quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 


Como o aquecimento global impacta a alimentação?

O aquecimento global já interfere nos sistemas alimentares, afetando a produção agrícola, a disponibilidade, a qualidade e o preço de diversos alimentos. Ondas de calor, secas, chuvas intensas e outros eventos extremos podem reduzir a produtividade das culturas e dificultar o acesso regular a alimentos nutritivos. 

Essas mudanças podem aumentar a insegurança alimentar e tornar uma alimentação saudável menos acessível, especialmente para populações mais vulneráveis. Ao mesmo tempo, os sistemas alimentares também contribuem para as emissões de gases de efeito estufa, tornando necessária uma transformação em direção a sistemas mais sustentáveis e resilientes. 

No dia a dia, algumas escolhas podem contribuir: valorizar alimentos da época e da produção local, aumentar a variedade de alimentos de origem vegetal, evitar desperdícios e priorizar uma alimentação saudável e equilibrada. Essas atitudes não resolvem sozinhas as mudanças climáticas, mas fazem parte de sistemas alimentares mais sustentáveis. 
Por Roseli Aparecida Ferreira 

📚 Referências

 WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Climate change and health. 2023. 
 WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). The State of Food Security and Nutrition in the World 2026: Understanding and addressing the high cost of a healthy diet. 2026. 
WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Report of the WHO South-East Asia Regional meeting on nutrition and climate change. 2025. 
FAO — FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. Climate Change: Key Messages. 
 FAO. 5 science-backed solutions for a climate-resilient future. 2025.


Por que sentimos vontade de comer doce depois das refeições?


 Sabe aquela vontade de comer “só um docinho” mesmo depois de uma refeição completa? 

Isso é mais comum do que parece — e nem sempre significa falta de controle. A vontade de comer doce pode estar relacionada a diferentes fatores: Palatabilidade: alimentos doces são bastante prazerosos e podem ativar mecanismos relacionados à recompensa alimentar. Hábito: quando o doce faz parte da rotina após o almoço ou jantar, o próprio contexto pode criar uma associação entre terminar a refeição e comer algo doce. Composição da refeição: a quantidade e a combinação dos alimentos podem influenciar a saciedade e o comportamento alimentar. Sono e estresse: alterações no sono e níveis elevados de estresse podem estar associados a mudanças no apetite e ao aumento da busca por alimentos mais palatáveis. Aspectos emocionais: em algumas situações, o doce pode ser utilizado como uma forma de conforto ou recompensa. 

Por isso, sentir vontade de comer doce não significa automaticamente que existe algum problema. O mais importante é observar com que frequência isso acontece, em quais situações e como é a sua relação com a comida. Alimentação equilibrada também envolve prazer e flexibilidade! 

- Beatriz Vitória 

 Referências 

* REBELLO, C. J.; GREENWAY, F. L. Reward-Induced Eating: Therapeutic Approaches to Addressing Food Cravings. Advances in Therapy, 2016. 

* Desire for Sweet Taste Unchanged After Eating: Evidence of a Dessert Mentality? Appetite, 2016. O estudo discute a relação entre saciedade e desejo por sabores doces. 

* GEIKER, N. R. W. et al. Does stress influence sleep patterns, food intake, weight gain, abdominal obesity and weight loss interventions and vice versa? Obesity Reviews, 2018, 19(1), 81–97. 

* TAN, S. Y. et al. Does Sleep Curtailment Stimulate Appetite, Motivation to Eat and Dietary Intake in Humans? Journal of Sleep Research, 2026.


Dormir mal pode aumentar a fome?




 Você já percebeu que, depois de uma noite mal dormida, parece mais difícil controlar a vontade de comer?

O sono participa da regulação do nosso metabolismo e do comportamento alimentar. Quando dormimos pouco, alguns estudos mostram aumento da fome, maior ingestão de energia e alterações em mecanismos relacionados à regulação do apetite.  Um dos mecanismos estudados envolve hormônios como a grelina, relacionada à sensação de fome, e a leptina, envolvida na sinalização de saciedade. Uma revisão sistemática encontrou associação entre sono curto e alterações nesses reguladores do apetite, embora os resultados não sejam totalmente consistentes entre os estudos.  Além disso, a privação de sono pode modificar a resposta do cérebro aos estímulos alimentares e aumentar a ingestão de alimentos em algumas situações. Por isso, cuidar do sono também faz parte de uma rotina alimentar saudável. E lembre-se: sentir mais fome depois de dormir pouco não significa falta de disciplina. O sono é um dos diversos fatores que podem influenciar nossa relação com a comida.

Uma alimentação equilibrada começa também com uma boa noite de sono!

-Beatriz Vitória 


Referências 

* Lin J, et al. Associations of short sleep duration with appetite-regulating hormones and adipokines: a systematic review and meta-analysis. Obesity Reviews. 2020. 

* St-Onge MP, et al. Effects of sleep restriction on metabolism-related parameters in healthy adults: a comprehensive review and meta-analysis of randomized controlled trials. Sleep Medicine Reviews. 2019. 

* Abbasi B, et al. Effect of sleep duration on dietary intake, desire to eat, measures of food intake and metabolic hormones: a systematic review of clinical trials. 2021. 

* Dashti HS, et al. A systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials of the impact of sleep duration on adiposity and components of energy balance. Obesity Reviews. 2015.

Uso de tirzepatida: A fome diminuiu, mas e os nutrientes? Como o uso de Mounjaro pode mudar a relação entre quantidade de comida e qualidade nutricional.



O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento que atua nos receptores de GIP e GLP-1, contribuindo para a redução do apetite e da ingestão alimentar. Mas, quando a fome diminui, surge uma questão importante: será que a alimentação continua fornecendo todos os nutrientes de que o corpo precisa?

Durante o tratamento, algumas pessoas podem sentir saciedade mais rapidamente, consumir porções menores ou apresentar sintomas como náuseas e desconforto gastrointestinal. Essas mudanças podem dificultar a ingestão adequada de energia, proteínas, vitaminas e minerais. Isso não significa que toda pessoa que usa o medicamento desenvolverá deficiências, mas reforça a importância do acompanhamento nutricional.

Quando o volume das refeições diminui, cada escolha alimentar pode se tornar uma oportunidade de fornecer nutrientes importantes.

Por isso, o planejamento alimentar deve considerar fontes de:

  • Proteínas: importantes para a manutenção da massa muscular.

  • Fibras: presentes em frutas, verduras, legumes e cereais integrais, contribuindo para a saúde intestinal.

  • Vitaminas e minerais: essenciais para o funcionamento do organismo.

  • Gorduras de boa qualidade: que participam de diversas funções metabólicas.

A recomendação não é simplesmente comer o máximo de nutrientes possível em uma pequena porção, mas construir uma alimentação adequada às necessidades, à tolerância e às preferências de cada pessoa, na dúvida, sempre consulte um profissional. 

E a massa muscular?

A perda de peso não acontece exclusivamente pela redução da gordura corporal. Estudos e revisões sobre terapias incretínicas apontam que também pode ocorrer perda de massa magra durante o emagrecimento.

Por isso, o cuidado nutricional deve ir além do número mostrado na balança. A ingestão adequada de proteínas, associada a exercícios de fortalecimento quando apropriados, é uma das estratégias discutidas para ajudar na preservação da massa muscular.

O que a ciência ainda está investigando?

As pesquisas sobre Mounjaro e outras terapias incretínicas estão avançando, mas ainda existem lacunas sobre a alimentação habitual dos pacientes, a adequação de proteínas e micronutrientes e quais estratégias nutricionais funcionam melhor em diferentes grupos.

Uma revisão de escopo publicada em 2026 identificou que a avaliação sistemática da ingestão de proteínas e micronutrientes ainda é pouco frequente nos estudos disponíveis. Isso mostra a importância de ampliar a investigação sobre a qualidade da alimentação durante o tratamento.

Curiosidade

A saciedade não é sinônimo de adequação nutricional.

Uma pessoa pode sentir-se satisfeita após uma pequena refeição e, ainda assim, não atingir suas necessidades nutricionais ao longo do dia. Por isso, a sensação de fome, embora seja uma informação importante, não é o único parâmetro para avaliar a qualidade da alimentação.

** ATENÇÃO: Este conteúdo é educativo. As necessidades nutricionais e a necessidade de suplementação devem ser avaliadas individualmente por profissionais de saúde. O uso de Mounjaro não significa que uma pessoa necessariamente terá deficiência nutricional, e suplementos não devem ser utilizados automaticamente sem avaliação.


Post elaborado por  Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências científicas

  • American Diabetes Association. Pharmacologic Treatment of Obesity in Adults: Standards of Care in Overweight and Obesity. 2026. Consultar diretrizes da ADA 

  • Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory. The American Journal of Clinical Nutrition, 2025. Consultar artigo científico

  • Nutrition Strategies for Next-Generation Incretin Therapies: A Systematic Scoping Review of the Current Evidence. 2026. Consultar revisão sistemática de escopo 

  • Medical nutrition in the glucagon-like peptide-1 era: Protein strategies, micronutrient monitoring, and lean mass preservation. 2026. Consultar revisão sobre estratégias nutricionais

  • Nutritional intake changes during GLP-1 receptor agonist therapy: A systematic review and meta-analysis. Diabetes & Metabolic Syndrome, 2026. Consultar meta-análise 



 



Nutrição esportiva de precisão: o conceito moderno

Nutrição esportiva de precisão é o processo de individualizar a alimentação, hidratação e suplementação usando o melhor conjunto disponível de dados do atleta — treinamento, composição corporal, ingestão alimentar, desempenho, sintomas gastrointestinais, sono, recuperação, exames e, quando justificável, tecnologias como CGM, genética e metabolômica — e validar as decisões por meio da resposta real do atleta.

Ou seja, precisão não significa necessariamente fazer mais exames.

Significa tomar decisões melhores com os dados que realmente acrescentam valor.

A hierarquia

Nível 1 — Fundamentos

disponibilidade energética;
carboidratos;
proteínas;
gorduras;
micronutrientes;
hidratação;
sono;
distribuição das refeições;
periodização nutricional.

Nível 2 — Contexto esportivo

modalidade;
volume e intensidade de treinamento;
duração das sessões;
calendário competitivo;
composição corporal;
objetivo de performance;
tolerância gastrointestinal;
ambiente: calor, altitude, umidade etc.

Nível 3 — Monitoramento individual

Aqui entram:

peso e composição corporal;
performance;
percepção de esforço;
frequência cardíaca;
HRV, quando útil;
sono;
sintomas gastrointestinais;
registros alimentares;
exames bioquímicos indicados.

Nível 4 — Tecnologias avançadas

Somente quando houver uma pergunta clínica ou de performance que justifique:

CGM;
testes genéticos;
microbioma;
metabolômica;
proteômica;
análise de suor;
outros wearables.

Essa hierarquia é importante porque um dado sofisticado não é automaticamente um dado útil.

1. Nutrigenética: o DNA pode modificar a estratégia?

Pode — mas precisamos evitar o marketing exagerado.

A nutrigenética investiga se diferenças genéticas alteram a resposta a determinados nutrientes ou suplementos.

Um exemplo interessante é a cafeína e o gene CYP1A2.

Existe investigação sobre o polimorfismo CYP1A2 rs762551 e a resposta ergogênica à cafeína. Uma meta-análise publicada em 2024 encontrou diferenças de resposta entre genótipos, mas também destacou limitações importantes, incluindo diferenças basais e possíveis efeitos de conflitos de interesse. (PubMed)

Uma revisão sistemática mais recente, publicada em 2025, incluiu 19 estudos e 732 participantes, mas observou que 84% dos estudos apresentavam alguma preocupação com risco de viés. (PubMed)


“Seu DNA mostrou X → então você precisa tomar determinada dose de cafeína.”

Genética + resposta individual + dose + timing + sono + efeitos colaterais + desempenho.

Isso é muito mais próximo da verdadeira precisão.

2. Microbioma: o intestino como parte do sistema esportivo

Essa é uma das áreas mais interessantes.

O microbioma pode participar de:

metabolismo energético;
produção de metabólitos;
integridade intestinal;
imunidade;
tolerância alimentar;
inflamação;
comunicação intestino-cérebro.

Existe evidência de que dieta e exercício modificam o microbioma e que ele pode contribuir para diferenças individuais na resposta à alimentação. (PubMed)

Mas existe uma diferença enorme entre:

“o microbioma influencia o metabolismo”

e

“vou sequenciar seu intestino e saber exatamente quais alimentos você deve comer”.

A segunda afirmação ainda vai além da evidência.

Uma revisão sistemática publicada em 2026 concluiu que existem resultados promissores, mas que ainda há limitações importantes nos estudos de microbiota e desempenho esportivo. (PubMed)

Na prática

Antes de gastar dinheiro com um painel de microbioma, eu investigaria:

constipação/diarreia;
gases;
distensão abdominal;
refluxo;
urgência para evacuar durante corrida;
tolerância a carboidratos;
consumo de fibras;
diversidade alimentar;
uso de antibióticos;
padrão alimentar;
timing das refeições.

Muitas vezes, a intervenção nutricional vem antes do sequenciamento.

3. CGM: excelente ferramenta ou moda?

Aqui existe bastante confusão atualmente.

O monitor contínuo de glicose (CGM) mede glicose no líquido intersticial e permite observar padrões ao longo do dia.

Pode ser uma ferramenta interessante para pesquisa e para algumas situações específicas.

Mas em atletas sem diabetes, não existe atualmente um consenso de que manter a glicose dentro de determinada faixa durante todo o treino seja uma estratégia comprovadamente capaz de maximizar performance. (PubMed)

Isso é extremamente importante.

Por exemplo

Um atleta pode observar:

“Minha glicose subiu para 160 mg/dL durante o exercício.”

Isso não significa automaticamente que alguma coisa está errada.

Dados recentes inclusive mostram que atletas de elite sem diabetes podem apresentar valores fora das faixas clínicas tradicionais durante esforços extremos, reforçando que o contexto esportivo é diferente do contexto clínico. (PubMed)

Portanto:

CGM ≠ medidor de performance.

É uma fonte de informação que precisa ser interpretada junto com:

potência;
ritmo;
percepção de esforço;
ingestão de carboidratos;
frequência cardíaca;
duração do exercício;
recuperação.

4. O verdadeiro coração da nutrição de precisão: periodização

O atleta não precisa necessariamente comer a mesma quantidade de carboidratos todos os dias.

Podemos pensar:

Dia de descanso → menor demanda

Treino leve → demanda intermediária

Treino intenso/volume elevado → maior disponibilidade de carboidrato

Pré-competição → estratégia específica

Competição → estratégia testada

Recuperação → reposição direcionada

Isso é periodização nutricional.

E pode ser muito mais relevante para performance do que saber dezenas de SNPs genéticos.

5. O conceito de “N=1”

Aqui entra uma característica muito interessante da nutrição de precisão:

O atleta é o próprio experimento.

Imagine dois protocolos de pré-treino:

Protocolo A

1,0 g/kg de carboidrato
2 h antes
baixa fibra
baixo teor de gordura

Protocolo B

1,5 g/kg
3 h antes
  • composição diferente

Não precisamos simplesmente perguntar:

“Qual é melhor segundo a literatura?”

Podemos perguntar:

“Qual produz melhor resposta neste atleta, neste esporte, com este treino?”

E medir:

  • performance;
    RPE;
    frequência cardíaca;
    desconforto gastrointestinal;
    percepção de energia;
    recuperação;
    sono;
    peso;
    composição corporal.

    Isso é uma abordagem N-of-1.

A literatura mais recente sobre nutrição esportiva de precisão justamente aponta a necessidade de estudos individualizados e ensaios N-of-1 para avançar a área. (PubMed)

6. E os carboidratos?

Aqui eu seria muito menos “tecnológico”.

O básico continua sendo extremamente poderoso.

Para esportes de endurance, por exemplo, a disponibilidade de carboidrato é um dos pilares da performance. A própria ACSM mantém “Nutrition and Athletic Performance” entre seus Position Stands, embora uma atualização esteja atualmente em desenvolvimento. (ACSM)

O objetivo da precisão não é substituir isso.

É responder:

Quanto este atleta precisa?

Em quais sessões?

Qual fonte tolera melhor?

Quanto consegue absorver por hora?

Qual concentração provoca sintomas gastrointestinais?

Qual estratégia consegue executar durante competição?

7. Proteína também deve ser individualizada

A proteína não deve ser prescrita simplesmente como:

“2 g/kg para todo mundo.”

A necessidade depende de:

massa corporal;
massa magra;
objetivo;
déficit energético;
volume de treinamento;
modalidade;
distribuição das refeições;
idade;
recuperação.

E existe uma diferença entre:

quantidade diária

e

distribuição diária.

Um atleta pode atingir 160 g/dia, mas concentrar quase tudo em uma ou duas refeições.

Outro pode distribuir adequadamente ao longo do dia.

A segunda estratégia pode ter vantagens para estimular repetidamente a síntese proteica muscular.

8. O que eu chamaria de “painel de precisão”

Um modelo moderno poderia ser:

BASE

Antropometria

peso;
composição corporal;
circunferências.

Nutrição

calorias;
carboidratos;
proteínas;
lipídios;
fibras;
micronutrientes.

Treinamento

volume;
intensidade;
frequência;
duração.

MONITORAMENTO

Performance

pace;
potência;
carga;
repetições;
velocidade.

Recuperação

sono;
RPE;
fadiga;
HRV, quando apropriado.

Gastrointestinal

distensão;
náusea;
refluxo;
diarreia;
constipação.

LABORATÓRIO

Somente conforme necessidade:

hemograma;
ferritina;
ferro;
B12;
vitamina D;
marcadores metabólicos;
função renal/hepática;
outros exames clinicamente indicados.

TECNOLOGIA AVANÇADA

Quando fizer sentido:

CGM → pergunta sobre metabolismo/carboidrato

Genética → pergunta específica sobre interação gene-nutriente

Microbioma → pergunta gastrointestinal/metabólica específica

Metabolômica → investigação científica/alta especialização

O grande erro da “nutrição de precisão”

É confundir:

mais dados = mais precisão.

Não necessariamente.

Podemos ter:

100 biomarcadores + 50 SNPs + microbioma + CGM

e ainda fazer uma recomendação ruim.

Enquanto podemos ter:

peso + composição corporal + dieta + treinamento + performance + sintomas + exames bem escolhidos

e fazer uma recomendação excelente.

A nutrição esportiva de precisão precisa ser orientada por hipóteses.

Pergunta → coleta de dado → intervenção → monitoramento → resposta → ajuste.

Esse é o ciclo.

visão sobre o futuro!!!

A tendência é caminharmos de:

“Qual é a dieta ideal para atletas?”

para:

“Qual é a estratégia nutricional que produz a melhor resposta para este atleta, nesta fase do treinamento, neste contexto?”

E a próxima geração provavelmente combinará:

nutrição + fisiologia + genética + microbioma + metabolômica + wearables + inteligência artificial + análise longitudinal.

Mas a própria literatura recente enfatiza que ainda precisamos validar quais desses dados realmente melhoram desempenho e saúde antes de transformar cada tecnologia em rotina clínica. (PubMed)

Referências principais

  1. Towards Precision Sports Nutrition for Endurance Athletes: A Scoping Review of Application of Omics and Wearables Technologies. Sports Medicine/Open literature, 2024. (PubMed)

  2. Personalized Nutrition for the Enhancement of Elite Athletic Performance. Scandinavian Journal of Medicine & Science in Sports, 2025. (PubMed)

  3. Caffeine, CYP1A2 Genotype, and Exercise Performance: A Systematic Review and Meta-analysis. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2024. (PubMed)

  4. The Use of Continuous Glucose Monitors in Sport: Possible Applications and Considerations. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism, 2023. (PubMed)

  5. Continuous Glucose Monitoring in Endurance Athletes: Interpretation and Relevance of Measurements for Improving Performance and Health. Sports Medicine, 2024. (PubMed)

  6. A Review of the Role of the Gut Microbiome in Personalized Sports Nutrition. Frontiers in Nutrition, 2020. (PubMed)

  7. Gut Microbiota and Exercise: A Systematic Review of Interventions and Evidence Limitations. International Journal of Sports Medicine, 2026. (PubMed)

  8. ACSM Position Stands — Nutrition and Athletic Performance. (ACSM)

Em resumo: a nutrição esportiva de precisão não é “fazer um teste genético e receber uma dieta perfeita”. É uma metodologia de tomada de decisão individualizada, na qual a tecnologia é usada quando ela consegue responder uma pergunta relevante — e a resposta é sempre validada pela performance e pela saúde do atleta.


Por! Inez 

 






 

Efeito rebote após o uso de GLP-1: como reduzir o risco de recuperar o peso

Os medicamentos que atuam sobre o sistema das incretinas, como os agonistas do receptor de GLP-1 e medicamentos com ação combinada, transformaram o tratamento do excesso de peso e da obesidade. Eles podem reduzir significativamente a fome, aumentar a saciedade e contribuir para uma perda de peso importante.

Mas existe uma questão que merece atenção: o que acontece quando o medicamento é reduzido ou suspenso?

Estudos mostram que a recuperação de parte do peso perdido pode ocorrer após a interrupção do tratamento. Por isso, o período de uso da medicação deve ser aproveitado também para construir hábitos alimentares e de atividade física que possam ser mantidos a longo prazo.

O que é o efeito rebote?

O chamado "efeito rebote" é utilizado popularmente para descrever o reganho de peso após a perda de peso.

No caso dos medicamentos para obesidade, é importante entender que isso não significa que o metabolismo tenha sido "estragado". O medicamento ajuda a controlar mecanismos relacionados à fome e à saciedade. Quando sua ação é retirada, esses efeitos podem diminuir e o apetite pode voltar a aumentar.

Além disso, o próprio processo de emagrecimento provoca adaptações no organismo que podem favorecer a recuperação do peso.

Um exemplo importante vem do estudo de extensão do STEP 1. Após a interrupção da semaglutida, os participantes recuperaram, em média, cerca de dois terços do peso que haviam perdido no período de tratamento, ao longo de um ano. (PubMed)

Resultados semelhantes foram observados com a tirzepatida. No estudo SURMOUNT-4, pessoas que interromperam a tirzepatida após um período inicial de tratamento recuperaram, em média, 14% do peso durante os 52 semanas seguintes, enquanto aquelas que continuaram o medicamento mantiveram a perda e perderam peso adicional. (JAMA Network)

Esses dados não significam que todo paciente necessariamente recuperará o peso perdido. Eles mostram, porém, que a manutenção do emagrecimento precisa ser planejada.

Como reduzir o risco de reganho de peso?

Não existe uma estratégia capaz de garantir que o peso não volte a aumentar. Entretanto, alguns pilares são especialmente importantes.

1. Proteína: uma aliada durante o emagrecimento

Durante a perda de peso, não queremos apenas diminuir o número da balança. Um dos objetivos é reduzir gordura corporal preservando o máximo possível de massa muscular.

A proteína desempenha papel importante nesse processo.

Por isso, é interessante incluir fontes de proteína nas principais refeições, como:

ovos;
frango;
peixes;
carnes magras;
leite, iogurte e outros laticínios;
feijão;
lentilha;
grão-de-bico;
tofu e outras fontes vegetais.

A quantidade adequada de proteína não é igual para todas as pessoas. Ela deve considerar peso, idade, composição corporal, nível de atividade física, objetivo e condições de saúde.

Em pessoas que praticam musculação e estão em processo de emagrecimento, uma ingestão proteica adequada pode contribuir para a preservação da massa magra.

2. Musculação não deve ser deixada para depois

Se existe uma atividade que merece destaque durante o emagrecimento, é o treinamento de força.

A musculação fornece estímulo para manutenção e desenvolvimento da massa muscular. Isso é especialmente relevante quando existe déficit calórico e perda de peso.

Além disso, manter uma rotina de exercícios ajuda a transformar o emagrecimento em um processo mais completo, que não depende exclusivamente da alimentação ou do medicamento.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos realizem atividades de fortalecimento muscular envolvendo os principais grupos musculares em pelo menos dois dias por semana, além da atividade aeróbica recomendada. (Organização Mundial da Saúde)

Na prática, a frequência e o tipo de treinamento devem ser individualizados.

3. Evite transformar o tratamento em uma dieta extremamente restritiva

Um erro que pode acontecer durante o uso de medicamentos que reduzem o apetite é pensar:

"Se não estou com fome, posso comer muito pouco."

Nem sempre.

A redução excessiva da ingestão alimentar pode dificultar o consumo adequado de proteínas, fibras, vitaminas e minerais e pode contribuir para uma perda indesejada de massa muscular.

Mesmo com pouco apetite, é importante priorizar a qualidade nutricional das refeições.

Uma estratégia simples é montar o prato com:

½ prato de verduras e legumes

¼ do prato de uma fonte de proteína

¼ do prato de carboidratos, como arroz, batata, mandioca ou outros cereais e tubérculos.

Feijão e outras leguminosas também podem fazer parte da refeição.

A quantidade, naturalmente, deve ser ajustada às necessidades individuais.

4. Aprenda a manter uma alimentação saudável mesmo quando a fome voltar

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes.

Enquanto o medicamento está atuando, controlar a alimentação pode parecer mais fácil porque a fome e a vontade de comer podem estar reduzidas.

Após a redução ou suspensão do medicamento, o apetite pode aumentar.

Por isso, o tratamento deve ser uma oportunidade para desenvolver comportamentos que continuem funcionando mesmo quando o efeito sobre o apetite diminuir.

Alguns exemplos:

  1. estabelecer horários e uma rotina alimentar;
  2. consumir proteína adequadamente;
  3. aumentar o consumo de vegetais e frutas;
  4. incluir alimentos ricos em fibras;
  5. evitar longos períodos de restrição seguidos de episódios de exagero alimentar;
  6. aprender a reconhecer sinais de fome e saciedade;
  7. manter atividade física regularmente.

O objetivo não é criar uma alimentação perfeita, mas uma alimentação sustentável.

E os carboidratos?

Carboidrato não precisa ser eliminado para emagrecer.

Arroz, feijão, batata, mandioca, aveia, frutas e outros alimentos ricos em carboidratos podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.

O mais importante é considerar quantidade, qualidade, contexto da refeição e necessidades individuais.

Uma dieta que elimina grupos alimentares desnecessariamente pode ser difícil de manter a longo prazo.

E os alimentos "proibidos"?

Outro erro comum é pensar que, depois de emagrecer, será necessário nunca mais comer pizza, chocolate, sobremesa ou outros alimentos mais calóricos.

Uma alimentação sustentável não precisa funcionar dessa maneira.

O problema geralmente não é consumir ocasionalmente um alimento mais calórico, mas quando alimentos com alta densidade energética passam a ocupar uma parcela muito grande da alimentação diária.

A estratégia deve ser aprender a consumir esses alimentos com equilíbrio, sem transformar uma refeição fora da rotina em um período prolongado de exageros.

O acompanhamento após o medicamento é importante

O tratamento da obesidade não deve terminar no momento em que a pessoa atinge determinado número na balança.

A fase de manutenção também merece acompanhamento.

Peso, circunferência abdominal, composição corporal, fome, saciedade, alimentação e atividade física podem ser monitorados ao longo do tempo.

Se houver aumento progressivo do peso após a redução ou suspensão do medicamento, é importante conversar com o médico e com o nutricionista. Em alguns casos, a obesidade é uma condição crônica e pode exigir tratamento de longo prazo.

Uma análise publicada recentemente no JAMA Internal Medicine também reforça que o reganho de peso após a retirada da tirzepatida pode estar associado à reversão de parte das melhorias cardiometabólicas obtidas durante a perda de peso. (JAMA Network)

O segredo não é apenas perder peso — é aprender a mantê-lo

Os medicamentos GLP-1 podem ser ferramentas importantes no tratamento do excesso de peso e da obesidade. Entretanto, a manutenção dos resultados envolve muito mais do que controlar o apetite.

Uma estratégia completa deve considerar:

🥩 Proteína adequada

🥗 Alimentação equilibrada e sustentável

🏋️ Musculação e preservação da massa muscular

🚶 Atividade física regular

😴 Sono adequado

👩‍⚕️ Acompanhamento nutricional e médico

O objetivo não deve ser simplesmente "parar o GLP-1 sem engordar". O foco deve estar em construir uma estratégia de saúde que seja sustentável antes, durante e depois do tratamento.

E uma recomendação fundamental: a redução, suspensão ou manutenção de medicamentos para emagrecimento deve ser discutida com o médico responsável pelo tratamento. Não é recomendado alterar doses ou interromper a medicação por conta própria.

Referências

Wilding JPH, Batterham RL, Davies M, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2022;24(8):1553–1564. (PubMed)
Aronne LJ, Sattar N, Horn DB, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331(1):38–48. (JAMA Network)
World Health Organization. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour. Geneva: WHO; 2020. (Organização Mundial da Saúde)
Horn DB, Linetzky B, Davies MJ, et al. Cardiometabolic Parameter Change by Weight Regain on Tirzepatide Withdrawal in Adults With Obesity: A Post Hoc Analysis of the SURMOUNT-4 Trial. JAMA Internal Medicine. 2025. (JAMA Network)

Inez

terça-feira, 22 de setembro de 2026

Por que alguns alimentos ficam marrons quando assados?




Sabe aquela crostinha dourada e cheirosa que aparece no pão, no bolo, na batata assada ou na carne grelhada? Além de deixar o alimento mais bonito e saboroso, essa mudança de cor é resultado de algumas reações químicas que acontecem durante o aquecimento.

A mais famosa delas é a Reação de Maillard. Ela acontece quando açúcares e aminoácidos presentes nos alimentos reagem com o calor. O resultado? Novos compostos que ajudam a formar aquela coloração dourada, além de aromas e sabores característicos dos alimentos assados e tostados.

Mas não é só ela que participa dessa transformação. A caramelização também pode acontecer quando os açúcares são submetidos a temperaturas elevadas, contribuindo para a cor e para aquele sabor levemente caramelizado.

Maillard x caramelização

Apesar de parecerem a mesma coisa, existe uma diferença:

Reação de Maillard: acontece principalmente entre açúcares redutores e aminoácidos ou proteínas.

Caramelização: acontece pela transformação dos próprios açúcares quando submetidos ao calor.

É por isso que o aquecimento pode transformar completamente um alimento: ele muda não apenas a aparência, mas também aroma, sabor e textura.

E quanto mais dourado, melhor?

Não necessariamente!

O dourado faz parte do processo normal de preparo, mas temperaturas muito altas e o excesso de tostagem podem favorecer a formação de compostos indesejáveis.

Por isso, quando falamos em preparo dos alimentos, o equilíbrio importa: dourar é diferente de queimar.

Curiosidade Cientifica 

A Reação de Maillard é uma das razões pelas quais uma fatia de pão quentinha e dourada tem um aroma tão diferente do pão antes de ir ao forno.

Ou seja: aquela corzinha que aparece durante o preparo é, na verdade, química acontecendo na nossa cozinha!


Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição 


Referências científicas: 

Lund & Ray (2017); Purlis (2010); Kroh (1994); Shakoor et al. (2022); El Hosry et al. (2025).

Alimentação saudável e envelhecimento 🥗🧬

 

Alimentação saudável e envelhecimento 🥗🧬


Um estudo recente publicado na Nature Communications analisou cerca de 7.500 adultos e encontrou uma associação entre maior adesão a padrões alimentares saudáveis e marcadores de envelhecimento biológico mais lento. Dietas com mais frutas, verduras, leguminosas, grãos integrais, castanhas e gorduras saudáveis apresentaram resultados favoráveis.


Isso não significa que uma dieta específica possa “parar” o envelhecimento, mas reforça a importância de uma alimentação equilibrada, variada e adequada às necessidades de cada pessoa.


Cuidar da alimentação hoje pode contribuir para um envelhecimento com mais saúde e qualidade de vida. 💚

Por Roseli Aparecida Ferreira 

 








 

Estratégias Baseadas em Comida de Verdade na Nutrição Esportiva

A nutrição esportiva contemporânea deve ir além da simples utilização de suplementos alimentares. Embora determinados suplementos possam apresentar aplicações específicas e respaldo científico, a base de uma estratégia nutricional voltada ao desempenho, à recuperação e à composição corporal deve ser constituída, prioritariamente, por uma alimentação adequada em energia e nutrientes, baseada em alimentos minimamente processados e em uma distribuição individualizada dos macronutrientes.

Nesse contexto, a expressão “comida de verdade” pode ser entendida como uma abordagem que prioriza alimentos in natura ou minimamente processados, como arroz, feijão, batata, mandioca, aveia, frutas, hortaliças, ovos, carnes, peixes, leite e derivados, leguminosas, oleaginosas e azeite de oliva. Esses alimentos fornecem não apenas carboidratos, proteínas e lipídios, mas também fibras, vitaminas, minerais, compostos bioativos e outros componentes que participam da manutenção da saúde e podem contribuir para a qualidade global da dieta.

1. Macronutrientes como base da estratégia nutricional

Para o indivíduo fisicamente ativo, a adequação energética e de macronutrientes é fundamental. As recomendações da Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada e American College of Sports Medicine destacam que as necessidades de energia, carboidratos e proteínas devem ser atendidas para favorecer a manutenção do peso corporal, a reposição do glicogênio e os processos de síntese e reparação tecidual. A ingestão adequada de lipídios também é necessária para fornecer ácidos graxos essenciais, vitaminas lipossolúveis e energia. (PubMed)

Dessa maneira, uma abordagem baseada em comida de verdade permite realizar ajustes precisos na dieta sem depender necessariamente de produtos industrializados ou suplementos. A quantidade de arroz, batata ou frutas, por exemplo, pode ser ajustada de acordo com a demanda de carboidratos do treinamento. Da mesma forma, carnes, ovos, peixes, leite, derivados e leguminosas podem ser distribuídos ao longo do dia para atingir a necessidade proteica individual.

O objetivo, portanto, não é simplesmente aumentar ou reduzir determinado macronutriente, mas adequar sua quantidade, qualidade e distribuição ao tipo de treinamento, volume de exercício, objetivo e rotina do indivíduo.

2. Proteína: distribuição e qualidade importam

A proteína exerce papel central na recuperação muscular e na adaptação ao treinamento, especialmente em indivíduos submetidos ao treinamento de força. Evidências da International Society of Sports Nutrition indicam que, além da quantidade total diária, a distribuição da ingestão proteica ao longo do dia pode ser uma estratégia interessante para favorecer a síntese proteica muscular. A literatura aponta como referência prática doses de aproximadamente 20–40 g de proteína de alta qualidade por refeição, distribuídas em intervalos de cerca de 3–4 horas, embora a necessidade individual possa variar. (PubMed)

Essa recomendação pode ser alcançada com alimentos convencionais. Uma refeição contendo arroz e feijão acompanhados de carne, frango ou peixe; ovos associados a pão e laticínios; ou iogurte com aveia e outros alimentos proteicos são exemplos de combinações que permitem atingir uma quantidade significativa de proteína sem que seja necessário utilizar proteína em pó.

Isso não significa que o whey protein ou outras fontes suplementares de proteína sejam inadequados. Eles podem ser úteis quando existe dificuldade prática para atingir as necessidades proteicas por meio da alimentação, especialmente em situações de pouco tempo disponível, viagens ou elevada demanda nutricional. A questão central é que o suplemento deve complementar a alimentação, e não substituir sistematicamente refeições nutricionalmente completas.

3. Carboidratos: combustível para o treinamento

Os carboidratos constituem importante fonte de energia para exercícios de maior intensidade e contribuem para a manutenção dos estoques de glicogênio muscular. Por isso, sua manipulação deve acompanhar a demanda do treinamento.

Em vez de adotar uma quantidade fixa de carboidratos para todos os indivíduos, uma estratégia mais individualizada consiste em aumentar ou reduzir sua disponibilidade conforme o volume e a intensidade do exercício. Dias de treinamento mais volumosos podem exigir maior disponibilidade de carboidratos, enquanto períodos de menor demanda podem permitir uma ingestão menor.

Alimentos como arroz, massas, batata, mandioca, aveia, pão, frutas e leguminosas podem constituir a base dessa estratégia. Em determinadas situações — particularmente exercícios prolongados ou competições — produtos esportivos contendo carboidratos podem apresentar vantagem logística e facilitar o consumo durante o exercício. A literatura sobre timing nutricional reconhece justamente que alimentos convencionais e produtos esportivos podem desempenhar papéis complementares, dependendo do contexto. (PubMed)

4. Gorduras e qualidade da dieta

A gordura dietética também deve fazer parte de uma estratégia esportiva equilibrada. Além de fornecer energia, os lipídios participam da absorção de vitaminas lipossolúveis e fornecem ácidos graxos essenciais.

Fontes como azeite de oliva, abacate, castanhas, sementes, peixes e ovos podem contribuir para a qualidade nutricional da dieta. Entretanto, o planejamento deve considerar tanto a quantidade total quanto o momento de consumo, uma vez que refeições muito ricas em gordura imediatamente antes de determinados exercícios podem apresentar menor tolerância gastrointestinal em algumas pessoas.

Assim, novamente, a individualização é fundamental: não existe necessidade de eliminar determinado macronutriente para otimizar o desempenho. O planejamento deve considerar a modalidade esportiva, o horário do treinamento, a tolerância gastrointestinal, o objetivo e as preferências alimentares.

5. Menor dependência de suplementos, maior qualidade alimentar

Os suplementos alimentares podem ter aplicações específicas, mas não devem ser utilizados como substitutos de uma alimentação adequada. O posicionamento do ACSM destaca que, quando a alimentação fornece energia suficiente e variedade de alimentos, suplementos de vitaminas e minerais geralmente não são necessários de forma rotineira. Situações como restrição energética, exclusão de grupos alimentares ou baixa densidade nutricional podem, entretanto, aumentar a possibilidade de inadequações e justificar avaliação individualizada. (PubMed)

Além disso, alguns suplementos apresentam evidências específicas para determinadas situações esportivas. Portanto, uma abordagem baseada em comida de verdade não significa adotar uma posição “antissuplementos”, mas sim colocar cada ferramenta no seu devido lugar.

A prioridade deve ser:

1. Adequação energética → 2. Macronutrientes → 3. Qualidade e variedade alimentar → 4. Timing e distribuição → 5. Suplementação quando houver indicação.

Essa sequência evita que a suplementação seja utilizada para compensar uma alimentação inadequada.

6. Aplicação prática

Uma estratégia baseada em comida de verdade pode ser estruturada de forma relativamente simples:

Proteínas: carnes, frango, peixe, ovos, leite, iogurte, queijos e leguminosas.
Carboidratos: arroz, feijão, batata, mandioca, aveia, massas, pães e frutas.
Gorduras: azeite, abacate, castanhas, sementes e peixes.
Micronutrientes e compostos bioativos: ampla variedade de frutas, verduras e legumes.
Hidratação: água como base, com bebidas contendo carboidratos e eletrólitos em situações específicas de exercício prolongado ou elevada perda de líquidos.

A partir dessa estrutura, as porções podem ser ajustadas conforme o objetivo. Para um atleta em fase de maior carga de treinamento, por exemplo, pode ser necessário aumentar a oferta de carboidratos. Em uma fase de redução de gordura corporal, pode-se trabalhar com redução energética controlada sem comprometer a disponibilidade de proteína e micronutrientes. Em uma fase de ganho de massa muscular, o planejamento pode envolver aumento da ingestão energética e adequada distribuição de proteínas e carboidratos.

Conclusão

A valorização da comida de verdade na nutrição esportiva representa uma abordagem que prioriza a adequação energética, a qualidade da dieta e o ajuste individual dos macronutrientes antes de recorrer à suplementação como estratégia central.

Mais do que simplesmente retirar suplementos, a proposta consiste em construir uma alimentação nutricionalmente completa e utilizar suplementos de maneira estratégica quando eles apresentarem benefício prático ou ergogênico respaldado por evidências. A literatura esportiva reconhece a importância da quantidade e distribuição de carboidratos e proteínas, do adequado consumo energético e do planejamento nutricional em torno do treinamento. (PubMed)

Assim, a intervenção nutricional deve considerar não apenas os nutrientes isoladamente, mas também a qualidade dos alimentos, a rotina, a modalidade esportiva, a fase do treinamento, os objetivos individuais, a tolerância gastrointestinal e a adesão a longo prazo. Nesse cenário, a comida de verdade deixa de ser apenas uma recomendação de saúde e passa a constituir a base estratégica para uma nutrição esportiva individualizada, sustentável e orientada por evidências.

Referências

THOMAS, D. T.; ERDMAN, K. A.; BURKE, L. M. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, v. 116, n. 3, p. 501–528, 2016. (PubMed)

KERKSICK, C. M. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2017. (PubMed)

AMERICAN COLLEGE OF SPORTS MEDICINE; AMERICAN DIETETIC ASSOCIATION; DIETITIANS OF CANADA. Nutrition and athletic performance. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2009. (PubMed)

KREIDER, R. B. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition. (PubMed Central (PMC))

INEZ & SARA 

 





A nutrição esportiva moderna não deveria tratar carboidrato e hidratação como metas fixas todos os dias. O princípio mais útil é “nutrir a sessão”: aumentar a disponibilidade de energia e carboidrato quando a demanda do treino é alta e reduzir de forma proporcional nos dias de menor carga — sem criar um déficit energético crônico que favoreça a RED-S.

A literatura de consenso da International Olympic Committee (IOC) atualmente define RED-S como uma síndrome decorrente de baixa disponibilidade energética (LEA) problemática e prolongada, capaz de afetar metabolismo, função reprodutiva, saúde óssea, imunidade, síntese de glicogênio, sistema cardiovascular/hematológico, bem-estar e desempenho, em atletas de ambos os sexos. (British Journal of Sports Medicine)

1. O conceito central: carboidrato periodizado, energia não periodizada de forma agressiva

Existe uma diferença importante entre:

Periodizar carboidratos de acordo com o treino;
Restringir energia de forma recorrente.

O primeiro pode ser uma estratégia esportiva legítima. O segundo, quando excessivo ou prolongado, pode contribuir para LEA/RED-S.

A disponibilidade de carboidrato pode ser manipulada conforme o objetivo da sessão. Para treinos nos quais queremos alta qualidade, intensidade ou grande volume, a prioridade é chegar com glicogênio suficiente e repor carboidrato adequadamente depois. Já em sessões leves, curtas ou técnicas, a necessidade de carboidrato durante o exercício é muito menor. (PubMed)

Importante: reduzir carboidrato em um dia de descanso não significa necessariamente reduzir drasticamente as calorias. Proteína, gorduras, micronutrientes e energia total continuam necessários para recuperação e funções fisiológicas.

2. Estratégia prática conforme o tipo de sessão

Claro — aqui está a tabela corrigida, organizada e pronta para copiar e colar:

SessãoEstratégia de carboidratoDuranteHidratação
DescansoModerado/baixo em relação a dias pesados, mantendo energia adequada—Hidratação normal
Treino leve <60 minModerado; geralmente não precisa de grande carga préviaÁgua conforme sede/contextoNormalmente água é suficiente
Força/hipertrofiaModerado–alto conforme volume e proximidade de outras sessõesGeralmente não é necessárioIndividualizada
Intervalado/HIITAlto; priorizar glicogênioCHO pode ser útil se sessão longaIndividualizada
Endurance 60–120 minAlto~30–60 g/hPlanejada pela taxa de suor
Endurance >2 hMuito altoFrequentemente ~60–90 g/h, individualizando tolerânciaLíquido + sódio + CHO
Sessão longa + calorMuito altoCHO + líquido + eletrólitosMaior prioridade

Os valores não são uma prescrição universal: peso corporal, duração, intensidade, temperatura, taxa de suor, sexo, calendário de treinos e tolerância gastrointestinal modificam a estratégia.


3. Dias de endurance: quando o carboidrato realmente sobe

Para atletas de endurance, referências clássicas colocam aproximadamente 5–7 g/kg/dia como uma faixa útil para treinamento geral e cerca de 7–10 g/kg/dia quando a demanda de endurance aumenta. Em períodos de carga muito elevada ou preparação específica para competição, valores ainda maiores podem ser utilizados. (PubMed)

Por exemplo, para um atleta de 70 kg:

5 g/kg = 350 g/dia
7 g/kg = 490 g/dia
8 g/kg = 560 g/dia
10 g/kg = 700 g/dia

Não significa que 700 g sejam necessários simplesmente porque o atleta corre ou pedala. É a carga do treinamento que determina a necessidade.

Antes

Quando a sessão é longa ou intensa, aumentar carboidrato nas horas anteriores melhora a disponibilidade de glicogênio.

Uma referência prática frequentemente utilizada é 1–4 g/kg nas 1–4 horas anteriores, ajustando quantidade e proximidade ao treino conforme tolerância gastrointestinal e duração/intensidade. (PubMed)

Exemplo para 70 kg:

1–4 g/kg = 70–280 g de carboidrato no período pré-treino.

Não é necessário utilizar sempre o extremo superior.


4. Durante o treino: “combustível por hora”

A necessidade durante o exercício depende fortemente da duração.

Até ~60 minutos

Em muitas sessões, especialmente de intensidade baixa/moderada, não é obrigatório ingerir carboidrato durante o treino.

~60–120 minutos

Uma faixa de aproximadamente 30–60 g/h é uma referência tradicional e continua sendo útil para muitas sessões prolongadas. (PubMed)

>2 horas

Atletas de endurance podem se beneficiar de quantidades maiores, frequentemente 60–90 g/h, desde que tenham treinado o trato gastrointestinal para isso.

Isso é particularmente relevante porque a capacidade de absorção intestinal passa a ser um fator limitante em exercícios prolongados. (PubMed)

Uma estratégia poderia ser:

90 g CHO/h

divididos, por exemplo, em:

bebida esportiva;
gel;
carboidrato sólido;
combinação de glicose/maltodextrina + frutose.

A escolha não precisa ser “natural versus suplemento”; o critério principal é tolerância, praticidade e capacidade de atingir a meta.


5. E nos dias de descanso?

Aqui ocorre um erro comum: interpretar “carboidrato periodizado” como “dia sem treino = comer o mínimo possível”.

Não.

O objetivo é que o consumo acompanhe a demanda energética, mas mantendo disponibilidade energética suficiente.

Por exemplo:

Dia longo

70 kg → 8 g/kg CHO

→ 560 g de carboidrato

Dia leve

70 kg → 4–5 g/kg

→ 280–350 g

Descanso

Pode ser menor novamente, dependendo do gasto e do objetivo.

Mas a redução deve vir principalmente da menor demanda de combustível para o exercício — não de uma restrição agressiva de calorias.

Essa distinção é fundamental para prevenção de RED-S.


6. RED-S: o problema não é simplesmente “comer pouco carboidrato”

A RED-S está relacionada principalmente à baixa disponibilidade energética.

A equação conceitual utilizada pelo IOC é:

Disponibilidade energética = (ingestão energética − gasto do exercício) / massa livre de gordura

expressa em kcal/kg de massa livre de gordura/dia. (British Journal of Sports Medicine)

Portanto, imagine:

Atleta A

ingere 3.000 kcal
gasta 700 kcal no treinamento

→ sobram 2.300 kcal para as funções fisiológicas.

Atleta B

ingere 2.200 kcal
gasta 700 kcal no treinamento

→ sobram 1.500 kcal.

Mesmo que ambos tenham consumido “a mesma quantidade de proteína” ou “o mesmo percentual de carboidrato”, a situação energética é completamente diferente.

É por isso que calorias não podem ser periodizadas exclusivamente para acompanhar o treino sem considerar as necessidades fisiológicas do organismo.


7. RED-S e o “paradoxo do atleta disciplinado”

Um cenário típico é:

aumenta o volume de treino → mantém a mesma dieta → reduz carboidratos para controlar peso → aumenta o gasto → começa a perder peso → continua treinando → recuperação piora.

O atleta pode inicialmente interpretar:

“Estou ficando mais seco e treinando mais.”

Mas, com baixa disponibilidade energética persistente, podem aparecer:

redução da recuperação;
queda de desempenho;
fadiga;
alterações menstruais em mulheres;
alterações hormonais em homens e mulheres;
piora da saúde óssea;
maior risco de lesões;
alterações imunológicas;
pior síntese de glicogênio;
alterações cardiovasculares/metabólicas;
alterações psicológicas e de bem-estar.

Essas manifestações estão descritas no consenso IOC 2023 sobre RED-S. (British Journal of Sports Medicine)

E um ponto importante: RED-S não é exclusivamente uma condição feminina. O consenso atual inclui atletas masculinos e femininos. (British Journal of Sports Medicine)


8. Hidratação também deve acompanhar o treino

Hidratação é ainda mais individual do que carboidrato.

A recomendação moderna não é simplesmente:

“todo atleta deve beber X litros por hora”.

A taxa de suor varia enormemente entre indivíduos e também muda com temperatura, umidade, intensidade, roupa e aclimatação. O ACSM recomenda estratégias individualizadas baseadas, entre outras coisas, na estimativa da taxa de suor. (PubMed)

Uma maneira simples de estimar

Pese-se antes e depois de um treino conhecido.

Exemplo:

Antes: 70,0 kg

Depois: 69,2 kg

Bebeu: 0,8 L

Urinou: 0 L

Duração: 1 h

A perda aproximada de suor seria:

0,8 kg + 0,8 L = 1,6 L/h

Portanto, essa pessoa tem uma taxa de suor aproximada de 1,6 L/h naquele ambiente e naquela intensidade.

Isso não significa necessariamente que deva beber exatamente 1,6 L/h. A estratégia deve evitar tanto desidratação excessiva quanto hiper-hidratação, que pode causar hiponatremia. (PubMed)


9. Hidratação conforme o tipo de treino

Descanso

Não há necessidade de transformar o dia de descanso em uma competição de ingestão de água.

Objetivo:

hidratação habitual + reposição das perdas anteriores.

Treino curto

Normalmente:

água + ingestão habitual

é suficiente, especialmente em ambiente ameno.

Endurance prolongado

Aqui entra:

água + carboidrato + sódio, dependendo da duração, suor e ambiente.

O ACSM destaca que bebidas contendo carboidrato e eletrólitos podem apresentar benefícios em determinadas situações de exercício prolongado e recomenda individualizar a reposição porque a taxa de suor e a concentração de eletrólitos no suor variam muito. (PubMed)

Calor

A prioridade aumenta significativamente.

O atleta deve considerar:

taxa de suor;
sódio perdido no suor;
temperatura;
umidade;
duração;
intensidade;
acesso a líquidos.

10. Não existe benefício em “beber o máximo possível”

Esse ponto merece destaque.

Desidratação excessiva prejudica o desempenho, mas hiper-hidratação também é perigosa.

O posicionamento da National Athletic Trainers' Association enfatiza justamente os dois extremos: hipohidratação e ingestão excessiva podem comprometer desempenho e segurança. (PubMed)

Portanto, o objetivo não é necessariamente terminar cada treino com exatamente o mesmo peso de antes.

É:

manter a hidratação dentro de uma faixa individualmente adequada sem provocar perdas excessivas nem ganho de peso por excesso de líquidos.


11. Como  estruturarar uma semana

Imagine um atleta de endurance:

DiaTreinoCHOEstratégia
SegDescanso↓Alimentação normal, sem restrição agressiva
TerIntervalado 75 min↑Pré + CHO durante se necessário
QuaRodagem leve 45 min↔/↓Menor demanda de combustível
QuiIntervalado intenso↑↑Alta disponibilidade de CHO
SexDescanso↓Recuperação, proteína, micronutrientes e energia adequada
SábLongão 2–4 h↑↑↑Pré + 60–90 g/h conforme tolerância
DomRecuperação↔/↑Reposição do glicogênio se houver nova sessão

A lógica é:

treino difícil → combustível alto

treino fácil → combustível menor

treino longo → combustível durante

descanso → menor demanda, mas não “jejum energético”

dias consecutivos de carga → atenção especial à recuperação


12. Um detalhe importante: não transformar “train low” em estratégia permanente

Existe literatura investigando treinar ocasionalmente com baixa disponibilidade de carboidrato para estimular determinadas adaptações metabólicas. A literatura reconhece que estratégias de manipulação de carboidrato podem influenciar adaptações ao treinamento. (PubMed)

Mas isso deve ser muito diferente de:

“Vou treinar sempre sem carboidrato para queimar mais gordura.”

Sessões de alta intensidade, competição e treinos-chave geralmente são justamente os momentos em que alta disponibilidade de carboidrato é desejável.

E, principalmente, uma estratégia de baixa disponibilidade de carboidrato não deve produzir baixa disponibilidade energética crônica.


13. Checklist de prevenção de RED-S

Para um atleta em treinamento intenso, eu monitoraria:

Energia

ingestão energética compatível com a carga;
tendência de peso e composição corporal;
fome/saciedade;
recuperação entre sessões.

Carboidrato

quantidade diária;
distribuição em torno dos treinos;
carboidrato durante sessões longas;
reposição entre sessões próximas.

Recuperação

qualidade do sono;
fadiga;
desempenho;
dor muscular;
frequência de lesões.

Saúde

alterações menstruais quando aplicável;
libido;
infecções recorrentes;
lesões ósseas;
alterações gastrointestinais;
alterações de humor/bem-estar.

O IOC enfatiza que RED-S é um quadro clínico complexo e que a avaliação deve considerar múltiplos sistemas e fatores individuais, e não simplesmente um número isolado de calorias. (British Journal of Sports Medicine)


14. A regra prática que resume tudo

Eu usaria este modelo:

Quanto maior a demanda da sessão, maior a disponibilidade de carboidrato e maior a necessidade de planejamento da hidratação.

Mas:

A redução de combustível nos dias fáceis não deve se transformar em baixa disponibilidade energética crônica.

Em termos práticos:

Dia de descanso:

↓ carboidrato conforme menor gasto

↔ proteína

↔ micronutrientes

↔ hidratação normal

→ energia suficiente

Treino intenso:

↑ carboidrato antes

↑ carboidrato total

hidratação individualizada

→ alta disponibilidade de combustível

Longão:

↑↑ carboidrato prévio

30–60 g/h em sessões prolongadas mais curtas

~60–90 g/h quando >2 h e tolerado

líquido + sódio conforme suor/ambiente

→ treinar também o intestino

Semana de alta carga:

↑ ingestão energética global

↑ carboidrato

↑ recuperação

→ atenção redobrada à RED-S

Esse é o ponto central: periodizar o combustível do treino, não periodizar a disponibilidade energética a ponto de deixar o organismo cronicamente “no vermelho”.

Referências principais

Mountjoy M, et al. 2023 IOC consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine. 2023;57:1073–1097. (British Journal of Sports Medicine)
Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Nutrition and Athletic Performance. J Acad Nutr Diet. 2016;116:501–528. (PubMed)
Burke LM, Hawley JA, Wong SHS, Jeukendrup AE. Carbohydrates for training and competition. J Sports Sci. 2011;29:S17–S27. (PubMed)
Sawka MN, et al. ACSM Position Stand: Exercise and Fluid Replacement. Med Sci Sports Exerc. 2007;39:377–390. (PubMed)
National Athletic Trainers' Association. Fluid Replacement for the Physically Active. J Athl Train. 2017. (PubMed)

Observação clínica: se houver suspeita de RED-S, especialmente com perda de peso involuntária, alterações menstruais/libido, fraturas por estresse, fadiga persistente ou queda inexplicada de performance, a abordagem deve ser feita com médico e nutricionista esportivo; não é apropriado tentar corrigir um quadro de RED-S apenas ajustando carboidratos por conta própria.


Inez & Sara