sábado, 29 de agosto de 2026




 

 H.I. WHEY ESSENTIAL NUTRITION: O QUE HÁ DENTRO DO RÓTULO?

O H.I. Whey da Essential Nutrition combina whey protein isolado e whey protein hidrolisado, com uma formulação bastante enxuta. Em uma porção de 25 g, fornece 22 g de proteína e apenas 88 kcal, sem carboidratos ou gorduras declarados. (Essential Nutrition)

Para quem pratica musculação, esportes de endurance ou busca performance, o principal diferencial nutricional está na alta densidade proteica e no baixo aporte energético proveniente de outros macronutrientes.

ANÁLISE DO RÓTULO



(Essential Nutrition)


PROTEÍNA: O PRINCIPAL COMPONENTE

São 22 g de proteína em apenas 25 g de produto, correspondendo a aproximadamente 88% do peso da porção.

Essa proteína fornece aminoácidos essenciais, necessários para:

  • síntese de proteínas musculares;
  • recuperação após o exercício;
  • manutenção da massa magra;
  • renovação de tecidos;
  • produção de enzimas, transportadores e outras proteínas corporais.

Entre os aminoácidos do whey estão os BCAAs — leucina, isoleucina e valina.

E a leucina?

A leucina é particularmente importante para o metabolismo muscular porque participa da ativação da sinalização relacionada à mTORC1, uma das principais vias envolvidas na síntese de proteína muscular.

Por isso, a qualidade proteica do whey é relevante para quem busca hipertrofia e recuperação.

Importante: o músculo não depende apenas de um suplemento. A resposta anabólica depende do conjunto formado por treinamento, ingestão proteica total, energia disponível e recuperação.


WHEY ISOLADO + HIDROLISADO

Whey isolado

É uma forma de whey submetida a processos de purificação que aumentam a concentração proteica e reduzem outros componentes.

Na prática: oferece elevada quantidade de proteína com pouco carboidrato e gordura.

Whey hidrolisado

Passa por um processo de hidrólise, no qual parte das proteínas é quebrada em peptídeos menores.

Isso pode modificar a digestão e a disponibilidade dos aminoácidos.

Mas atenção:

Hidrolisado não significa automaticamente maior hipertrofia.

Uma proteína de digestão mais rápida não necessariamente produz maior ganho muscular. O fator fundamental continua sendo a adequação da ingestão proteica e energética ao objetivo do atleta.


SÓDIO — 92 mg

O sódio é um eletrólito essencial.

Participa de:

  • equilíbrio de líquidos;
  • transmissão dos impulsos nervosos;
  • contração muscular;
  • manutenção do volume extracelular.

Os 92 mg por dose representam uma quantidade relativamente pequena, mas devem ser considerados dentro da ingestão diária total.

Para atletas que treinam intensamente e apresentam elevada perda de suor, a necessidade de sódio deve ser analisada individualmente — o whey não substitui uma estratégia adequada de hidratação e reposição de eletrólitos.

CÁLCIO — 105 mg

O cálcio possui funções muito além da saúde óssea.

Participa diretamente de:

contração muscular + transmissão nervosa + sinalização celular + mineralização óssea.

Uma porção do H.I. Whey fornece 105 mg, equivalente a 11% do valor diário declarado no rótulo. (Essential Nutrition)

Entretanto, o whey não deve ser utilizado como principal estratégia para atingir a necessidade diária de cálcio.


FÓSFORO — 60 mg

O fósforo participa de processos fundamentais para o metabolismo energético.

Está presente em moléculas como:

  • ATP, responsável pela transferência de energia celular;
  • fosfolipídios das membranas celulares;
  • ácidos nucleicos;
  • tecido ósseo.

Uma porção fornece 60 mg de fósforo. (Essential Nutrition)


E OS INGREDIENTES?

A fórmula do H.I. Whey é bastante curta:

proteína do soro do leite isolada e hidrolisada + dióxido de silício como antiumectante.

O dióxido de silício atua tecnologicamente para evitar a formação de grumos e melhorar a estabilidade física do pó. Não é um macronutriente e não possui função fisiológica relevante como fonte nutricional. (Essential Nutrition)

O produto também declara não conter glúten, lactose, açúcar, adoçantes, aromas, conservantes, caseína, carboidratos ou gorduras. O rótulo, entretanto, informa que contém derivados de leite e soja, devido à presença de aproximadamente 0,1 g de lecitina de soja por porção. (Essential Nutrition)


POR QUE ESSA COMPOSIÇÃO PODE SER INTERESSANTE PARA ATLETAS?

O principal diferencial não está em possuir uma grande quantidade de micronutrientes, mas em sua densidade proteica:

25 g de produto → 22 g de proteína → 88 kcal

Isso permite aumentar significativamente o aporte proteico sem adicionar praticamente carboidratos ou gorduras.

Pode ser particularmente interessante em estratégias como:

hipertrofia | recomposição corporal | definição | controle energético | recuperação muscular

Mas a escolha deve sempre considerar a dieta como um todo.


EM UMA FRASE

O H.I. Whey é essencialmente uma fonte concentrada de proteína de alta qualidade, com baixa densidade energética e praticamente sem carboidratos e gorduras — uma característica que pode ser útil quando o objetivo é aumentar a ingestão proteica com precisão.

O que o rótulo NÃO significa

“Zero carboidrato” não significa melhor para todos.

“Hidrolisado” não significa automaticamente mais hipertrofia.

“22 g de proteína” não substituem uma dieta equilibrada.

Para o atleta, o suplemento deve ser escolhido de acordo com necessidade proteica, modalidade esportiva, fase do treinamento, composição corporal, tolerância gastrointestinal e estratégia nutricional individualizada.

Referências científicas 

Morton RW et al. Protein supplementation and resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. Br J Sports Med. 2018;52:376–384.

Jäger R et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. J Int Soc Sports Nutr. 2017;14:20.

Witard OC et al. Myofibrillar muscle protein synthesis rates subsequent to a meal in response to increasing doses of whey protein. Am J Clin Nutr. 2014.

Phillips SM, Tang JE, Moore DR. The role of milk- and soy-based protein in support of muscle protein synthesis. J Am Coll Nutr. 2009.

Essential Nutrition. H.I. Whey — informação nutricional e composição do produto. (Essential Nutrition)

         Inez & Sara 

 






Melissa e cortisol: o que a ciência mostra?

O cortisol é um hormônio essencial para a adaptação ao estresse. Ele apresenta um ritmo circadiano: normalmente é mais elevado pela manhã e diminui ao longo do dia. Estresse psicológico persistente, privação de sono e alterações do ritmo circadiano podem modificar essa dinâmica.

A Melissa officinalis contém diversos compostos bioativos, especialmente:

  • ácido rosmarínico;
  • flavonoides;
  • polifenóis;
  • triterpenos;

óleos essenciais, incluindo citral e citronelal.

Um dos mecanismos mais estudados é a interação com o sistema GABA érgico. O GABA é o principal neurotransmissor inibitório do sistema nervoso central e está relacionado à redução da excitabilidade neuronal, relaxamento e controle da resposta ao estresse. Alguns constituintes da melissa parecem inibir a degradação do GABA, contribuindo para um efeito ansiolítico e calmante. (Springer Nature Link)

Melissa → estresse → eixo HPA → cortisol

Uma forma interessante de compreender seu possível efeito é:

Estresse crônico → ativação do eixo HPA → aumento/alteração da dinâmica do cortisol → alterações do sono e ansiedade

A melissa pode atuar principalmente reduzindo a resposta subjetiva ao estresse e favorecendo relaxamento e sono, o que potencialmente repercute sobre o eixo HPA.

Em um estudo duplo-cego, randomizado e controlado por placebo, doses de 300 e 600 mg de extrato padronizado de Melissa officinalis foram avaliadas em adultos saudáveis submetidos a uma situação experimental de estresse. A dose de 600 mg melhorou significativamente medidas de calma e humor negativo relacionadas ao estresse. (PubMed)

Outro estudo randomizado avaliou bebidas contendo 0,3 ou 0,6 g de melissa e observou que o aumento de cortisol salivar ocorrido após o estressor no grupo placebo não foi observado nos grupos que receberam melissa. Houve interação significativa entre tempo e tratamento para o cortisol salivar. (PubMed Central (PMC))

Evidência mais recente: cortisol salivar

Um estudo publicado em 2026 trouxe um dado particularmente interessante.

Uma análise secundária avaliou 12 adultos que receberam 400 mg/dia de um extrato de Melissa officinalis formulado em fosfolipídios durante três semanas. Os pesquisadores observaram uma redução progressiva do cortisol salivar ao longo do período de suplementação, juntamente com associações favoráveis com sono, estresse e bem-estar psicológico. (PubMed)

Esse resultado é promissor porque fornece uma evidência mais direta de possível influência sobre o cortisol. Entretanto, trata-se de uma análise secundária com amostra muito pequena (n=12). Portanto, ainda não podemos concluir que a melissa seja um tratamento estabelecido para “cortisol alto”.

O papel do sono

Aqui talvez esteja uma das aplicações mais interessantes da melissa.

O estresse e a privação de sono podem alimentar um ciclo:

estresse → piora do sono → alteração da regulação do eixo HPA → maior vulnerabilidade ao estresse → piora do sono.

A melissa pode atuar principalmente quebrando esse ciclo pela melhora de relaxamento, ansiedade e qualidade do sono.

Em um ensaio clínico com 100 adultos apresentando estresse, ansiedade, alterações de humor ou sono ruim, 400 mg/dia de um extrato aquoso de Melissa officinalis por três semanas esteve associado a melhora significativa de estresse, ansiedade, humor, bem-estar e qualidade do sono. (PubMed Central (PMC))

A própria European Medicines Agency (EMA) reconhece o uso tradicional da folha de melissa para sintomas leves de estresse e auxílio ao sono, embora ressalte que as evidências clínicas ainda não são suficientes para estabelecer eficácia com o mesmo grau de certeza de medicamentos convencionais. (European Medicines Agency (EMA))

Portanto, como eu explicaria isso na fitoterapia?

Eu evitaria a frase:

“A melissa diminui o cortisol.”

E utilizaria uma formulação cientificamente mais adequada:

“A Melissa officinalis apresenta potencial adaptativo sobre a resposta ao estresse, podendo favorecer a modulação da atividade do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal e da dinâmica do cortisol, especialmente por seus efeitos ansiolíticos, relaxantes e promotores do sono.”

Essa formulação é mais segura porque não transforma uma evidência preliminar em uma promessa terapêutica.

Segurança e cuidados

A melissa é geralmente bem tolerada nas doses estudadas, mas isso não significa que seja isenta de cuidados. A EMA recomenda seu uso tradicional para adultos e adolescentes acima de 12 anos e orienta avaliação profissional quando os sintomas persistem. (European Medicines Agency (EMA))

Um ponto importante: segurança durante gravidez e lactação não está estabelecida, e a monografia da EMA não recomenda seu uso nessas situações por falta de dados suficientes. (European Medicines Agency (EMA))

Também é importante diferenciar chá de melissa, pó da planta e extratos padronizados. Não podemos simplesmente extrapolar a dose utilizada em um estudo com extrato padronizado para uma xícara de chá, porque concentração e composição dos compostos ativos podem ser muito diferentes.

Em resumo

Aspecto                                                             Evidência

Redução do estresse                                                   Promissora

Ansiedade leve                                                           Promissora

Qualidade do sono                                                     Promissora

Modulação do cortisol                                             Evidência inicial/promissora

Modulação do eixo HPA                                         Possível, mas ainda não estabelecida

Tratamento de hipercortisolismo                           Não comprovado

Substituição de tratamento médico                          Não


Conclusão

Como abordagem fitoterápica: a Melissa officinalis é uma planta interessante para estratégias voltadas ao estresse, relaxamento e sono, e existem evidências humanas indicando que seus efeitos podem estar relacionados à modulação da resposta do eixo HPA e do cortisol. Porém, a ciência ainda não permite classificá-la como um “regulador de cortisol” no sentido de corrigir qualquer alteração hormonal.

Referências científicas 

Scholey A, et al. Anti-Stress Effects of Lemon Balm-Containing Foods. Nutrients. 2014;6(11):4805–4821. (PubMed Central (PMC))

Kennedy DO, et al. Attenuation of laboratory-induced stress in humans after acute administration of Melissa officinalis. Psychosomatic Medicine. 2004. (PubMed)

Cases J, et al. Pilot trial of Melissa officinalis L. leaf extract in the treatment of volunteers suffering from mild-to-moderate anxiety disorders and sleep disturbances. Mediterranean Journal of Nutrition and Metabolism. 2011. (Springer Nature Link)

The effects of Melissa officinalis supplementation on depression, anxiety, stress, and sleep disorder in patients with chronic stable angina. Clinical Nutrition ESPEN. 2018;26:47–52. (ScienceDirect)

Mazzola G, et al. Salivary cortisol dynamics and their relationship with sleep and mental well-being in adults receiving a phospholipid-based Melissa officinalis supplement. Food & Nutrition Research. 2026;70. (Food and Nutrition Research)

European Medicines Agency. Melissa officinalis L., folium – European Union herbal monograph. (European Medicines Agency (EMA))


Inez & Sara 








 

GLP-1: Por que dieta equilibrada e exercício fazem diferença no emagrecimento?

Os medicamentos que atuam sobre o sistema das incretinas, como os agonistas do receptor de GLP-1 e os agonistas duplos GIP/GLP-1, transformaram o tratamento do excesso de peso e da obesidade. Eles atuam principalmente aumentando a saciedade, reduzindo o apetite e, consequentemente, a ingestão energética.

Mas existe uma diferença importante entre usar GLP-1 para perder peso e utilizar o tratamento como parte de uma estratégia completa de mudança da composição corporal e da saúde.

GLP-1 sozinho funciona?

Sim. Estudos demonstram que medicamentos como a semaglutida produzem perdas de peso clinicamente relevantes. No estudo STEP 1, a semaglutida 2,4 mg associada a uma intervenção de estilo de vida promoveu redução média de aproximadamente 15% do peso corporal após 68 semanas, enquanto o grupo placebo apresentou redução muito menor. (PubMed)

Entretanto, os principais estudos clínicos foram realizados com algum nível de orientação alimentar e de atividade física. Portanto, não é correto interpretar esses resultados como evidência de que o medicamento, isoladamente e sem mudanças no estilo de vida, produziria exatamente os mesmos benefícios.

E quando associamos GLP-1, alimentação equilibrada e exercício?

É nesse cenário que o tratamento pode ser mais completo.

A redução do apetite proporcionada pelo medicamento pode facilitar o controle da ingestão energética. A alimentação planejada, por sua vez, ajuda a garantir proteínas, fibras, vitaminas, minerais, gorduras essenciais e hidratação adequadas, evitando que a redução da fome resulte simplesmente em uma alimentação insuficiente.

O exercício físico, especialmente o treinamento de força, também é importante para preservar massa muscular durante o processo de emagrecimento.

Assim, o objetivo deixa de ser apenas:

“perder peso”

e passa a ser:

“reduzir gordura corporal, preservar massa muscular, melhorar a saúde metabólica e aumentar a capacidade funcional”.

O que acontece quando o medicamento é interrompido?

Esse é um dos pontos mais importantes.

Na extensão do estudo STEP 1, participantes que interromperam a semaglutida recuperaram aproximadamente dois terços do peso perdido durante o ano seguinte, acompanhados também por reversão de parte das melhorias cardiometabólicas. (PubMed)

Resultados semelhantes foram observados no SURMOUNT-4 com tirzepatida: após a retirada do medicamento, houve recuperação significativa do peso, enquanto aqueles que continuaram o tratamento mantiveram e ampliaram a perda ponderal. (PubMed)

Isso reforça que a obesidade deve ser compreendida como uma condição crônica, que exige acompanhamento e estratégias de manutenção a longo prazo.

A mensagem para o paciente

O GLP-1 pode ser uma importante ferramenta terapêutica, mas não substitui a nutrição nem o exercício físico.

Uma abordagem integrada pode ser representada assim:

GLP-1 → controle da fome e da saciedade

Nutrição → qualidade alimentar + proteína adequada + controle energético

Exercício → preservação de massa muscular + força + funcionalidade

Resultado → melhor composição corporal e saúde metabólica

Portanto, o sucesso do tratamento não deveria ser avaliado apenas pelo número apresentado na balança. É fundamental observar também quanto de gordura foi perdido, quanto de massa muscular foi preservado, como está a força, a alimentação, os marcadores metabólicos e, principalmente, a capacidade de manter os resultados ao longo do tempo.

Conclusão

Os medicamentos baseados em GLP-1 representam um avanço importante no tratamento da obesidade. Porém, seu uso tende a ser mais estratégico quando integrado a alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento multiprofissional.

Emagrecer é uma parte do processo.

Preservar músculo, melhorar a saúde e sustentar o resultado é o verdadeiro objetivo.

GLP-1 pode ajudar a controlar a fome. A nutrição e o exercício ajudam a construir um corpo mais saudável.

Referências científicas

Wilding JPH, et al. Once-Weekly Semaglutide in Adults with Overweight or Obesity. New England Journal of medicine. 2021; 384:989-1002. (PubMed)

Wilding JPH, et al. Weight regain and cardiometabolic effects after withdrawal of semaglutide: The STEP 1 trial extension. Diabetes, Obesity and Metabolism. 2022; 24:1553-1564. (PubMed)

Aronne LJ, et al. Continued Treatment With Tirzepatide for Maintenance of Weight Reduction in Adults With Obesity: The SURMOUNT-4 Randomized Clinical Trial. JAMA. 2024;331:38-48. (PubMed)

Horn DB, et al. Cardiometabolic Parameter Change by Weight Regain on Tirzepatide Withdrawal in Adults With Obesity: A Post Hoc Analysis of the SURMOUNT-4 Trial. JAMA Internal Medicine. 2026;186(2):157-167. (PubMed)


Estagiárias: Inez  & Sara 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

 








Cortisol e desempenho esportivo: o que você realmente precisa saber?

O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e fundamental para a adaptação do organismo ao estresse. Ele participa do controle da glicemia, metabolismo energético, resposta imunológica, pressão arterial e funcionamento do sistema nervoso.

Apesar de ser conhecido como o “hormônio do estresse”, o cortisol não é um hormônio vilão. Precisamos dele para viver, treinar e nos adaptar ao exercício. O problema está principalmente quando sua produção ou seu ritmo de secreção permanecem alterados de forma persistente.

Cortisol e exercício: ele destrói músculos?

Essa é uma das maiores confusões da Nutrição Esportiva.

Durante exercícios de maior intensidade ou duração, o cortisol pode aumentar naturalmente. Essa elevação ajuda o organismo a disponibilizar energia e manter a glicemia durante o esforço.

Portanto:

Cortisol ↑ durante ou após o treino ≠ perda automática de massa muscular.

A literatura sobre glicocorticoides e exercício destaca justamente que a resposta do cortisol ao treinamento possui funções fisiológicas importantes e que sua interpretação como simplesmente “catabólica” é uma simplificação inadequada. (PMC)

O resultado sobre a massa muscular depende do conjunto:

treinamento + alimentação + disponibilidade energética + proteína + carboidratos + sono + recuperação + estresse.


A alimentação influencia o cortisol?

Sim.

Em exercícios prolongados de endurance, estudos mostram que a ingestão de carboidratos antes e durante o exercício pode atenuar a elevação do cortisol induzida pelo esforço.

Uma revisão sistemática publicada em 2024 analisou 11 estudos e verificou que o consumo de pelo menos 30 g de carboidratos por hora, nos protocolos avaliados, reduziu a elevação do cortisol na maioria dos estudos. (PubMed)

Isso não significa que todo praticante de musculação precise consumir carboidrato durante o treino.

A necessidade depende de:

duração do exercício;

intensidade;

modalidade esportiva;

objetivo;

disponibilidade energética;

volume de treinamento;

nível de treinamento.


 E o sono?

O sono participa diretamente da regulação do eixo hipotálamo–hipófise–adrenal, responsável pelo controle do cortisol.

Por isso, sono inadequado e recuperação insuficiente podem interferir na resposta fisiológica ao estresse.

Para o atleta, não basta pensar apenas em:

“Quanto eu treino?”

É necessário pensar também:

“Quanto eu recupero?”

Treinar intensamente sem oferecer ao organismo energia, nutrientes e descanso suficientes pode comprometer a adaptação ao treinamento.


Cortisol alto não significa necessariamente doença

Aqui existe uma diferença fundamental.

Uma pessoa pode apresentar aumento transitório do cortisol devido a:

exercício;

estresse agudo;

privação de sono;

doença aguda;

jejum;

determinadas situações metabólicas.

Isso é diferente de hipercortisolismo patológico.

A síndrome de Cushing, por exemplo, caracteriza-se por exposição prolongada a níveis excessivos de cortisol e pode apresentar manifestações como obesidade central, hipertensão, fraqueza muscular, alterações metabólicas e alterações cutâneas. (Endocrine)


 “Meu cortisol deu alto. Preciso me preocupar?”

Não necessariamente.

O cortisol apresenta variação ao longo do dia, portanto um resultado isolado precisa ser interpretado com muito cuidado.

Quando existe suspeita clínica de síndrome de Cushing, a Endocrine Society recomenda métodos específicos de investigação, como:

cortisol livre urinário de 24 horas;

cortisol salivar noturno;

teste de supressão com dexametasona.

A diretriz não recomenda cortisol sérico aleatório ou ACTH isolado como testes iniciais para rastreamento da síndrome de Cushing. (Endocrine)

Uma revisão sistemática e meta-análise de testes diagnósticos envolvendo mais de 14 mil participantes também demonstrou que os testes apresentam diferentes características de sensibilidade e especificidade, reforçando a importância da escolha adequada do método diagnóstico. (Endocrine)


 O papel da Nutrição Esportiva

Na prática, o objetivo do nutricionista não deve ser “zerar” ou simplesmente “baixar o cortisol”.

O objetivo é proporcionar condições para que o organismo consiga responder adequadamente ao treinamento e se recuperar.

Isso envolve:

Adequação energética

Evitar restrições excessivas e baixa disponibilidade energética.

 Proteína adequada

Garantir aminoácidos suficientes para manutenção e síntese de proteínas musculares.

Carboidratos adequados

Ajustar a quantidade ao volume e à intensidade do treinamento.

Hidratação

Manter adequada disponibilidade hídrica antes, durante e após o exercício.

 Sono e recuperação

Treinamento e recuperação precisam caminhar juntos.

 Periodização nutricional

A alimentação deve acompanhar as diferentes fases e demandas do treinamento.


 Quando o endocrinologista deve entrar?

Quando existem sinais clínicos persistentes ou progressivos compatíveis com alteração hormonal, a investigação deve ser médica.

O endocrinologista pode avaliar:

histórico clínico;

medicamentos, principalmente corticosteroides;

composição corporal;

pressão arterial;

glicemia;

exames hormonais;

possíveis alterações da função adrenal;

necessidade de testes específicos para hipercortisolismo.

A Endocrine Society recomenda evitar o rastreamento indiscriminado da população e priorizar a investigação em pessoas com características clínicas sugestivas de síndrome de Cushing. (Endocrine)


O que devemos guardar?

Cortisol não é inimigo da hipertrofia.

Ele é um hormônio essencial para a adaptação ao estresse físico e para o metabolismo energético.

O que pode ser prejudicial é a exposição crônica e inadequada aos glicocorticoides, especialmente quando associada a alterações metabólicas ou condições clínicas específicas.

Para quem pratica esporte, a melhor estratégia não é procurar maneiras milagrosas de “baixar o cortisol”, mas construir uma rotina que favoreça treinamento adequado, alimentação suficiente, recuperação, sono e equilíbrio metabólico.

Na Nutrição Esportiva, não devemos combater o cortisol. Devemos compreender sua fisiologia.

Referências científicas

Hackney AC, et al. Hormonal adaptation and the stress of exercise training: the role of glucocorticoids. Frontiers in Endocrinology. 2018. (PMC)

Christ R, et al. The acute effects of pre- and mid-exercise carbohydrate ingestion on immunoregulatory stress hormone release in experienced endurance athletes: a systematic review. 2024. (PubMed)

Nieman LK, et al. The Diagnosis of Cushing's Syndrome: An Endocrine Society Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. (Endocrine)

Galm BP, et al. Diagnostic Tests for Cushing Syndrome. Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism. 2020;105(6). (Endocrine)

Endocrine Society. Cushing’s Syndrome and Cushing Disease. (Endocrine)

Observação profissional: conteúdo educativo. Alterações persistentes de cortisol ou suspeita de síndrome de Cushing devem ser investigadas por médico endocrinologista; o nutricionista atua na avaliação e intervenção nutricional dentro de sua competência profissional.

Estagiárias: Inez & Sara 

 





Proteína e construção muscular em homens e mulheres: quanto consumir para ganhar massa muscular?

 

A proteína é um dos principais nutrientes envolvidos na construção e manutenção da massa muscular. Para quem pratica musculação ou outros exercícios de força, entender quanto consumir, como distribuir as refeições e quais fontes priorizar pode fazer diferença nos resultados.

Mas será que homens e mulheres precisam de quantidades diferentes de proteína? O whey protein é realmente necessário? E existe um limite a partir do qual consumir mais proteína deixa de trazer benefícios?

Neste artigo, vamos entender como a proteína participa da hipertrofia muscular e quais estratégias podem ser utilizadas na prática da Nutrição Esportiva.

Como a proteína participa do crescimento muscular?

A massa muscular está constantemente passando por um processo de remodelação. Ao longo do dia, acontecem simultaneamente a síntese de proteínas musculares (MPS) e a degradação de proteínas musculares (MPB).

Para que ocorra ganho de massa muscular ao longo do tempo, é necessário que o balanço proteico muscular seja favorável à síntese.

O treinamento resistido, como a musculação, aumenta a sensibilidade do músculo aos aminoácidos e estimula a síntese proteica. A ingestão adequada de proteína fornece os aminoácidos necessários para sustentar esse processo.

Qual quantidade de proteína é adequada?

Para adultos fisicamente ativos e praticantes de treinamento de força, uma faixa prática frequentemente utilizada é de aproximadamente:

1,6 a 2,2 g de proteína por kg de peso corporal por dia.

As evidências indicam que os benefícios para hipertrofia tendem a atingir um platô próximo de 1,6 g/kg/dia. Quantidades maiores podem ser úteis em determinadas situações, especialmente durante períodos de déficit energético, em indivíduos muito treinados ou quando o objetivo é preservar massa muscular.

Uma grande meta-análise envolvendo 49 estudos e 1.863 participantes observou que, acima de aproximadamente 1,6 g/kg/dia, não houve aumento adicional consistente de massa livre de gordura durante o treinamento resistido.

Exemplo prático

Para uma pessoa de 70 kg:

  • 1,6 g/kg: 112 g de proteína por dia

  • 1,8 g/kg: 126 g por dia

  • 2,0 g/kg: 140 g por dia

  • 2,2 g/kg: 154 g por dia

Essa quantidade deve ser individualizada de acordo com composição corporal, gasto energético, idade, nível de treinamento e objetivo.

Proteína e hipertrofia nos homens

Nos homens, a testosterona e outras características fisiológicas contribuem para um maior potencial absoluto de massa muscular, especialmente quando comparados a mulheres da mesma idade e nível de treinamento.

Isso, entretanto, não significa que a proteína funcione de maneira completamente diferente.

O mecanismo fundamental continua sendo semelhante:

Treinamento → estímulo mecânico → aumento da síntese proteica → recuperação + disponibilidade de aminoácidos → adaptação muscular.

A ingestão adequada de proteína potencializa a resposta adaptativa ao treinamento, principalmente quando a alimentação habitual não fornece proteína suficiente.

É importante lembrar, porém, que consumir mais proteína não significa automaticamente ganhar mais músculo. Depois de determinada quantidade, aumentar a ingestão proteica não necessariamente aumenta a hipertrofia.

Proteína e hipertrofia nas mulheres

As mulheres também apresentam excelente capacidade de adaptação ao treinamento resistido e podem aumentar significativamente a força e a massa muscular.

Uma revisão sistemática específica sobre mulheres atletas observou que as necessidades proteicas não parecem exigir uma recomendação radicalmente diferente daquela utilizada para homens.

A evidência disponível sustenta uma abordagem individualizada, considerando fatores como treinamento, ingestão energética e objetivos.

A posição da International Society of Sports Nutrition (ISSN) recomenda, para atletas mulheres, aproximadamente:

1,4 a 2,2 g de proteína/kg/dia, com distribuição da proteína ao longo do dia, idealmente a cada 3 a 4 horas.

Próximo ao exercício, a ISSN sugere aproximadamente 0,32 a 0,38 g/kg de proteína de alta qualidade.

Por exemplo, para uma mulher de 60 kg:

60 × 0,32–0,38 = aproximadamente 19 a 23 g de proteína

Essa quantidade pode ser utilizada em uma refeição próxima ao treinamento.

Homens e mulheres precisam de quantidades diferentes?

Essa é uma questão importante na prática clínica.

Não devemos simplesmente assumir que mulheres precisam de muito mais proteína que homens ou que a proteína funciona de maneira completamente diferente entre os sexos.

A literatura atual ainda apresenta uma quantidade consideravelmente maior de estudos realizados em homens. Revisões específicas para mulheres destacam justamente essa limitação científica.

Ao mesmo tempo, diferenças hormonais femininas — incluindo estrogênio, progesterona, uso de contraceptivos, ciclo menstrual, menopausa e pós-menopausa — podem influenciar metabolismo, recuperação e adaptação ao exercício.

Por isso, a recomendação deve ser individualizada, e não baseada apenas no sexo biológico.

A qualidade da proteína também importa

Não é apenas a quantidade total de proteína que interessa.

Proteínas de alta qualidade apresentam bom perfil de aminoácidos essenciais e fornecem quantidade adequada de leucina, um dos aminoácidos envolvidos na ativação da síntese proteica muscular.

Fontes de proteína animal

Entre as principais opções estão:

  • Ovos
  • Leite
  • Iogurte
  • Queijos
  • Carnes
  • Frango
  • Peixes

Esses alimentos geralmente fornecem proteínas completas, com todos os aminoácidos essenciais.

Fontes de proteína vegetal

Também é possível obter proteína de qualidade a partir de alimentos vegetais, como:

  • Feijão
  • Lentilha
  • Grão-de-bico
  • Ervilha
  • Soja
  • Tofu
  • Tempeh

Essas fontes podem contribuir significativamente para a hipertrofia. Dependendo da fonte escolhida e do padrão alimentar, pode ser interessante combinar diferentes proteínas vegetais e/ou aumentar ligeiramente a quantidade total consumida para atingir adequadamente os aminoácidos essenciais.

Não é obrigatório consumir proteína animal para ganhar massa muscular.

O mais importante é que a alimentação forneça quantidade suficiente de proteína e aminoácidos essenciais.

Como distribuir a proteína ao longo do dia?

Uma estratégia interessante é evitar concentrar praticamente toda a proteína em apenas uma refeição.

Para uma pessoa que precisa consumir aproximadamente 120 g de proteína por dia, por exemplo, uma possível distribuição seria:

Refeição
Proteína
Café da manhã
25–30 g
Almoço
30–35 g
Lanche/pré ou pós-treino
20–30 g
Jantar
30–35 g

Essa distribuição favorece vários períodos de estímulo à síntese proteica ao longo do dia.

Uma referência prática é trabalhar com aproximadamente 0,3–0,4 g/kg de proteína por refeição, distribuída em diferentes refeições.

Proteína + musculação: a combinação fundamental

    É importante não cair na ideia de que:

“Quanto mais proteína, maior o músculo.”

O processo de hipertrofia depende da combinação de diferentes fatores:

PROTEÍNA + TREINAMENTO RESISTIDO + ENERGIA ADEQUADA + CARBOIDRATO + SONO + RECUPERAÇÃO

O treinamento fornece o estímulo mecânico.

A proteína fornece os aminoácidos necessários para a construção e remodelação muscular.

A energia disponível permite que o organismo sustente os processos anabólicos.

E a recuperação permite que as adaptações ocorram.

Uma meta-análise de Morton et al. mostrou que a suplementação proteica, quando associada ao treinamento resistido, aumentou modestamente os ganhos de força e massa livre de gordura.

Portanto, proteína e musculação trabalham em conjunto: a proteína fornece os substratos, mas é o treinamento que fornece um dos principais estímulos para a adaptação muscular.

Um ponto especialmente importante para as mulheres

Em mulheres que treinam intensamente, não devemos olhar apenas para a ingestão de proteína.

A baixa disponibilidade energética pode comprometer a saúde, a recuperação, o desempenho e as adaptações ao treinamento.

Além disso, existem necessidades específicas relacionadas ao ciclo menstrual, saúde óssea, ferro, disponibilidade energética e diferentes fases da vida.

Por isso, a abordagem nutricional deve ser individualizada, especialmente em mulheres na pré-menopausa, perimenopausa e pós-menopausa.

E depois dos 40 ou 50 anos?

Com o envelhecimento, ocorre progressivamente uma maior resistência anabólica. Isso significa que o músculo pode responder menos intensamente a pequenas doses de proteína e ao estímulo do exercício.

Por esse motivo, em pessoas mais velhas, ganham ainda mais importância:

  • ingestão adequada de proteína;

  • treinamento de força;

  • distribuição da proteína ao longo do dia.

Na mulher peri e pós-menopausa, a estratégia nutricional deve ser ainda mais cuidadosa, considerando também a preservação da massa muscular e a saúde óssea.

Whey protein é obrigatório?

Não.

O whey protein é simplesmente uma forma prática de fornecer proteína.

Ele pode ser útil para pessoas que:

  • não conseguem atingir a meta proteica somente com a alimentação;

  • possuem uma rotina muito corrida;

  • apresentam baixa ingestão proteica;

  • precisam de uma opção prática no pós-treino.

Porém, a alimentação tradicional continua sendo perfeitamente capaz de fornecer proteína suficiente.

Estudos recentes em mulheres mostram benefícios da combinação entre exercício e suplementação proteica para massa livre de gordura, hipertrofia e força. Isso, entretanto, não significa que o suplemento seja indispensável para quem já consegue atingir suas necessidades por meio da alimentação.

Quais alimentos priorizar?

Na prática, algumas boas opções para compor uma alimentação rica em proteínas incluem:

  • 🥚 Ovos

  • 🐟 Peixes

  • 🍗 Frango

  • 🥩 Carnes magras

  • 🥛 Leite e derivados

  • 🌱 Soja e derivados

  • 🫘 Feijões e outras leguminosas

  • 🥤 Whey protein, quando necessário

O objetivo não deve ser simplesmente consumir o máximo possível de proteína, mas atingir uma quantidade adequada dentro de uma alimentação equilibrada.

Conclusão: quanto de proteína consumir para ganhar massa muscular?

Homens e mulheres podem ganhar massa muscular com treinamento resistido e alimentação adequada.

Para muitos praticantes de musculação, uma faixa prática de aproximadamente 1,6 a 2,2 g de proteína/kg/dia pode ser utilizada como referência, sempre considerando o objetivo e o contexto individual.

Por refeição, uma referência prática é de aproximadamente 0,3–0,4 g/kg, distribuída ao longo do dia.

Mas é fundamental lembrar:

Proteína não substitui musculação.

O estímulo mecânico do treinamento é fundamental para sinalizar a adaptação muscular, enquanto a proteína fornece os substratos necessários para essa remodelação.

Em outras palavras, para construir e preservar massa muscular, é preciso olhar para o conjunto: treinamento, proteína, energia, carboidratos, sono e recuperação.

Referências científicas 

  • Morton RW et al. A systematic review, meta-analysis and meta-regression of the effect of protein supplementation on resistance training-induced gains in muscle mass and strength in healthy adults. British Journal of Sports Medicine. 2018.

  • Moore DR, Sygo J, Morton JP. Fuelling the female athlete: Carbohydrate and protein recommendations. European Journal of Sport Science. 2022.

  • Kerksick CM et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutritional concerns of the female athlete. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2023.

  • Mercer D et al. Protein Requirements of Pre-Menopausal Female Athletes: Systematic Literature Review. Nutrients. 2020.

  • Larrosa M et al. Nutritional Strategies for Optimizing Health, Sports Performance, and Recovery for Female Athletes and Other Physically Active Women: A Systematic Review. Nutrition Reviews. 2025.

  • Stokes T et al. Recent Perspectives Regarding the Role of Dietary Protein for the Promotion of Muscle Hypertrophy with Resistance Exercise Training. Nutrients. 2018.

Estagiárias: Inez & Sara

terça-feira, 25 de agosto de 2026

Mastigação: por que ela é mais importante do que parece?


 Você já parou para pensar que a digestão começa antes mesmo de o alimento chegar ao estômago? A mastigação é a primeira etapa mecânica da digestão. Ao triturar os alimentos, os dentes aumentam a superfície de contato para que as enzimas digestivas consigam atuar com maior eficiência.

Além disso, uma mastigação adequada pode contribuir para:

* 🥗 Melhorar a digestão: alimentos bem triturados facilitam o trabalho do sistema digestório.

* 🧠 Favorecer a percepção da saciedade: comer mais devagar permite que os sinais de saciedade tenham tempo para serem percebidos.

* 🍽️ Aumentar a atenção durante as refeições: mastigar com calma ajuda a perceber melhor sabores, aromas e texturas.

* 🦷 Contribuir para a saúde bucal: a mastigação participa da estimulação da saliva, que possui importante papel na proteção da boca.

* 💧 Misturar o alimento à saliva: a saliva umedece o alimento e contém enzimas, como a amilase salivar, que inicia a digestão do amido.

Mas existe um número ideal de mastigações?

Não necessariamente. A quantidade varia conforme o alimento, sua textura e a pessoa. Mais importante do que contar as mastigadas é evitar comer com pressa e permitir que o alimento seja adequadamente triturado antes de engolir. Mastigar bem é um pequeno hábito que pode fazer uma grande diferença na relação com a comida e no processo digestivo.

-Beatriz Vitória da Silva Teixeira

Referências:

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

O horário em que você come importa?



Você já parou para pensar que não é apenas o que comemos que importa, mas também quando comemos?

A crononutrição é a área que estuda a relação entre os horários das refeições, o relógio biológico e o funcionamento do organismo.

Nosso corpo possui ritmos circadianos, ciclos de aproximadamente 24 horas que ajudam a regular processos como sono, produção hormonal e metabolismo. Por isso, o organismo pode responder de maneiras diferentes aos alimentos dependendo do momento do dia.

E comer à noite?

Isso não significa que comer depois de determinado horário seja automaticamente prejudicial. Porém, estudos sugerem que refeições muito tardias e horários alimentares desalinhados com o ciclo de sono e vigília podem influenciar o controle da glicose e a sensibilidade à insulina.

Algumas pesquisas também indicam que concentrar a alimentação em períodos mais precoces do dia pode trazer benefícios para determinados marcadores metabólicos. No entanto, ainda não existe um “horário perfeito” para todas as pessoas.

Então, qual é a melhor hora para comer?

A resposta depende da rotina e das necessidades de cada pessoa. Horário de trabalho, sono, atividade física, medicamentos e condições de saúde precisam ser considerados.

Mais do que seguir uma regra rígida, a crononutrição mostra que o momento em que nos alimentamos também pode fazer parte da nossa saúde.

No fim, a pergunta não é apenas: “O que você come?”
Mas também: “Quando você come?” 

Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências científicas:

Chamorro R. et al. When should I eat: A circadian view on food intake and metabolic regulation. Acta Physiologica, 2023.
Bahammam AS, Pirzada A. Timing Matters: The Interplay between Early Mealtime, Circadian Rhythms, Gene Expression, Circadian Hormones, and Metabolism. Clocks & Sleep, 2023.
Rovira-Llopis S. et al. Circadian alignment of food intake and glycaemic control by time-restricted eating: A systematic review and meta-analysis. Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, 2024.
Delayed Eating Schedule Raises Mean Glucose Levels in Young Adult Males: a Randomized Controlled Cross-Over Trial. The Journal of Nutrition, 2023.





Comer bem não precisa ser caro!

 







 

Hidratação: a importância da ingestão adequada de água para a saúde e a performance

A água é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo e desempenha papel fundamental na regulação da temperatura corporal, transporte de nutrientes, manutenção do volume sanguíneo, funcionamento renal e equilíbrio hidroeletrolítico. Por isso, manter uma boa hidratação é importante tanto para a saúde quanto para o desempenho físico.

Quanto devemos beber?

Não existe uma quantidade única de água adequada para todas as pessoas. A necessidade diária depende de idade, peso corporal, alimentação, temperatura ambiente, atividade física e taxa de transpiração.

Como referência populacional, a EFSA (European Food Safety Authority) considera adequada uma ingestão de água total de aproximadamente 2,0 L/dia para mulheres e 2,5 L/dia para homens adultos, considerando a água proveniente de bebidas e alimentos, em condições ambientais e de atividade física moderadas. (European Food Safety Authority)

Esses valores não devem ser interpretados como uma prescrição individual. Pessoas que praticam exercícios, vivem em ambientes quentes ou apresentam elevada taxa de suor podem necessitar de maior ingestão de líquidos.

Hidratação e atividade física

Durante o exercício, o organismo produz mais calor e perde água e eletrólitos pelo suor. Quando a perda de líquidos é significativa, podem ocorrer aumento da percepção de esforço, comprometimento da termorregulação e redução do desempenho.

O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda estratégias individualizadas de reposição de líquidos, considerando duração e intensidade do exercício, condições ambientais e características individuais de sudorese. Durante atividades prolongadas, a reposição de eletrólitos e carboidratos também pode ser útil em determinadas situações. (PubMed)

Uma referência utilizada na literatura esportiva é evitar perdas excessivas de massa corporal durante o exercício, especialmente superiores a aproximadamente 2% do peso corporal por déficit hídrico. (PubMed)

Beber água demais também pode ser um problema

Hidratação adequada não significa simplesmente beber o máximo possível. O consumo excessivo de líquidos, principalmente durante exercícios prolongados, pode contribuir para a hiponatremia associada ao exercício, caracterizada pela redução da concentração de sódio no sangue.

Por isso, a estratégia mais segura é individualizar a hidratação, em vez de seguir uma quantidade fixa para todas as pessoas. (PubMed)

Dicas simples para manter uma boa hidratação

  • Tenha uma garrafa de água sempre por perto.

  • Distribua a ingestão de líquidos ao longo do dia.

  • Aumente a atenção à hidratação em dias quentes e durante exercícios.

  • Observe sinais como sede, boca seca e urina mais concentrada.

  • Em exercícios prolongados ou com muita sudorese, avalie a necessidade de reposição de eletrólitos.

  • Não espere chegar a uma desidratação importante para começar a beber água.

Hidratação também faz parte da performance

Uma alimentação equilibrada e uma boa estratégia de hidratação caminham juntas. Para quem pratica atividade física, hidratar-se adequadamente é parte da preparação, do desempenho e da recuperação.

Mais do que seguir uma regra fixa, o ideal é conhecer as necessidades individuais e ajustar a ingestão de líquidos ao seu corpo, rotina e nível de atividade física.

Cuide da sua hidratação todos os dias. Seu corpo e sua performance agradecem!

Referências científicas

  • World Health Organization (WHO). Domestic water quantity, service level and health. 2nd ed. Geneva: WHO, 2020. A OMS destaca que as necessidades de água variam conforme condições ambientais, atividade física e outros fatores. (Organização Mundial da Saúde)

  • World Health Organization (WHO). Guidelines for Drinking-water Quality. 4th ed., incorporating addenda. A publicação estabelece recomendações baseadas em evidências para garantir a segurança da água destinada ao consumo humano. (Organização Mundial da Saúde)

  • EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies. Scientific Opinion on Dietary Reference Values for water. EFSA Journal. 2010;8(3):1459. (European Food Safety Authority)

  • Sawka MN, Burke LM, Eichner ER, et al. American College of Sports Medicine position stand: Exercise and Fluid Replacement. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2007;39(2):377–390. (PubMed)

Estagiárias: Inez & Sara


 






Recomposição corporal em mulheres e homens

A recomposição corporal é uma estratégia nutricional e esportiva cujo objetivo é melhorar a relação entre massa muscular e gordura corporal, buscando, em diferentes graus, reduzir tecido adiposo enquanto preserva ou aumenta a massa muscular.

Diferentemente de uma dieta convencional para emagrecimento, em que a balança costuma ser o principal indicador, a recomposição exige uma avaliação mais ampla: peso, percentual de gordura, circunferências, composição corporal, desempenho físico, força e evolução visual.

O processo depende da interação entre alimentação adequada, treinamento resistido, ingestão proteica, disponibilidade energética, sono e recuperação.


 Como acontece a recomposição corporal?

O músculo está constantemente passando por processos de síntese e degradação proteica.

O treinamento de força aumenta o estímulo para síntese proteica muscular, enquanto a ingestão adequada de proteínas fornece aminoácidos necessários para esse processo.

A combinação entre treinamento resistido + proteína adequada é particularmente importante para preservar e desenvolver massa muscular. A ISSN considera, para a maioria dos indivíduos fisicamente ativos, uma ingestão de aproximadamente 1,4–2,0 g de proteína/kg/dia, podendo haver necessidade de valores maiores durante períodos de restrição energética em indivíduos treinados. (PubMed Central (PMC))

Isso explica por que duas pessoas podem perder 5 kg e apresentar resultados corporais completamente diferentes.

Uma pode perder principalmente gordura e preservar a musculatura.

Outra pode perder gordura e massa muscular, apresentando redução de peso, mas pouca melhora na composição corporal.


Recomposição corporal na mulher

A mulher possui particularidades fisiológicas que precisam ser consideradas na prescrição nutricional.

Entre elas estão:

ciclo menstrual;

oscilações hormonais;

função ovariana;

disponibilidade energética;

saúde óssea;

composição corporal;

gestação e lactação, quando aplicável;

peri e pós-menopausa.

Isso não significa que mulheres precisem de uma dieta completamente diferente da dos homens. Os princípios fundamentais da recomposição são semelhantes, mas algumas variáveis podem exigir individualização.

A posição da ISSN sobre a atleta feminina recomenda ingestão proteica na faixa de 1,4–2,2 g/kg/dia, distribuída ao longo do dia, especialmente quando o objetivo envolve manutenção ou desenvolvimento de massa muscular. (PubMed Central (PMC))

Um ponto especialmente importante para mulheres

Uma das maiores preocupações na busca por um corpo mais definido é o excesso de restrição energética.

A mulher que reduz drasticamente calorias, aumenta excessivamente o exercício e mantém baixa disponibilidade energética pode comprometer:

desempenho;

recuperação;

saúde óssea;

função hormonal;

ciclo menstrual;

massa muscular.

Por isso, “quanto menos eu comer, mais rápido vou definir” é uma estratégia equivocada.

Na recomposição corporal feminina, o objetivo é criar condições para perder gordura sem comprometer a massa magra e a saúde metabólica e hormonal.

A literatura específica sobre atletas femininas também destaca a importância de adequar energia, proteína e nutrientes ao treinamento e à fase da vida. (PubMed Central (PMC))


Recomposição corporal no homem

Nos homens, os princípios fundamentais também são:

déficit energético controlado + proteína adequada + treinamento resistido + recuperação.

A testosterona, maior massa muscular média e diferenças na distribuição de gordura fazem com que homens e mulheres apresentem algumas diferenças fisiológicas, mas isso não significa que o homem possa simplesmente comer qualquer quantidade de proteína ou fazer um déficit calórico agressivo.

O treinamento de força continua sendo fundamental para sinalizar ao organismo que a massa muscular deve ser preservada ou desenvolvida.

Em períodos de déficit energético, uma ingestão proteica mais elevada pode ser interessante para indivíduos treinados, particularmente quando o objetivo é preservar massa magra. A literatura da ISSN aponta valores de 2,3–3,1 g/kg de massa livre de gordura/dia como uma faixa que pode ser utilizada em determinadas situações de restrição energética em indivíduos treinados — não como recomendação universal para todos. (PubMed Central (PMC))


Mulheres × homens: o que realmente muda?


Na busca pela redução de gordura corporal associada à preservação ou ao aumento da massa magra, os objetivos nutricionais de mulheres e homens são bastante semelhantes. Em ambos os casos, a musculação é fundamental para preservar e estimular a massa muscular, especialmente durante processos de redução de gordura.

Em relação ao consumo de proteínas, mulheres fisicamente ativas podem utilizar aproximadamente 1,4 a 2,2 g/kg/dia, enquanto, para a maioria dos homens ativos, uma faixa de aproximadamente 1,4 a 2,0 g/kg/dia pode ser adequada, sempre considerando o contexto individual, o volume de treinamento, o objetivo e o estado nutricional.

O déficit energético deve ser individualizado tanto para mulheres quanto para homens, evitando restrições excessivas que possam comprometer o desempenho, a recuperação e a manutenção da massa muscular. Nas mulheres, entretanto, existe um aspecto adicional que merece atenção: o ciclo menstrual, que pode influenciar sintomas, percepção de esforço, apetite e algumas necessidades nutricionais. Por isso, a estratégia nutricional pode ser ajustada individualmente ao longo do ciclo, sem a necessidade de regras rígidas.

Outro ponto importante para ambos os sexos é a disponibilidade energética. Nas mulheres, é especialmente importante evitar baixa disponibilidade energética, pois ela pode estar associada a alterações da função reprodutiva, saúde óssea e desempenho. Nos homens, a disponibilidade energética também deve ser adequada, principalmente em indivíduos submetidos a treinamento intenso e dietas restritivas.

Quanto à massa muscular, mulheres e homens devem priorizar sua preservação durante o emagrecimento e, quando possível, estimular a hipertrofia por meio da combinação de treinamento de força, ingestão proteica adequada, energia suficiente e recuperação.

Por fim, a avaliação nutricional não deve se limitar ao peso corporal. Para ambos, é mais adequado acompanhar um conjunto de indicadores, incluindo peso, composição corporal, medidas antropométricas e desempenho físico. Dessa forma, é possível avaliar de maneira mais precisa as mudanças na composição corporal e diferenciar perda de gordura de alterações de massa magra.

Em síntese, as diferenças entre mulheres e homens não significam que sejam necessárias estratégias completamente distintas. A base permanece semelhante, mas fatores fisiológicos específicos — especialmente o ciclo menstrual e a saúde hormonal e reprodutiva nas mulheres — devem ser considerados na individualização da estratégia nutricional.

As diferenças existem, mas não justificam uma abordagem simplista do tipo “dieta para homem” versus “dieta para mulher”. A prescrição deve considerar sexo, idade, composição corporal, treinamento, objetivo, histórico alimentar, rotina e condições fisiológicas.


Proteína: uma das peças centrais

Para a recomposição corporal, não basta atingir uma quantidade diária de proteína. A distribuição ao longo do dia também pode ser relevante.

A ISSN sugere, de maneira geral, doses de aproximadamente 0,25 g/kg por refeição, ou cerca de 20–40 g de proteína de alta qualidade, distribuídas a cada 3–4 horas, dependendo das características individuais. (PubMed)

Na prática, isso pode significar distribuir fontes proteicas entre:

café da manhã → almoço → lanche → jantar → eventualmente ceia.

Boas fontes incluem:

ovos;

peixes;

carnes;

frango;

leite e derivados;

whey protein, quando necessário;

soja e derivados;

leguminosas;

combinações de proteínas vegetais.


O treinamento de força é indispensável

Existe uma diferença enorme entre:

“fazer dieta para perder peso”

“estruturar uma estratégia para modificar a composição corporal”.

Na segunda situação, o treinamento resistido assume papel central.

O exercício de força fornece um estímulo mecânico para manutenção e hipertrofia muscular, enquanto a proteína fornece aminoácidos para a remodelação muscular. A combinação desses estímulos é particularmente relevante para a adaptação muscular. (PubMed Central (PMC))

Por isso, uma pessoa pode estar fazendo cardio todos os dias, comendo pouco e vendo o peso cair — mas isso não significa necessariamente que esteja fazendo uma boa recomposição corporal.


É possível ganhar músculo enquanto perde gordura?

Sim, mas não acontece da mesma maneira para todas as pessoas.

A recomposição tende a ser mais plausível em situações como:

iniciantes na musculação;

pessoas retornando ao treinamento após período de inatividade;

indivíduos com maior quantidade de gordura corporal;

pessoas que anteriormente apresentavam baixa ingestão proteica;

indivíduos que passam a treinar e se alimentar adequadamente.

Em pessoas muito treinadas e já bastante musculosas, simultaneamente ganhar músculo e perder gordura tende a ser mais difícil e mais lento.

Por isso, a estratégia precisa ser individualizada.


A balança não pode ser o único parâmetro

Esse talvez seja o conceito mais importante.

Imagine uma mulher:

Peso inicial: 70 kg

Gordura: 30%

Massa magra: 49 kg

Depois de alguns meses:

Peso: 69 kg

Gordura: 25%

Massa magra: 51,75 kg

A balança praticamente não mudou.

Mas o corpo mudou dramaticamente.

Ela perdeu aproximadamente 3,5 kg de gordura e ganhou aproximadamente 2,75 kg de massa magra.

Portanto, avaliar somente o peso poderia levar à falsa conclusão de que “a dieta não funcionou”.

É por isso que, na recomposição corporal, devemos acompanhar:

peso + circunferências + composição corporal + fotos padronizadas + força + desempenho + percepção corporal.


A grande diferença entre emagrecimento e recomposição

Emagrecimento

Objetivo principal: reduzir peso e gordura corporal.

Recomposição corporal

Objetivo principal: melhorar a composição corporal, reduzindo gordura e preservando ou aumentando massa muscular.

Portanto:

Emagrecer muda o número da balança.

Recompor muda a relação entre gordura e músculo.

E, para atletas e pessoas fisicamente ativas, essa diferença é enorme.

Referências bibliográficas

JÄGER, R. et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 14, n. 20, 2017. (PubMed Central (PMC))

KERKSICK, C. M. et al. ISSN exercise & sports nutrition review update: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018. (Springer Nature Link)

SMITH-RYAN, A. E. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutritional concerns of the female athlete. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2023. (PubMed Central (PMC))

JÄGER, R. et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 14, 20, 2017. DOI: 10.1186/s12970-017-0177-8. (Springer Nature Link)

DABBS, N. C. et al. National Strength and Conditioning Association Position Statement on Strength and Conditioning of Female Athletes. Part II: Training Adaptations and Program Design. Journal of Strength and Conditioning Research, 2026. (PubMed)

Estagiárias: Inez & Sara