segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Histamina e alimentação: o que é, quais alimentos contêm e quando merece atenção?

 


Entenda o que é histamina, suas funções no organismo, quais alimentos podem conter maiores quantidades e o que a ciência diz sobre a intolerância à histamina.

A histamina é uma substância naturalmente produzida pelo organismo e também encontrada em alguns alimentos. Ela participa de funções importantes, como as respostas alérgicas, a regulação da produção de ácido no estômago e a comunicação entre células do sistema nervoso.

Nos últimos anos, a histamina ganhou destaque nas discussões sobre nutrição, especialmente por sua possível relação com sintomas como dor de cabeça, vermelhidão na pele, desconforto abdominal e congestão nasal após as refeições.

Mas será que esses sintomas indicam intolerância à histamina? E é necessário evitar alimentos fermentados, queijos, tomates e outros alimentos frequentemente associados a essa substância?

A resposta exige cuidado: embora a histamina presente nos alimentos possa causar problemas em determinadas situações, as evidências científicas sobre a chamada intolerância à histamina ainda são limitadas, e seus sintomas não são específicos. [1, 2]

O que é histamina e qual é sua função no organismo?

A histamina é uma amina biogênica, uma substância que pode ser produzida a partir de aminoácidos. No corpo humano, ela é formada a partir do aminoácido histidina por meio de uma reação enzimática.

Ela desempenha diferentes funções fisiológicas:

  • Sistema imunológico: participa das respostas inflamatórias e alérgicas.

  • Sistema digestivo: estimula a secreção de ácido gástrico, contribuindo para a digestão.

  • Sistema nervoso: atua como neurotransmissor, participando da regulação do estado de vigília, do apetite e de outras funções.

  • Vasos sanguíneos: pode promover a dilatação dos vasos e aumentar a permeabilidade vascular, contribuindo para sinais como vermelhidão e inchaço.

Portanto, a histamina não é uma substância prejudicial por natureza. Ela é essencial para o funcionamento do organismo. Os problemas aparecem em contextos específicos, como nas reações alérgicas, na exposição a quantidades elevadas de histamina em determinados alimentos ou em possíveis reações adversas à histamina ingerida.

Como a histamina aparece nos alimentos?

A histamina também pode ser formada nos alimentos por meio da ação de microrganismos capazes de transformar a histidina em histamina.

Esse processo pode ocorrer durante a fermentação, o processamento ou o armazenamento inadequado de determinados produtos. Por isso, a quantidade de histamina não depende apenas do tipo de alimento, mas também de sua origem, das condições de produção, da higiene e da conservação.

Entre os alimentos que podem apresentar quantidades elevadas de histamina estão:

  • Peixes, especialmente quando há falhas de conservação.

  • Peixes fermentados, curados ou processados.

  • Queijos maturados.

  • Embutidos e carnes curadas.

  • Alimentos fermentados, como alguns produtos à base de soja.

  • Bebidas fermentadas, como vinho e cerveja.

Isso não significa que todos esses alimentos contenham necessariamente muita histamina. A concentração pode variar bastante entre produtos da mesma categoria. [3, 4]

A conservação dos alimentos faz diferença?

Sim. A histamina pode se acumular quando determinados microrganismos encontram condições favoráveis para produzi-la, especialmente em alimentos ricos em proteínas.

O peixe merece atenção especial: quando ocorre formação de histamina por falhas de conservação, o cozimento, o congelamento ou o reaquecimento não garantem sua eliminação. Por isso, manter a cadeia de frio e seguir boas práticas de manipulação são medidas importantes de segurança alimentar.

A intoxicação por histamina associada ao consumo de peixes, por vezes chamada de intoxicação escombroide, é diferente da hipótese de intolerância à histamina. Ela pode provocar sintomas semelhantes aos de uma reação alérgica e exige atenção médica. [3, 4]

Fontes vegetais de histamina

A histamina não está presente apenas em alimentos de origem animal. Alguns vegetais também podem conter essa substância, embora as concentrações variem de acordo com a variedade, o grau de maturação, o processamento e as condições de armazenamento.

Entre as fontes vegetais em que a histamina já foi identificada estão espinafre, berinjela, tomate e abacate. Produtos derivados do tomate, como molhos e extratos, também podem apresentar quantidades variáveis. Além disso, alimentos vegetais fermentados, como molho de soja e alguns vegetais em conserva, podem acumular histamina durante o processamento, dependendo dos microrganismos envolvidos.

É importante destacar que nem todos esses alimentos apresentam níveis elevados de histamina, e a quantidade encontrada pode variar bastante entre amostras. Por isso, não é correto afirmar que todos os vegetais citados sejam necessariamente problemáticos para pessoas com suspeita de intolerância à histamina.

Outros alimentos, como banana, frutas cítricas e castanhas, também aparecem em algumas listas de alimentos a evitar. Entretanto, sua inclusão nessas listas nem sempre se baseia na presença comprovada de quantidades relevantes de histamina. Em alguns casos, a discussão envolve outras aminas biogênicas ou hipóteses sobre a liberação de histamina no organismo, para as quais as evidências clínicas ainda são limitadas.

O que é intolerância à histamina?

A expressão intolerância à histamina é usada para descrever uma possível dificuldade de tolerar a histamina ingerida por meio da alimentação, com o aparecimento de sintomas após determinadas exposições.

Uma das hipóteses estudadas envolve a capacidade de degradar a histamina no intestino. A enzima diamina oxidase (DAO) participa da degradação da histamina extracelular, inclusive daquela proveniente dos alimentos. Outra enzima, a histamina-N-metiltransferase (HNMT), atua principalmente na degradação intracelular.

Entretanto, ainda não existe consenso científico sobre os mecanismos envolvidos em todos os casos atribuídos à intolerância à histamina. Também não há um exame laboratorial isolado que confirme ou descarte a condição de forma confiável. A dosagem de DAO no sangue, por exemplo, apresenta limitações diagnósticas. [1, 2]

Por esse motivo, é importante evitar autodiagnósticos baseados apenas em listas de alimentos ou em sintomas inespecíficos.

Quais sintomas podem estar associados?

Os sintomas relatados em pessoas que suspeitam de intolerância à histamina são variados e podem incluir:

  • Vermelhidão na pele e sensação de calor.

  • Coceira ou urticária.

  • Dor de cabeça.

  • Congestão nasal ou coriza.

  • Desconforto abdominal, diarreia ou náusea.

  • Palpitações e sensação de tontura.

No entanto, esses sinais também podem ocorrer em alergias alimentares, outras condições gastrointestinais, enxaqueca, efeitos de medicamentos e diferentes problemas de saúde.

A relação temporal com a alimentação, por si só, não comprova que a histamina seja a causa. A investigação deve considerar o padrão dos sintomas, a quantidade consumida, a repetição das reações e outras possíveis explicações. [1, 2]

Atenção: dificuldade para respirar, inchaço da língua ou da garganta, desmaio ou outros sinais de reação alérgica grave exigem atendimento de emergência. Não se deve presumir que esses sintomas sejam apenas intolerância alimentar.

Quais alimentos devem ser evitados?

Não existe uma lista universal de alimentos que todas as pessoas com suspeita de intolerância à histamina precisem excluir.

Na prática, alguns alimentos são frequentemente investigados por poderem conter quantidades maiores de histamina, como peixes mal conservados, queijos maturados, carnes curadas e produtos fermentados. Porém, o teor varia consideravelmente, e a tolerância individual também pode variar.

Tomate, espinafre, berinjela, frutas cítricas, chocolate e outros alimentos aparecem em algumas listas populares de alimentos a evitar. Entretanto, a evidência de que todos esses alimentos provoquem sintomas por conterem histamina ou por estimularem sua liberação é inconsistente.

A diretriz de sociedades europeias de alergologia ressalta que a evidência para muitas dessas associações é limitada e que dietas excessivamente restritivas podem ser desnecessárias. [2]

Assim, retirar muitos alimentos de uma só vez pode dificultar a identificação de possíveis desencadeantes e comprometer a variedade da alimentação.

Como a nutrição pode ajudar?

Quando existe suspeita de reação à histamina ingerida, a abordagem nutricional deve ser individualizada e, sempre que possível, acompanhada por um nutricionista e um médico.

1. Registrar alimentação e sintomas

Um diário alimentar pode ajudar a identificar padrões. É útil anotar o que foi consumido, a quantidade aproximada, o horário, os sintomas, quando começaram e quanto tempo duraram.

Também vale registrar fatores como consumo de álcool, medicamentos, estresse e sono, que podem influenciar os sintomas ou dificultar a interpretação das reações.

2. Investigar outras causas

Antes de adotar uma dieta restritiva, é importante avaliar outras possibilidades, incluindo alergias alimentares e doenças gastrointestinais. Essa etapa evita que sintomas importantes sejam atribuídos à histamina sem investigação adequada.

3. Considerar ajustes alimentares temporários, se indicados

Quando a avaliação profissional sustenta essa possibilidade, pode ser considerado um período de ajustes alimentares individualizados. O objetivo não é eliminar permanentemente vários grupos de alimentos, mas verificar se existe uma relação consistente entre determinados alimentos e os sintomas.

Quando houver melhora, a reintrodução orientada pode ajudar a avaliar quais alimentos e quantidades são realmente tolerados. A duração e o grau de restrição devem ser definidos de acordo com cada caso, porque ainda não há um protocolo alimentar universal validado para essa condição. [1, 2, 5]

4. Priorizar a segurança e a variedade alimentar

Independentemente da suspeita de intolerância, vale manter boas práticas de conservação, especialmente para peixes e outros alimentos perecíveis.

Também é importante preservar uma alimentação variada, com fontes adequadas de proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas, minerais e fibras. Restrições extensas, sobretudo quando mantidas por muito tempo, podem aumentar o risco de inadequação nutricional e tornar a alimentação mais difícil de seguir.

Suplementos de DAO funcionam?

Suplementos contendo diamina oxidase são comercializados com a proposta de auxiliar na degradação da histamina ingerida. Alguns estudos pequenos sugerem possíveis benefícios em determinados sintomas, mas ainda existem dúvidas sobre sua eficácia, quais pessoas poderiam se beneficiar e quais são os melhores critérios de uso.

A evidência disponível não permite recomendar esses suplementos de forma indiscriminada, nem usá-los como substitutos da investigação clínica. [5]

O mesmo cuidado vale para suplementos anunciados como capazes de “bloquear a histamina”, “desintoxicar o organismo” ou resolver a intolerância. Alegações comerciais não equivalem a comprovação científica.

Histamina, alergia alimentar e intoxicação: qual é a diferença?

Essas situações podem produzir sintomas semelhantes, mas não são a mesma coisa.

Alergia alimentar: envolve uma resposta do sistema imunológico a um alimento ou a uma de suas proteínas. Pode causar urticária, inchaço, sintomas respiratórios e, em casos graves, anafilaxia. A histamina é um dos mediadores liberados em muitas reações alérgicas.

Possível intolerância à histamina ingerida: é uma hipótese de reação adversa não alérgica relacionada ao consumo de histamina, mas seu diagnóstico ainda apresenta limitações e exige a avaliação de outras causas.

Intoxicação por histamina: ocorre quando uma pessoa ingere uma quantidade elevada de histamina já formada no alimento, frequentemente em peixes submetidos a condições inadequadas de conservação. Pode afetar mais de uma pessoa que consumiu o mesmo alimento.

Distinguir essas situações é fundamental para evitar tratamentos inadequados e restrições desnecessárias.

Conclusão

A histamina tem funções importantes no organismo e também pode estar presente em quantidades variáveis nos alimentos. Embora seja frequentemente associada a sintomas digestivos, cutâneos e neurológicos, a chamada intolerância à histamina ainda é uma área de incerteza científica.

Do ponto de vista nutricional, a melhor estratégia não é excluir automaticamente uma longa lista de alimentos, mas investigar os sintomas, considerar diagnósticos alternativos e avaliar possíveis ajustes de maneira individualizada.

Uma alimentação equilibrada deve continuar sendo a prioridade. Quando há suspeita de reação alimentar, o acompanhamento profissional pode ajudar a identificar desencadeantes reais, preservar a qualidade da dieta e reduzir o risco de restrições desnecessárias.


Referências

  1. Jochum C. Histamine Intolerance: Symptoms, Diagnosis, and Beyond. Nutrients. 2024;16(8):1219. Revisão sobre sintomas, mecanismos propostos e limitações diagnósticas.
    https://doi.org/10.3390/nu16081219

  2. Reese I, et al. Guideline on management of suspected adverse reactions to ingested histamine. Allergologie Select. 2021;5:305–314. Diretriz clínica sobre diagnóstico, evidências e abordagem individualizada.
    https://doi.org/10.5414/ALX02269E

  3. Saha Turna N, Chung R, McIntyre L. A review of biogenic amines in fermented foods: Occurrence and health effects. Heliyon. 2024;10(2). Revisão sobre aminas biogênicas, alimentos fermentados e fatores de segurança alimentar.
    https://doi.org/10.1016/j.heliyon.2024.e24501

  4. Gloria M, et al. Histamine in Brazilian Foods: A Comprehensive Review of Occurrence and Risk Assessment for Intoxication and Intolerance. Food Science & Nutrition. 2025. Revisão com foco na ocorrência de histamina em alimentos brasileiros.
    https://doi.org/10.1002/fsn3.71151

  5. Evidence for Dietary Management of Histamine Intolerance. Revisão sobre estratégias alimentares e suplementação de DAO, incluindo as limitações das evidências disponíveis.
    https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC12470264/

Feito por Rafael da Mata - Estudante e Graduando em Nutrição


Guaraná: benefícios, compostos e efeitos no organismo


O guaraná é uma planta originária da Amazônia e muito conhecida no Brasil, tanto pelo uso tradicional quanto pela presença em refrigerantes, bebidas energéticas e suplementos alimentares.

Seu nome científico é Paullinia cupana, e suas sementes são ricas em cafeína, além de conterem outros compostos bioativos. Embora seja frequentemente associado ao aumento da disposição e da concentração, é importante entender quais efeitos são sustentados pelas evidências científicas e quais ainda precisam de mais estudos.

Quais são os principais compostos do guaraná?

Entre as substâncias encontradas nas sementes do guaraná, destacam-se:

  • Cafeína: principal composto estimulante, capaz de aumentar temporariamente o estado de alerta e reduzir a sonolência.

  • Teobromina e teofilina: substâncias da mesma família química da cafeína, com efeitos fisiológicos próprios.

  • Catequinas e outros polifenóis: compostos estudados por suas propriedades antioxidantes.

  • Taninos: substâncias vegetais que contribuem para o sabor adstringente e apresentam atividades biológicas estudadas em laboratório.

A composição varia de acordo com a origem da matéria-prima, o processamento e a concentração do extrato. Portanto, nem todo produto à base de guaraná apresenta a mesma quantidade dessas substâncias.

1. aumento de disposição

A cafeína presente no guaraná atua no sistema nervoso central, principalmente bloqueando os receptores de adenosina, uma substância envolvida na regulação do sono e da sensação de cansaço.

Por esse mecanismo, o consumo pode proporcionar:

  • Aumento temporário do estado de alerta.

  • Redução da sensação de sonolência.

  • Melhora de determinados aspectos da atenção.

Entretanto, esses efeitos dependem da quantidade ingerida e da sensibilidade individual. Também não significam que o guaraná seja capaz de corrigir a fadiga causada por privação de sono, anemia ou outras condições de saúde.

É importante diferenciar o efeito estimulante da cafeína de um aumento real e duradouro da energia física.

2. Memória e concentração

Esse é um dos benefícios mais divulgados do guaraná, mas as evidências científicas ainda são limitadas.

Uma revisão sistemática com metanálise, publicada em 2023, avaliou oito estudos controlados por placebo, envolvendo 328 participantes. Os resultados não demonstraram uma melhora geral estatisticamente significativa do desempenho cognitivo após o consumo agudo de guaraná. Algumas análises específicas encontraram respostas mais rápidas em determinadas tarefas, mas os resultados não permitem afirmar que o guaraná melhore a memória ou a concentração de maneira consistente [2].

Além disso, ainda não está completamente esclarecido se os efeitos observados em alguns estudos decorrem da cafeína, de outros compostos da planta ou da combinação entre eles.

Assim, o guaraná pode ter efeitos estimulantes, mas não deve ser apresentado como um recurso comprovado para melhorar a memória em todas as pessoas.

3. Ação antioxidante

As sementes do guaraná contêm catequinas, proantocianidinas e outros compostos fenólicos que são estudados por sua atividade antioxidante.

Essas substâncias podem atuar em processos químicos relacionados ao estresse oxidativo, especialmente em estudos laboratoriais. Contudo, demonstrar atividade antioxidante em laboratório não significa comprovar a prevenção de doenças em seres humanos.

Ainda são necessárias pesquisas clínicas de melhor qualidade para determinar quais benefícios podem ser atribuídos ao consumo habitual do guaraná, em quais quantidades e para quais grupos de pessoas.

Por isso, o guaraná não deve ser considerado um tratamento para doenças inflamatórias ou metabólicas.

4. Riscos por consumo excessivo

Como é uma fonte de cafeína, o guaraná pode provocar efeitos semelhantes aos de outras bebidas e produtos cafeinados quando consumido em excesso.

Entre os possíveis efeitos estão:

  • Insônia e dificuldade para dormir.

  • Ansiedade, agitação e tremores.

  • Palpitações e aumento da pressão arterial.

  • Náuseas e desconforto gastrointestinal.

O risco pode aumentar quando o guaraná é combinado com café, bebidas energéticas, pré-treinos ou outros suplementos estimulantes.

Pessoas com hipertensão, arritmias, ansiedade ou problemas de sono devem ter atenção especial. Quem utiliza medicamentos também deve conversar com um profissional de saúde antes de consumir suplementos concentrados de guaraná.

Durante a gestação e a amamentação, é importante avaliar a ingestão total de cafeína e evitar a automedicação com extratos ou suplementos.

Conclusão

O guaraná é uma planta amazônica rica em cafeína e outros compostos bioativos. Seu efeito mais bem estabelecido é o estímulo temporário associado à cafeína, que pode aumentar o estado de alerta e reduzir a sonolência.

Embora seus polifenóis apresentem propriedades antioxidantes em estudos experimentais, ainda faltam evidências clínicas consistentes para afirmar que o consumo de guaraná previne doenças ou melhora a memória de forma confiável.

Para consumir com mais segurança, é importante observar a quantidade de cafeína, evitar combinar diversas fontes estimulantes e considerar as necessidades individuais.

Referências

1. Schimpl FC, da Silva JF, Gonçalves JFC, Mazzafera P. Guarana: revisiting a highly caffeinated plant from the Amazon. Revista Brasileira de Farmacognosia. 2013;23(5): 866–873.
https://doi.org/10.1590/S0102-695X2013000500020

2. Effect of Guarana (Paullinia cupana) on Cognitive Performance: A Systematic Review and Meta-Analysis. 2023.
PubMed: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/36678305/

3. Tfouni SAV, Camargo MCR, Vitorino SHP, Menegário TF, Toledo MCF. Contribuição do guaraná em pó (Paullinia cupana) como fonte de cafeína na dieta. Revista de Nutrição.
https://periodicos.puc-campinas.edu.br/nutricao/article/view/9654

4. Safety of Guarana Seed as a Dietary Ingredient: A Review. Journal of Agricultural and Food Chemistry. 2019.
https://doi.org/10.1021/acs.jafc.9b03781

5. European Food Safety Authority (EFSA). Caffeine. Informações sobre consumo e segurança.
https://www.efsa.europa.eu/en/topics/topic/caffeine

Elaborado por Paulo Henrique - Estagiário de Nutrição

Qual chá tomar em cada horário do dia? Um guia para aproveitar melhor suas propriedades



Os chás fazem parte da rotina de muitas pessoas e podem ser uma maneira agradável de cuidar do bem-estar, variar as bebidas consumidas ao longo do dia e criar pequenos momentos de pausa. Mas você sabia que o horário pode influenciar a escolha do chá?

Enquanto algumas opções contêm cafeína e combinam melhor com a manhã, outras são tradicionalmente consumidas após as refeições ou antes de dormir, principalmente por seu aroma, sabor e potencial de proporcionar relaxamento.

Neste guia, você vai conhecer alguns chás que podem fazer parte da sua rotina, entender suas principais propriedades e descobrir como escolher a melhor opção para cada momento do dia.


1. Pela manhã: chá verde ou chá de gengibre

A manhã é um bom momento para escolher uma bebida que combine com o início das atividades diárias.

Chá verde: uma opção para começar o dia

O chá verde contém catequinas, compostos antioxidantes, além de cafeína, que pode contribuir para o estado de alerta.

Principais características:

  • Contém compostos antioxidantes.

  • Possui cafeína, que pode aumentar temporariamente a atenção e a disposição.

  • É uma alternativa para quem aprecia bebidas quentes com sabor vegetal.

Como consumir: prepare uma xícara pela manhã, preferencialmente após o café da manhã, se você costuma sentir desconforto ao consumir bebidas com cafeína em jejum.

Chá de gengibre: sabor marcante para a manhã

O gengibre é conhecido por seu sabor levemente picante e por seus compostos bioativos. Estudos sobre o gengibre sugerem benefícios para alguns tipos de náusea, embora a evidência dependa da situação e da forma de utilização.

Principais características:

  • Possui compostos bioativos estudados por suas propriedades anti-inflamatórias.

  • Pode ser útil para aliviar determinados tipos de náusea.

Como preparar: adicione algumas fatias de gengibre fresco à água quente e deixe em infusão por alguns minutos. Ajuste a intensidade ao seu paladar.

Atenção: o gengibre pode provocar azia ou desconforto abdominal em algumas pessoas.

2. Após o almoço: chá de hortelã

Depois do almoço, muitas pessoas procuram uma bebida leve para encerrar a refeição. O chá de hortelã pode ser uma escolha agradável, especialmente para quem aprecia sabores refrescantes.

  • Tem aroma refrescante.

  • É tradicionalmente utilizado para desconfortos digestivos leves.

  • Pode ser consumido quente ou morno, conforme a preferência.

Como preparar: coloque as folhas em água quente, tampe e deixe em infusão por aproximadamente cinco a dez minutos, ajustando o tempo conforme o sabor desejado.

Atenção: a hortelã pode piorar o refluxo gastroesofágico e a azia em algumas pessoas. Se você costuma apresentar esses sintomas após as refeições, pode ser melhor escolher outra bebida.

Uma dica importante: o chá não substitui uma alimentação equilibrada, e sintomas digestivos frequentes merecem avaliação profissional.

3. No meio da tarde: chá de erva-cidreira

O meio da tarde pode ser um bom momento para fazer uma pausa, especialmente em dias corridos. Para essa ocasião, uma infusão de erva-cidreira é uma opção tradicional.

Chá de erva-cidreira: uma pausa para o bem-estar

  • É tradicionalmente associada ao relaxamento.
  • Tem aroma suave e agradável.

  • É uma alternativa sem cafeína quando preparada apenas com a erva.

  • Pode integrar um momento de descanso durante a tarde.


4. No jantar: chá de erva-doce

No jantar, a escolha pode priorizar uma bebida suave, sem cafeína e agradável para acompanhar o encerramento do dia.

Chá de erva-doce: aroma delicado para depois da refeição

A erva-doce é utilizada tradicionalmente em infusões e possui sabor levemente adocicado.

  • Sabor suave e aromático.

  • Pode ser uma alternativa às bebidas estimulantes no período noturno.

Atenção: evitar grandes volumes de líquido perto da hora de dormir, caso você costume acordar durante a noite para ir ao banheiro.

5. Antes de dormir: chá de camomila

Para muitas pessoas, o período noturno é associado a desacelerar, diminuir os estímulos e preparar o ambiente para o descanso. Nesse contexto, a camomila é uma das infusões mais conhecidas. 

Seu aroma suave e o hábito de tomar uma bebida morna podem fazer parte de uma rotina noturna agradável.

Principais características:

  • Não contém cafeína quando preparada apenas com a flor.

  • Tem sabor delicado e pode ser agradável em uma rotina noturna.

  • Pode ajudar a criar um ritual de pausa antes de dormir, sem garantir melhora do sono.

Atenção: pessoas alérgicas a plantas da família Asteraceae, como margaridas e crisântemos, podem apresentar reações à camomila. Também existem relatos de possíveis interações com medicamentos, incluindo anticoagulantes e sedativos.

Se você tem insônia persistente, o ideal é procurar orientação profissional em vez de depender exclusivamente de chás.

Quem deve ter cuidado com o consumo de chás?

Embora muitas infusões sejam consumidas habitualmente, algumas plantas podem interagir com medicamentos ou apresentar riscos em determinadas condições.

É especialmente importante buscar orientação profissional antes de utilizar chás com finalidade medicinal durante a gestação e a amamentação, na infância, em caso de doenças crônicas ou quando se utilizam medicamentos de uso contínuo.

Também vale lembrar que extratos, cápsulas e suplementos concentrados não são equivalentes a uma infusão preparada em casa.


tos de uso contínuo.

Também vale lembrar que extratos, cápsulas e suplementos concentrados não são equivalentes a uma infusão preparada em casa.

Conclusão: o melhor chá é aquele que combina com você

Organizar o consumo de chás ao longo do dia pode ser uma maneira simples de variar as bebidas e criar pequenos momentos de autocuidado. O chá verde pode combinar com a manhã para quem tolera cafeína; a hortelã e a erva-doce são opções tradicionalmente associadas ao período das refeições; e a camomila pode fazer parte de um ritual tranquilo à noite.

O mais importante é conhecer as propriedades de cada planta, respeitar suas limitações científicas e considerar as necessidades individuais. Afinal, os chás podem complementar uma rotina equilibrada, mas não são soluções milagrosas.

E você, qual chá prefere tomar pela manhã, depois das refeições ou antes de dormir? Compartilhe sua experiência e descubra novas formas de incluir essas bebidas na rotina com consciência e equilíbrio.


Referências e fontes para aprofundamento

As fontes abaixo foram selecionadas para fundamentar as informações sobre propriedades, evidências científicas e segurança. São referências institucionais e não apenas páginas comerciais de produtos.

  1. National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) — Green Tea. Informações sobre composição, evidências de benefícios e segurança do chá verde.
    https://www.nccih.nih.gov/health/green-tea

  2. National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) — Ginger. Revisão de evidências e informações de segurança sobre o gengibre.
    https://www.nccih.nih.gov/health/ginger

  3. European Medicines Agency (EMA) — Peppermint Leaf. Avaliação do uso tradicional da hortelã-pimenta para desconfortos digestivos e de seus riscos.
    https://www.ema.europa.eu/en/medicines/herbal/menthae-piperitae-folium

  4. National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) — Chamomile. Evidências disponíveis, limitações dos estudos e precauções relacionadas à camomila.
    https://www.nccih.nih.gov/health/chamomile

  5. National Center for Complementary and Integrative Health (NCCIH) — Sleep Disorders and Complementary Health Approaches. Informações sobre camomila, valeriana e outras abordagens complementares relacionadas ao sono.
    https://www.nccih.nih.gov/health/sleep-disorders-and-complementary-health-approaches

  6. National Health Service (NHS) — Self-help tips to fight tiredness. Orientações sobre cafeína e seus possíveis efeitos sobre o sono.
    https://www.nhs.uk/live-well/sleep-and-tiredness/self-help-tips-to-fight-fatigue/


Publicado por Daniel Barbeiro Borges, estudante de nutrição.

sábado, 24 de outubro de 2026

Ômega-3: benefícios para a saúde e a importância da suplementação

 


O ômega-3 é um tipo de gordura saudável essencial para o organismo, conhecido por seu papel na saúde do coração, do cérebro e na regulação de processos inflamatórios. Como o corpo não produz quantidades suficientes de alguns ácidos graxos ômega-3, é importante obtê-los por meio da alimentação.

Quais são os benefícios do ômega-3?

Entre seus principais benefícios, destacam-se:

  • Saúde cardiovascular: o EPA e o DHA, dois tipos de ômega-3, ajudam a reduzir os níveis de triglicerídeos no sangue quando utilizados em doses adequadas.

  • Funcionamento cerebral: o DHA é um componente importante das membranas das células cerebrais e contribui para o funcionamento normal do cérebro.

  • Saúde dos olhos: o DHA também está presente na retina e desempenha um papel importante na visão.

  • Gestação e desenvolvimento: o DHA contribui para o desenvolvimento cerebral e visual do bebê durante a gestação e a amamentação.

  • Processos inflamatórios: o EPA e o DHA participam da produção de substâncias envolvidas na regulação da resposta inflamatória do organismo.

Por que considerar a suplementação?

O ômega-3 está presente em peixes gordurosos, como sardinha, salmão e cavala, além de fontes vegetais, como chia, linhaça e nozes.

Quando o consumo de peixes é baixo ou a alimentação não fornece quantidades adequadas, a suplementação pode ser uma alternativa para complementar a ingestão. A necessidade depende dos hábitos alimentares, das condições de saúde e dos objetivos individuais.

É importante lembrar que nem todos os suplementos são iguais: a quantidade de EPA e DHA varia conforme o produto. O ômega-3 de origem vegetal, como o ALA presente na chia e na linhaça, também é importante, mas sua conversão em EPA e DHA no organismo é limitada.

Como escolher um suplemento de ômega-3?

Na hora de escolher, observe a quantidade de EPA e DHA por dose, a qualidade do produto e a procedência do fabricante. Pessoas que utilizam anticoagulantes, apresentam condições clínicas específicas ou precisam de doses elevadas devem procurar orientação profissional.

Conclusão

O ômega-3 é um nutriente importante para diferentes funções do organismo. Manter uma alimentação equilibrada, rica em fontes desse nutriente, é fundamental. Quando necessário, a suplementação pode ajudar a complementar a ingestão e deve ser escolhida de acordo com as necessidades individuais, com orientação de um profissional de saúde.


Fontes:

NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. Office of Dietary Supplements. Omega-3 fatty acids: fact sheet for health professionals. Disponível em: https://ods.od.nih.gov/factsheets/Omega3FattyAcids-HealthProfessional/. Acesso em: 24 out. 2026.

ABDELHAMID, A. S. et al. Omega-3 fatty acids for the primary and secondary prevention of cardiovascular disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, n. 3, art. CD003177, 2020. DOI: https://doi.org/10.1002/14651858.CD003177.pub5. Disponível em: https://www.cochrane.org/evidence/CD003177_omega-3-intake-cardiovascular-disease. Acesso em: 24 out. 2026.

Post feito por Daniel Barbeiro Borges, estudante de nutrição.

O que acontece quando se aquece demais o óleo?

 

Os óleos de cozinha são utilizados diariamente, mas é importante ter cuidado com a temperatura e o tempo de aquecimento. Quando o óleo fica quente demais ou é utilizado muitas vezes, pode sofrer alterações e formar substâncias prejudiciais à saúde.

Quando o óleo é aquecido durante muito tempo ou a temperaturas muito elevadas, a sua composição começa a mudar. Podem formar-se substâncias que, em determinadas quantidades, prejudicam as células do nosso organismo.

Além disso, o óleo pode ficar mais escuro, espesso, com cheiro desagradável e começar a libertar fumo. Estes sinais podem indicar que está a perder qualidade.

Todos os óleos reagem da mesma forma?

Não. Alguns óleos resistem melhor ao calor do que outros.

O azeite e o óleo de girassol alto oleico, por exemplo, tendem a suportar melhor o aquecimento do que o óleo de girassol comum, devido à diferença na composição das suas gorduras.

No entanto, isso não significa que os óleos que resistem mais ao calor sejam sempre mais saudáveis em todos os aspetos. A qualidade nutricional também importa.

Qual é a temperatura ideal para fritar?

Para muitas preparações, recomenda-se manter o óleo entre 160 °C e 180 °C.

Quando a temperatura é muito elevada, acima de 200 °C,  o óleo pode deteriorar-se mais rapidamente. Se começar a liberar fumo persistente, desligue o fogão e deixe-o esfriar em segurança.

É importante lembrar que cada óleo tem características próprias. Por isso, a temperatura, o tempo de aquecimento e a frequência de utilização devem ser considerados em conjunto.

Como utilizar o óleo de forma mais segura?

  • Controle a temperatura: evite deixar o óleo aquecer excessivamente.

  • Não deixe o óleo fumegar: o fumo persistente é um sinal de alerta.

  • Evite reutilizá-lo muitas vezes: cada novo aquecimento pode aumentar a sua deterioração.

  • Observe as alterações: cheiro desagradável, espuma persistente e textura muito espessa são sinais de que o óleo pode estar degradado.

  • Mantenha a cozinha ventilada: isso ajuda a reduzir a exposição aos fumos da fritura.

Conclusão

Aquecer óleo para cozinhar é normal. O problema surge quando o óleo fica quente demais, é aquecido durante muito tempo ou é reutilizado repetidamente.

Com alguns cuidados simples, como controlar a temperatura, evitar o fumo e descartar o óleo deteriorado, é possível reduzir a formação de substâncias indesejáveis e preparar os alimentos de forma mais segura.

Referências científicas

  • Choe E, Min DB. Chemistry of Deep-Fat Frying Oils. Journal of Food Science, 2007.

  • Vegetable Oils and Their Use for Frying. Foods, 2024.

  • Influence of Heating during Cooking on Trans Fatty Acid Content of Edible Oils. Nutrients, 2022. 

Elaborado por Paulo Henrique - Estágiario de Nutrição

terça-feira, 20 de outubro de 2026

Pressão alta e exercício físico: mitos e verdades sobre treinar com hipertensão

 

Quem tem pressão alta pode fazer musculação? O coração fica sobrecarregado durante o exercício? É preciso evitar atividades intensas?

Essas são dúvidas comuns entre pessoas diagnosticadas com hipertensão arterial. E não é difícil entender o motivo: durante o exercício físico, a pressão arterial pode aumentar temporariamente, o que leva muita gente a acreditar que praticar atividades físicas é perigoso para quem já apresenta pressão elevada.

Mas a ciência mostra uma realidade diferente: quando bem indicado e realizado com segurança, o exercício físico é um dos grandes aliados no controle da pressão arterial.

Além de ajudar a reduzir a pressão em repouso, a prática regular de atividade física contribui para a saúde cardiovascular, melhora a capacidade funcional e pode reduzir o risco de diversas doenças crônicas.

Vamos entender o que é mito, o que é verdade e quais cuidados são importantes para quem convive com a hipertensão.

O que é hipertensão arterial?

A hipertensão arterial, popularmente conhecida como pressão alta, é uma condição caracterizada pela elevação persistente da pressão exercida pelo sangue sobre as paredes das artérias.

Quando essa pressão permanece elevada ao longo do tempo, aumenta o risco de complicações como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal.

O problema é que a hipertensão frequentemente não apresenta sintomas evidentes. Uma pessoa pode se sentir bem e, ainda assim, ter níveis elevados de pressão arterial.

Por isso, medir a pressão regularmente, realizar acompanhamento profissional e seguir o tratamento recomendado são medidas fundamentais para proteger a saúde.

Mito ou verdade: quem tem pressão alta não pode fazer exercício físico?

Mito!

Na maioria das pessoas com hipertensão controlada, a atividade física regular é recomendada e traz benefícios importantes.

O exercício estimula adaptações cardiovasculares que ajudam o organismo a regular melhor a pressão arterial. Entre essas adaptações estão a melhora da função dos vasos sanguíneos, o aumento da capacidade cardiorrespiratória e a redução da atividade excessiva de mecanismos que elevam a pressão.

Uma revisão sistemática e metanálise publicada no Journal of the American Heart Association analisou 93 estudos sobre treinamento físico e pressão arterial. Os resultados demonstraram reduções da pressão arterial de repouso com diferentes modalidades de exercício, especialmente o treinamento aeróbico.

Isso significa que a caminhada, o ciclismo, a natação e outras atividades podem fazer parte de uma estratégia eficaz de controle da hipertensão.

Entretanto, isso não significa que qualquer exercício, em qualquer intensidade, seja adequado para todas as pessoas. O nível de pressão arterial, a presença de outras doenças e a condição física individual precisam ser considerados.

Por que a pressão aumenta durante o exercício?

Durante uma atividade física, os músculos precisam de mais oxigênio e energia. Para atender a essa demanda, o coração aumenta o débito cardíaco, ou seja, a quantidade de sangue bombeada por minuto.

Como consequência, a pressão arterial sistólica — o valor mais alto da medição — geralmente aumenta durante atividades dinâmicas, como caminhar rapidamente, correr ou pedalar.

Ao mesmo tempo, os vasos sanguíneos dos músculos ativos se dilatam, ajudando a facilitar a passagem do sangue.

Esse aumento temporário da pressão sistólica faz parte da resposta normal ao exercício. Após a atividade, a pressão pode diminuir por um período, fenômeno conhecido como hipotensão pós-exercício.

Com a prática regular, essas respostas fisiológicas podem contribuir para uma redução da pressão arterial de repouso.

O ponto importante é diferenciar o aumento esperado durante o esforço de uma resposta excessiva ou de uma pressão arterial muito elevada antes mesmo de começar o exercício.

Musculação faz mal para quem tem hipertensão?

Outro mito bastante comum é acreditar que pessoas com pressão alta precisam evitar a musculação.

Na realidade, o treinamento resistido pode fazer parte de um programa de exercícios para pessoas com hipertensão, desde que seja adaptado à condição clínica e realizado com técnica adequada.

A musculação pode melhorar a força, preservar a massa muscular, facilitar as atividades cotidianas e contribuir para a saúde metabólica.

O cuidado está principalmente na forma como o exercício é executado.

Cargas excessivas, esforço máximo sem preparo, contração prolongada e prender a respiração durante o movimento podem provocar elevações importantes da pressão arterial.

Uma orientação fundamental é evitar a manobra de Valsalva, que consiste em prender a respiração e fazer força simultaneamente. Em geral, recomenda-se respirar de maneira contínua, expirando durante a fase de esforço e inspirando durante o retorno, conforme a técnica do exercício.

Para pessoas com hipertensão controlada, um programa que combine exercícios aeróbicos e treinamento resistido costuma ser uma estratégia interessante. A intensidade e a progressão devem ser individualizadas.

Quais são os melhores exercícios para ajudar a controlar a pressão?

Não existe uma única atividade ideal para todas as pessoas. A melhor escolha é aquela que respeita as condições de saúde, pode ser realizada com segurança e tem maior chance de se tornar um hábito regular.

1. Caminhada

É uma das opções mais acessíveis para quem deseja começar a se movimentar.

A caminhada em intensidade moderada pode melhorar o condicionamento cardiorrespiratório e contribuir para a redução da pressão arterial.

Para pessoas sedentárias, começar com períodos curtos e aumentar gradualmente a duração pode ser mais adequado do que tentar realizar sessões longas logo no início.

2. Ciclismo e outras atividades aeróbicas

Pedalar, nadar e realizar outras atividades aeróbicas são alternativas para melhorar a capacidade cardiovascular.

A regularidade é fundamental: os benefícios dependem da continuidade da prática e não apenas de sessões isoladas.

3. Treinamento de força

Quando bem orientado, o treinamento resistido ajuda a manter a força muscular, a autonomia e a saúde geral.

A seleção de exercícios, a carga, o número de repetições e o tempo de descanso devem considerar a experiência do praticante e o controle da pressão arterial.

4. Exercícios combinados

Combinar atividades aeróbicas com treinamento de força permite trabalhar diferentes componentes da aptidão física.

As diretrizes europeias de hipertensão de 2024 recomendam priorizar a atividade aeróbica e complementá-la com exercícios resistidos de intensidade leve a moderada, ajustados à condição individual.

Quanto exercício é recomendado?

Como referência geral para adultos, recomenda-se buscar pelo menos:

  • 150 minutos por semana de atividade aeróbica de intensidade moderada, como caminhada rápida.

  • Dois ou três dias por semana de treinamento resistido, com exercícios adaptados à capacidade individual.

  • Menos tempo sentado e mais movimento distribuído ao longo do dia.

Esses valores são metas gerais, não uma prescrição universal. Pessoas sedentárias podem precisar começar com menos tempo e progredir gradualmente.

Para quem tem hipertensão não controlada, sintomas durante o esforço ou outras doenças cardiovasculares, o plano de treinamento precisa ser definido após avaliação profissional.

Quem tem pressão alta precisa medir a pressão antes de treinar?

A monitorização pode ser importante, especialmente para pessoas com hipertensão diagnosticada, mudanças recentes no tratamento ou dificuldade para controlar os níveis pressóricos.

Entretanto, medir a pressão não substitui a avaliação clínica, e um único resultado não deve ser interpretado isoladamente.

Se a pressão estiver muito elevada em repouso, não é adequado simplesmente iniciar um treino intenso para tentar reduzi-la.

As diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia de 2024 apontam que, em casos de hipertensão não controlada, exercícios de alta intensidade devem ser tratados com cautela. Valores de pressão sistólica acima de 200 mmHg ou diastólica acima de 110 mmHg em repouso são considerados contraindicações relativas ao exercício naquele contexto e exigem avaliação antes da atividade.

Esses números não devem ser usados como autorização para treinar abaixo deles: sintomas, histórico clínico e outras condições também importam.

Se houver dor no peito, falta de ar desproporcional, tontura intensa, desmaio ou sintomas neurológicos, interrompa a atividade e procure atendimento médico. Pressão muito elevada associada a dor torácica, falta de ar importante, confusão ou fraqueza súbita exige atendimento de emergência.

É possível controlar a pressão apenas com exercício?

O exercício é uma ferramenta importante, mas nem sempre é suficiente isoladamente.

O controle da hipertensão pode envolver uma combinação de atividade física, alimentação equilibrada, redução do consumo excessivo de sódio, controle do peso quando indicado, sono adequado, moderação do consumo de álcool e tratamento medicamentoso.

A necessidade de medicamentos depende do risco cardiovascular e da avaliação clínica de cada pessoa.

Mesmo quando a pressão melhora com a prática regular de exercícios, não se deve suspender, reduzir ou modificar a medicação por conta própria. Qualquer ajuste deve ser feito pelo profissional responsável pelo tratamento.

Conclusão: movimento com orientação é um aliado da saúde

Ter pressão alta não significa estar condenado ao sedentarismo. Pelo contrário: para a maioria das pessoas com hipertensão controlada, movimentar o corpo regularmente é parte importante do cuidado cardiovascular.

A caminhada, o ciclismo, a natação e a musculação adaptada podem ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar a qualidade de vida.

O segredo não está em treinar o mais intensamente possível, mas em escolher atividades adequadas, respeitar os limites individuais, progredir gradualmente e manter o acompanhamento de saúde.

Antes de iniciar um programa de exercícios, especialmente se a pressão estiver descontrolada ou existirem outras doenças, procure orientação profissional.

Cuidar da pressão arterial não significa parar de se movimentar. Significa aprender a se movimentar com segurança.

Referências bibliográficas

  1. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. European Heart Journal. 2024;45(38):3912–4018. https://doi.org/10.1093/eurheartj/ehae178

  2. Cornelissen VA, Smart NA. Exercise training for blood pressure: a systematic review and meta-analysis. Journal of the American Heart Association. 2013;2(1). https://doi.org/10.1161/JAHA.112.004473

  3. Cornelissen VA, Buys R, Smart NA. Endurance exercise beneficially affects ambulatory blood pressure: a systematic review and meta-analysis. Journal of Hypertension. 2013;31(4):639–648. https://doi.org/10.1097/HJH.0b013e32835ca964

  4. Carlson DJ, Dieberg G, Hess NC, Millar PJ, Smart NA. Isometric exercise training for blood pressure management: a systematic review and meta-analysis. Mayo Clinic Proceedings. 2014;89(3):327–334. https://doi.org/10.1016/j.mayocp.2013.10.030

  5. American Heart Association. Getting active to control high blood pressure. https://www.heart.org/en/health-topics/high-blood-pressure/changes-you-can-make-to-manage-high-blood-pressure/getting-active-to-control-high-blood-pressure

Este conteúdo tem finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de um profissional de saúde.

Feito por Rafael da Mata - Estagiário e graduando em Nutrição

Creatina e Beta-alanina: Para quem é indicado e quais cuidados devemos ter?

 O mercado de suplementos esportivos cresce continuamente, oferecendo produtos que prometem aumentar a força, acelerar a recuperação, favorecer o ganho de massa muscular e melhorar a resistência física.

A International Society of Sports Nutrition (ISSN), organização científica dedicada ao estudo da nutrição esportiva, publica posicionamentos que analisam as evidências disponíveis sobre eficácia, mecanismos de ação e segurança desses produtos.

A seguir, falaremos um pouco sobre a creatina e a beta-alanina, seus possíveis benefícios, suas indicações e os cuidados necessários antes de incluí-los na rotina.

Creatina: força, potência e ganho de massa muscular

A creatina monohidratada é um dos suplementos com maior respaldo científico na nutrição esportiva.

Naturalmente produzida pelo organismo e obtida por meio de alimentos como carnes e peixes, a creatina participa da regeneração rápida do ATP, a principal fonte imediata de energia utilizada pelas células.

Durante exercícios de alta intensidade, como musculação, sprints e movimentos explosivos, o sistema da fosfocreatina ajuda a manter a disponibilidade de energia para a contração muscular.

 A ISSN considera a creatina monohidratada um dos suplementos ergogênicos mais eficazes para aumentar a capacidade de exercício de alta intensidade e favorecer ganhos de massa magra durante o treinamento.

Quais são seus benefícios?

A suplementação pode contribuir para:

  • Melhorar o desempenho em exercícios intensos e repetidos.

  • Aumentar a capacidade de realizar séries de treinamento com maior qualidade.

  • Favorecer os ganhos de força e massa muscular quando associada ao treinamento resistido.

  • Aumentar o conteúdo de água dentro dos músculos, contribuindo para o aumento inicial do peso corporal.

A creatina não produz hipertrofia automaticamente. Os resultados dependem também do treinamento, da alimentação, do descanso e da consistência ao longo do tempo.

Para quem é indicada?

É especialmente interessante para praticantes de musculação, esportes coletivos, modalidades de potência e atividades que exigem esforços intensos repetidos.

Dose estudada e cuidados

Uma estratégia comum é utilizar de 3 a 5 g por dia. Protocolos de saturação também são estudados, mas não são obrigatórios para obter benefícios.

Em adultos saudáveis, a creatina monohidratada apresenta um perfil de segurança favorável nas doses estudadas. O aumento de peso inicial pode ocorrer devido à retenção de água no tecido muscular.

Pessoas com doença renal, gestantes, indivíduos que utilizam medicamentos com potencial de afetar a função renal e pessoas com condições clínicas específicas devem procurar orientação profissional antes do uso. A creatinina sanguínea também pode aumentar sem que isso represente necessariamente lesão renal, por isso o resultado precisa ser interpretado no contexto clínico.

Beta-alanina: auxílio em esforços intensos

A beta-alanina é um aminoácido que participa da produção de carnosina muscular. A carnosina contribui para o controle da acidez dentro do músculo durante exercícios intensos.

Quando o esforço é elevado, ocorre acúmulo de íons hidrogênio e outras alterações metabólicas associadas à fadiga. O aumento da carnosina muscular pode ajudar a atenuar parte dessas alterações.

A ISSN aponta benefícios principalmente para tarefas de alta intensidade, com resultados mais evidentes em esforços de aproximadamente 1 a 4 minutos.

Quais são seus benefícios?

A suplementação pode melhorar o desempenho em determinados esforços intensos, sobretudo em exercícios que exigem sustentação de alta intensidade por aproximadamente um a vários minutos.

Seus possíveis benefícios são mais específicos do que os da creatina. Ela não é considerada um suplemento universal para qualquer modalidade esportiva.

Para quem é indicada?

Pode ser interessante para modalidades que envolvem esforços intensos e prolongados o suficiente para que a capacidade de tamponamento muscular seja relevante, incluindo determinados protocolos de treinamento intervalado e esportes de combate.

Dose estudada e cuidados

O posicionamento da ISSN descreve protocolos de aproximadamente 4 a 6 g por dia durante pelo menos 2 a 4 semanas, com resultados mais consistentes após uso contínuo.

O efeito adverso mais conhecido é a parestesia, uma sensação temporária de formigamento na pele. Dividir a dose em porções menores ou utilizar formulações de liberação prolongada pode reduzir esse efeito.

A segurança em doses recomendadas parece favorável em adultos saudáveis, mas ainda existem limitações nos dados de uso prolongado e em populações clínicas específicas.


Para finalizar, é preciso reforçar que não existe um único suplemento ideal para todos os atletas. A escolha deve partir da modalidade, do objetivo, da alimentação habitual, do estado de saúde e da qualidade das evidências disponíveis.

Além da eficácia, a qualidade do produto merece atenção. Suplementos podem apresentar diferenças de composição, pureza e concentração entre fabricantes.

Para reduzir riscos verifique a procedência e a regularidade do produto junto aos órgãos competentes e procure um nutricionista esportivo ou médico para avaliar indicações, doses, interações e contraindicações.

Referências 

Kreider RB et al. (2017). International Society of Sports Nutrition position stand: safety and efficacy of creatine supplementation in exercise, sport, and medicine. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 14, 18. https://doi.org/10.1186/s12970-017-0173-z

Trexler ET et al. (2015). International Society of Sports Nutrition position stand: Beta-Alanine. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 12, 30. https://doi.org/10.1186/s12970-015-0090-y

Elaborado por Paulo Henrique - Estágiario de Nutrição

Como reduzir elevações excessivas da glicose no dia a dia?

 


Alguns hábitos podem ajudar a melhorar o controle glicêmico e reduzir o risco de desenvolver diabetes tipo 2.

1. Priorize alimentos ricos em fibras

Feijão, lentilha, aveia, verduras, legumes, frutas inteiras e cereais integrais contribuem para uma alimentação de melhor qualidade. As fibras podem retardar a absorção dos carboidratos e favorecer uma resposta glicêmica mais gradual.

2. Combine diferentes grupos alimentares

Uma refeição que combina carboidratos, proteínas, fibras e gorduras insaturadas pode produzir uma resposta glicêmica diferente daquela provocada pelo consumo isolado de determinados carboidratos.

Por exemplo, arroz e feijão acompanhados de vegetais e uma fonte de proteína podem compor uma refeição equilibrada. Não é necessário eliminar o arroz ou outros alimentos que contêm carboidratos para cuidar da glicemia.

3. Reduza o consumo frequente de bebidas açucaradas

Refrigerantes, chás adoçados e outras bebidas açucaradas podem fornecer grandes quantidades de açúcar com pouca saciedade. Dar preferência à água e reduzir o consumo habitual dessas bebidas é uma estratégia útil para melhorar a qualidade da alimentação.

4. Movimente-se regularmente

A atividade física ajuda os músculos a captar glicose e melhora a sensibilidade à insulina. Caminhar depois das refeições também pode contribuir para atenuar a elevação da glicose após comer.

Além disso, manter uma rotina de exercícios é uma das estratégias com evidências consistentes para reduzir o risco de diabetes tipo 2.

5. Cuide do sono e da saúde metabólica

Dormir pouco ou ter uma rotina de sono irregular pode prejudicar a regulação da glicose. Associar sono adequado, alimentação equilibrada e atividade física regular contribui para a saúde metabólica a longo prazo.

6. Conheça seus fatores de risco

Histórico familiar, excesso de gordura corporal, sedentarismo e antecedentes de alterações da glicose podem aumentar o risco de diabetes. Quando indicado, realizar exames como glicemia de jejum e hemoglobina glicada ajuda a identificar alterações precocemente.

Picos observados em dispositivos de monitoramento contínuo, isoladamente, não são suficientes para diagnosticar pré-diabetes ou diabetes em pessoas sem diagnóstico prévio.

É preciso ter medo dos carboidratos?

Não! Os carboidratos fazem parte de uma alimentação saudável e fornecem energia para o funcionamento do organismo e para a prática de exercícios físicos.

Mais importante do que tentar impedir qualquer aumento da glicose é observar a qualidade dos alimentos, o tamanho das porções, o padrão alimentar ao longo do tempo e o estilo de vida.

Frutas inteiras, leguminosas e cereais integrais, por exemplo, oferecem nutrientes e fibras importantes. Não devem ser colocados na mesma categoria de bebidas açucaradas e alimentos com grande quantidade de açúcar adicionado.

Também não existe uma resposta glicêmica única para todas as pessoas: idade, genética, atividade física, composição da refeição e estado de saúde influenciam os resultados.

Conclusão: o que realmente importa?

Os picos glicêmicos fazem parte da resposta normal do organismo às refeições. Entretanto, alterações persistentes no controle da glicose podem sinalizar problemas metabólicos que merecem atenção.

O diabetes tipo 2 se desenvolve por uma combinação de fatores, incluindo resistência à insulina, comprometimento da função pancreática, predisposição genética e fatores relacionados ao estilo de vida. Não é correto atribuir seu desenvolvimento simplesmente aos picos de glicose após comer.

Em vez de buscar uma alimentação que elimine toda elevação glicêmica, o caminho mais consistente é construir hábitos sustentáveis: comer melhor, praticar atividade física, dormir adequadamente e acompanhar a saúde quando necessário.

Cuidar da glicemia não significa ter medo de comer. Significa entender como o organismo funciona e fazer escolhas que favoreçam a saúde a longo prazo.

Referências científicas

  • Diabetes Prevention Program Research Group. Reduction in the Incidence of Type 2 Diabetes with Lifestyle Intervention or Metformin. New England Journal of Medicine, 2002;346:393–403. https://doi.org/10.1056/NEJMoa012512

  • Monnier L, Colette C, Owens D. Integrating glycaemic variability in the glycaemic disorders of type 2 diabetes. Diabetes/Metabolism Research and Reviews, 2009. https://doi.org/10.1002/dmrr.962

  • Monnier L et al. Activation of Oxidative Stress by Acute Glucose Fluctuations Compared With Sustained Chronic Hyperglycemia in Patients With Type 2 Diabetes. JAMA, 2006;295:1681–1687. https://doi.org/10.1001/jama.2006.483

  • American Diabetes Association. Standards of Care in Diabetes—2026. https://diabetesjournals.org/care/issue/49/Supplement_1


Artigo desenvolvido por Daniel Barbeiro Borges, estudante de nutrição.

Cafeína e desempenho esportivo

 

Cafeína e desempenho físico: o que diz a ciência?

A cafeína é uma das substâncias ergogênicas mais estudadas na nutrição esportiva. Segundo a posição oficial da International Society of Sports Nutrition (ISSN), publicada em 2021, seu consumo pode melhorar o desempenho físico, especialmente em exercícios de resistência aeróbica, além de favorecer a atenção, o estado de alerta e, em determinadas situações, a força e a resistência muscular.

Qual é a dose recomendada?

As evidências apontam que doses de 3 a 6 mg/kg de peso corporal, consumidas aproximadamente 60 minutos antes do exercício, podem melhorar o desempenho. Doses menores também podem ser eficazes para algumas pessoas, enquanto quantidades elevadas não garantem benefícios adicionais.A resposta à cafeína varia conforme fatores como genética, consumo habitual, sensibilidade individual e modalidade esportiva.

Quais cuidados são necessários?

Apesar dos benefícios, a cafeína pode provocar insônia, ansiedade, desconforto gastrointestinal e palpitações em pessoas suscetíveis. O consumo próximo ao horário de dormir merece atenção, pois a piora do sono pode comprometer a recuperação e o desempenho.

Nas doses estudadas, a cafeína geralmente não prejudica significativamente a hidratação durante o exercício, mas não substitui uma estratégia individualizada de reposição de líquidos e eletrólitos.

Aplicação na nutrição clínica e esportiva

A cafeína pode ser uma ferramenta útil para melhorar o desempenho, mas sua indicação deve considerar o objetivo esportivo, o horário do treino, o consumo total de cafeína, a qualidade do sono e as condições clínicas individuais.

Lembrando de algo importante, as doses citadas são referências estudadas em atletas e praticantes de exercício, não recomendações universais. A estratégia deve ser individualizada, priorizando a menor dose eficaz e avaliando riscos, tolerância e possíveis contraindicações. A cafeína não substitui alimentação adequada, treinamento, recuperação e sono.

Referência:


Guest NS, VanDusseldorp TA, Nelson MT, et al. International society of sports nutrition position stand: caffeine and exercise performance. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2021;18:1.


Elaborado por Caroline Andrade - Estagiaria Nutrição clínica 




Comer saudável não significa necessariamente comer o suficiente!

 


Você pode consumir frutas, verduras, legumes e proteínas de boa qualidade e, ainda assim, não fornecer ao seu organismo toda a energia de que ele precisa. 

A quantidade dos alientos é fundamental, mas a quantidade também importa. Quando a ingestão energética é insuficiente de forma persistente, podem ocorrer consequências como fadiga, redução do desempenho físico, recuperação muscular inadequada e alterações em funções fisiológicas, incluindo as hormonais.

Para quem pratica atividade física, essa atenção é ainda mais importante: o organismo precisa de energia para sustentar os treinos, recuperar os músculos e manter suas funções vitais.

Uma alimentação equilibrada não é apenas ecolher alimentos nutritivos, mas tambémm consumir quantidade adequadas às suas necessidades individuais.

Lembre-se: comer menos não significa necessariamente comer melhor. O acompanhamento nutricional ajuda a adequar a alimentação à sua rotina, saúde e aos seus objetivos.


Referências cientificas. 

MOUNTJOY, M. et al. (2023). 2023 International Olympic Committee’s (IOC) consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, 57, 1073–1097. 


THOMAS, D. T.; ERDMAN, K. A.; BURKE, L. M. (2016). Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 116(3), 501–528. 


Elaborado por Jadilson Junior - Estágiario Nutrição clinica

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Estamina: o que é, como e aumentá-la



Você já sentiu que começa uma atividade física com disposição, mas perde o ritmo rapidamente? Ou percebeu que, mesmo treinando com frequência, ainda tem dificuldade para sustentar o esforço por mais tempo?

Essas situações podem estar relacionadas à estamina, também conhecida como resistência física ou endurance. Ela representa a capacidade de manter uma atividade física durante determinado período, tolerando o esforço e retardando a fadiga.

Embora o condicionamento físico seja fundamental, a estamina não depende apenas do treinamento. A alimentação, a hidratação, o sono e a recuperação também influenciam diretamente a capacidade do organismo de produzir energia e manter o desempenho.

Neste artigo, você vai entender o que é estamina, quais fatores ajudam a desenvolvê-la e como a alimentação pode contribuir para melhorar a resistência física.

O que é estamina?

A estamina é a capacidade de sustentar um esforço físico ou mental ao longo do tempo. No contexto esportivo, está associada à resistência muscular, à capacidade cardiorrespiratória e à eficiência com que o organismo utiliza os nutrientes para produzir energia.

Ela é importante em diversas atividades, desde uma corrida ou uma partida de futebol até uma sessão de musculação, uma aula de dança ou uma trilha.

Para manter o esforço, o organismo depende da integração de diferentes sistemas:

  • Sistema cardiovascular e respiratório: transporta oxigênio e nutrientes para os tecidos e contribui para a eliminação do dióxido de carbono.

  • Músculos: utilizam energia para produzir força e executar os movimentos.

  • Reservas energéticas: o glicogênio armazenado nos músculos e no fígado ajuda a sustentar o exercício, especialmente em intensidades moderadas e elevadas.

  • Sistema nervoso: coordena os movimentos e participa da percepção do esforço.

  • Recuperação: permite que o organismo se adapte ao treinamento e esteja preparado para novas sessões.

A estamina não é uma característica fixa. Com treinamento adequado, alimentação suficiente e recuperação consistente, é possível desenvolver a capacidade de realizar esforços por mais tempo e com menor percepção de fadiga.

Como aumentar a estamina?

O desenvolvimento da resistência física acontece gradualmente. Não existe um único exercício, alimento ou suplemento capaz de proporcionar resultados duradouros sem uma estratégia consistente.

1. Pratique atividades físicas regularmente

O treinamento aeróbico, como caminhada acelerada, corrida, natação, dança e ciclismo, ajuda a melhorar a capacidade cardiorrespiratória e a eficiência do organismo durante esforços prolongados.

Já os exercícios de força, como a musculação, contribuem para o desenvolvimento muscular e podem tornar determinadas tarefas físicas menos exigentes.

O ideal é combinar atividades compatíveis com seus objetivos, sua condição física e seu histórico de treinamento. A duração e a intensidade devem aumentar progressivamente, respeitando os limites individuais.

2. Respeite o descanso e a recuperação

A adaptação ao exercício não acontece apenas durante o treino. O descanso permite que o organismo se recupere e responda aos estímulos recebidos.

Dormir pouco, treinar intensamente sem pausas adequadas e manter uma alimentação insuficiente podem comprometer o rendimento e aumentar a sensação de cansaço.

Manter uma rotina de sono, alternar sessões mais exigentes com atividades leves e reservar períodos de recuperação são medidas importantes para melhorar a resistência ao longo do tempo.

3. Consuma energia suficiente

Um dos fatores frequentemente negligenciados é a disponibilidade energética: a quantidade de energia que permanece à disposição do organismo depois de atender às demandas do exercício.

Quando a ingestão alimentar não acompanha o gasto energético, o corpo pode apresentar dificuldade para se recuperar e manter o desempenho. Fadiga persistente, queda de rendimento e recuperação lenta merecem atenção, especialmente quando acompanhadas de outros sintomas.

A alimentação deve ser suficiente para atender às necessidades diárias e à carga de treinamento, sem restrições desnecessárias.

Como organizar a alimentação ao redor do treino

Uma estratégia simples pode ajudar a transformar as recomendações em hábitos:

Antes do exercício

Faça uma refeição ou um lanche que forneça energia e seja bem tolerado. A quantidade depende do horário, da duração e da intensidade da atividade.

Durante o exercício

Para sessões curtas, normalmente basta manter a hidratação conforme a necessidade. Em atividades prolongadas, avalie a necessidade de carboidratos e eletrólitos.

Depois do exercício

Inclua uma fonte de proteína e alimentos ricos em carboidratos. Uma refeição completa, com arroz, feijão, ovos ou carne, legumes e verduras, pode atender a diferentes necessidades nutricionais.

Ao longo do dia

Mantenha uma alimentação variada, consuma energia suficiente e distribua as refeições de acordo com sua rotina e seu treinamento.

Hidratação e eletrólitos: fundamentais para manter o desempenho

A água participa do controle da temperatura corporal, do transporte de nutrientes e do funcionamento dos músculos.

Durante o exercício, a perda de líquidos pelo suor varia conforme a intensidade, a duração, a temperatura, a umidade e as características individuais.

Mesmo uma perda de líquidos relativamente pequena pode aumentar a percepção de esforço em determinadas condições. Por isso, é importante começar a atividade adequadamente hidratado e ajustar a ingestão às necessidades individuais.

Em atividades curtas e leves, a água geralmente é suficiente. Em exercícios prolongados, realizados no calor ou acompanhados de grande perda de suor, bebidas com eletrólitos — especialmente sódio — podem ser úteis.

Também é importante evitar beber água em excesso. A ingestão exagerada de líquidos durante exercícios prolongados pode causar hiponatremia, uma redução potencialmente perigosa da concentração de sódio no sangue.

Quando o cansaço merece atenção?

Sentir fadiga após um treino exigente é esperado. Entretanto, cansaço persistente, queda inexplicada de rendimento, falta de ar desproporcional ao esforço, tontura ou recuperação cada vez mais difícil não devem ser ignorados.

Esses sinais podem estar relacionados a diversos fatores, como excesso de treinamento, alimentação insuficiente, deficiência de ferro, distúrbios do sono ou outras condições de saúde. Quando persistentes, merecem avaliação profissional.

Conclusão

Aumentar a estamina é um processo que combina treinamento regular, progressão adequada, sono, recuperação e alimentação equilibrada.

Os carboidratos ajudam a fornecer energia para sustentar o esforço; as proteínas contribuem para a manutenção e a recuperação muscular; as gorduras saudáveis fazem parte de uma dieta equilibrada; e a hidratação adequada favorece o funcionamento do organismo durante a atividade física.

Mais do que buscar um alimento milagroso ou um suplemento específico, o caminho é desenvolver uma estratégia compatível com sua rotina, seus objetivos e suas necessidades individuais.

Com consistência e planejamento, é possível melhorar a capacidade de realizar atividades por mais tempo, controlar melhor a fadiga e aproveitar os benefícios do exercício físico.

Referencias

Thomas DT, Erdman KA, Burke LM. Position of the Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada, and the American College of Sports Medicine: Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. 2016;116(3):501–528.

Kerksick CM et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2017;14:33

McDermott BP et al. National Athletic Trainers' Association Position Statement: Fluid Replacement for the Physically Active. Journal of Athletic Training. 2017;52(9):877–895.

Elaborado por Paulo Henrique - Estágiario de Nutrição

Carboidratos e eletrólitos no ciclismo: guia para alto rendimento



Em provas longas e treinos intensos, não basta ter uma boa preparação física. A estratégia nutricional durante o pedal também pode influenciar a capacidade de sustentar a intensidade, retardar a fadiga e favorecer a recuperação.

No ciclismo de alto rendimento, a alimentação durante o exercício é parte fundamental do planejamento esportivo. Em treinos prolongados, competições de estrada, provas de mountain bike e eventos de endurance, o organismo precisa de energia continuamente e perde água e eletrólitos por meio do suor.

Nesse contexto, dois componentes merecem atenção especial: os carboidratos, principais combustíveis para exercícios de intensidade moderada a alta, e os eletrólitos, fundamentais para o equilíbrio hídrico e o funcionamento neuromuscular.

Mas quanto consumir? Qual é o papel do sódio? Água é suficiente? E como organizar a ingestão de carboidratos durante um pedal de várias horas?

A seguir, exploramos o que a literatura científica recomenda e como esses conhecimentos podem ser aplicados à rotina de ciclistas competitivos.

Por que os carboidratos são tão importantes para o ciclista?

Durante o exercício, os músculos utilizam diferentes substratos energéticos, especialmente carboidratos e gorduras. A participação de cada um varia conforme a intensidade, a duração do esforço, o condicionamento físico e a disponibilidade de nutrientes.

Em intensidades elevadas, a contribuição dos carboidratos torna-se particularmente importante, pois eles permitem uma produção de energia compatível com as altas demandas do exercício.

O organismo armazena carboidratos na forma de glicogênio muscular e hepático. Durante o ciclismo prolongado, esses estoques são utilizados para sustentar a contração muscular e ajudar a manter a glicemia.

À medida que o exercício se prolonga, a disponibilidade limitada de glicogênio pode dificultar a manutenção da potência e da intensidade planejadas. A ingestão de carboidratos durante o pedal ajuda a fornecer energia exógena, preservar parcialmente os estoques corporais e retardar a fadiga.

O posicionamento conjunto da Academy of Nutrition and Dietetics, Dietitians of Canada e American College of Sports Medicine, publicado em 2016, destaca a importância de ajustar a ingestão de carboidratos às demandas do exercício e às necessidades individuais do atleta.

Quanto carboidrato consumir durante o ciclismo?

 A quantidade ideal depende principalmente da duração e da intensidade do exercício, da tolerância gastrointestinal e da estratégia nutricional individual.

Para orientar o planejamento, as recomendações utilizadas na nutrição esportiva podem ser organizadas da seguinte forma:


Em provas longas de alto rendimento, a ingestão de até 90 g de carboidratos por hora pode ser considerada quando há elevada demanda energética e boa tolerância gastrointestinal. Estratégias mais avançadas devem ser planejadas e treinadas previamente.

Por que alguns atletas utilizam até 90 g/h?

Quando a ingestão ultrapassa aproximadamente 60 g/h, utilizar diferentes tipos de carboidratos transportados por vias intestinais distintas pode aumentar a absorção e a disponibilidade de energia.

Uma combinação de glicose ou maltodextrina com frutose é frequentemente utilizada em estratégias de alta ingestão. A proporção depende da formulação, da quantidade total consumida e da tolerância individual.

Entretanto, aumentar a ingestão rapidamente, sem adaptação, pode provocar náuseas, distensão abdominal, desconforto intestinal e diarreia.

Por isso, a chamada gut training, ou treinamento gastrointestinal, é uma estratégia relevante: o atleta pratica, durante os treinos, a ingestão de líquidos e carboidratos em quantidades semelhantes às previstas para a competição.

O objetivo é desenvolver tolerância à estratégia nutricional e reduzir a possibilidade de desconfortos durante a prova.

Quais alimentos e produtos podem fornecer carboidratos durante o pedal?

A escolha deve considerar praticidade, concentração de carboidratos, facilidade de mastigação, disponibilidade de água e tolerância gastrointestinal.

Entre as opções mais utilizadas estão:

  • Géis esportivos: permitem ingerir carboidratos de maneira prática e concentrada.

  • Bebidas esportivas: podem fornecer carboidratos e eletrólitos simultaneamente.

  • Barras energéticas: podem ser úteis em determinadas fases do pedal, conforme a textura e a tolerância digestiva.

  • Bananas e outras frutas: oferecem carboidratos e podem complementar a estratégia nutricional.

  • Alimentos sólidos de fácil digestão: podem ser utilizados em treinos longos, dependendo da intensidade e das condições da prova.

Uma estratégia eficiente pode combinar bebidas, géis e alimentos, em vez de depender exclusivamente de uma única fonte.

O importante é contabilizar a quantidade total de carboidratos consumida por hora, considerando todos os produtos utilizados.

Também é necessário avaliar a concentração da bebida. Preparações excessivamente concentradas podem prejudicar a tolerância gastrointestinal em algumas situações, especialmente quando a ingestão de líquidos é limitada.

Eletrólitos: qual é o papel na hidratação do ciclista?

Os eletrólitos são minerais que, dissolvidos nos líquidos corporais, participam de funções fisiológicas essenciais.

Durante o ciclismo, os mais relevantes para o planejamento da reposição hídrica são o sódio e, em menor grau, outros minerais, como potássio, magnésio e cloreto.

O sódio merece atenção especial porque é o principal eletrólito perdido pelo suor e participa da regulação do volume extracelular, do equilíbrio de líquidos e da função neuromuscular.

Em exercícios prolongados, especialmente sob calor intenso, a combinação de elevada taxa de sudorese e perdas significativas de sódio pode aumentar a necessidade de reposição individualizada.

Por que o sódio merece destaque?

A concentração de sódio no suor varia bastante entre indivíduos. Além disso, o volume de suor produzido por hora depende da intensidade do exercício, da temperatura, da umidade, das roupas e das características pessoais.

Consequentemente, dois ciclistas pedalando juntos podem apresentar necessidades de reposição diferentes.

O documento de consenso do American College of Sports Medicine sobre reposição de líquidos recomenda considerar as perdas individuais e evitar tanto a desidratação excessiva quanto a ingestão exagerada de líquidos.

A reposição adequada pode ajudar a manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico durante exercícios prolongados. Entretanto, consumir sódio em excesso não garante melhor desempenho, e a suplementação deve ser proporcional às necessidades do atleta.

Quanto sódio consumir durante o ciclismo?

Como referência inicial, documentos de nutrição esportiva frequentemente citam bebidas contendo aproximadamente 500–700 mg de sódio por litro para exercícios prolongados.

Essa concentração não representa uma recomendação universal de ingestão total. A quantidade necessária depende do volume de líquido consumido, da concentração de sódio no suor, da duração do exercício e das condições ambientais.

Em atletas que apresentam perdas elevadas, pode ser necessário ajustar a estratégia com base em uma avaliação individual.

É importante distinguir sódio de sal de cozinha: o sal contém sódio, mas as quantidades não são equivalentes. Um grama de sódio corresponde aproximadamente a 2,5 gramas de sal.

Além disso, o sódio perdido pelo suor não deve ser utilizado isoladamente para explicar todas as ocorrências de cãibras. A fadiga neuromuscular e outros fatores também podem contribuir para esses episódios.

A reposição de eletrólitos deve ser planejada, não realizada indiscriminadamente.

Água ou bebida esportiva: qual escolher?

A resposta depende da duração e da intensidade do exercício.

Em atividades curtas, a água geralmente é suficiente para a hidratação. Em treinos intensos ou prolongados, bebidas contendo carboidratos e eletrólitos podem apresentar vantagens, pois fornecem energia e ajudam a repor parte das perdas pelo suor.

No ciclismo de alto rendimento, as bebidas esportivas também podem facilitar a ingestão simultânea de líquidos e carboidratos, especialmente quando o atleta tem dificuldade de consumir alimentos sólidos.

Ainda assim, é importante considerar a quantidade total de líquido ingerido. Beber água ou bebidas esportivas em excesso pode causar hiponatremia associada ao exercício, condição caracterizada pela redução da concentração de sódio no sangue.

Por isso, a estratégia deve evitar tanto a reposição insuficiente quanto o consumo excessivo de líquidos.

Uma avaliação prática consiste em medir o peso corporal antes e depois de treinos representativos, considerando o líquido ingerido e a urina eliminada durante a sessão. Essa informação ajuda a estimar a taxa de sudorese e a orientar o planejamento de hidratação.

 Como calcular a taxa de sudorese?

A taxa de sudorese é uma ferramenta útil para personalizar a reposição hídrica.

Uma estimativa prática pode ser feita com a seguinte fórmula:

Taxa de sudorese (L/h) = [peso antes − peso depois (kg) + líquido ingerido (L) − urina eliminada (L)] ÷ duração (h)

Para estimar, considera-se aproximadamente 1 kg de variação de massa corporal equivalente a 1 litro de água.

Exemplo prático

Um ciclista inicia um treino pesando 75 kg e termina com 74 kg. Durante duas horas, consome 1 litro de líquido e não elimina urina.

Cálculo:

  • Perda de peso: 1 kg, aproximadamente 1 litro.

  • Líquido ingerido: 1 litro.

  • Duração: 2 horas.

Taxa estimada de sudorese:

(1 + 1) ÷ 2 = 1 litro por hora.

Esse valor é uma estimativa das perdas de suor, não uma prescrição automática de ingestão de 1 L/h. A reposição deve considerar as condições do exercício, a tolerância gastrointestinal e a necessidade de evitar ganho de peso durante a atividade.

O cálculo pode ser repetido em treinos realizados em diferentes temperaturas e intensidades para compreender melhor a variação individual.

Como combinar carboidratos e eletrólitos em uma prova longa?

O planejamento nutricional deve considerar a quantidade de carboidratos necessária, o volume de líquidos tolerado e a reposição de sódio compatível com as perdas individuais.

Um exemplo ilustrativo para um ciclista que realiza uma prova de três horas pode ser organizado da seguinte forma:


Esse exemplo não substitui um plano nutricional individual. Um atleta que tolera 60 g/h pode ter excelente desempenho com essa estratégia, enquanto outro, em uma competição mais longa e exigente, pode se beneficiar de uma ingestão maior, após adaptação.

A alimentação durante o exercício também deve ser integrada ao consumo antes e depois do pedal, de modo a favorecer a disponibilidade energética, a recuperação do glicogênio e a recuperação global do atleta.

O que muda quando o ciclismo acontece no calor?

O calor aumenta a importância do planejamento hídrico, pois pode elevar a taxa de sudorese e comprometer a capacidade de dissipar calor.

O consenso do Comitê Olímpico Internacional sobre competições em ambientes quentes destaca que a hidratação e a reposição de eletrólitos devem considerar as condições ambientais e as características individuais.

Nessas situações, pode ser necessário ajustar o volume e a frequência de ingestão de líquidos. A estratégia de carboidratos também pode precisar de adaptações para equilibrar o fornecimento de energia, a concentração das bebidas e a tolerância digestiva.

Não existe uma quantidade única de água ou sódio adequada para todos os atletas em ambientes quentes. O planejamento deve ser testado em treinos semelhantes às condições esperadas para a competição.

A estratégia nutricional precisa ser treinada

Uma estratégia nutricional eficaz não começa no dia da prova.

Durante os treinos, o ciclista pode testar diferentes fontes de carboidratos, avaliar a tolerância a maiores quantidades por hora, ajustar a concentração das bebidas e observar como responde a diferentes condições climáticas.

Também é importante registrar a ingestão de líquidos e alimentos, o tempo de exercício, a intensidade e eventuais sintomas gastrointestinais.

Essas informações permitem identificar ajustes necessários antes da competição e reduzem a probabilidade de utilizar uma estratégia desconhecida em um momento decisivo.

O acompanhamento por nutricionista esportivo é especialmente relevante no alto rendimento, pois possibilita integrar as demandas energéticas, a reposição hídrica, a recuperação e as características individuais do atleta.

Conclusão

No ciclismo de alto rendimento, carboidratos e eletrólitos desempenham funções complementares.

Os carboidratos fornecem energia para sustentar esforços prolongados e intensos, enquanto a reposição adequada de líquidos e sódio ajuda a manter o equilíbrio hídrico e eletrolítico.

Entretanto, não basta aumentar indiscriminadamente a ingestão de carboidratos, água ou eletrólitos. A estratégia mais eficiente é aquela que considera a duração e a intensidade do exercício, as condições ambientais, as perdas individuais e a tolerância gastrointestinal.

A nutrição esportiva faz parte do treinamento. Planejar, testar e individualizar a ingestão de carboidratos e líquidos pode ajudar o ciclista a sustentar o desempenho e chegar à competição mais bem preparado.



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Contribuição: recomendações para a hidratação, a ingestão de carboidratos e o manejo das demandas fisiológicas em ambientes quentes.

Nota: as faixas apresentadas neste artigo são referências gerais da literatura científica. A prescrição individual deve considerar as necessidades energéticas, as perdas pelo suor, as condições clínicas e a tolerância do atleta.


Feito por Rafael da Mata - graduando e estagiário em Nutrição