sábado, 14 de março de 2026

Consumo Diário de Farinha de Beterraba: Resumo Científico



A farinha de beterraba é obtida a partir da desidratação da raiz da beterraba (Beta vulgaris), preservando compostos bioativos importantes, como nitratos, fibras, vitaminas e antioxidantes. Estudos indicam que o consumo regular desses compostos pode trazer benefícios para a saúde cardiovascular, desempenho físico e função antioxidante.

Um dos principais componentes da beterraba são os nitratos dietéticos, que no organismo são convertidos em óxido nítrico. Essa substância promove vasodilatação, melhora o fluxo sanguíneo e pode contribuir para a redução da pressão arterial. Além disso, pesquisas mostram que a ingestão de produtos derivados da beterraba pode melhorar a eficiência do uso de oxigênio durante exercícios, favorecendo o desempenho físico.

Outro ponto relevante é a presença de betalaínas e compostos fenólicos, que apresentam propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, ajudando na proteção celular contra o estresse oxidativo. A farinha também contém fibras alimentares, que contribuem para o funcionamento intestinal e para o controle metabólico.

Em geral, o consumo moderado — cerca de 10 a 20 g por dia — pode ser utilizado como complemento nutricional em bebidas, preparações culinárias ou suplementos alimentares. No entanto, indivíduos com predisposição a cálculos renais ou pressão arterial baixa devem consumir com cautela.

Em síntese, a farinha de beterraba pode ser considerada um alimento funcional com potencial benefício para a saúde, quando inserida em uma alimentação equilibrada.


Referências bibliográficas

  • Clifford, T., Howatson, G., West, D. J., & Stevenson, E. J. (2015). The potential benefits of red beetroot supplementation in health and disease. Nutrients, 7(4), 2801–2822.

  • Hord, N. G., Tang, Y., & Bryan, N. S. (2009). Food sources of nitrates and nitrites: the physiologic context for potential health benefits. The American Journal of Clinical Nutrition, 90(1), 1–10.

  • Jones, A. M. (2014). Dietary nitrate supplementation and exercise performance. Sports Medicine, 44(Suppl 1), S35–S45.

  • Lundberg, J. O., Weitzberg, E., & Gladwin, M. T. (2008). The nitrate–nitrite–nitric oxide pathway in physiology and therapeutics. Nature Reviews Drug Discovery, 7(2), 156–167

Por : Camila Santos


Treinar em jejum emagrece mais: mito ou verdade?


 Nos últimos anos, treinar em jejum virou um tema popular no mundo do fitness. Muitas pessoas acreditam que fazer exercícios sem comer antes ajuda a queimar mais gordura e emagrecer mais rápido. Mas será que isso é realmente verdade ou apenas mais um mito do universo da saúde?

O que é treinar em jejum?

Treinar em jejum significa praticar atividade física sem consumir alimentos antes, geralmente após um período de 8 a 12 horas sem comer — como pela manhã, logo após acordar.

Durante esse período, os níveis de glicogênio (energia armazenada) estão mais baixos, o que faz com que o organismo recorra mais à gordura como fonte de energia.

Mas será que isso realmente ajuda a perder mais gordura?

Durante o treino em jejum, o corpo realmente pode usar uma porcentagem maior de gordura como combustível. Porém, isso não significa necessariamente que você vai emagrecer mais ao longo do dia.

A perda de peso depende principalmente de um fator:

Déficit calórico — gastar mais calorias do que consumir.

Ou seja, mesmo treinando em jejum, se a ingestão de calorias ao longo do dia for alta, o emagrecimento não acontece.

Estudos mostram que pessoas que treinam em jejum ou após comer tendem a ter resultados semelhantes na perda de gordura, desde que a alimentação diária seja igual.

Vantagens

  • Pode aumentar o uso de gordura durante o treino

  • Prático para quem treina logo cedo

  • Algumas pessoas se sentem mais leves para treinar

Possíveis desvantagens

  • Menor energia para treinos intensos

  • Queda de performance

  • Tontura ou fraqueza em algumas pessoas

Conclusão

Treinar em jejum não garante mais emagrecimento. Ele pode ser uma estratégia válida para quem se sente bem treinando dessa forma, mas o principal fator para perder peso continua sendo alimentação equilibrada, déficit calórico e consistência nos treinos. 💪


Catia Cruz

Gastrite o que se mostra atualmente em artigos.

A gastrite é uma inflamação da mucosa do estômago que pode causar sintomas como dor abdominal, queimação, náusea e sensação de estômago cheio. Estudos científicos recentes têm avançado no entendimento das causas, diagnóstico e tratamento dessa condição. 

 



Uma das principais conclusões das pesquisas recentes é que a bactéria Helicobacter pylori (H. pylori) continua sendo a causa mais comum de gastrite crônica.

Pontos importantes do estudo

A infecção por H. pylori pode provocar inflamação persistente da mucosa gástrica.
Se não tratada, pode evoluir para úlcera gástrica ou até câncer de estômago.
Estudos recentes alertam para o aumento da resistência da bactéria aos antibióticos, o que dificulta o tratamento.

O que a ciência recomenda

Diagnóstico precoce com exames específicos.Tratamento com combinação de antibióticos e medicamentos que reduzem a acidez do estômago.

Pesquisadores desenvolveram modelos de inteligência artificial (IA) para identificar pessoas com maior risco de desenvolver gastrite crônica.

Pontos importantes do estudo

  • O modelo utiliza dados clínicos e exames laboratoriais.

  • A tecnologia Random Forest, um tipo de algoritmo de aprendizado de máquina, foi utilizada para prever risco de gastrite atrófica.

  • A ferramenta pode ajudar médicos a diagnosticar precocemente alterações no estômago.

Impacto potencial

Essa abordagem pode permitir:

  • prevenção mais eficaz

  • acompanhamento personalizado de pacientes

  • redução do risco de câncer gástrico.


Pesquisas recentes também revisaram os medicamentos mais eficazes para tratar gastrite.

Principais medicamentos utilizados

  • Inibidores da bomba de prótons (IBPs) – reduzem a produção de ácido no estômago.

  • Bloqueadores H2 – diminuem a secreção ácida.

  • Protetores da mucosa gástrica – ajudam na cicatrização do estômago.

  • P-CABs (bloqueadores competitivos de potássio) – nova classe de medicamentos que controla a acidez de forma mais rápida.

O que os estudos indicam

Esses medicamentos ajudam a:

  • reduzir a inflamação

  • aliviar sintomas

  • acelerar a recuperação da mucosa do estômago.


Outro foco importante das pesquisas atuais é a gastrite autoimune.

O que é gastrite autoimune

Ela ocorre quando o sistema imunológico ataca as células do próprio estômago, causando inflamação e perda progressiva da mucosa gástrica.

Descobertas recentes

  • A doença está associada à deficiência de vitamina B12.

  • Pode levar à anemia perniciosa.

  • Estudos buscam entender os mecanismos imunológicos que desencadeiam essa reação.



Por: Estágiaria Agda Araujo 

Referencia:

file:///C:/Users/PC%20EXTRA/Downloads/ARTIGO+H.+PYLORI.pdf
https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12616137/?utm_source=chatgpt.com









Jejum intermitente atrapalha ou melhora o desempenho esportivo?

 

O jejum intermitente tem se tornado cada vez mais popular entre pessoas que buscam melhorar a saúde e a composição corporal. No entanto, quando falamos de atletas ou praticantes de atividade física intensa, surgem dúvidas sobre como essa estratégia alimentar pode impactar o desempenho esportivo.

O jejum intermitente consiste em alternar períodos de alimentação com períodos de jejum. Um dos protocolos mais utilizados é o 16:8, no qual a pessoa permanece cerca de 16 horas em jejum e concentra as refeições em uma janela alimentar de 8 horas.


Possíveis benefícios:

-Alguns estudos sugerem que o jejum intermitente pode contribuir para:
-redução da gordura corporal
-melhora da sensibilidade à insulina
-melhora de alguns marcadores metabólicos

Uma revisão científica recente analisou 25 estudos e observou que o jejum intermitente pode melhorar a composição corporal e manter a massa muscular em praticantes de atividade física.

Possíveis riscos para atletas:

Apesar dos possíveis benefícios, essa estratégia pode apresentar desafios para atletas, já que eles possuem uma maior demanda energética.
Períodos prolongados sem alimentação podem levar à baixa disponibilidade energética, o que pode causar: fadiga,queda no rendimento recuperação muscular prejudicadamaior risco de
 lesões

Estudos recentes que avaliaram atletas durante períodos de jejum mostraram que, em alguns casos, não houve diferença significativa no desempenho entre treinar em jejum ou alimentado, embora alguns protocolos tenham apresentado tendência a desempenho levemente mais lento. Outro estudo com atletas de taekwondo mostrou que o jejum intermitente pode reduzir o peso corporal sem comprometer o desempenho esportivo após algumas semanas de adaptação.

Conclusão:
O jejum intermitente pode ser uma estratégia útil para algumas pessoas, principalmente para controle de peso e melhora da composição corporal. No entanto, em atletas ou indivíduos que treinam com alta intensidade, essa abordagem deve ser avaliada com cuidado para evitar baixa ingestão energética e prejuízos no rendimento.
Por isso, a estratégia alimentar deve sempre ser individualizada e acompanhada por um nutricionista.

Por: Sara Santos 


Artigos científicos

Os efeitos da obesidade no organismo

Os índices de obesidade têm crescido cada vez mais, e qualquer faixa etária está suscetível a isso. Se antes a obesidade era relacionada majoritariamente com a fase adulta, hoje ela abrange toda e qualquer idade. 

A obesidade é uma doença crônica com baixo grau de inflamação não transmissível, caracterizada por uma síndrome metabólica. Essa síndrome faz menção a diversas mudanças metabólicas que geram prejuízos às funções corporais. 

A síndrome metabólica se caracteriza por:

- Aumento dos triglicérides (Gordura no sangue);

- Aumento da resistência à insulina;

- Aumento da pressão arterial;

- Aumento do LDL (Colesterol ruim) e baixa do HDL (Colesterol bom);

- Aumento da deposição de gordura visceral (Que se localiza entre as vísceras);


A obesidade se relaciona com muitas outras doenças e é, atualmente, uma das maiores causadoras de mortes em todo o mundo. Um indivíduo obeso possui uma altíssima quantidade de tecido adiposo estocado. Como nós sabemos hoje, a gordura não é somente um estoque energético, ela possui diversas funções metabólicas e até atua como uma glândula secretora das famosas Adipocinas. 

As Adipocinas são moléculas sinalizadoras semelhantes às Miocinas; com a diferença de que as Miocinas são liberadas pelo tecido muscular. As Adipocinas exercem algumas funções importantes no nosso organismo, porém, quando são secretadas com moderação. 

No caso de um indivíduo obeso que possui muito tecido adiposo, as células gordurosas, conhecidas também como adipócitos, sofrem uma hipertrofia (Aumento de tamanho) e uma hiperplasia (Multiplicação), fazendo com que elas secretem em maior quantidade essas Adipocinas.

Vou comentar sobre as principais adipocinas e os seus respectivos malefícios:

Leptina: Ela é conhecida como o hormônio que sinaliza ao cérebro a saciedade. Ela é muito importante, pois sinaliza ao cérebro quando estamos saciados e está na hora de diminuir a secreção da Grelina (Hormônio da fome). O problema surge com a grande secreção da Leptina, que faz com que seja gerada uma resistência a ela mesma, perdendo esse efeito saciatório: Uma das grandes queixas de quem possui obesidade é essa fome insaciável e constante, o que corrobora com o ganho de peso. 


Resistina: Outra Adipocina que possui um efeito maléfico é a Resistina, exercendo um grande papel na piora do perfil glicêmico do indivíduo. A Resitina bloqueia em parte a ação da Insulina de ativar o GLUT-4 (Transportador de glicose) fazendo essa glicose ficar circulante ao invés de ir às células. Isso aos poucos vai causando uma resistência à Insulina e uma hiperglicemia, podendo gerar um quadro de diabetes. 


Angiotensina II: Quando nós ficamos com a pressão arterial muito baixa, o nosso organismo tem um mecanismo renal que consegue, através da retenção de água e sódio e uma vasoconstrição, aumentar a pressão arterial, retornando-a a seus níveis normais. O problema vem com o excesso de tecido adiposo, acarretando um excesso da secreção da Angiotensina II, fazendo a pressão arterial subir por conta própria, sem necessariamente estar com a pressão arterial baixa. O que aos poucos, pode gerar um quadro de hipertensão arterial sistêmica.


Adiponectina: Apesar do nome parecido, a Adiponectina é uma Adipocina. Ela se difere das demais porque ela é a única que tem a sua produção diminuída com o aumento do tecido adiposo. Ela possui funções benéficas à nós, como aumentar a sensibilidade à Insulina, promover a angiogênese (Construção de novos vasos sanguíneos), proteção cardiovasculoar e ação anti-inflamatória.

Com o aumento do tecido adiposo, a sua secreção diminui, piorando a sensibilidade à Insulina, tornando-a mais resistente, colaborando com o surgimento da diabetes e também causando a piora de outros marcadores metabólicos. 


Essas são algumas das mudanças que ocorrem em nosso organismo em função desse aumento da rede dos adipócitos e da secreção descontrolada das Adipocinas. Esses fatores corroboram com o surgimento da síndrome metabólica, oferecendo sérios riscos à saúde. 

A obesidade causa a diabetes do tipo II, causa insuficiência cardíaca, causa uma hipertensão arterial sistêmica, causa problemas ósseos e articulares, causa entupimento das veias e artérias, causa AVC e causa infarto do miocardio. 




Por estagiário nutricionista: Pedro Paulo.






quarta-feira, 11 de março de 2026

Hipervitaminose

 

Hipervitaminose: quando o excesso de vitaminas pode prejudicar a saúde

Muitas pessoas associam vitaminas apenas a benefícios para o organismo. No entanto, consumir vitaminas em excesso — principalmente por meio de suplementos — pode causar uma condição chamada Hipervitaminose, caracterizada pela toxicidade causada pelo acúmulo de vitaminas no corpo.

Com o aumento do uso de suplementos alimentares, especialistas têm alertado para os riscos de ingerir vitaminas em quantidades muito superiores às recomendações médicas.


O que é hipervitaminose?

Hipervitaminose ocorre quando há excesso de vitaminas no organismo, geralmente devido ao consumo exagerado de suplementos.

Esse problema acontece com mais frequência com as vitaminas lipossolúveis, como:

  • vitamina A

  • vitamina D

  • vitamina E

  • vitamina K

Essas vitaminas se acumulam no organismo porque são armazenadas no fígado e no tecido adiposo, o que aumenta o risco de toxicidade.


Quais são os sintomas?

Os sintomas variam de acordo com a vitamina consumida em excesso. Alguns sinais comuns incluem:

  • náuseas e vômitos

  • dores de cabeça

  • fadiga ou fraqueza

  • tontura

  • alterações na pele

  • problemas no fígado ou nos rins

No caso da toxicidade por vitamina D, pode ocorrer hipercalcemia, ou seja, níveis elevados de cálcio no sangue, o que pode causar danos aos rins e ao coração.


Vitaminas mais associadas à toxicidade

Excesso de vitamina A

O excesso de vitamina A pode provocar:

  • dores de cabeça intensas

  • problemas no fígado

  • dores nos ossos

  • descamação da pele

Casos graves podem ocorrer quando suplementos são ingeridos em doses muito altas por longos períodos.


Excesso de vitamina D

O consumo exagerado de vitamina D pode levar a:

  • náuseas

  • vômitos

  • fraqueza

  • aumento do cálcio no sangue

  • formação de cálculos renais

Esse tipo de hipervitaminose tem sido relatado com maior frequência devido ao aumento da suplementação dessa vitamina.


Por que isso acontece?

Os principais fatores que levam à hipervitaminose incluem:

  • automedicação com suplementos

  • uso de doses muito altas sem orientação médica

  • consumo simultâneo de vários suplementos

  • produtos com concentrações inadequadas de vitaminas

Na maioria dos casos, a toxicidade não ocorre apenas com alimentos, mas sim com suplementação exagerada.


Como prevenir?

Especialistas recomendam algumas medidas simples para evitar o problema:

  • usar suplementos apenas quando indicados por profissionais de saúde

  • respeitar as doses diárias recomendadas

  • evitar combinar vários suplementos sem orientação

  • realizar exames quando a suplementação é prolongada


Conclusão

As vitaminas são essenciais para o funcionamento do organismo, mas mais nem sempre significa melhor. O consumo excessivo pode causar efeitos prejudiciais e até intoxicação.

Por isso, a suplementação deve ser feita com cuidado e preferencialmente com acompanhamento médico ou nutricional, garantindo que o organismo receba apenas a quantidade necessária para manter a saúde.

Por: Elizana Oliveira

Referências:

BHADEA, S. K. et al. Outbreak of vitamin D toxicity in a family: report of three cases. JCEM Case Reports, 2025. Disponível em: https://academic.oup.com/jcemcr/article/doi/10.1210/jcemcr/luaf230/8307147. Acesso em: 11 mar. 2026.

PESTALARDO, M. L.; BEVILACQUA, C. S.; AMANTE, M. F. Vitamin A toxicity and hepatic pathology: A comprehensive review. World Journal of Hepatology, 2025. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40901583/. Acesso em: 11 mar. 2026.

SAMMARTANO, A. et al. A suspected hypervitaminosis A. Acta Biomedica, 2023. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/37326274/. Acesso em: 11 mar. 2026.

SESHAN, N.; GOSWAMI, G. Asymptomatic vitamin A toxicity causing hypercalcemia. Journal of the Endocrine Society, 2023. Disponível em: https://academic.oup.com/jes/article-abstract/doi/10.1210/jendso/bvad114.556/7289957. Acesso em: 11 mar. 2026.

 Consumo Diário de Chá de Alecrim: Benefícios, Evidências Científicas e Cuidados



O chá de alecrim é uma infusão feita a partir das folhas da planta aromática Rosmarinus officinalis, muito utilizada na culinária e na medicina tradicional. Nos últimos anos, pesquisas nas áreas de nutrição e Fitoterapia têm investigado os possíveis benefícios do consumo regular dessa bebida para a saúde.

1. Compostos bioativos presentes no alecrim

O alecrim é rico em compostos fenólicos e substâncias antioxidantes. Entre os principais componentes estudados estão:

  • Ácido rosmarínico

  • Carnosol

  • Ácido carnósico

  • Óleos essenciais como 1,8-cineol

Esses compostos possuem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias que podem ajudar a proteger células contra danos causados por radicais livres.

Pesquisas em Farmacologia e Nutrição indicam que esses compostos bioativos podem contribuir para a prevenção de diversas doenças crônicas.

2. Possíveis benefícios para a memória e função cognitiva

Diversos estudos sugerem que o alecrim pode exercer efeitos positivos sobre o cérebro. Alguns compostos da planta parecem estimular o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF), proteína importante para memória e aprendizado.

Pesquisas também indicam que o consumo de extratos ou infusões de alecrim pode contribuir para:

  • melhora da memória

  • aumento da concentração

  • proteção contra declínio cognitivo

Esses efeitos são frequentemente investigados no contexto de doenças neurodegenerativas como a Doença de Alzheimer.


3. Ação antioxidante e anti-inflamatória

O estresse oxidativo está relacionado ao desenvolvimento de várias doenças crônicas, incluindo doenças cardiovasculares e metabólicas.

O chá de alecrim contém substâncias com forte capacidade antioxidante, capazes de:

  • neutralizar radicais livres

  • reduzir processos inflamatórios

  • proteger tecidos celulares

Essas propriedades tornam o alecrim um potencial aliado na manutenção da saúde geral quando incluído em uma dieta equilibrada.


4. Efeitos digestivos e metabólicos

Na medicina tradicional, o alecrim é amplamente utilizado para melhorar a digestão. O chá pode estimular a produção de bile e facilitar a digestão de gorduras.

Entre os efeitos relatados estão:

  • redução de gases e inchaço abdominal

  • melhora da digestão após refeições pesadas

  • possível estímulo ao metabolismo

Essas propriedades explicam seu uso frequente como infusão digestiva após as refeições.


5. Possíveis riscos do consumo excessivo

Apesar dos benefícios potenciais, o consumo diário deve ser feito com moderação. Em quantidades elevadas, o alecrim pode provocar:

  • irritação gastrointestinal

  • náuseas

  • queda de pressão arterial

Além disso, pessoas que utilizam medicamentos anticoagulantes ou diuréticos devem consultar um profissional de saúde antes de consumir a bebida regularmente.

Mulheres grávidas também devem evitar o consumo frequente, pois altas doses podem estimular contrações uterinas.

Conclusão

O chá de alecrim é uma bebida natural rica em compostos antioxidantes e bioativos que podem contribuir para a saúde cognitiva, digestiva e metabólica. Estudos científicos apontam benefícios potenciais quando consumido regularmente e em quantidades moderadas.

No entanto, como qualquer planta medicinal, o consumo deve ser equilibrado e, em caso de condições médicas específicas, acompanhado por orientação profissional.


Por: Camila Santos

Referências Bibliográficas

AL-SEREITI, M. R.; ABU-AMER, K. M.; SEN, P. Pharmacology of rosemary (Rosmarinus officinalis) and its therapeutic potentials. Indian Journal of Experimental Biology, 1999.

PENGELLY, A. The Constituents of Medicinal Plants. 2. ed. Oxford: CABI Publishing, 2004.

BOZIN, B. et al. Characterization of the volatile composition of essential oils of some Lamiaceae spices and the antimicrobial and antioxidant activities of the entire oils. Journal of Agricultural and Food Chemistry, 2007.

RAO, P. V.; GAN, S. H. Cinnamon: A multifaceted medicinal plant. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine, 2014.

PETERSEN, M.; SIMMONDS, M. Rosmarinic acid. Phytochemistry, 2003.

NATIONAL CENTER FOR COMPLEMENTARY AND INTEGRATIVE HEALTH – NCCIH. Herbs at a Glance: Rosemary.

 Cortisol e a Nutrição 


O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e tem um papel fundamental na forma como o corpo responde ao estresse e regula a energia. Ele faz parte do funcionamento do Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sistema que conecta cérebro e glândulas suprarrenais para controlar a liberação de hormônios relacionados ao estresse.

Em condições normais, o cortisol segue um ritmo natural ao longo do dia. Geralmente seus níveis são mais altos pela manhã, ajudando o corpo a acordar e ter energia para iniciar as atividades. Ao longo do dia, esses níveis vão diminuindo gradualmente. Esse equilíbrio é importante para manter o metabolismo funcionando de forma adequada.

Do ponto de vista metabólico, o cortisol ajuda o organismo a garantir energia quando necessário. Ele participa de processos como a Gliconeogênese, que é a produção de glicose pelo fígado quando o corpo precisa manter os níveis de açúcar no sangue estáveis. Além disso, o hormônio pode estimular a liberação de energia armazenada em forma de gordura e proteína, especialmente em situações de estresse físico ou metabólico.

A alimentação tem influência direta nesse processo. Quando a dieta contém muitos alimentos ricos em açúcar e carboidratos refinados, podem ocorrer picos rápidos de glicose no sangue seguidos de quedas bruscas. Essas oscilações fazem o organismo ativar mecanismos de defesa para normalizar a glicemia, o que pode estimular a liberação de cortisol.

Outro fator importante é o tempo entre as refeições. Ficar muitas horas sem se alimentar pode ser interpretado pelo corpo como um sinal de falta de energia, aumentando a atividade hormonal relacionada ao estresse. Por isso, manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia pode ajudar a evitar essas respostas exageradas.

Alguns nutrientes também participam da regulação da resposta ao estresse. O Magnésio, por exemplo, está envolvido no funcionamento do sistema nervoso e pode contribuir para processos de relaxamento e controle do estresse. Já a Vitamina C é encontrada em altas concentrações nas glândulas suprarrenais e participa da produção de substâncias relacionadas à resposta ao estresse.

Além disso, o consumo de estimulantes também pode influenciar os níveis de cortisol. A Cafeína, presente no café e em algumas bebidas energéticas, estimula o sistema nervoso e pode aumentar temporariamente a liberação desse hormônio, principalmente quando consumida em grandes quantidades.

Quando o cortisol permanece elevado por muito tempo, podem surgir alguns efeitos no organismo, como aumento da gordura abdominal, dificuldade para dormir, maior sensação de cansaço e alterações no metabolismo da glicose. Em situações mais raras e específicas, níveis muito altos podem estar associados a doenças hormonais, como a Síndrome de Cushing.

De forma geral, uma alimentação equilibrada, com boa distribuição de nutrientes ao longo do dia, pode contribuir para manter o cortisol dentro de níveis saudáveis. Além da nutrição, fatores como qualidade do sono, prática regular de atividade física e controle do estresse também são fundamentais para o equilíbrio hormonal.

Por: Andréa Melo

Referências Bibliográficas 

  • GROPPER, Sareen S.; SMITH, Jack L.; CARR, Timothy P. Advanced Nutrition and Human Metabolism. 7. ed. Boston: Cengage Learning, 2018.
  • ROSS, A. Catharine; CABALLERO, Benjamin; COUSINS, Robert J.; TUCKER, Katherine L.; ZIEGLER, Thomas R. Modern Nutrition in Health and Disease. 11. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2014.
  • HALL, John E. Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology. 14. ed. Philadelphia: Elsevier, 2021.
  • TSIGOS, Constantine; CHROUSOS, George P. Hypothalamic–pituitary–adrenal axis, neuroendocrine factors and stress. Endocrine Reviews, v. 23, n. 3, p. 284–301, 2002.
  • ADAM, Emma K.; KUMARI, Meena. Assessing salivary cortisol in large-scale, epidemiological research. Psychoneuroendocrinology, v. 34, n. 10, p. 1423–1436, 2009.
  • TRYON, Matthew S.; CARTER, Carolyn S.; DECANTER, Erin. Chronic stress exposure and high-fat diet: mechanisms linking stress to metabolic disease. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 98, n. 6, p. 1490–1497, 2013.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Geneva: WHO, 2003.
  • NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. National Institutes of Health. Stress and the hypothalamic–pituitary–adrenal axis. Bethesda: NIH.


Enzimas que identificam alterações hepáticas

 

TGO e TGP: como interpretar os riscos quando essas enzimas estão alteradas



Os exames de sangue são ferramentas essenciais para avaliar a saúde do fígado. Entre os marcadores mais solicitados estão a TGO (AST) e a TGP (ALT), enzimas que ajudam os médicos a identificar possíveis lesões hepáticas. Alterações nesses valores podem gerar preocupação, mas sua interpretação depende de vários fatores clínicos.

Neste artigo, vamos explicar o que significam TGO e TGP elevados, quais são os riscos associados e como interpretar esses resultados de forma adequada.

O que são TGO e TGP?

A TGO (AST) e a TGP (ALT) são enzimas presentes principalmente nas células do fígado. Elas participam do metabolismo de aminoácidos e normalmente circulam em pequenas quantidades no sangue.

Quando ocorre dano nas células hepáticas, essas enzimas são liberadas para a corrente sanguínea, resultando em valores elevados nos exames laboratoriais.

A TGP é considerada mais específica para o fígado, enquanto a TGO também pode ser encontrada em músculos, coração e rins.

Quando os níveis são considerados altos?

Os valores de referência podem variar entre laboratórios, mas geralmente seguem este padrão de interpretação:

  • Elevação leve: até 2–3 vezes o limite superior normal

  • Elevação moderada: entre 3 e 10 vezes o limite

  • Elevação grave: acima de 10 vezes o valor normal

Quanto maior o aumento, maior a probabilidade de existir algum processo inflamatório ou lesão hepática em andamento.

Principais causas de TGO e TGP elevados

Diversas condições podem levar ao aumento dessas enzimas. Entre as causas mais comuns estão:

  • Infecções virais como Hepatite B e Hepatite C

  • Doença hepática gordurosa não alcoólica, frequentemente associada à obesidade

  • Consumo excessivo de álcool

  • Uso de medicamentos que podem afetar o fígado, como doses elevadas de Paracetamol

  • Lesões musculares ou exercícios físicos intensos

  • Doenças metabólicas ou autoimunes

Por isso, valores alterados devem sempre ser avaliados dentro do contexto clínico do paciente.

A importância da relação TGO/TGP

Além dos valores isolados, os médicos também observam a relação entre TGO e TGP, pois ela pode fornecer pistas importantes sobre a origem da alteração.

  • TGO/TGP maior que 2: pode sugerir doença hepática associada ao álcool

  • TGO/TGP menor que 1: é mais comum em hepatites virais ou na doença hepática gordurosa

Essa análise ajuda a direcionar a investigação e decidir quais exames complementares são necessários.

Outros exames que ajudam na avaliação

Para uma interpretação mais precisa, os médicos geralmente analisam outros marcadores hepáticos junto com TGO e TGP, como:

  • Bilirrubina

  • Fosfatase alcalina

  • Gama‑glutamil transferase (GGT)

Esses exames ajudam a diferenciar entre lesões das células do fígado, problemas nas vias biliares ou outras alterações metabólicas.

Quais são os riscos de TGO e TGP elevados?

Quando os níveis permanecem elevados por muito tempo, pode haver risco de progressão para doenças hepáticas crônicas, incluindo Cirrose.

Além disso, pesquisas indicam que alterações persistentes dessas enzimas podem estar associadas a condições metabólicas importantes, como:

  • Síndrome metabólica

  • Diabetes tipo 2

Por esse motivo, médicos costumam investigar valores alterados quando persistem por mais de alguns meses.

Conclusão

TGO e TGP são marcadores importantes para avaliar a saúde do fígado, mas seus valores não devem ser interpretados isoladamente. A análise deve considerar histórico clínico, outros exames laboratoriais e possíveis fatores de risco.

Se seus exames mostraram alterações, o mais importante é buscar orientação médica para uma avaliação completa e, se necessário, iniciar o acompanhamento adequado.


Por: Estágiria Agda Araujo

Referencia:

Caxambú, A. L. R. L.; Carrocini, M. M. S.; Thomazelli, F. C. S. Prevalência das alterações de enzimas hepáticas relacionadas à doença hepática gordurosa não alcoólica em pacientes diabéticos. Arquivos Catarinenses de Medicina.

terça-feira, 10 de março de 2026

Apolipoproteína B (ApoB)



A Apolipoproteína B (ApoB) é uma proteína presente em várias partículas de lipoproteínas que transportam gordura e colesterol no sangue. Cada partícula potencialmente aterogênica — ou seja, capaz de contribuir para a formação de placas nas artérias — contém exatamente uma molécula de ApoB. Por esse motivo, a medição de ApoB é considerada uma forma bastante precisa de estimar o número total de partículas lipídicas que podem causar aterosclerose.

A ApoB está presente principalmente nas lipoproteínas LDL, VLDL, IDL e nos remanescentes de lipoproteínas ricas em triglicerídeos. Essas partículas podem penetrar na parede das artérias e iniciar o processo de acúmulo de gordura e inflamação que leva à Aterosclerose, condição associada a eventos cardiovasculares como Infarto do miocárdio e Acidente vascular cerebral.

Diferentemente do colesterol LDL, que mede a quantidade de colesterol transportado nas partículas, a ApoB indica quantas partículas aterogênicas estão circulando no sangue. Isso é importante porque duas pessoas podem ter o mesmo valor de LDL, mas números diferentes de partículas. Quando há muitas partículas pequenas contendo menos colesterol cada uma, o LDL pode parecer normal, mas o risco cardiovascular ainda pode estar elevado. Nesses casos, a ApoB tende a estar aumentada.

Valores de referência podem variar entre laboratórios, mas em geral considera-se que níveis abaixo de cerca de 65 mg/dL indicam risco cardiovascular muito baixo, entre 65 e 80 mg/dL são considerados ideais para a maioria das pessoas, e valores acima de 100 mg/dL podem indicar aumento do risco de doença cardiovascular, especialmente em indivíduos com outros fatores de risco.

Níveis elevados de ApoB são mais comuns em pessoas com condições metabólicas como Síndrome metabólica, Diabetes tipo 2, triglicerídeos elevados e Esteatose hepática. Nessas situações, o fígado costuma produzir mais partículas ricas em triglicerídeos (VLDL), o que aumenta o número total de partículas contendo ApoB.

Na prática clínica, a avaliação da ApoB pode ajudar a estimar melhor o risco cardiovascular, orientar mudanças de estilo de vida e auxiliar na decisão sobre tratamentos como estatinas ou outras terapias para redução de lipídios. Muitos especialistas consideram a ApoB um dos marcadores mais diretos da carga aterogênica do sangue.

Por: Andréa Melo 

Referências Bibliográficas
  • SNIDERMAN, Allan D. et al. Apolipoprotein B particles and cardiovascular disease: a narrative review. JAMA Cardiology, Chicago, v. 4, n. 12, p. 1287–1295, 2019.
  • BOEKHOLDT, S. Matthijs et al. Levels and changes of HDL cholesterol and apolipoprotein A-I in relation to risk of cardiovascular events. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 58, n. 14, p. 1302–1309, 2011.
  • CROMWELL, William C.; OTVOS, James D. Low-density lipoprotein particle number and risk for cardiovascular disease. Current Atherosclerosis Reports, Philadelphia, v. 6, n. 5, p. 381–387, 2004.
  • GRUNDY, Scott M. et al. 2018 guideline on the management of blood cholesterol. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 73, n. 24, p. e285–e350, 2019. Diretriz elaborada pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association.
  • MACH, François et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. European Heart Journal, Oxford, v. 41, n. 1, p. 111–188, 2020. Diretriz da European Society of Cardiology e da European Atherosclerosis Society.


 Lugol e Hipotireoidismo: O que dizem os Estudos Científicos



Nos últimos anos, a solução de Lugol voltou a ganhar popularidade em redes sociais e em alguns círculos de medicina alternativa. Muitas pessoas passaram a utilizá-la acreditando que poderia ajudar no tratamento do hipotireoidismo ou melhorar a função da tireoide. No entanto, a relação entre o iodo — principal componente do Lugol — e as doenças da tireoide é mais complexa do que parece. Pesquisas científicas mostram que tanto a falta quanto o excesso desse mineral podem afetar negativamente o funcionamento da glândula.

O que é a solução de Lugol

A solução de Lugol é uma mistura de iodo molecular (I₂) e iodeto de potássio (KI) dissolvidos em água. Ela foi desenvolvida em 1829 pelo médico francês Jean Guillaume Lugol. Historicamente, foi utilizada para diferentes finalidades médicas, incluindo tratamento de infecções, suplementação de iodo e preparo pré-operatório em cirurgias da tireoide.

O principal componente ativo do Lugol é o iodo, um micronutriente essencial para o organismo humano. Ele é necessário para a produção dos hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis por regular o metabolismo, a temperatura corporal, o crescimento e diversas funções celulares.

A importância do iodo para a tireoide

A glândula tireoide utiliza o iodo proveniente da alimentação para produzir seus hormônios. A ingestão diária recomendada para adultos é de aproximadamente 150 microgramas por dia, valor geralmente alcançado por meio de alimentos como peixes, frutos do mar, laticínios e sal iodado.

Quando há deficiência de iodo, o organismo pode apresentar dificuldades para produzir hormônios tireoidianos. Isso pode levar ao aumento da glândula (bócio) e ao desenvolvimento de hipotireoidismo. Em regiões do mundo onde o consumo de iodo é baixo, esse tipo de deficiência ainda é uma causa importante de doenças da tireoide.

Entretanto, em muitos países onde existe iodação do sal, a deficiência de iodo é relativamente rara. Nesses locais, a causa mais comum de hipotireoidismo costuma ser a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria tireoide.


O que acontece quando há excesso de iodo

Embora o iodo seja essencial, quantidades muito elevadas podem interferir no funcionamento da tireoide. Um fenômeno conhecido como efeito Wolff–Chaikoff explica parte desse processo.

Quando o organismo recebe uma quantidade muito grande de iodo em um curto período, a tireoide reduz temporariamente a produção de hormônios. Esse mecanismo funciona como uma espécie de proteção para evitar a produção excessiva de T3 e T4.

Na maioria das pessoas, após alguns dias ocorre o chamado “escape do efeito Wolff–Chaikoff”, e a produção hormonal volta ao normal. Porém, em alguns indivíduos — especialmente aqueles com doenças tireoidianas pré-existentes — esse escape não acontece de forma adequada. Nesses casos, a produção hormonal pode permanecer reduzida, levando ao desenvolvimento de hipotireoidismo induzido por iodo.


Lugol é indicado para tratar hipotireoidismo?

Apesar de algumas divulgações populares sugerirem benefícios, a maior parte das evidências científicas não recomenda o uso de altas doses de iodo — como ocorre com o Lugol — para tratar hipotireoidismo.

Isso ocorre por alguns motivos principais:

  • A maioria dos casos de hipotireoidismo não é causada por deficiência de iodo.

  • Doses elevadas de iodo podem reduzir a produção de hormônios tireoidianos.

  • O excesso de iodo pode desencadear ou agravar doenças autoimunes da tireoide.

Por esse motivo, o tratamento padrão para hipotireoidismo geralmente consiste na reposição hormonal com levotiroxina, que fornece ao organismo o hormônio que a glândula não consegue produzir adequadamente.


Em quais situações o Lugol é utilizado na medicina

Apesar de não ser indicado para tratar hipotireoidismo, a solução de Lugol ainda possui algumas aplicações médicas específicas. Entre elas estão:

  • preparo pré-operatório em cirurgias da tireoide, especialmente em pacientes com doença de Graves

  • tratamento temporário em crises de hipertireoidismo grave (tempestade tireotóxica)

  • bloqueio da captação de iodo radioativo em situações de exposição nuclear

Nesses contextos, o objetivo é justamente reduzir temporariamente a atividade da tireoide.


Possíveis riscos do uso sem orientação médica

O uso indiscriminado de Lugol pode trazer alguns riscos para a saúde, principalmente quando utilizado em doses altas ou por períodos prolongados. Entre os efeitos descritos na literatura médica estão:

  • hipotireoidismo induzido por iodo

  • hipertireoidismo em pessoas predispostas

  • inflamação da tireoide (tireoidite)

  • agravamento de doenças autoimunes da glândula

Por essa razão, qualquer suplementação de iodo deve ser avaliada por profissionais de saúde, especialmente em pessoas que já possuem alterações tireoidianas.


Conclusão

O iodo é um nutriente fundamental para a produção de hormônios tireoidianos, mas seu consumo precisa ocorrer em quantidades adequadas. A solução de Lugol, por conter doses elevadas desse mineral, não é considerada um tratamento padrão para hipotireoidismo.

Estudos científicos indicam que o excesso de iodo pode, inclusive, prejudicar o funcionamento da tireoide em algumas situações. Dessa forma, o uso dessa substância deve ocorrer apenas quando houver indicação médica específica e acompanhamento profissional.

Informação baseada em evidências é essencial para evitar práticas que possam comprometer a saúde da tireoide.


Referências bibliográficas

Markou, K. et al. Iodine-Induced Hypothyroidism. Thyroid, 2001.

Roti, E.; Uberti, E. Adverse Effects of Iodine on the Thyroid. The Endocrinologist, 1997.

Leung, A. M.; Braverman, L. E. Consequences of excess iodine. Endocrine Reviews, 2024.

Teng, W. et al. Effect of excess iodine intake on thyroid diseases in different populations. PLoS ONE, 2017.

Zimmermann, M. B.; Boelaert, K. Iodine deficiency and thyroid disorders. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2015.

Campos, A. C. et al. Iodine-induced thyroid dysfunction and Wolff–Chaikoff effect. Frontiers in Endocrinology, 2023.


Por: Camila Santos

Sindrome Metabólica

 

A Síndrome Metabólica é uma condição caracterizada pela presença simultânea de vários fatores de risco metabólicos no mesmo indivíduo. Esses fatores estão relacionados a alterações no metabolismo da glicose, das gorduras e na regulação da pressão arterial, aumentando significativamente o risco de doenças crônicas.

De acordo com estudos científicos recentes, a síndrome metabólica geralmente é diagnosticada quando a pessoa apresenta três ou mais dos seguintes fatores:

  • obesidade abdominal (acúmulo de gordura na região da cintura)

  • pressão arterial elevada

  • níveis altos de glicose no sangue

  • triglicerídeos elevados

  • níveis baixos de colesterol HDL (o “colesterol bom”).

Pesquisas mostram que essa condição está fortemente associada ao estilo de vida moderno, principalmente sedentarismo, alimentação rica em alimentos ultraprocessados e excesso de peso. Além disso, fatores genéticos e envelhecimento também podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome.

A presença da síndrome metabólica aumenta consideravelmente o risco de várias doenças graves, como:

  • Diabetes Mellitus tipo 2

  • Doenças cardiovasculares

  • Acidente Vascular Cerebral

  • problemas hepáticos, como Doença hepática gordurosa não alcoólica.

Estudos epidemiológicos indicam que pessoas com síndrome metabólica podem ter até duas ou três vezes mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares e cinco vezes mais risco de desenvolver diabetes tipo 2 quando comparadas à população sem essa condição.

Diante disso, a literatura científica destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal e acompanhamento médico, são estratégias fundamentais para reduzir o risco metabólico e prevenir complicações.

Em síntese: a síndrome metabólica representa um importante problema de saúde pública, pois reúne vários fatores de risco que, quando combinados, aumentam significativamente a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas e cardiovasculares.

Por: Elizana Oliveira


Referências:

ALBERTI, K. G. M. M. et al. Harmonizing the metabolic syndrome: a joint interim statement of international organizations. Circulation, Dallas, v. 120, n. 16, p. 1640–1645, 2009.

SAKLAYEN, M. G. The global epidemic of the metabolic syndrome. Current Hypertension Reports, New York, v. 20, n. 2, p. 1–8, 2018.

ROBLEDO-MILLÁN, C. R. et al. A novel metabolic risk classification system incorporating body fat, waist circumference, and muscle strength. Journal of Functional Morphology and Kinesiology, Basel, v. 10, n. 1, 2025.

GRUNDY, S. M. Metabolic syndrome update. Trends in Cardiovascular Medicine, New York, v. 26, n. 4, p. 364–373, 2016.

FORD, E. S.; LI, C.; ZHAO, G. Prevalence and correlates of metabolic syndrome based on a harmonious definition among adults in the US. Journal of Diabetes, Hoboken, v. 2, n. 3, p. 180–193, 2010.