quarta-feira, 11 de março de 2026

 Cortisol e a Nutrição 


O cortisol é um hormônio produzido pelas glândulas suprarrenais e tem um papel fundamental na forma como o corpo responde ao estresse e regula a energia. Ele faz parte do funcionamento do Eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, sistema que conecta cérebro e glândulas suprarrenais para controlar a liberação de hormônios relacionados ao estresse.

Em condições normais, o cortisol segue um ritmo natural ao longo do dia. Geralmente seus níveis são mais altos pela manhã, ajudando o corpo a acordar e ter energia para iniciar as atividades. Ao longo do dia, esses níveis vão diminuindo gradualmente. Esse equilíbrio é importante para manter o metabolismo funcionando de forma adequada.

Do ponto de vista metabólico, o cortisol ajuda o organismo a garantir energia quando necessário. Ele participa de processos como a Gliconeogênese, que é a produção de glicose pelo fígado quando o corpo precisa manter os níveis de açúcar no sangue estáveis. Além disso, o hormônio pode estimular a liberação de energia armazenada em forma de gordura e proteína, especialmente em situações de estresse físico ou metabólico.

A alimentação tem influência direta nesse processo. Quando a dieta contém muitos alimentos ricos em açúcar e carboidratos refinados, podem ocorrer picos rápidos de glicose no sangue seguidos de quedas bruscas. Essas oscilações fazem o organismo ativar mecanismos de defesa para normalizar a glicemia, o que pode estimular a liberação de cortisol.

Outro fator importante é o tempo entre as refeições. Ficar muitas horas sem se alimentar pode ser interpretado pelo corpo como um sinal de falta de energia, aumentando a atividade hormonal relacionada ao estresse. Por isso, manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia pode ajudar a evitar essas respostas exageradas.

Alguns nutrientes também participam da regulação da resposta ao estresse. O Magnésio, por exemplo, está envolvido no funcionamento do sistema nervoso e pode contribuir para processos de relaxamento e controle do estresse. Já a Vitamina C é encontrada em altas concentrações nas glândulas suprarrenais e participa da produção de substâncias relacionadas à resposta ao estresse.

Além disso, o consumo de estimulantes também pode influenciar os níveis de cortisol. A Cafeína, presente no café e em algumas bebidas energéticas, estimula o sistema nervoso e pode aumentar temporariamente a liberação desse hormônio, principalmente quando consumida em grandes quantidades.

Quando o cortisol permanece elevado por muito tempo, podem surgir alguns efeitos no organismo, como aumento da gordura abdominal, dificuldade para dormir, maior sensação de cansaço e alterações no metabolismo da glicose. Em situações mais raras e específicas, níveis muito altos podem estar associados a doenças hormonais, como a Síndrome de Cushing.

De forma geral, uma alimentação equilibrada, com boa distribuição de nutrientes ao longo do dia, pode contribuir para manter o cortisol dentro de níveis saudáveis. Além da nutrição, fatores como qualidade do sono, prática regular de atividade física e controle do estresse também são fundamentais para o equilíbrio hormonal.

Por: Andréa Melo

Referências Bibliográficas 

  • GROPPER, Sareen S.; SMITH, Jack L.; CARR, Timothy P. Advanced Nutrition and Human Metabolism. 7. ed. Boston: Cengage Learning, 2018.
  • ROSS, A. Catharine; CABALLERO, Benjamin; COUSINS, Robert J.; TUCKER, Katherine L.; ZIEGLER, Thomas R. Modern Nutrition in Health and Disease. 11. ed. Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins, 2014.
  • HALL, John E. Guyton and Hall Textbook of Medical Physiology. 14. ed. Philadelphia: Elsevier, 2021.
  • TSIGOS, Constantine; CHROUSOS, George P. Hypothalamic–pituitary–adrenal axis, neuroendocrine factors and stress. Endocrine Reviews, v. 23, n. 3, p. 284–301, 2002.
  • ADAM, Emma K.; KUMARI, Meena. Assessing salivary cortisol in large-scale, epidemiological research. Psychoneuroendocrinology, v. 34, n. 10, p. 1423–1436, 2009.
  • TRYON, Matthew S.; CARTER, Carolyn S.; DECANTER, Erin. Chronic stress exposure and high-fat diet: mechanisms linking stress to metabolic disease. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 98, n. 6, p. 1490–1497, 2013.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. World Health Organization. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Geneva: WHO, 2003.
  • NATIONAL INSTITUTES OF HEALTH. National Institutes of Health. Stress and the hypothalamic–pituitary–adrenal axis. Bethesda: NIH.


Enzimas que identifica auterações hepáticas

 

TGO e TGP: como interpretar os riscos quando essas enzimas estão alteradas



Os exames de sangue são ferramentas essenciais para avaliar a saúde do fígado. Entre os marcadores mais solicitados estão a TGO (AST) e a TGP (ALT), enzimas que ajudam os médicos a identificar possíveis lesões hepáticas. Alterações nesses valores podem gerar preocupação, mas sua interpretação depende de vários fatores clínicos.

Neste artigo, vamos explicar o que significam TGO e TGP elevados, quais são os riscos associados e como interpretar esses resultados de forma adequada.

O que são TGO e TGP?

A TGO (AST) e a TGP (ALT) são enzimas presentes principalmente nas células do fígado. Elas participam do metabolismo de aminoácidos e normalmente circulam em pequenas quantidades no sangue.

Quando ocorre dano nas células hepáticas, essas enzimas são liberadas para a corrente sanguínea, resultando em valores elevados nos exames laboratoriais.

A TGP é considerada mais específica para o fígado, enquanto a TGO também pode ser encontrada em músculos, coração e rins.

Quando os níveis são considerados altos?

Os valores de referência podem variar entre laboratórios, mas geralmente seguem este padrão de interpretação:

  • Elevação leve: até 2–3 vezes o limite superior normal

  • Elevação moderada: entre 3 e 10 vezes o limite

  • Elevação grave: acima de 10 vezes o valor normal

Quanto maior o aumento, maior a probabilidade de existir algum processo inflamatório ou lesão hepática em andamento.

Principais causas de TGO e TGP elevados

Diversas condições podem levar ao aumento dessas enzimas. Entre as causas mais comuns estão:

  • Infecções virais como Hepatite B e Hepatite C

  • Doença hepática gordurosa não alcoólica, frequentemente associada à obesidade

  • Consumo excessivo de álcool

  • Uso de medicamentos que podem afetar o fígado, como doses elevadas de Paracetamol

  • Lesões musculares ou exercícios físicos intensos

  • Doenças metabólicas ou autoimunes

Por isso, valores alterados devem sempre ser avaliados dentro do contexto clínico do paciente.

A importância da relação TGO/TGP

Além dos valores isolados, os médicos também observam a relação entre TGO e TGP, pois ela pode fornecer pistas importantes sobre a origem da alteração.

  • TGO/TGP maior que 2: pode sugerir doença hepática associada ao álcool

  • TGO/TGP menor que 1: é mais comum em hepatites virais ou na doença hepática gordurosa

Essa análise ajuda a direcionar a investigação e decidir quais exames complementares são necessários.

Outros exames que ajudam na avaliação

Para uma interpretação mais precisa, os médicos geralmente analisam outros marcadores hepáticos junto com TGO e TGP, como:

  • Bilirrubina

  • Fosfatase alcalina

  • Gama‑glutamil transferase (GGT)

Esses exames ajudam a diferenciar entre lesões das células do fígado, problemas nas vias biliares ou outras alterações metabólicas.

Quais são os riscos de TGO e TGP elevados?

Quando os níveis permanecem elevados por muito tempo, pode haver risco de progressão para doenças hepáticas crônicas, incluindo Cirrose.

Além disso, pesquisas indicam que alterações persistentes dessas enzimas podem estar associadas a condições metabólicas importantes, como:

  • Síndrome metabólica

  • Diabetes tipo 2

Por esse motivo, médicos costumam investigar valores alterados quando persistem por mais de alguns meses.

Conclusão

TGO e TGP são marcadores importantes para avaliar a saúde do fígado, mas seus valores não devem ser interpretados isoladamente. A análise deve considerar histórico clínico, outros exames laboratoriais e possíveis fatores de risco.

Se seus exames mostraram alterações, o mais importante é buscar orientação médica para uma avaliação completa e, se necessário, iniciar o acompanhamento adequado.


Por: Estágiria Agda Araujo

Referencia:

Caxambú, A. L. R. L.; Carrocini, M. M. S.; Thomazelli, F. C. S. Prevalência das alterações de enzimas hepáticas relacionadas à doença hepática gordurosa não alcoólica em pacientes diabéticos. Arquivos Catarinenses de Medicina.

terça-feira, 10 de março de 2026

Apolipoproteína B (ApoB)



A Apolipoproteína B (ApoB) é uma proteína presente em várias partículas de lipoproteínas que transportam gordura e colesterol no sangue. Cada partícula potencialmente aterogênica — ou seja, capaz de contribuir para a formação de placas nas artérias — contém exatamente uma molécula de ApoB. Por esse motivo, a medição de ApoB é considerada uma forma bastante precisa de estimar o número total de partículas lipídicas que podem causar aterosclerose.

A ApoB está presente principalmente nas lipoproteínas LDL, VLDL, IDL e nos remanescentes de lipoproteínas ricas em triglicerídeos. Essas partículas podem penetrar na parede das artérias e iniciar o processo de acúmulo de gordura e inflamação que leva à Aterosclerose, condição associada a eventos cardiovasculares como Infarto do miocárdio e Acidente vascular cerebral.

Diferentemente do colesterol LDL, que mede a quantidade de colesterol transportado nas partículas, a ApoB indica quantas partículas aterogênicas estão circulando no sangue. Isso é importante porque duas pessoas podem ter o mesmo valor de LDL, mas números diferentes de partículas. Quando há muitas partículas pequenas contendo menos colesterol cada uma, o LDL pode parecer normal, mas o risco cardiovascular ainda pode estar elevado. Nesses casos, a ApoB tende a estar aumentada.

Valores de referência podem variar entre laboratórios, mas em geral considera-se que níveis abaixo de cerca de 65 mg/dL indicam risco cardiovascular muito baixo, entre 65 e 80 mg/dL são considerados ideais para a maioria das pessoas, e valores acima de 100 mg/dL podem indicar aumento do risco de doença cardiovascular, especialmente em indivíduos com outros fatores de risco.

Níveis elevados de ApoB são mais comuns em pessoas com condições metabólicas como Síndrome metabólica, Diabetes tipo 2, triglicerídeos elevados e Esteatose hepática. Nessas situações, o fígado costuma produzir mais partículas ricas em triglicerídeos (VLDL), o que aumenta o número total de partículas contendo ApoB.

Na prática clínica, a avaliação da ApoB pode ajudar a estimar melhor o risco cardiovascular, orientar mudanças de estilo de vida e auxiliar na decisão sobre tratamentos como estatinas ou outras terapias para redução de lipídios. Muitos especialistas consideram a ApoB um dos marcadores mais diretos da carga aterogênica do sangue.

Por: Andréa Melo 

Referências Bibliográficas
  • SNIDERMAN, Allan D. et al. Apolipoprotein B particles and cardiovascular disease: a narrative review. JAMA Cardiology, Chicago, v. 4, n. 12, p. 1287–1295, 2019.
  • BOEKHOLDT, S. Matthijs et al. Levels and changes of HDL cholesterol and apolipoprotein A-I in relation to risk of cardiovascular events. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 58, n. 14, p. 1302–1309, 2011.
  • CROMWELL, William C.; OTVOS, James D. Low-density lipoprotein particle number and risk for cardiovascular disease. Current Atherosclerosis Reports, Philadelphia, v. 6, n. 5, p. 381–387, 2004.
  • GRUNDY, Scott M. et al. 2018 guideline on the management of blood cholesterol. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 73, n. 24, p. e285–e350, 2019. Diretriz elaborada pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association.
  • MACH, François et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. European Heart Journal, Oxford, v. 41, n. 1, p. 111–188, 2020. Diretriz da European Society of Cardiology e da European Atherosclerosis Society.


 Lugol e Hipotireoidismo: O que dizem os Estudos Científicos



Nos últimos anos, a solução de Lugol voltou a ganhar popularidade em redes sociais e em alguns círculos de medicina alternativa. Muitas pessoas passaram a utilizá-la acreditando que poderia ajudar no tratamento do hipotireoidismo ou melhorar a função da tireoide. No entanto, a relação entre o iodo — principal componente do Lugol — e as doenças da tireoide é mais complexa do que parece. Pesquisas científicas mostram que tanto a falta quanto o excesso desse mineral podem afetar negativamente o funcionamento da glândula.

O que é a solução de Lugol

A solução de Lugol é uma mistura de iodo molecular (I₂) e iodeto de potássio (KI) dissolvidos em água. Ela foi desenvolvida em 1829 pelo médico francês Jean Guillaume Lugol. Historicamente, foi utilizada para diferentes finalidades médicas, incluindo tratamento de infecções, suplementação de iodo e preparo pré-operatório em cirurgias da tireoide.

O principal componente ativo do Lugol é o iodo, um micronutriente essencial para o organismo humano. Ele é necessário para a produção dos hormônios tireoidianos T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), responsáveis por regular o metabolismo, a temperatura corporal, o crescimento e diversas funções celulares.

A importância do iodo para a tireoide

A glândula tireoide utiliza o iodo proveniente da alimentação para produzir seus hormônios. A ingestão diária recomendada para adultos é de aproximadamente 150 microgramas por dia, valor geralmente alcançado por meio de alimentos como peixes, frutos do mar, laticínios e sal iodado.

Quando há deficiência de iodo, o organismo pode apresentar dificuldades para produzir hormônios tireoidianos. Isso pode levar ao aumento da glândula (bócio) e ao desenvolvimento de hipotireoidismo. Em regiões do mundo onde o consumo de iodo é baixo, esse tipo de deficiência ainda é uma causa importante de doenças da tireoide.

Entretanto, em muitos países onde existe iodação do sal, a deficiência de iodo é relativamente rara. Nesses locais, a causa mais comum de hipotireoidismo costuma ser a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune em que o sistema imunológico ataca a própria tireoide.


O que acontece quando há excesso de iodo

Embora o iodo seja essencial, quantidades muito elevadas podem interferir no funcionamento da tireoide. Um fenômeno conhecido como efeito Wolff–Chaikoff explica parte desse processo.

Quando o organismo recebe uma quantidade muito grande de iodo em um curto período, a tireoide reduz temporariamente a produção de hormônios. Esse mecanismo funciona como uma espécie de proteção para evitar a produção excessiva de T3 e T4.

Na maioria das pessoas, após alguns dias ocorre o chamado “escape do efeito Wolff–Chaikoff”, e a produção hormonal volta ao normal. Porém, em alguns indivíduos — especialmente aqueles com doenças tireoidianas pré-existentes — esse escape não acontece de forma adequada. Nesses casos, a produção hormonal pode permanecer reduzida, levando ao desenvolvimento de hipotireoidismo induzido por iodo.


Lugol é indicado para tratar hipotireoidismo?

Apesar de algumas divulgações populares sugerirem benefícios, a maior parte das evidências científicas não recomenda o uso de altas doses de iodo — como ocorre com o Lugol — para tratar hipotireoidismo.

Isso ocorre por alguns motivos principais:

  • A maioria dos casos de hipotireoidismo não é causada por deficiência de iodo.

  • Doses elevadas de iodo podem reduzir a produção de hormônios tireoidianos.

  • O excesso de iodo pode desencadear ou agravar doenças autoimunes da tireoide.

Por esse motivo, o tratamento padrão para hipotireoidismo geralmente consiste na reposição hormonal com levotiroxina, que fornece ao organismo o hormônio que a glândula não consegue produzir adequadamente.


Em quais situações o Lugol é utilizado na medicina

Apesar de não ser indicado para tratar hipotireoidismo, a solução de Lugol ainda possui algumas aplicações médicas específicas. Entre elas estão:

  • preparo pré-operatório em cirurgias da tireoide, especialmente em pacientes com doença de Graves

  • tratamento temporário em crises de hipertireoidismo grave (tempestade tireotóxica)

  • bloqueio da captação de iodo radioativo em situações de exposição nuclear

Nesses contextos, o objetivo é justamente reduzir temporariamente a atividade da tireoide.


Possíveis riscos do uso sem orientação médica

O uso indiscriminado de Lugol pode trazer alguns riscos para a saúde, principalmente quando utilizado em doses altas ou por períodos prolongados. Entre os efeitos descritos na literatura médica estão:

  • hipotireoidismo induzido por iodo

  • hipertireoidismo em pessoas predispostas

  • inflamação da tireoide (tireoidite)

  • agravamento de doenças autoimunes da glândula

Por essa razão, qualquer suplementação de iodo deve ser avaliada por profissionais de saúde, especialmente em pessoas que já possuem alterações tireoidianas.


Conclusão

O iodo é um nutriente fundamental para a produção de hormônios tireoidianos, mas seu consumo precisa ocorrer em quantidades adequadas. A solução de Lugol, por conter doses elevadas desse mineral, não é considerada um tratamento padrão para hipotireoidismo.

Estudos científicos indicam que o excesso de iodo pode, inclusive, prejudicar o funcionamento da tireoide em algumas situações. Dessa forma, o uso dessa substância deve ocorrer apenas quando houver indicação médica específica e acompanhamento profissional.

Informação baseada em evidências é essencial para evitar práticas que possam comprometer a saúde da tireoide.


Referências bibliográficas

Markou, K. et al. Iodine-Induced Hypothyroidism. Thyroid, 2001.

Roti, E.; Uberti, E. Adverse Effects of Iodine on the Thyroid. The Endocrinologist, 1997.

Leung, A. M.; Braverman, L. E. Consequences of excess iodine. Endocrine Reviews, 2024.

Teng, W. et al. Effect of excess iodine intake on thyroid diseases in different populations. PLoS ONE, 2017.

Zimmermann, M. B.; Boelaert, K. Iodine deficiency and thyroid disorders. The Lancet Diabetes & Endocrinology, 2015.

Campos, A. C. et al. Iodine-induced thyroid dysfunction and Wolff–Chaikoff effect. Frontiers in Endocrinology, 2023.


Por: Camila Santos

Sindrome Metabólica

 

A Síndrome Metabólica é uma condição caracterizada pela presença simultânea de vários fatores de risco metabólicos no mesmo indivíduo. Esses fatores estão relacionados a alterações no metabolismo da glicose, das gorduras e na regulação da pressão arterial, aumentando significativamente o risco de doenças crônicas.

De acordo com estudos científicos recentes, a síndrome metabólica geralmente é diagnosticada quando a pessoa apresenta três ou mais dos seguintes fatores:

  • obesidade abdominal (acúmulo de gordura na região da cintura)

  • pressão arterial elevada

  • níveis altos de glicose no sangue

  • triglicerídeos elevados

  • níveis baixos de colesterol HDL (o “colesterol bom”).

Pesquisas mostram que essa condição está fortemente associada ao estilo de vida moderno, principalmente sedentarismo, alimentação rica em alimentos ultraprocessados e excesso de peso. Além disso, fatores genéticos e envelhecimento também podem contribuir para o desenvolvimento da síndrome.

A presença da síndrome metabólica aumenta consideravelmente o risco de várias doenças graves, como:

  • Diabetes Mellitus tipo 2

  • Doenças cardiovasculares

  • Acidente Vascular Cerebral

  • problemas hepáticos, como Doença hepática gordurosa não alcoólica.

Estudos epidemiológicos indicam que pessoas com síndrome metabólica podem ter até duas ou três vezes mais risco de desenvolver doenças cardiovasculares e cinco vezes mais risco de desenvolver diabetes tipo 2 quando comparadas à população sem essa condição.

Diante disso, a literatura científica destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce. Mudanças no estilo de vida, como alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal e acompanhamento médico, são estratégias fundamentais para reduzir o risco metabólico e prevenir complicações.

Em síntese: a síndrome metabólica representa um importante problema de saúde pública, pois reúne vários fatores de risco que, quando combinados, aumentam significativamente a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas e cardiovasculares.

Por: Elizana Oliveira


Referências:

ALBERTI, K. G. M. M. et al. Harmonizing the metabolic syndrome: a joint interim statement of international organizations. Circulation, Dallas, v. 120, n. 16, p. 1640–1645, 2009.

SAKLAYEN, M. G. The global epidemic of the metabolic syndrome. Current Hypertension Reports, New York, v. 20, n. 2, p. 1–8, 2018.

ROBLEDO-MILLÁN, C. R. et al. A novel metabolic risk classification system incorporating body fat, waist circumference, and muscle strength. Journal of Functional Morphology and Kinesiology, Basel, v. 10, n. 1, 2025.

GRUNDY, S. M. Metabolic syndrome update. Trends in Cardiovascular Medicine, New York, v. 26, n. 4, p. 364–373, 2016.

FORD, E. S.; LI, C.; ZHAO, G. Prevalence and correlates of metabolic syndrome based on a harmonious definition among adults in the US. Journal of Diabetes, Hoboken, v. 2, n. 3, p. 180–193, 2010.

Menos Pacotes, Mais Saúde: Como Reduzir Alimentos Industrializados

 Veneno Nesse Pacote? Como Evitar Alimentos Industrializados no Dia a Dia



Cada vez mais pessoas estão percebendo que muitos alimentos industrializados escondem ingredientes que podem prejudicar a saúde quando consumidos com frequência. Conservantes, corantes artificiais, excesso de açúcar, sódio e gorduras de baixa qualidade são comuns nesses produtos. A boa notícia é que é possível reduzir bastante esse consumo com algumas mudanças simples na rotina. 

 Leia os rótulos com atenção

Um dos primeiros passos é aprender a observar a lista de ingredientes. Em geral, quanto maior a lista e mais nomes difíceis de reconhecer, mais processado é o alimento. Ingredientes como xarope de glicose, gordura vegetal hidrogenada e muitos aditivos químicos são sinais de que o produto passou por grande processamento.

 Prefira alimentos naturais

Frutas, verduras, legumes, grãos, ovos e carnes frescas são exemplos de alimentos que vêm diretamente da natureza ou passam por pouca modificação. Montar as refeições com esses ingredientes costuma ser mais saudável e nutritivo. 

 Cozinhe mais em casa

Preparar sua própria comida permite controlar os ingredientes utilizados. Mesmo receitas simples já ajudam a evitar conservantes e excesso de sal ou açúcar. Além disso, cozinhar pode se tornar um hábito prazeroso e econômico.

 Cuidado com produtos “convenientes”

Biscoitos recheados, salgadinhos de pacote, refeições prontas congeladas e refrigerantes são exemplos clássicos de alimentos ultraprocessados. Eles são feitos para durar muito tempo na prateleira e para estimular o consumo frequente — não necessariamente para nutrir o corpo.

 Planeje suas compras

Ir ao mercado com uma lista ajuda a evitar escolhas impulsivas. Uma dica útil é focar mais nas áreas onde ficam alimentos frescos, como hortifrúti, e passar menos tempo nos corredores de produtos embalados. 

 Substituições simples

Pequenas trocas já fazem diferença:

  • Fruta no lugar de doces industrializados

  • Água ou suco natural no lugar de refrigerante

  • Pipoca feita em casa no lugar de salgadinhos de pacote

Atenção:

Evitar alimentos industrializados não significa eliminar tudo de uma vez, mas sim buscar equilíbrio. Quanto mais alimentos naturais fizerem parte da rotina, maior será a chance de manter uma alimentação saudável e nutritiva ao longo do tempo.

Pequenas escolhas diárias podem transformar sua saúde no longo prazo.

Por: Estágiaria Agda Araujo

Referencia:

https://idec.org.br/programas-tematicos/alimentacao



Deficiência de ferro em atletas e impacto no rendimento

   

   Deficiência de ferro em atletas e impacto no rendimento

 

O ferro é um mineral essencial para o organismo, especialmente para pessoas que praticam atividade física regularmente. Ele participa da formação da hemoglobina, proteína responsável por transportar oxigênio no sangue. Quando os níveis de ferro estão baixos, o corpo pode ter dificuldade para fornecer oxigênio adequado aos músculos, o que prejudica o desempenho esportivo.

Por que atletas podem ter deficiência de ferro?

- Atletas apresentam maior risco de deficiência de ferro por diversos fatores, como:

- Maior demanda do organismo devido ao treinamento intenso

- Perda de ferro pelo suor

- Pequenas perdas gastrointestinais associadas ao exercício

- Impacto repetitivo, especialmente em esportes como corrida

- Baixa ingestão alimentar de ferro

- Mulheres atletas também apresentam risco aumentado devido às perdas menstruais.

Como a deficiência de ferro afeta o desempenho

A falta de ferro pode causar diversos sintomas que impactam diretamente no rendimento esportivo, como:

-Fadiga e cansaço excessivo

-Falta de energia durante os treinos

-Redução da resistência física

-Dificuldade de recuperação após exercícios

-Queda no desempenho

-Em casos mais avançados, pode ocorrer anemia ferropriva, que compromete ainda mais a capacidade aeróbica.


Alimentação e prevenção

A alimentação é fundamental para prevenir a deficiência de ferro. Alguns alimentos ricos nesse mineral incluem:

Carnes vermelhas

-Frango

-Peixes

-Feijão

-Lentilha

-Grão-de-bico

-Vegetais verde-escuros

Uma estratégia importante é consumir vitamina C junto com alimentos ricos em ferro, pois ela melhora a absorção do mineral.


Importância do acompanhamento nutricional

Atletas que apresentam sintomas de cansaço persistente ou queda no desempenho devem procurar avaliação profissional. Exames laboratoriais podem ajudar a identificar a deficiência de ferro e orientar o tratamento adequado, que pode incluir ajustes na alimentação ou suplementação quando necessário.

Por: Estagiária Sara Santos


Referências científicas Thomas, D. T., Erdman, K. A., & Burke, L. M. (2016). Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics. McClung, J. P. (2019). Iron status and the female athlete. Journal of Trace Elements in Medicine and Biology. Peeling, P. et al. (2014). Iron considerations for the athlete: a narrative review. European Journal of Applied Physiology.

Glicemia e Triglicérides altos, o que fazer?

Glicemia e Triglicérides altos, o que fazer?

Um dos melhores e mais utilizados marcadores bioquímicos são a glicemia e o triglicérides. Muito provavelmente você já fez um exame de sangue e o médico fez um apontamento em relação a esses dois marcadores. Mas você sabe o que eles significam? E qual a sua importância para a saúde? 

Primeiro vou falar da glicemia. A glicemia é uma quantificação em miligramas por decilitro para revelar quanto de glicose nós temos em uma fração do nosso sangue. Geralmente os valores mais aceitos circulam entre 70 a 99 mg por dL. 

A glicemia, quando igual ou abaixo de 69 mg/dL pode indicar uma leve ou grave hipoglicemia, podendo gerar alguns sintomas mais pontuais como sintomas mais graves. Quando a glicemia atinge valores extremamente baixos, próximo ou menor que 20 mg/dL, o indivíduo pode entrar em coma ou até vir à óbito.

E o contrário também acontece, valores de 100 a 125 mg/dL indicam o estado conhecido como pré-diabetes, que são praticamente um cartão de visita da temida Diabetes. Valores acima de 126 mg/dL já caracterizam uma ineficiência da insulina, e por isso, a glicose fica "presa" na circulação, fazendo o valor da glicemia subir sem controle.

O outro marcador que é muito utilizado para checar o estado de saúde do indivíduo é o triglicérides. Ele é usado para mensurar e identificar o estado do perfil lipídico do indivíduo, sendo levado em consideração junto com as frações do colesterol: HDL, LDL e VLDL. Ele também segue o mesmo padrão da glicemia: Ele mensura o quanto de gordura nós temos em uma fração do nosso sangue. 

O valor máximo considerado para um perfil de gordura sanguíneo saudável é de até 150 mg/dL. O estado conhecido como hipertrigliceridemia pode variar de 200 até 499 mg/dL, sendo um valor bastante alto, mas ainda controlável. O risco "começa" mesmo ao passar dos 500 mg/dL, onde a chance de ter uma pancreatite ou danos cardiovasculares é enorme. 

Agora que você já sabe o que são esses marcadores, eu vou explicar o que faz os seus valores aumentarem e, principalmente, diminuírem. 

A glicemia é o reflexo do nosso consumo de carboidratos, ele não é o vilão como muitos dizem, os vilões são sempre as quantidades exacerbadas. Ao consumir muitas refeições muito ricas em carboidratos, repetidas vezes, por muito tempo, sem que haja um gasto calórico e exercício físico que justifiquem isso, a glicemia tende a aumentar por conta de uma resistência à insulina. 

Com a insulina não exercendo a função dela como deveria, a glicemia tende a subir e ficar sem controle. Ela pode chegar em um nível onde essa glicose circulante começa a oferecer sérios riscos à saúde do indivíduo. Grande parte das pessoas deve conhecer alguém ou já deve ter ouvido falar de alguma história que uma pessoa ficou cega ou teve de amputar alguma das partes do corpo (Perna, braço, dedos, pé) por conta da diabetes - E isso é real. 

Um consumo muito desregrado de qualquer tipo de carboidrato (Sucos, frutas, massas, pães, bolos, doces, batata, mandioca, tapioca, milho,aveia, mel etc.)  pode acarretar diabetes e piorá-la com o passar do tempo, se providências não forem tomadas. 

Agora falando sobre o triglicérides, eles são o reflexo do consumo de gordura, açúcares e bebida alcoólica. Esses 3 fatores podem aumentar o nível de triglicérides do indivíduo, sejam eles juntos ou separados. O grande mal do alto nível de gordura circulante é a chance aumentada de desenvolver uma aterosclerose: Entupimento dos vasos sanguíneos. 

A gordura vai se acumulando nas paredes dos vasos sanguíneos - e essa gordura não sai mais - dificultando a passagem do sangue, exigindo cada vez mais do coração para bombear o sangue rico em nutrientes e oxigênio (E nesse caso rico em gordura também) para todos os tecidos corporais. 

Esse quadro de aterosclerose (Formação de ateromas, placas de gordura) pode causar uma insuficiência cardíaca, desagastando o coração de forma prematura; pode causar um infarto agudo do miocradio, ou seja, um infarto; e pode causar um AVC, acidente vascular cerebral, gerando hemorragias. 

Esses são só alguns exemplos, existem diversas condições e doenças causadas pelo descontrole do perfil lipídico. Outras artérias podem estourar também (Coronária e Femoral), não apenas a do cérebro (Artéria Carótida). 

Por isso é extremamente importante cuidarmos da saúde desde cedo, para evitar ao máximo qualquer tipo de problema causado pelo excesso de glicose e gordura no sangue.

Agora (Depois de traumatizá-los) eu vou explicar como abaixar os níveis de glicose e gordura sem ter que usar medicamentos hipoglicemiantes e hipolipemiantes. O primeiro e mais óbvio de tudo é modoficar a dieta a fim de ingerir os alimentos nas quantidades e horários corretos. É proibido beber álcool? Não! É proibido comer açúcar e doces? Não! É proibido comer carnes, pizzas, hambúrgueres, batata frita e afins? Não!


O que muitas pessoas confudem, ou até fazem terrorismo nutricional de propósito, é com relalção ao que pode ou não pode comer. Nós podemos comer praticamente qualquer alimento, desde que seja com moderação, e dependendo da qualidade do aliemento, consumi-lo com um bom intervalo de distância. 

Para abaixar ou controlar a glicemia: Evite consumir grandes quantidades de carboidrato, principalmente próximo à noite a da hora de dormir. Evite também consumir os carboidratos sozinhos, sempre opte por conumi-los junto com qualquer coisa que atrase a digestão e dê saciedade: Fibras, proteínas e até gorduras. 


Para abaixar ou controlar o triglicérides: Evite consumir muito álcool durante a semana, evite também comer com frequência aliementos muito gordurosos como fast foods, batata e cebola fritos, cortes de carne vermelha e suína gordos, rodízios etc.

Evite também consumir açúcar de forma muito desregrada, isso auxilia tanto no controle do triglicérides como da glicemia, "resolvendo" dois problemas com uma atitude só.

A segunda grande dica é a de praticar mais atividade física, não importa qual seja o exercício ou a intensidade, praticar alguma coisa já é de grande ajuda. Os exercícios ajudam a retirar a glicose e a gordura que estão circulando no sangue, pois eles servirão de substrato para os músculos que estarão em um esforço considerável. 

Portanto, seguindo algumas dicas (Não precisa necessariamente ser uma dieta) de alimentação correta e de certa forma livre, sem restrições, somando isso com a prática semanal de atividades físicas, de qualquer modalidade, nós teremos um excelente controle glicêmico e lipídico.

Não há segredo algum, o segredo em si é cuidar do que nós comemos e sempre que possível, praticar exercício, o nosso coração agradece. 







segunda-feira, 9 de março de 2026

Radicais Livres

 

O que são radicais livres? Eles são Beneficos ou maléficos para o Corpo?


Os radicais livres são moléculas produzidas naturalmente pelo nosso corpo durante processos normais, como a produção de energia nas células. Eles também podem surgir devido a fatores externos, como poluição, fumaça de cigarro, radiação solar e alimentação desequilibrada.

Essas moléculas são instáveis e muito reativas. Por isso, podem interagir com partes importantes das células, como proteínas, gorduras e o DNA. Quando o organismo produz muitos radicais livres e não consegue neutralizá-los adequadamente, ocorre um processo chamado Estresse oxidativo.

O estresse oxidativo pode causar danos às células e está associado ao envelhecimento e ao desenvolvimento de algumas doenças, como Doença de Alzheimer, Diabetes tipo 2 e Doenças cardiovasculares.

Apesar disso, os radicais livres não são totalmente prejudiciais. Em pequenas quantidades, eles ajudam o corpo em funções importantes, como a defesa contra microrganismos e a comunicação entre células.

Para manter o equilíbrio, o organismo utiliza antioxidantes, substâncias que ajudam a neutralizar o excesso de radicais livres. Esses antioxidantes podem ser produzidos pelo próprio corpo ou obtidos através da alimentação, especialmente em frutas, verduras e bebidas como o chá verde feito da planta Camellia sinensis.

Em resumo: radicais livres fazem parte do funcionamento normal do organismo, mas quando estão em excesso podem causar danos às células. Uma alimentação equilibrada e um estilo de vida saudável ajudam a manter esse equilíbrio.

Por: Elizana Oliveira


Referências:

HALLIWELL, Barry. Understanding mechanisms of antioxidant action in health and disease. Nature Reviews Molecular Cell Biology, Londres, v. 25, p. 13–33, 2024.

HONG, Yuhang; BOITI, Alessandra; VALLONE, Daniela; FOULKES, Nicholas S. Reactive oxygen species signaling and oxidative stress: transcriptional regulation and evolution. Antioxidants, Basel, v. 13, n. 3, p. 312, 2024.

JIN, Soyeon; KANG, Peter M. A systematic review on advances in management of oxidative stress-associated cardiovascular diseases. Antioxidants, Basel, v. 13, n. 8, p. 923, 2024.


Chá verde Todos os Dias: O que dizem os Estudos Científicos?



O chá verde, preparado a partir da planta Camellia sinensis, é uma das bebidas mais consumidas no mundo. Além do sabor característico, ele chama atenção por seus possíveis benefícios à saúde. Diversos estudos científicos analisaram o impacto do consumo diário dessa bebida.


Mas afinal: tomar chá verde todos os dias realmente faz bem?

1. Rico em antioxidantes

Um dos principais motivos do interesse científico pelo chá verde é sua alta concentração de antioxidantes, especialmente as catequinas.

Entre elas, destaca-se o composto chamado EGCG (epigalocatequina galato), conhecido por:

  • combater radicais livres

  • reduzir processos inflamatórios

  • ajudar na proteção celular

Esses compostos são estudados por seu potencial de prevenir doenças crônicas e retardar processos relacionados ao envelhecimento.


2. Pode ajudar no metabolismo e controle de peso

Algumas pesquisas indicam que o chá verde pode ter um pequeno efeito no metabolismo.

Estudos clínicos observaram que o consumo regular pode:

  • aumentar levemente o gasto energético

  • estimular a oxidação de gordura

  • ajudar na composição corporal quando combinado com exercício físico

No entanto, especialistas ressaltam que o chá verde sozinho não provoca perda de peso significativa. Ele funciona melhor como parte de um estilo de vida saudável.


3. Benefícios para a saúde cardiovascular

Outro tema bastante estudado é a relação entre chá verde e saúde do coração.

Estudos populacionais sugerem que pessoas que consomem chá verde regularmente apresentam:

  • menor risco de doenças cardiovasculares

  • menor incidência de AVC

  • redução discreta da mortalidade geral

Esses efeitos podem estar relacionados à ação antioxidante e à melhora do perfil de colesterol.

4. Possível proteção para o cérebro

Pesquisas recentes também investigam a relação entre chá verde e saúde cerebral.

Estudos observacionais indicam que o consumo frequente pode estar associado a:

  • menor risco de declínio cognitivo

  • menor incidência de lesões cerebrais associadas à demência

Os pesquisadores acreditam que compostos antioxidantes e anti-inflamatórios podem ajudar a proteger os neurônios.


5. Quantidade recomendada nos estudos

A maioria das pesquisas analisa um consumo entre:

 3 a 5 xícaras por dia

Esse intervalo parece ser suficiente para obter compostos bioativos sem ultrapassar níveis elevados de cafeína.


6. Existem riscos?

Apesar dos potenciais benefícios, o consumo excessivo pode causar efeitos indesejados, principalmente devido à cafeína:

  • insônia

  • irritação gástrica

  • aumento da ansiedade em pessoas sensíveis

Além disso, extratos concentrados de chá verde em suplementos podem causar problemas hepáticos quando consumidos em excesso.


Conclusão

A literatura científica sugere que o consumo diário moderado de chá verde pode trazer benefícios à saúde, especialmente devido ao seu alto teor de antioxidantes.

No entanto, os efeitos observados são geralmente modestos e dependem de outros fatores, como alimentação equilibrada e prática de atividade física.

Em outras palavras: o chá verde pode ser um bom aliado para a saúde, mas não substitui hábitos de vida saudáveis.

 Inflamação e emagrecimento: qual é a relação?

A relação entre inflamação e emagrecimento é bastante estudada nas áreas da Ciência da Nutrição e da Imunologia. Estudos indicam que a inflamação crônica de baixo grau pode dificultar a perda de peso e favorecer o acúmulo de gordura corporal.



O que é inflamação de baixo grau?

É um estado inflamatório leve, porém contínuo, que ocorre no organismo. Muitas vezes está associado ao excesso de gordura corporal.

Esse processo está relacionado a condições como:

  • Obesidade

  • Diabetes tipo 2

  • Síndrome metabólica

O tecido adiposo, especialmente quando está em excesso, libera substâncias inflamatórias que afetam o metabolismo.

Como a inflamação pode dificultar o emagrecimento

Resistência à insulina

A inflamação pode levar à Resistência à insulina, o que prejudica o uso da glicose pelas células.

Consequências:

  • aumento da produção de insulina

  • maior armazenamento de gordura

  • maior dificuldade para perder peso.

Alterações nos hormônios da fome

A inflamação pode interferir em hormônios que controlam o apetite, como:

  • Leptina

  • Grelina

Isso pode causar aumento da fome e menor sensação de saciedade.

Alterações no metabolismo

Durante processos inflamatórios, o organismo libera substâncias chamadas citocinas inflamatórias, como:

  • Fator de Necrose Tumoral Alfa

  • Interleucina‑6

Essas moléculas podem alterar o metabolismo energético e favorecer o acúmulo de gordura.

Relação com a gordura visceral

A inflamação está fortemente associada ao acúmulo de Gordura visceral, que é a gordura localizada na região abdominal e ao redor dos órgãos.

Esse tipo de gordura é metabolicamente mais ativo e libera mais substâncias inflamatórias.

Alimentação, inflamação e emagrecimento 

Alguns padrões alimentares ajudam a reduzir inflamação e favorecer a perda de peso.

Um dos mais estudados é a Dieta Mediterrânea, caracterizada por:

  • alto consumo de frutas e vegetais

  • azeite de oliva como principal fonte de gordura

  • peixes e oleaginosas

  • baixo consumo de alimentos ultraprocessados.

Esse padrão alimentar está associado à redução de inflamação e melhora da saúde metabólica.

Nutrientes com efeito anti-inflamatório 

Alguns nutrientes e compostos bioativos ajudam a reduzir a inflamação no organismo:

  • Ácidos graxos ômega‑3

  • Polifenóis

  • Curcumina

  • Resveratrol

Eles atuam diminuindo marcadores inflamatórios e melhorando o metabolismo.


A inflamação crônica de baixo grau pode dificultar o emagrecimento porque interfere no metabolismo, nos hormônios e no armazenamento de gordura. Estratégias nutricionais que reduzem inflamação podem contribuir para uma perda de peso mais eficaz e sustentável.


Referências Bibliográficas 

  • Gökhan S. Inflammation and metabolic disorders. Nature, Londres, v. 444, n. 7121, p. 860–867, 2006.
  • KAHN, Barbara B.; FLIER, Jeffrey S. Obesity and insulin resistance. The Journal of Clinical Investigation, New Haven, v. 106, n. 4, p. 473–481, 2000.
  • HU, Frank B. Dietary pattern analysis: a new direction in nutritional epidemiology. Current Opinion in Lipidology, Londres, v. 13, n. 1, p. 3–9, 2002.
  • BRAY, George A.; POPKIN, Barry M. Dietary sugar and body weight: have we reached a crisis in the epidemic of obesity and diabetes? Circulation Research, Dallas, v. 121, n. 7, p. 877–888, 2017.
  • GIBNEY, Michael J. et al. Introduction to human nutrition. 2. ed. Oxford: Oxford University Press, 2013.
  • WILLETT, Walter. Nutritional epidemiology. 3. ed. Cambridge: Harvard University Press, 2012.
Por: Andréa Melo

Definição de senescência e senilidade

 

Senescência

A senescência refere-se ao processo natural de envelhecimento do organismo, caracterizado por mudanças fisiológicas progressivas que ocorrem com o avanço da idade. Essas alterações incluem redução da força muscular, diminuição da flexibilidade, alterações metabólicas e mudanças funcionais do corpo, sem necessariamente estar associadas a doenças.

Esse processo pode afetar a realização das atividades diárias e o bem-estar do idoso, tornando importante a adoção de estratégias de promoção da saúde, como a prática regular de atividade física.



Senilidade

A senilidade está relacionada ao envelhecimento patológico, ou seja, quando o envelhecimento ocorre associado a doenças ou perdas funcionais importantes. Nesse caso, o idoso pode apresentar limitações físicas, cognitivas e maior dependência para realizar atividades do dia a dia.


Relação entre senescência, senilidade e atividade física

A prática de atividade física é considerada um dos principais fatores para promover envelhecimento saudável. Exercícios físicos ajudam a melhorar a força muscular, a mobilidade, o equilíbrio e a qualidade de vida dos idosos, reduzindo os efeitos negativos do envelhecimento.

Além disso, programas de exercícios podem prevenir problemas comuns no envelhecimento, como sarcopenia (perda de massa muscular) e declínio funcional, contribuindo para maior autonomia e independência na terceira idade.

Estudos também mostram que o exercício físico pode reduzir marcadores celulares associados ao envelhecimento e ajudar na prevenção de doenças crônicas relacionadas à idade.

Por: Estágiaria Agda  Araujo


Referencia:

https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40152943/

https://bjihs.emnuvens.com.br/bjihs/article/view/4302?utm_source=chatgpt.com


A importância da nutrição nos primeiros 1000 dias do bebê



 Os primeiros 1000 dias de vida, que vão desde a concepção até os dois anos de idade da criança, são considerados uma das fases mais importantes para o crescimento e desenvolvimento humano. Nesse período ocorre um rápido desenvolvimento do cérebro, dos órgãos e do sistema imunológico do bebê. Por isso, a nutrição materna durante a gestação e lactação exerce um papel fundamental para a saúde da criança a curto e longo prazo.

A nutrição materna durante a gestação tem papel essencial nesse processo. Uma alimentação equilibrada fornece os nutrientes necessários para o crescimento adequado do bebê e pode reduzir o risco de complicações na gravidez, além de contribuir para um peso saudável ao nascer.

Deficiências nutricionais nesse período podem prejudicar o desenvolvimento fetal e aumentar o risco de problemas de saúde ao longo da vida, como obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. Por isso, o acompanhamento nutricional durante a gestação é importante para garantir que a mãe receba todos os nutrientes necessários.

Após o nascimento, o aleitamento materno exclusivo até os seis meses, seguido de uma introdução alimentar adequada, continua sendo fundamental para o desenvolvimento saudável da criança.

Assim, cuidar da nutrição nos primeiros 1000 dias é uma das estratégias mais importantes para promover saúde e prevenir doenças ao longo da vida.

Por: Estagiária Sara Santos

Referências

World Health Organization. Nutrition in the first 1000 days.

Journal of Developmental Origins of Health and Disease. Maternal nutrition and fetal outcomes.

Jornal de Pediatria. The pediatrician's role in the first thousand days.