-lo seja justamente essa: não como vilão ou superalimento, mas como parte de uma alimentação equilibrada.

Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

 Referências científicas

  • Drouin-Chartier JP et al. Egg consumption and risk of cardiovascular disease: three large prospective US cohort studies, systematic review, and updated meta-analysis. BMJ. 2020;368:m513. 
  • Godos J et al. Egg consumption and cardiovascular risk: a dose-response meta-analysis of prospective cohort studies. European Journal of Nutrition. 2021
  • Schwingshackl L et al. The effect of egg consumption on cardiometabolic health outcomes: an umbrella review. Public Health Nutrition. 2020.
  • Kang JW, Zivkovic AM. Are eggs good again? A precision nutrition perspective on the effects of eggs on cardiovascular risk. Journal of Nutritional Biochemistry. 2022. 
  • 2025 — Updated umbrella review. Effect of egg consumption on health outcomes. 

Observação importante: a literatura sobre ovos e saúde cardiovascular ainda apresenta resultados heterogêneos. Uma revisão guarda-chuva atualizada em 2025 considerou a força das evidências insuficiente para desencorajar o consumo de ovos, reforçando que o alimento deve ser analisado dentro do padrão alimentar como um todo. 

Nutrição em destaque hoje

 

Nutrição em destaque hoje

A alimentação continua sendo um dos principais fatores relacionados à saúde cardiovascular. O ponto central é que a qualidade do padrão alimentar importa mais do que focar em um único nutriente ou alimento isoladamente.

Uma alimentação equilibrada deve priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, castanhas e fontes adequadas de proteínas.

Também é importante reduzir o consumo excessivo de sódio, açúcares adicionados, gorduras pouco saudáveis e alimentos ultraprocessados.

👉 Mensagem principal: não existe um alimento ou nutriente isolado capaz de determinar sozinho a saúde. O conjunto das escolhas alimentares ao longo do tempo é o que importa.

Por Roseli Aparecida Ferreira

Fonte: American College of Cardiology / Journal of the American College of Cardiology (JACC), 30 set. 2026.



Agora que o medicamento me ajudou a controlar a fome e eu já perdi X kg, como vamos transformar esse resultado em um estilo de vida que eu consiga manter?

Os medicamentos para emagrecimento, especialmente os que atuam nos receptores de GLP-1, mudaram a forma como muitas pessoas conseguem controlar a fome e iniciar um processo de perda de peso.

Para algumas pessoas, o medicamento representa justamente a oportunidade de romper um ciclo difícil: fome constante, dificuldade de controlar as porções, tentativas frustradas de dieta e o conhecido efeito “perde e ganha” de peso.

Mas existe uma pergunta que merece ser feita durante esse processo:

“Agora que o medicamento me ajudou a controlar a fome e eu já perdi X kg, como vamos transformar esse resultado em um estilo de vida que eu consiga manter?”

Essa pergunta muda completamente a perspectiva do tratamento.

O objetivo não deveria ser apenas perder peso

Emagrecer é importante para muitas pessoas, principalmente quando a perda de peso contribui para melhorar a saúde metabólica, a mobilidade, a disposição e a qualidade de vida.

Porém, existe uma diferença entre perder peso e construir uma estratégia para manter o resultado.

O medicamento pode ajudar a reduzir a fome e aumentar a saciedade. Isso pode facilitar a adesão a uma alimentação com menor ingestão energética.

Mas o tratamento nutricional continua sendo fundamental.

É durante esse período que podemos trabalhar hábitos que serão importantes independentemente do uso da medicação:

  1. melhorar a qualidade da alimentação;
  2. aprender a montar refeições equilibradas;
  3. adequar o consumo de proteínas;
  4. aumentar o consumo de vegetais, frutas e fibras;
  5. organizar horários e rotina alimentar;
  6. desenvolver uma relação mais tranquila com a comida;
  7. praticar atividade física;
  8. preservar ou aumentar a massa muscular;
  9. e construir estratégias para manutenção do peso.

O medicamento pode ser uma ferramenta. Ele não precisa ser o único pilar do tratamento.

“Mas se eu já emagreci bastante, não está na hora de focar mais na dieta?”

Pode ser o momento de reavaliar o foco do tratamento, sim.

Isso não significa necessariamente que seja hora de interromper o medicamento.

A decisão sobre continuar, reduzir ou suspender um GLP-1 deve ser feita individualmente, junto ao médico que acompanha o tratamento. Para algumas pessoas, a medicação pode fazer parte de uma estratégia de longo prazo, porque a obesidade é uma condição crônica e a recuperação do peso após a interrupção do tratamento pode acontecer.

Estudos mostram justamente essa dificuldade.

No estudo de extensão do STEP 1, participantes que haviam utilizado semaglutida por 68 semanas recuperaram, em média, uma parte significativa do peso perdido após a interrupção do medicamento durante o período de acompanhamento. Isso demonstra que a retirada da medicação não deve ser encarada como o fim do tratamento, mas como uma decisão que precisa considerar a estratégia de manutenção. 

Por isso, a pergunta mais importante talvez não seja apenas:

“Quando vou parar o GLP-1?”

Mas sim:

“O que estamos fazendo hoje para que eu consiga preservar esse resultado no futuro?”

O risco de depender apenas do medicamento

Imagine duas pessoas que perderam 15 kg utilizando um medicamento para emagrecimento.

A primeira perdeu peso, mas praticamente não mudou sua rotina alimentar, não desenvolveu uma estratégia de manutenção e não incorporou atividade física. A segunda aproveitou o período de melhor controle da fome para aprender a organizar sua alimentação, adequar a ingestão de proteínas, aumentar o consumo de alimentos nutritivos e começar um programa de musculação .

As duas podem apresentar uma perda de peso semelhante na balança.

Mas o tratamento delas foi muito diferente.

Isso não significa que quem recupera peso depois de suspender o medicamento “não teve disciplina”. O controle do peso envolve mecanismos biológicos, hormonais, comportamentais e ambientais.

Por isso, precisamos abandonar a ideia de que emagrecimento é simplesmente uma questão de força de vontade.

O que precisamos construir é uma estratégia de longo prazo.

E a musculação? Ela pode ser uma grande aliada

Quando emagrecemos, não queremos apenas diminuir o número mostrado pela balança.

Queremos, sempre que possível, reduzir gordura corporal preservando a massa muscular.

É aí que o treinamento de força ganha importância.

A musculação fornece um estímulo importante para a manutenção e o desenvolvimento da massa muscular, especialmente quando associada a uma alimentação adequada e ingestão suficiente de proteínas.

Além disso, aumentar ou preservar a massa muscular pode contribuir para uma composição corporal mais favorável.

Por isso, se você está utilizando um medicamento para emagrecimento, não precisa esperar chegar ao seu “peso ideal” para começar a musculação.

A construção da massa muscular também faz parte do processo de emagrecimento.

A dieta precisa acompanhar o seu novo momento

À medida que o peso diminui, as necessidades nutricionais também podem mudar.

Por isso, aquela dieta que funcionava quando você pesava 10, 15 ou 20 kg a mais pode não ser a mesma estratégia necessária agora.

O planejamento alimentar precisa considerar:

Seu peso atual + sua composição corporal + seu objetivo + sua rotina + seu nível de atividade física + sua fome e saciedade.

E isso é especialmente importante para quem utiliza medicamentos que diminuem o apetite.

Com menos fome, algumas pessoas acabam comendo muito pouco, deixando de consumir proteínas e micronutrientes suficientes ou fazendo refeições pouco equilibradas.

Emagrecer mais rápido nem sempre significa emagrecer melhor.

O objetivo deve ser encontrar uma estratégia que permita perder gordura sem negligenciar a saúde, a massa muscular e a qualidade da alimentação.

E quando chegar ao peso desejado?

Essa é uma das questões que mais deveriam ser discutidas durante o tratamento.

Porque chegar ao peso desejado não significa que o tratamento terminou.

Na verdade, começa uma nova fase:

A fase da manutenção.

É nesse momento que precisamos descobrir:

  1. Qual quantidade de comida mantém meu peso?
  2. Como devo organizar minhas refeições?
  3. Qual quantidade de proteína preciso consumir?
  4. Como manter a musculação?
  5. Como lidar com períodos de maior fome?
  6. O que fazer em viagens, festas e férias?
  7. Como identificar rapidamente um possível reganho de peso?
  8. O medicamento continuará fazendo parte do tratamento?
  9. Se for retirado, qual será a estratégia de acompanhamento?

Ter essas respostas antes de interromper a medicação pode ser muito mais importante do que simplesmente atingir um determinado número na balança.

O GLP-1 pode ser uma ferramenta, não necessariamente o plano inteiro

  • Não precisamos colocar medicamento e alimentação em lados opostos.
  • Uma estratégia mais completa pode utilizar diferentes ferramentas ao mesmo tempo:
  • Medicamento: ajuda no controle da fome e da saciedade.
  • Nutrição: fornece energia e nutrientes adequados e ensina estratégias alimentares sustentáveis.
  • Proteína adequada: contribui para a manutenção da massa muscular.
  • Musculação: oferece estímulo para preservar e desenvolver músculos.
  • Atividade física: contribui para saúde cardiovascular, metabólica e manutenção do peso.
  • Acompanhamento profissional: permite ajustar o tratamento conforme as mudanças acontecem.
  • Essa combinação pode ser muito mais interessante do que pensar no medicamento como uma solução isolada.

Talvez o momento seja de mudar a pergunta

Em vez de pensar:

“Até quando vou precisar do medicamento?”

podemos começar a pensar:

“O que preciso aprender e construir enquanto o medicamento está me ajudando?”

Essa mudança de perspectiva pode ser muito importante.

Se você já emagreceu X kg, talvez este seja um excelente momento para sentar com sua equipe de saúde e revisar o planejamento.

Não necessariamente para interromper o medicamento.

Mas para avaliar qual é o próximo passo.

Pode ser o momento de ajustar sua alimentação ao peso atual, estabelecer uma rotina de musculação, avaliar sua composição corporal, garantir uma ingestão adequada de proteínas e começar a estruturar a fase de manutenção.

Emagrecer é uma etapa. Aprender a manter é parte do tratamento.

Os medicamentos para emagrecimento podem ser ferramentas extremamente importantes para algumas pessoas. Mas o resultado que realmente queremos não é apenas ver um número menor na balança.

Queremos que esse novo peso venha acompanhado de mais saúde, força, autonomia, qualidade alimentar e uma rotina que seja possível manter na vida real.

E essa construção começa antes de chegar ao peso final.

Se o medicamento ajudou você a controlar a fome e perder peso, aproveite esse momento para construir aquilo que continuará existindo mesmo quando a estratégia medicamentosa mudar.

Referências

1. Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2022;24(8):1553-1564.

2. Obesity Canada. Canadian Adult Obesity Clinical Practice Guideline – Pharmacotherapy. Atualização de 2025.

3. American College of Sports Medicine. Physical Activity Guidelines for Americans / Exercise and Physical Activity for Weight Management.

4. American Association of Clinical Endocrinology. Diretrizes e recomendações para tratamento abrangente da obesididade.

Inez & Sara


 




Nutrição esportiva na pré e pós-competição: estratégias baseadas em evidências

A alimentação do atleta não deve ser entendida apenas como uma refeição imediatamente antes ou depois da competição. O desempenho é resultado de um planejamento nutricional que envolve disponibilidade energética, ingestão adequada de carboidratos e proteínas, hidratação, sono, recuperação e, quando apropriado, utilização criteriosa de suplementos.

Na prática esportiva, a estratégia nutricional deve ser individualizada de acordo com a modalidade, duração e intensidade do exercício, composição corporal, tolerância gastrointestinal, condições ambientais e calendário competitivo.

1. Estratégia nutricional pré-competição

O principal objetivo da alimentação antes da competição é garantir disponibilidade adequada de carboidratos, hidratação e conforto gastrointestinal, sem introduzir alimentos ou suplementos desconhecidos no dia da prova.

24–48 horas antes

Em modalidades de endurance ou competições prolongadas, pode ser utilizada uma estratégia de aumento da disponibilidade de carboidratos. Entretanto, o chamado carb loading não precisa ser realizado por todos os atletas.

Quando indicado, o aumento da ingestão de carboidratos pode favorecer a maximização dos estoques de glicogênio muscular e hepático. Estratégias tradicionais utilizam aproximadamente 8–12 g de carboidrato/kg/dia em períodos de elevada demanda ou preparação específica para eventos prolongados. (SpringerLink)

Na prática, podem ser utilizados alimentos como:

  • arroz;
  • massas;
  • batata e mandioca;
  • pão;
  • frutas;
  • cereais;
  • bebidas esportivas, quando necessárias.

A redução temporária de alimentos muito ricos em fibras, grandes quantidades de gordura ou alimentos que individualmente provocam desconforto pode ser útil nas horas que antecedem a competição. Isso não significa que fibras ou gorduras sejam "ruins" para atletas; significa apenas que sua quantidade pode precisar ser ajustada conforme a proximidade da prova e a tolerância gastrointestinal.

3–4 horas antes

Uma refeição pré-competição geralmente deve priorizar carboidratos, acompanhados de quantidade moderada de proteína e baixo teor de gordura e fibras quando o atleta apresentar sensibilidade gastrointestinal.

Exemplos:

Opção 1: arroz branco + frango grelhado + pequena porção de legumes cozidos + fruta.

Opção 2: pão branco + ovos + banana + mel.

Opção 3: massa com molho leve + frango ou peixe.

A quantidade precisa ser individualizada. O objetivo não é simplesmente comer "carboidrato simples", mas oferecer energia suficiente sem produzir desconforto.

30–60 minutos antes

Quando necessário, uma pequena quantidade de carboidrato pode complementar a estratégia:

  • banana;
  • mel;
  • pão com geleia;
  • bebida esportiva;
  • gel de carboidrato;
  • goma ou outro alimento esportivo de fácil digestão.

Géis e bebidas são particularmente úteis quando o atleta tem dificuldade de consumir alimentos sólidos próximo ao exercício.

Importante: o gel não é automaticamente superior ao alimento convencional. Ele é principalmente uma forma prática de fornecer carboidrato.

2. Cafeína e desempenho cognitivo

A cafeína é uma das estratégias ergogênicas com melhor suporte científico.

Uma revisão de posição da International Society of Sports Nutrition concluiu que doses de aproximadamente 3–6 mg/kg de peso corporal podem melhorar diferentes aspectos do desempenho físico, especialmente exercícios de endurance, além de poderem beneficiar atenção e vigilância. A resposta, entretanto, varia entre indivíduos. (PMC)

O horário mais estudado é aproximadamente 60 minutos antes do exercício, embora o momento ideal dependa da forma utilizada. (Springer Nature Link)

Exemplo:

Um atleta de 70 kg, utilizando 3 mg/kg, receberia aproximadamente 210 mg de cafeína.

Isso não significa que todo atleta deva utilizar 3–6 mg/kg. Doses menores podem ser suficientes para alguns indivíduos, enquanto doses elevadas aumentam a possibilidade de efeitos adversos, como ansiedade, tremores, desconforto gastrointestinal e prejuízo do sono.

Por isso, a cafeína deve ser testada durante os treinamentos, e não pela primeira vez no dia da competição.

E os chamados "nootrópicos"?

É importante diferenciar cafeína, que possui evidência relativamente consistente, de produtos comercializados como "nootrópicos", "pré-treinos" ou "adaptógenos".

Substâncias como L-teanina e ashwagandha vêm sendo estudadas, mas não apresentam o mesmo nível de evidência para desempenho esportivo competitivo que a cafeína. Portanto, não é adequado colocá-las no mesmo nível de recomendação.

3. Nitrato e suco de beterraba

O nitrato dietético, frequentemente fornecido por meio do suco de beterraba, é outra estratégia estudada na nutrição esportiva.

O nitrato pode aumentar a disponibilidade de óxido nítrico e modificar aspectos da eficiência muscular e do metabolismo durante o exercício. Entretanto, seus efeitos dependem da modalidade, dose, duração do exercício e características do atleta.

Uma meta-análise envolvendo 123 estudos encontrou benefício pequeno, porém significativo, do nitrato sobre o desempenho físico, com efeitos mais evidentes em exercícios com duração aproximada de 2–10 minutos. (PubMed)

Uma revisão mais recente também indica que os efeitos podem ser pequenos e variar consideravelmente entre atletas. (PubMed)

Portanto, o suco de beterraba deve ser considerado uma estratégia específica, e não uma necessidade nutricional universal.

4. Nutrição durante a competição

Em exercícios prolongados, a alimentação durante a prova pode ser tão importante quanto a refeição pré-competição.

Em eventos de longa duração, carboidratos podem ser utilizados para manter a disponibilidade de combustível e retardar a queda de desempenho.

As estratégias podem envolver:

  • bebidas esportivas;

  • géis;

  • carboidratos em solução;

  • alimentos de fácil digestão;

  • combinações de glicose e frutose.

A quantidade deve ser determinada de acordo com duração, intensidade e tolerância gastrointestinal.

Em provas longas, o atleta também precisa considerar hidratação e reposição de eletrólitos, especialmente quando há elevada perda de suor.

5. Pós-competição: recuperação em três pilares

Após a competição, a estratégia pode ser organizada em três objetivos:

1. Reidratar

Repor líquidos e, quando necessário, sódio e outros eletrólitos.

2. Reabastecer

Restaurar o glicogênio muscular por meio de carboidratos.

3. Reparar

Fornecer proteína e energia suficientes para estimular a recuperação e a síntese de proteínas musculares.

É importante abandonar a ideia de que existe uma "janela anabólica" extremamente curta, na qual o atleta precisa obrigatoriamente consumir um shake dentro de poucos minutos.

O momento da ingestão é relevante, mas o consumo total de energia, carboidratos e proteínas ao longo do dia é fundamental.

6. Carboidratos no pós-competição

Quando o atleta precisa recuperar rapidamente o glicogênio — por exemplo, quando existem duas sessões ou competições próximas — uma ingestão elevada de carboidratos logo após o exercício pode ser estratégica.

Protocolos de recuperação rápida utilizam aproximadamente 1,0–1,2 g/kg/h de carboidrato, especialmente nas primeiras horas quando o intervalo até o próximo exercício é curto. (SpringerLink)

Quando não existe uma nova sessão em poucas horas, não há necessidade de transformar o pós-treino em uma corrida contra o relógio. O atleta pode distribuir os carboidratos adequadamente nas refeições seguintes.

7. Proteína e recuperação muscular

A proteína fornece aminoácidos necessários para a síntese e manutenção dos tecidos musculares.

Para indivíduos fisicamente ativos, a literatura da ISSN utiliza como referência geral aproximadamente 1,4–2,0 g de proteína/kg/dia, embora necessidades individuais possam variar conforme modalidade, objetivo, disponibilidade energética e fase de treinamento. (PubMed)

Mais importante do que simplesmente consumir uma grande quantidade de proteína imediatamente após a competição é garantir:

  • ingestão proteica diária adequada;

  • distribuição das proteínas ao longo do dia;

  • fontes de boa qualidade;

  • ingestão energética suficiente.

  • Boas opções incluem:
  • leite e derivados;

  • ovos;

  • peixes;

  • carnes magras;

  • frango;

  • soja e derivados;

  • leguminosas;

  • suplementos proteicos quando houver praticidade ou necessidade.

O whey protein pode ser uma ferramenta conveniente, mas não é obrigatório para a recuperação.

8. Tart cherry: tendência com evidência, mas sem exageros

O suco de cereja azeda (tart cherry) é uma das estratégias que ganhou espaço na nutrição esportiva.

Uma meta-análise publicada em 2021 encontrou possíveis benefícios sobre dor muscular, recuperação de força e potência após exercícios intensos. (PubMed)

Entretanto, a literatura mais recente mostra que os resultados são heterogêneos. Uma meta-análise publicada em 2026 encontrou possíveis benefícios em alguns marcadores de recuperação, mas classificou a certeza da evidência entre muito baixa e moderada, com elevada heterogeneidade entre os estudos. (PubMed)

Portanto, o tart cherry pode ser considerado uma estratégia complementar em situações específicas, principalmente períodos de calendário competitivo intenso, mas não deve substituir carboidratos, proteínas, hidratação, sono e recuperação adequada.

9. Saúde intestinal: tendência que merece cautela

A saúde gastrointestinal é extremamente importante para atletas, principalmente em esportes de endurance.

Entretanto, ainda não é correto afirmar que todo atleta necessita utilizar probióticos, prebióticos ou simbióticos imediatamente após a competição para "restaurar a microbiota".

A resposta intestinal é individual e depende de alimentação habitual, treinamento, estresse, viagens, intensidade do exercício e outros fatores.

Assim, produtos voltados à microbiota devem ser utilizados de maneira individualizada, principalmente quando existe uma indicação específica.

10. Antioxidantes: mais não significa melhor

Outra tendência atual é o uso de grandes quantidades de antioxidantes para combater a inflamação provocada pelo exercício.

Essa abordagem exige cuidado.

A inflamação e o estresse oxidativo fazem parte das adaptações normais ao treinamento. Por isso, a utilização crônica de doses elevadas de determinados antioxidantes pode não ser desejável.

O objetivo da nutrição esportiva não deve ser eliminar completamente a resposta inflamatória ao exercício, mas fornecer nutrientes e energia suficientes para que o organismo se recupere adequadamente.

11. O que realmente deve estar no prato do atleta?

De maneira geral, uma refeição pós-competição pode conter:

Carboidrato + proteína + líquidos + micronutrientes

Por exemplo:

Arroz + feijão + frango/peixe + legumes + fruta + água

ou

Batata + ovos + legumes + fruta + bebida adequada à necessidade de hidratação.

Em determinadas situações, um shake pode ser mais conveniente:

Leite ou bebida proteica + whey + banana + aveia, por exemplo.

A escolha depende do horário, tolerância gastrointestinal, disponibilidade e necessidades individuais.

12. O que evitar no dia da competição?

Não existe uma lista universal de alimentos "proibidos". Entretanto, é prudente evitar:

  • alimentos nunca testados antes;

  • refeições excessivamente gordurosas próximas da prova;

  • grande quantidade de fibras imediatamente antes, quando há sensibilidade gastrointestinal;

  • álcool;

  • excesso de cafeína;

  • suplementos de procedência duvidosa;

  • estratégias nutricionais da moda sem teste prévio.

No esporte competitivo, não se testa uma estratégia nova no dia da competição.

Isso vale tanto para um alimento quanto para um gel, bebida, suplemento, cafeína ou produto ergogênico.

13. Suplementos: utilizar apenas quando existe uma razão

A utilização de suplementos deve começar pela pergunta:

"Qual problema estamos tentando resolver?"

A literatura do Comitê Olímpico Internacional destaca que apenas uma parcela dos suplementos possui evidência suficientemente consistente para justificar seu uso em situações específicas. Entre os recursos com melhor suporte encontram-se cafeína, creatina, nitrato e bicarbonato, dependendo da modalidade e do protocolo. (British Journal of Sports Medicine)

Além da eficácia, deve-se considerar:

  • segurança;

  • dose;

  • momento de utilização;

  • tolerância individual;

  • qualidade do produto;

  • risco de contaminação por substâncias proibidas.

Para atletas sujeitos a controle antidoping, esse último aspecto é especialmente importante.

Conclusão

A nutrição esportiva moderna está caminhando para uma abordagem cada vez mais individualizada e baseada em evidências, deixando de lado a ideia de que existe um único "alimento milagroso" para melhorar o desempenho.

Na pré-competição, o foco deve estar principalmente em carboidratos, hidratação, conforto gastrointestinal e estratégias ergogênicas comprovadas quando indicadas.

Durante provas prolongadas, o planejamento de carboidratos, líquidos e eletrólitos pode ser determinante.

No pós-competição, a prioridade é reidratar, restaurar o glicogênio e fornecer proteína e energia suficientes para a recuperação.

Cafeína, nitrato, creatina e alguns alimentos funcionais, como tart cherry, podem ter lugar no planejamento, mas devem ser tratados como ferramentas específicas, e não como substitutos de uma alimentação adequada.

Em outras palavras:

A base continua sendo alimentação suficiente e adequada. Os suplementos entram para complementar — não para substituir — essa base.

Referências científicas selecionadas

  1. Maughan RJ, et al. IOC consensus statement: dietary supplements and the high-performance athlete. British Journal of Sports Medicine. 2018. (British Journal of Sports Medicine)

  2. Kerksick CM, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition. (SpringerLink)

  3. Jäger R, et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2017. (PubMed)

  4. Guest NS, et al. International Society of Sports Nutrition position stand: caffeine and exercise performance. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2021. (PMC)

  5. Daab W, et al. Effects of Tart Cherry Juice Supplementation on Recovery from Exercise-Induced Muscle Damage in Athletes: A Systematic Review and Meta-Analysis. Sports Medicine - Open. 2026. (PubMed)

  6. Hill JA, Keane KM, Quinlan R, Howatson G. Tart Cherry Supplementation and Recovery From Strenuous Exercise: A Systematic Review and Meta-Analysis. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2021. (PubMed)

  7. Tan R, et al. Effects of Dietary Nitrate Supplementation on High-Intensity Cycling Sprint Performance: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2024. (PubMed)

  8. McMahon NF, et al. Factors that Moderate the Effect of Nitrate Ingestion on Exercise Performance: A Systematic Review with Meta-Analyses and Meta-Regressions. Advances in Nutrition. 2022. (PubMed)

Inez & Sara

terça-feira, 29 de setembro de 2026

GROWTH SKIN COLÁGENO EM PÓ


 

GROWTH SKIN COLÁGENO EM PÓ

Análise da rotulagem e dos componentes da fórmula

O Growth Skin Colágeno em Pó é um suplemento alimentar desenvolvido com foco no suporte nutricional relacionado à saúde da pele. Sua fórmula combina colágeno hidrolisado, peptídeos bioativos de colágeno, ácido hialurônico e vitamina C.

📋 Identificação do produto

Produto: Growth Skin Colágeno em Pó

Categoria: Suplemento alimentar

Porção: 11,5 g

Rendimento: aproximadamente 26 porções por embalagem

Sugestão de uso indicada no rótulo:

1 porção ao dia

Preparo:

dissolver 11,5 g em aproximadamente 200 mL de água

Público indicado no rótulo: 

adultos a partir de 19 anos

Glúten: não contém

🥄 Macronutrientes

Por porção de 11,5 g, o produto fornece:

 Valor energético: 41 kcal

 Proteínas: 8,7 g

Carboidratos: 1,5 g

 Gorduras: não significativas

Fibras alimentares: não significativas

 Sódio: 25 mg

Proteínas — 8,7 g

A proteína é o principal macronutriente do produto e está relacionada principalmente ao colágeno hidrolisado.

O colágeno é uma proteína estrutural presente em tecidos como pele, ossos, cartilagens e tendões. Na forma hidrolisada, ele é quebrado em peptídeos menores, que são digeridos e absorvidos pelo organismo.

Importante: os 8,7 g de proteínas apresentados na tabela nutricional não devem ser confundidos com os 2,5 g de peptídeos bioativos de colágeno declarados separadamente. São informações diferentes da composição do produto.

Carboidratos — 1,5 g

A quantidade de carboidratos é baixa e contribui pouco para o valor energético total da porção.

Valor energético — 41 kcal

 produto apresenta baixo valor energético por porção, fornecendo 41 kcal.

🍊 Micronutriente

Vitamina C — 100 mg

A vitamina C participa da formação normal do colágeno e também exerce função antioxidante.

Ela é importante para a manutenção normal da pele e de outros tecidos conjuntivo

🔬 Outros componentes da fórmula

Peptídeos bioativos de colágeno — 2,5 g

O produto fornece 2,5 g de peptídeos bioativos de colágeno hidrolisado, com peso molecular médio informado de aproximadamente 2 kDa.

Esses peptídeos são estudados principalmente em relação a possíveis efeitos sobre parâmetros como hidratação e elasticidade da pele.

Ácido hialurônico — 120 mg

O produto fornece 120 mg de ácido hialurônico por porção, na forma de hialuronato de sódio.

O ácido hialurônico é uma molécula naturalmente presente no organismo e possui capacidade de ligar água, participando da hidratação e da estrutura dos tecidos.

Demais ingredientes

Segundo a rotulagem, a fórmula também contém:

 Colágeno hidrolisado;

 Peptídeos bioativos de colágeno hidrolisado;

 Hialuronato de sódio;

 Ácido ascórbico (vitamina C);

 Ácido cítrico;

Aromatizante;

 Extrato de urucum;

 Acessulfame de potássio;

 Sucralose.

O produto informa que não contém glúten.

🧬 O que a ciência mostra?

A literatura científica sobre o consumo oral de colágeno para a pele apresenta resultados promissores, porém ainda não totalmente consensuais.

Uma meta-análise publicada em 2023, que reuniu 26 ensaios clínicos randomizados e 1.721 participantes, encontrou melhora estatisticamente significativa na hidratação e na elasticidade da pele após a suplementação com colágeno hidrolisado. Os autores, entretanto, também apontaram limitações e a necessidade de estudos maiores.

Uma meta-análise publicada em 2025, envolvendo 23 ensaios clínicos e 1.474 participantes, encontrou resultados positivos quando todos os estudos foram analisados em conjunto. Entretanto, nas análises que consideraram apenas estudos de maior qualidade ou estudos sem financiamento da indústria farmacêutica, os benefícios não foram estatisticamente significativos.

Por isso, é mais adequado afirmar que existem evidências de possíveis benefícios do colágeno oral em alguns parâmetros da pele, principalmente hidratação e elasticidade, mas ainda existem incertezas sobre a magnitude e a consistência desses efeitos.

✨ Possíveis benefícios relacionados à composição

Com base na composição do produto e nas evidências disponíveis, podemos relacioná-lo a:

Manutenção da estrutura da pele

O colágeno é um importante componente estrutural da matriz extracelular.

Hidratação da pele

Estudos clínicos com colágeno hidrolisado encontraram possíveis melhorias na hidratação cutânea.

Elasticidade da pele

Alguns estudos observaram possíveis melhorias na elasticidade após períodos de suplementação.

Formação de colágeno

A vitamina C participa da formação normal do colágeno.

Hidratação dos tecidos

O ácido hialurônico apresenta capacidade de retenção de água e participa da hidratação dos tecidos.

⚠️ Pontos de atenção

Apesar de ser comercializado com foco na saúde e aparência da pele, o suplemento não deve ser considerado um tratamento para envelhecimento cutâneo, rugas ou outras condições dermatológicas.

Os resultados da suplementação podem variar de acordo com diversos fatores, como idade, alimentação, estado nutricional, exposição solar, genética, estilo de vida e condições individuais de saúde.

O suplemento também não substitui uma alimentação equilibrada e deve ser utilizado de acordo com a recomendação do rótulo e, quando necessário, com orientação de profissional habilitado.

Avaliação nutricional 

Porção: 11,5 g

Macronutrientes

 41 kcal

8,7 g de proteínas

1,5 g de carboidratos

 Gorduras não significativas

 Fibras não significativas

Micronutriente

 100 mg de vitamina C

Compostos bioativos

 2,5 g de peptídeos bioativos de colágeno

 120 mg de ácido hialurônico

O Growth Skin Colágeno em Pó apresenta uma fórmula com colágeno hidrolisado, 2,5 g de peptídeos bioativos de colágeno, 120 mg de ácido hialurônico e 100 mg de vitamina C por porção.

Do ponto de vista nutricional, apresenta baixo valor energético e baixo teor de carboidratos, tendo a proteína como principal macronutriente.

A vitamina C participa da formação normal do colágeno, enquanto o ácido hialurônico está relacionado à hidratação dos tecidos. Estudos clínicos indicam possíveis benefícios da suplementação de colágeno para parâmetros como hidratação e elasticidade da pele, mas as evidências ainda apresentam resultados diferentes entre os estudos.

Assim, o produto pode ser considerado uma opção de suplementação nutricional, mas seus efeitos não devem ser apresentados como garantia de rejuvenescimento ou eliminação de rugas. A avaliação deve considerar a alimentação, as necessidades individuais e o contexto geral de saúde.

📚 Referências

PU, S. Y. et al. Effects of Oral Collagen for Skin Anti-Aging: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients, 2023.

MYUNG, S. K.; PARK, Y. Effects of Collagen Supplements on Skin Aging: A Systematic Review and Meta-Analysis of Randomized Controlled Trials. The American Journal of Medicine, 2025.

DE MIRANDA, R. B. et al. Effects of hydrolyzed collagen supplementation on skin aging: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Dermatology, 2021

                    Por: Beatriz e Roseli 


 

 

 

Sal: o que você precisa saber


O sal é uma das principais fontes de sódio na alimentação, e o sódio é necessário para funções importantes do organismo, como equilíbrio de líquidos e funcionamento dos músculos e nervos. Porém, o consumo excessivo de sódio está relacionado ao aumento da pressão arterial e ao maior risco de doenças cardiovasculares.


Grande parte do sódio pode estar presente em alimentos processados e ultraprocessados, como embutidos, macarrão instantâneo, temperos prontos, molhos e alimentos preparados industrialmente. Por isso, é importante priorizar alimentos in natura ou minimamente processados, ler os rótulos e utilizar ervas e temperos naturais para reduzir a necessidade de sal.

por Roseli Aparecida Ferreira

O tamanho do prato pode influenciar quanto você come?


 Pode parecer apenas um detalhe, mas o tamanho da louça pode influenciar a forma como percebemos uma porção. Quando usamos pratos maiores, a mesma quantidade de comida pode parecer menor. Já em pratos menores, a porção pode parecer mais volumosa. Essa percepção visual pode influenciar quanto colocamos no prato e, consequentemente, quanto consumimos. Estudos mostram que porções maiores tendem a aumentar o consumo de alimentos, embora o efeito do tamanho do prato isoladamente possa variar entre situações e pessoas. Ou seja: não é simplesmente “prato grande = comer mais”, mas o ambiente e os estímulos visuais também participam do nosso comportamento alimentar. A alimentação é influenciada não apenas pela fome, mas também pelo ambiente ao nosso redor.

-Beatriz Vitória 


Referências:

ANDRES, A. et al. Portion Size and Energy Intake: A Systematic Review. USDA Nutrition Evidence Systematic Review, 2025.

HOLLANDS, G. J. et al. Portion, package or tableware size for changing selection and consumption of food, alcohol and tobacco. Cochrane Database of Systematic Reviews, 2015.

WANSINK, B.; VAN ITTERSUM, K. Portion size me: plate-size induced consumption norms and win-win solutions for reducing food intake and waste. Journal of Experimental Psychology: Applied, 2013.