segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Mounjaro e a Saúde Intestinal



​O Mounjaro (tirzepatida) atua como duplo agonista dos receptores GLP-1 e GIP, reduzindo a velocidade do trânsito gastrointestinal e retardando o esvaziamento gástrico para modular o apetite e a glicemia. Essa lentificação pode ocasionar queixas comuns como náuseas, plenitude, distensão gasosa e constipação. O suporte nutricional foca em hidratação rigorosa (35–40 mL/kg), aporte fracionado de fibras solúveis, pequenas porções e preservação da massa magra via proteínas de alta biodisponibilidade.

​Conteúdo Elaborado Por: Roseli Aparecida Ferreira

​Referências Científicas:

​JASTREBOFF, A. M. et al. Tirzepatide Once Weekly for the Treatment of Obesity (SURMOUNT-1). The New England Journal of Medicine (NEJM), v. 387, n. 3, p. 205–216, 2022. DOI: 10.1056/NEJMoa2206038.

​FRÍAS, J. P. et al. Tirzepatide versus Semaglutide Once Weekly in Patients with Type 2 Diabetes (SURPASS-2). The New England Journal of Medicine (NEJM), v. 385, n. 6, p. 503–515, 2021. DOI: 10.1056/NEJMoa2107519.

​KARRAR, H. R. et al. Tirzepatide-Induced Gastrointestinal Manifestations: A Systematic Review and Meta-Analysis. Cureus, v. 15, n. 9, e46091, 2023. DOI: 10.7759/cureus.46091.

​FARZAM, K.; PATEL, P. Tirzepatide. StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing, 2024.

O que acontece com o seu corpo quando você corta carboidratos?



 





A redução dos carboidratos na alimentação é uma estratégia frequentemente adotada para o controle de peso, melhora da saúde metabólica e ajuste nos níveis de energia.
Entenda o que acontece no seu corpo quando os carboidratos são cortados da dieta:

Menor energia imediata: Como os carboidratos são a principal fonte de energia do corpo, o organismo passa a usar mais gordura ao cortá-los, o que pode gerar uma sensação de cansaço no início do processo.

Alterações no foco e no humor: O cérebro utiliza principalmente glicose como combustível, de modo que a redução pode causar dificuldade de concentração, irritabilidade e alterações no humor, especialmente nas primeiras semanas.

Alterações no apetite: A redução no consumo de carboidratos modifica a resposta do organismo aos sinais de saciedade, o que pode alterar os padrões habituais de fome.

Possíveis alterações no intestino: A mudança na ingestão de carboidratos altera a fermentação dos alimentos no intestino, podendo causar gases, inchaço ou prisão de ventre em algumas pessoas.

Benefícios metabólicos: Em algumas pessoas, a redução pode favorecer o controle da glicemia, melhorar o perfil de colesterol e contribuir para a perda de gordura corporal, principalmente se aliada a uma alimentação equilibrada.

Importante: Cortar carboidratos não significa eliminar grupos alimentares inteiros, mas sim ajustar a quantidade e a qualidade dos alimentos de acordo com as necessidades e objetivos de cada pessoa, sempre com orientação profissional

As orientações apresentadas baseiam-se em recomendações de órgãos de saúde pública e sociedades médicas. Estratégias alimentares com restrição de carboidratos devem ser sempre acompanhadas por nutricionista ou médico, a fim de garantir a adequação nutricional e evitar riscos metabólicos, conforme reforçado por diretrizes da SBEM e do Ministério da Saúde.

Post escrito por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

A importância da higiene e segurança dos alimentos




 🥗 A higiene e a segurança dos alimentos são fundamentais para garantir refeições de qualidade e proteger a saúde de quem as consome. As boas práticas estão presentes em todas as etapas: desde o recebimento e armazenamento dos alimentos até o preparo e a distribuição das refeições. A higienização correta das mãos, dos alimentos, dos utensílios e dos ambientes, além do controle adequado de temperatura e da prevenção da contaminação cruzada, são cuidados essenciais. 

- Referência: Portaria CVS n° 3/2026. 
- Beatriz Vitória Da Silva Teixeira 

 





Alimentos que ajudam a baixar o colesterol alto

Uma alimentação equilibrada pode contribuir para reduzir o colesterol LDL (“ruim”), melhorar o perfil lipídico e proteger a saúde cardiovascular.

🥣 Aveia

Rica em fibra solúvel, especialmente beta-glucana, que pode reduzir a absorção intestinal de colesterol e contribuir para a redução do LDL.

 Feijão e outras leguminosas

São fontes de fibras solúveis e proteínas vegetais. O consumo regular de leguminosas pode ajudar a reduzir o colesterol LDL e melhorar a qualidade geral da alimentação.

🐟 Peixes ricos em ômega-3

Salmão, sardinha e outros peixes gordurosos são fontes de EPA e DHA. O ômega-3 é especialmente útil para reduzir os triglicerídeos e pode contribuir para a saúde cardiovascular.

 Azeite de oliva extra virgem

Fornece gorduras monoinsaturadas e compostos antioxidantes. Quando substitui gorduras saturadas, pode contribuir para um perfil de colesterol mais favorável.

🥑 Abacate

Contém gorduras monoinsaturadas e fibras. A substituição de gorduras saturadas por gorduras presentes no abacate pode ajudar a reduzir o LDL.

🌰 Castanhas e nozes

Nozes, amêndoas e outras oleaginosas fornecem gorduras insaturadas, fibras, proteínas vegetais, fitoesteróis e antioxidantes. Seu consumo está associado a melhora do perfil lipídico.

🌱 Chia e linhaça

Fornecem fibras, gorduras poli-insaturadas e compostos bioativos. A linhaça, em particular, apresenta evidências de possível redução do colesterol, especialmente quando consumida regularmente.

Frutas vermelhas

Morangos, amoras, framboesas e mirtilos são ricos em fibras e compostos antioxidantes. Podem fazer parte de um padrão alimentar cardioprotetor.

🧄 Alho

Possui compostos sulfurados que podem apresentar efeitos modestos sobre o colesterol. Entretanto, não deve substituir medicamentos prescritos ou mudanças alimentares comprovadamente eficazes.

🍵 Chá verde

Rico em catequinas, compostos antioxidantes que podem produzir uma pequena redução do colesterol LDL e do colesterol total.

🥦 Brócolis e vegetais verdes

Fornecem fibras, vitaminas, minerais e compostos bioativos. O aumento do consumo de vegetais contribui para uma alimentação favorável à saúde cardiovascular.

🌾 Grãos integrais

Aveia, cevada, arroz integral e outros cereais integrais fornecem fibras, que podem ajudar no controle do colesterol e aumentar a saciedade.

Dicas importantes

  • Prefira alimentos in natura ou minimamente processados.

  • Aumente o consumo de fibras solúveis, presentes em aveia, cevada, feijão, frutas e alguns vegetais.

  • Substitua manteiga, carnes gordurosas e outras fontes de gordura saturada por gorduras insaturadas, como azeite, castanhas e abacate.

  • Reduza o consumo de gorduras saturadas e gorduras trans.

  • Mantenha atividade física regular e um peso corporal saudável.

  • O tratamento do colesterol alto pode exigir medicamentos, dependendo do risco cardiovascular de cada pessoa. Não interrompa medicamentos sem orientação médica.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose – 2021. Arquivos Brasileiros de Cardiologia. 2021;117(4):1-76

Estagiárias: Sara e Inez

 


ALIMENTOS CARDIOPROTETORES ❤️

Proteja seu coração através da alimentação!

O que são?
Alimentos cardioprotetores são aqueles que, quando fazem parte de uma alimentação equilibrada, fornecem nutrientes e compostos bioativos que podem contribuir para a saúde do coração e dos vasos sanguíneos.

🥑 Exemplos

  • Frutas e verduras: fontes de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes.
  • Aveia e outros cereais integrais: ricos em fibras, especialmente beta-glucanas.
  • Feijão, lentilha e grão-de-bico: fornecem fibras e proteínas vegetais.
  • Peixes como sardinha e salmão: fontes de ômega-3.
  • Castanhas e nozes: fornecem gorduras insaturadas e outros nutrientes.
  • Azeite de oliva: fonte de gorduras monoinsaturadas.
  • Abacate: rico em gorduras insaturadas e fibras.

❤️ Por que são importantes?

Uma alimentação rica em alimentos in natura ou minimamente processados, fibras, frutas, verduras, leguminosas, cereais integrais e fontes de gorduras insaturadas pode ajudar a reduzir fatores de risco cardiovascular, como níveis elevados de colesterol e pressão arterial, quando integrada a um estilo de vida saudável.

💡 DICA

Varie as cores e os tipos de alimentos no prato! Quanto maior a diversidade de alimentos naturais, maior a variedade de nutrientes.

Referências:
BRASIL. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Healthy diet. Geneva: WHO.

Estagiárias: Inez e Sara 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Um corpo Inflamado



 A inflamação não é uma doença; ela é um dos principais mecanismos que o organismo possui para manter a homeostase (equilibrio de funcionamento). O problema não é a inflamação em si, mas quando ela é insuficiente, exagerada ou nunca se desliga.

Podemos pensar no corpo como uma cidade.

  • O sistema imunológico é a polícia, os bombeiros e a equipe de manutenção.
  • A inflamação é a resposta de emergência.
  • A homeostase é a cidade funcionando normalmente.
  • A doença acontece quando a resposta é inadequada ou quando a cidade precisa viver em estado permanente de emergência.

O que é a inflamação fisiologicamente?

Inflamação é uma resposta coordenada do sistema imunológico, do sistema vascular, do sistema nervoso e do sistema endócrino diante de uma ameaça.

Essa ameaça pode ser:

  • vírus
  • bactérias
  • fungos
  • trauma
  • exercício intenso
  • cirurgia
  • queimadura
  • toxinas
  • excesso de gordura visceral
  • morte celular
  • até estresse psicológico prolongado.

O objetivo é sempre o mesmo:

  1. detectar o problema
  2. conter o dano
  3. eliminar a causa
  4. reparar o tecido
  5. voltar ao equilíbrio.

Ou seja, a inflamação existe para restaurar a homeostase.


Como ela começa?

Imagine um corte na pele.

As células lesionadas liberam moléculas de perigo (DAMPs).

Essas moléculas avisam:

"Tem tecido machucado aqui."

Os macrófagos e outras células de defesa reconhecem esse sinal.

Começam então a produzir mediadores inflamatórios:

  • IL-1
  • IL-6
  • TNF-alfa
  • prostaglandinas
  • histamina
  • quimiocinas

Essas substâncias fazem os vasos sanguíneos:

  • dilatarem
  • ficarem mais permeáveis
  • recrutarem leucócitos

Daí surgem os sinais clássicos:

  • calor
  • vermelhidão
  • dor
  • edema
  • perda temporária da função.

Esses sinais não são a doença.

São a consequência da tentativa do organismo de reparar o tecido.

O lado bom da inflamação

Sem inflamação nós morreríamos rapidamente.

Ela:

  • combate infecções
  • elimina células defeituosas
  • remove tecido morto
  • inicia cicatrização
  • ajuda na regeneração muscular
  • combate tumores em muitos casos.

Até o ganho de massa muscular depende de um pequeno processo inflamatório após o treino.

O exercício gera microlesões.

Essas microlesões provocam inflamação controlada.

Depois ocorre:

  • regeneração
  • hipertrofia
  • adaptação

Sem essa resposta, praticamente não haveria evolução muscular.

O lado ruim

Agora imagine que o "botão desligar" nunca funciona.

A inflamação deixa de ser um mecanismo de defesa.

Ela passa a atacar tecidos saudáveis.

Isso gera:

  • fibrose
  • resistência à insulina
  • desgaste articular
  • lesão vascular
  • envelhecimento acelerado
  • doenças autoimunes
  • maior risco cardiovascular.

É a chamada inflamação crônica de baixo grau.

Ela é silenciosa.

Às vezes a pessoa sente apenas:

  • fadiga
  • dificuldade para emagrecer
  • dores difusas
  • recuperação lenta
  • pior desempenho físico.

Inflamação aguda × crônica

Aguda

Dura horas ou poucos dias.

Tem começo e fim.

Exemplo:

  • pneumonia
  • gripe
  • cirurgia
  • corte
  • treino intenso.

O organismo resolve o problema e volta ao normal.


Crônica

Pode durar anos.

O organismo nunca consegue eliminar completamente o estímulo.

Exemplos:

  • obesidade visceral
  • diabetes tipo 2
  • aterosclerose
  • artrite reumatoide
  • doença inflamatória intestinal
  • adenomiose, endometriose
  • algumas doenças hepáticas.

O corpo continua produzindo citocinas inflamatórias continuamente.

Diabetes

O diabetes tipo 2 é um ótimo exemplo.

Inicialmente:

  • excesso de gordura visceral
  • excesso calórico
  • resistência à insulina

As células de gordura produzem diversas citocinas inflamatórias.

O pâncreas responde produzindo mais insulina.

Por algum tempo a glicose permanece normal.

É uma fase compensatória.

Depois:

  • resistência aumenta
  • o pâncreas se desgasta
  • glicemia sobe
  • instala-se o diabetes.

Perceba:

A doença não aparece de um dia para o outro.

Existe uma longa fase em que o organismo luta para manter a homeostase.

Adenomiose e miomas

São condições diferentes.

Adenomiose

O tecido semelhante ao endométrio invade o músculo uterino.

Isso gera:

  • inflamação local
  • dor
  • aumento de prostaglandinas
  • sangramento intenso
  • alterações na contração uterina.

Miomas

São tumores benignos do músculo do útero.

Não são necessariamente inflamatórios.

Mas podem provocar:

  • alterações vasculares
  • sangramento
  • anemia
  • resposta inflamatória secundária em alguns casos.

Fígado

O fígado é um dos grandes reguladores da inflamação.

Ele produz:

  • PCR (proteína C reativa)
  • complemento
  • proteínas de coagulação
  • albumina
  • hepcidina.

Quando existe inflamação sistêmica, o fígado muda completamente seu metabolismo.


Ferritina

A ferritina é muito interessante porque representa duas coisas:

Estoque de ferro

Baixa ferritina geralmente sugere redução das reservas de ferro.

Pode ocorrer por:

  • sangramento
  • deficiência de ingestão
  • menor absorção
  • maior demanda.

Consequências podem incluir:

  • fadiga
  • menor desempenho físico
  • pior transporte de oxigênio quando evolui para deficiência de ferro importante.

Marcador inflamatório

Ferritina alta nem sempre significa excesso de ferro.

Pode aumentar em:

  • infecções
  • obesidade
  • síndrome metabólica
  • doenças hepáticas
  • inflamação crônica
  • algumas doenças autoimunes.

Na inflamação, o organismo aumenta a produção de hepcidina, que reduz a disponibilidade de ferro circulante. Isso ajuda a limitar o acesso de alguns microrganismos ao ferro, mas também pode contribuir para a chamada anemia da inflamação.

PCR (Proteína C Reativa)

A PCR é produzida pelo fígado em resposta principalmente à IL-6.

Ela sobe rapidamente quando existe inflamação.

Valores elevados podem ocorrer em:

  • infecção
  • trauma
  • cirurgia
  • doenças autoimunes
  • obesidade
  • doenças cardiovasculares.

Ela é um marcador da resposta inflamatória, mas não identifica a causa por si só.


CPK (Creatina Quinase)

A CPK é diferente.

Ela não mede inflamação diretamente.

Ela mede lesão celular, principalmente muscular.

Pode subir por:

  • musculação intensa
  • corrida
  • trauma
  • rabdomiólise
  • algumas doenças musculares
  • infarto (dependendo da fração e do contexto).

Um atleta pode apresentar CPK bastante elevada após um treino intenso sem que isso represente doença. A interpretação depende dos sintomas, do tipo de exercício e da evolução dos valores.

Quando a doença está "querendo aparecer"

Antes do diagnóstico, o organismo costuma compensar.

Exemplo:

Resistência à insulina:

Produz mais insulina.

Hipertensão:

Ajusta diversos mecanismos hormonais e renais para manter a perfusão.

Doença hepática:

O fígado pode manter muitas funções mesmo com perda significativa de tecido funcional.

Esse período é chamado de fase compensada.

Ainda existe homeostase.

Mas ela está sendo alcançada às custas de um enorme esforço fisiológico.

(ai que começa o corpo ficar inchado, não perde peso, a resposta metabolica não é a mesma) 


Quando a doença crônica já está instalada

Depois de anos de compensação:

  • aparecem sintomas
  • ocorre remodelamento dos tecidos
  • desenvolve-se fibrose em alguns órgãos
  • surgem alterações permanentes.

O corpo ainda busca homeostase, mas agora em um "novo equilíbrio", muitas vezes menos eficiente.

O atleta de alta performance

Curiosamente, um atleta também vive em ciclos de inflamação.

Após um treino intenso:

  • sobe IL-6 (com efeitos que dependem do contexto)
  • aumenta CPK
  • ocorre estresse oxidativo transitório
  • há microlesões musculares.

Mas, com recuperação adequada (sono, nutrição, descanso e treinamento bem planejado), essa inflamação é seguida por resolução e adaptação, levando a mais força, capacidade aeróbica e resistência.

Já o excesso de treino sem recuperação (overreaching ou overtraining) pode manter uma inflamação persistente, piorar o desempenho e aumentar o risco de lesões.

A ideia central

A saúde não significa ausência completa de inflamação.

Significa a capacidade do organismo de:

  • reconhecer rapidamente uma ameaça;
  • gerar uma resposta inflamatória adequada;
  • eliminar a causa do problema;
  • reparar os tecidos;
  • desligar a resposta inflamatória no momento certo;
  • retornar à homeostase.

Quando esse ciclo funciona bem, a inflamação é uma aliada. Quando o estímulo persiste ou os mecanismos de resolução falham, ela pode contribuir para doenças crônicas.

o inchaço acontece durante a resposta inflamatória, e alguns mecanismos que ajudam a resolver essa inflamação podem fazer o organismo demorar um pouco para eliminar o líquido acumulado. Vamos entender isso pela fisiologia.

O que acontece durante a inflamação?

Imagine que você torceu o tornozelo ou fez um treino muito intenso.

O organismo entende que houve uma lesão e envia um "alerta". São liberadas substâncias como histamina, prostaglandinas e diversas citocinas inflamatórias.

Essas substâncias provocam:

  • dilatação dos vasos sanguíneos;
  • aumento da permeabilidade dos capilares;
  • saída de plasma e proteínas para o tecido;
  • chegada de células do sistema imunológico.

Esse líquido que sai dos vasos é o edema, ou seja, o inchaço.

O objetivo é levar oxigênio, nutrientes e células de defesa até a região lesionada.


Por que o peso pode aumentar?

Existem vários mecanismos.

1. Retenção de água

Durante uma inflamação importante, o organismo ativa sistemas hormonais para preservar a circulação, como:

  • aldosterona;
  • hormônio antidiurético (ADH);
  • sistema renina-angiotensina.

Esses hormônios fazem os rins reterem mais sódio e água.

Resultado:

  • aumento temporário do peso;
  • sensação de "corpo pesado";
  • inchaço.

Isso pode acontecer após uma cirurgia, uma infecção ou até depois de um treino muito intenso.


2. Glicogênio

Depois do exercício, os músculos repõem seus estoques de glicogênio.

Cada grama de glicogênio armazenado retém aproximadamente 3 a 4 gramas de água.

Por isso, uma pessoa pode ganhar 1 a 3 kg em poucos dias após voltar a treinar ou aumentar o consumo de carboidratos, sem ter ganhado gordura.


3. Reparo tecidual

Durante a cicatrização, o organismo produz:

  • colágeno;
  • novas proteínas;
  • novos vasos sanguíneos.

Esses processos exigem maior fluxo de líquidos e nutrientes para o tecido, o que também pode contribuir para um aumento temporário de volume.


E quando a inflamação começa a diminuir?

Quando a causa da lesão é resolvida, entram em ação mecanismos de resolução da inflamação.

Macrófagos passam a remover células mortas e resíduos, e o sistema linfático começa a drenar o excesso de líquido.

Gradualmente:

  • a permeabilidade dos vasos diminui;
  • o edema é reabsorvido;
  • os rins eliminam o excesso de água;
  • o peso tende a voltar ao normal.

Por que algumas pessoas parecem "desinchar" ao usar um anti-inflamatório?

Isso depende do contexto.

Se o medicamento reduz a inflamação, há menor liberação de substâncias que aumentam a permeabilidade dos vasos, e o edema pode diminuir.

E nas doenças crônicas?

Em doenças como obesidade, diabetes tipo 2, doença hepática e algumas doenças autoimunes, existe uma inflamação persistente de baixo grau.

Essa inflamação pode alterar:

  • o funcionamento dos vasos sanguíneos;
  • a função dos rins;
  • o equilíbrio hormonal;
  • a drenagem linfática.

O resultado pode ser uma maior tendência à retenção de líquidos, embora nem todo ganho de peso nessas condições seja devido à água.


O atleta também pode "pesar mais"?

Sim.

Após um treino muito intenso é comum ocorrer:

  • microlesões musculares;
  • resposta inflamatória controlada;
  • aumento da entrada de água nas fibras musculares;
  • reposição de glicogênio.

Por isso, um atleta pode acordar 1 a 2 kg mais pesado no dia seguinte a um treino muito pesado, principalmente de pernas, e isso geralmente reflete água e glicogênio, não gordura.


A ideia central

O "inchaço" é uma estratégia fisiológica. O organismo usa água como meio de transporte para células de defesa, nutrientes e proteínas que participam da reparação do tecido. Quando a inflamação se resolve, o excesso de líquido costuma ser drenado pelo sistema linfático e eliminado pelos rins, permitindo o retorno à homeostase. Em algumas situações, porém, doenças ou medicamentos podem prolongar a retenção de líquidos.

Essa é uma das razões pelas quais o peso corporal pode variar alguns quilos ao longo de poucos dias sem que isso represente ganho ou perda de gordura corporal.

Nutricionista 

Janete Neves 

Referencias:

Robbins & Cotran – Patologia: Bases Patológicas das Doenças

Guyton & Hall – Tratado de Fisiologia Médica

Janeway's Immunobiology

Inflammation 2010: New Adventures of an Old Flame

Sleisenger and Fordtran's Gastrointestinal and Liver Disease

quinta-feira, 11 de junho de 2026

sinvastatina






 A Sinvastatina é um medicamento da classe das estatinas, usado principalmente para:

  • Reduzir o colesterol LDL ("colesterol ruim")
  • Reduzir os triglicerídeos
  • Aumentar modestamente o HDL ("colesterol bom")
  • Diminuir o risco de infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares

Como tomar

Geralmente é tomada uma vez ao dia, normalmente à noite, pois o fígado produz mais colesterol durante a madrugada. Siga sempre a dose prescrita pelo médico.

Efeitos colaterais comuns

  • Dor muscular
  • Fraqueza muscular
  • Dor de cabeça
  • Náusea
  • Dor abdominal

Atenção

Procure orientação médica rapidamente se apresentar:

  • Dor muscular intensa ou persistente
  • Fraqueza muscular importante
  • Urina escura
  • Pele ou olhos amarelados

Interações

O consumo de toranja (grapefruit) pode aumentar os níveis de sinvastatina no sangue e elevar o risco de efeitos adversos. Alguns medicamentos também podem interagir com ela.


por lauro silva 


  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Bula Profissional da Sinvastatina. Brasília: ANVISA. Disponível em: ANVISA.
  • National Library of Medicine. Simvastatin. In: StatPearls. Treasure Island, FL: StatPearls Publishing, atualização contínua. Disponível em: NCBI Bookshelf.
  • American College of Cardiology; American Heart Association. Guideline on the Management of Blood Cholesterol. Disponível em: ACC Guidelines.
  • quarta-feira, 3 de junho de 2026

    pão frances no café da manhã

     



    Não necessariamente. O pão francês no café da manhã pode fazer parte de uma alimentação saudável, dependendo da quantidade e do restante da sua dieta.

    Alguns pontos:

    O que o pão francês oferece

    • É uma fonte rápida de energia por conter carboidratos.
    • Tem pouca gordura.
    • Fornece algumas vitaminas do complexo B e minerais, embora não seja muito rico em fibras.

    Possíveis desvantagens

    • Tem menos fibras do que pães integrais, o que pode gerar menos saciedade.
    • Pode elevar a glicemia mais rapidamente, especialmente se consumido sozinho.
    • Se vier acompanhado de grandes quantidades de manteiga, requeijão, embutidos ou doces, o café da manhã pode ficar mais calórico.

    Como torná-lo uma opção melhor

    Você pode combinar o pão francês com:

    • Ovos.
    • Queijos magros.
    • Iogurte natural.
    • Frutas.
    • Pasta de ricota ou cottage.

    Isso ajuda a aumentar a saciedade e equilibrar a refeição.

    Para quem deve ter mais atenção

    Pessoas com Diabetes Tipo 2, resistência à insulina ou que estejam seguindo dietas específicas para perda de peso podem se beneficiar de controlar a quantidade ou optar por versões com mais fibras.

    Em termos práticos, para a maioria das pessoas saudáveis, comer 1 pão francês no café da manhã não faz mal. O que mais influencia a saúde é o padrão alimentar ao longo do dia e das semanas, não um alimento isolado.


    por Lauro silva 


    1. Nutrição Moderna de Shils.
      Ross AC, Caballero B, Cousins RJ, Tucker KL, Ziegler TR (eds.). Modern Nutrition in Health and Disease. 11th ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins; 2014.
    2. Tratado de Nutrição.
      Gil A. Tratado de Nutrición. 3ª ed. Madrid: Editorial Médica Panamericana; 2017.

    Guias e documentos oficiais

    1. Guia Alimentar para a População Brasileira (Ministério da Saúde)
      Brasil. Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira. 2ª ed. Brasília: Ministério da Saúde; 2014.

    terça-feira, 2 de junho de 2026

    beta alanina




     Beta-alanina (β-alanina) é um aminoácido não essencial muito usado como suplemento esportivo.

    Benefícios principais

    • Aumenta os níveis de carnosina nos músculos.
    • Ajuda a reduzir a fadiga durante exercícios intensos.
    • Pode melhorar o desempenho em atividades de alta intensidade que duram entre 1 e 10 minutos (corrida, ciclismo, musculação, HIIT, esportes de combate).

    Dose comum

    • 3,2 a 6,4 g por dia, divididas em várias doses para reduzir efeitos colaterais.
    • Os benefícios costumam aparecer após 2 a 4 semanas de uso contínuo.

    Efeitos colaterais

    • Sensação de formigamento na pele (parestesia), especialmente após doses maiores.
    • O formigamento é temporário e geralmente não representa perigo.

    por lauro silva 


  • Roger C. Harris, Michael J. Tallon, M. Dunnett, et al. (2006). The absorption of orally supplied beta-alanine and its effect on muscle carnosine synthesis in human vastus lateralis. Journal of Amino Acids, 30(3), 279–289.
  • Craig Sale, Bryan Saunders, Richard C. Harris, et al. (2010). Beta-alanine supplementation for improving exercise performance: an update. Amino Acids, 39(2), 321–333.
  • Bryan Saunders, Craig Sale, Kevin D. G. De Souza, et al. (2017). Twenty-four weeks of β-alanine supplementation on carnosine content, related genes, and exercise. Medicine & Science in Sports & Exercise, 49(5), 896–906.

  • quarta-feira, 27 de maio de 2026

    Nutrição e saúde mental

     


    A relação entre alimentação e saúde mental tem sido cada vez mais estudada pela ciência, e os resultados mostram que aquilo que comemos influencia não apenas o corpo, mas também o funcionamento do cérebro, o humor e o bem-estar emocional. Pesquisas recentes indicam que a alimentação pode ter um papel importante tanto na prevenção quanto no agravamento de transtornos como ansiedade e depressão.

    Padrões alimentares saudáveis, como a dieta mediterrânea, estão associados a menores índices de depressão e melhor qualidade de vida. Esse tipo de alimentação é rico em frutas, verduras, grãos integrais, peixes, azeite de oliva e oleaginosas, alimentos que fornecem nutrientes essenciais para o funcionamento do cérebro, como vitaminas, minerais e gorduras saudáveis. Esses nutrientes participam da produção de neurotransmissores, substâncias responsáveis pela regulação do humor, como a serotonina.

    Por outro lado, dietas ricas em alimentos ultraprocessados, como fast food, refrigerantes e produtos industrializados, estão associadas a um maior risco de problemas de saúde mental. Esses alimentos costumam ter altos níveis de açúcar, gorduras ruins e aditivos químicos, que podem contribuir para processos inflamatórios no organismo e afetar negativamente o cérebro.

    Outro ponto importante destacado pelos estudos é a conexão entre o intestino e o cérebro, conhecida como eixo intestino-cérebro. O intestino abriga trilhões de bactérias que influenciam diversas funções do organismo, incluindo o humor e o comportamento. Uma alimentação equilibrada, rica em fibras e alimentos naturais, contribui para uma microbiota intestinal saudável, o que pode favorecer a saúde mental.

    Além disso, a qualidade da alimentação é mais importante do que simplesmente a quantidade de comida ingerida. Dietas muito restritivas ou desequilibradas podem levar a deficiências nutricionais e, consequentemente, prejudicar o bem-estar emocional, aumentando sintomas como irritabilidade, ansiedade e tristeza.

    De modo geral, os estudos mostram que a alimentação é um fator importante e modificável na saúde mental. Manter uma dieta equilibrada pode ajudar a melhorar o humor, aumentar a disposição e reduzir o risco de transtornos mentais. No entanto, é importante destacar que a alimentação não substitui tratamentos médicos ou psicológicos, mas deve ser vista como uma estratégia complementar no cuidado com a saúde mental.


    Por: Lauro silva 

    Referências:

    FERNÁNDEZ-DEMENEGHI, R. et al.
    Mindful eating as the next therapeutic frontier in nutritional psychiatry.
    Frontiers in Nutrition, v. 13, 2026.
    DOI: 10.3389/fnut.2026.1726847

    FERNÁNDEZ-DEMENEGHI, R. et al.
    Positioning berries in nutritional psychiatry: potential for prevention and co-therapy in mental health.
    Frontiers in Behavioral Neuroscience, v. 19, 2025.
    DOI: 10.3389/fnbeh.2025.1622242

    MANI, S.; WASNIK, S.; SINGH, M.
    Editorial: Nutrition and mood disorders.
    Frontiers in Nutrition, v. 12, 2025.
    DOI: 10.3389/fnut.2025.1744366

    segunda-feira, 25 de maio de 2026

    insulina

     



    A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas que ajuda a controlar a quantidade de açúcar (glicose) no sangue. Ela funciona como uma “chave”, permitindo que a glicose entre nas células para ser usada como energia.

    Quando o corpo produz pouca insulina ou não consegue usá-la corretamente, a glicose se acumula no sangue, causando diabetes.

    Principais tipos de diabetes

    • Diabetes tipo 1: o organismo praticamente não produz insulina, então a pessoa precisa usar insulina diariamente.
    • Diabetes tipo 2: o corpo ainda produz insulina, mas ela não funciona bem (resistência à insulina).

    Tipos de insulina

    Existem diferentes tipos usados no tratamento:

    • ação rápida
    • ação curta
    • ação intermediária
    • ação longa

    Cada uma tem um tempo diferente para começar e durar no organismo.

    Sintomas de açúcar alto no sangue

    • muita sede
    • urinar com frequência
    • cansaço
    • visão embaçada
    • perda de peso sem explicação

    Importante

    O uso de insulina deve ser orientado por médico. Aplicar dose errada pode causar hipoglicemia (queda perigosa do açúcar no sangue). 


    por Lauro silva 


    Sociedade Brasileira de Diabetes. Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes 2024–2025. São Paulo: SBD. Disponível em: Sociedade Brasileira de Diabetes


    Organização Mundial da Saúde. Diabetes. Geneva: WHO. Disponível em: World Health Organization – Diabetes



    quinta-feira, 21 de maio de 2026

    faz mal comer feijão todos os dias ?

     





    Não, de forma geral não faz mal comer feijão todos os dias — pelo contrário, costuma ser bem saudável 👍

    O feijão é um alimento muito nutritivo. Ele tem:

    • Proteínas vegetais
    • Fibras (ótimas para o intestino)
    • Ferro, magnésio e potássio
    • Baixo teor de gordura

    Por isso, em muitos países (como no Brasil), ele faz parte da alimentação diária sem problema nenhum.

    Quando pode ser um problema?

    Só em algumas situações específicas:

    • Gases ou desconforto intestinal (especialmente se você não está acostumado)
    • Problemas renais (em alguns casos precisa controlar potássio/fósforo)
    • Dieta muito repetitiva (falta de variedade pode faltar outros nutrientes)

    Dicas para consumir melhor

    • Deixe o feijão de molho antes de cozinhar → ajuda a reduzir gases
    • Varie os tipos (preto, carioca, branco, lentilha, grão-de-bico)
    • Combine com arroz → melhora a qualidade da proteína
    por lauro silva 
  • Ministério da Saúde. Guia Alimentar para a População Brasileira (2ª ed.). Brasília: Ministério da Saúde, 2014.
    O guia recomenda basear a alimentação em alimentos in natura ou minimamente processados e cita o padrão arroz com feijão como parte importante da alimentação saudável brasileira.
  • Organização Pan-Americana da Saúde. Alimentação Saudável.
    A orientação inclui leguminosas, como feijão e lentilha, como parte regular de uma dieta saudável. 
  • quarta-feira, 20 de maio de 2026

    abacate regula o colesterol ?

     



    O abacate é uma fonte de “gordura boa” e pode ajudar a melhorar o perfil do colesterol, especialmente quando substitui alimentos ricos em gordura saturada.

    O principal motivo é que ele é rico em gorduras monoinsaturadas, especialmente o ácido oleico (o mesmo tipo presente no azeite), além de conter fibras, que ajudam no controle do colesterol.

    Ele tende a:

    • Reduzir o LDL (“colesterol ruim”) em algumas pessoas
    • Manter ou melhorar o HDL (“colesterol bom”)
    • Ajudar no controle de triglicerídeos quando entra em uma alimentação equilibrada

    Abacate também tem potássio, vitamina E e compostos antioxidantes.

    Mas há um detalhe importante: quantidade importa, porque é uma fruta calórica. Uma porção prática costuma ser:

    • 2 a 4 colheres de sopa da polpa (cerca de ¼ de um abacate pequeno) por dia, ou
    • metade de um abacate pequeno dependendo do restante da alimentação.

    Melhores formas de consumir para colesterol:
    ✅ Com aveia ou chia
    ✅ Em saladas no lugar de molhos industrializados
    ✅ Como pasta (tipo guacamole simples) no lugar de manteiga, maionese ou embutidos

    Evite transformar o benefício em excesso de açúcar:
    ⚠️ abacate com leite condensado, muito açúcar ou sobremesas ultraprocessadas.

    Se o objetivo é regular colesterol, o efeito costuma ser melhor quando o abacate entra junto com um padrão alimentar rico em fibras (aveia, feijão, verduras, frutas, azeite, peixes) e menos frituras/ultraprocessados.


    por lauro silva 


    American Heart Association.
    Dietary fats and cardiovascular disease advisory.
    → Recomenda substituir gorduras saturadas por monoinsaturadas (como as do abacate) para melhorar o perfil lipídico.

  •  Revisão sobre composição nutricional do abacate e possíveis benefícios cardiometabólicos.
  • Sociedade Brasileira de Cardiologia.
    Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose