quarta-feira, 16 de setembro de 2026

 



Carne vegetal: é realmente mais saudável? 🌱


Os substitutos vegetais da carne estão cada vez mais presentes na alimentação. Eles podem ser uma alternativa para variar as fontes de proteína, mas é importante lembrar que nem todo produto vegetal possui a mesma composição nutricional.


Na hora da escolha, vale observar o rótulo, a quantidade de sódio, gorduras, proteínas e a lista de ingredientes. Alimentos vegetais menos processados, como feijão, lentilha, grão-de-bico, ervilha, tofu e outras leguminosas, também são excelentes opções.


Uma alimentação equilibrada não depende de um único alimento, mas da qualidade e da variedade das escolhas ao longo do dia. 🌱🥗


Informação e equilíbrio também fazem parte da Nutrição.

Gordura no fígado: o que a alimentação tem a ver com isso?



Você já ouviu falar em “gordura no fígado”? A condição atualmente chamada de doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) acontece quando há acúmulo excessivo de gordura no fígado associado a fatores metabólicos. Ela pode estar relacionada, por exemplo, ao excesso de peso, alterações da glicemia, colesterol e triglicerídeos. 

🍽️ E onde entra a alimentação? 

A qualidade da alimentação faz parte do cuidado. Uma rotina alimentar com excesso de alimentos ultraprocessados, açúcares livres e gorduras saturadas pode contribuir para um padrão alimentar desfavorável à saúde metabólica. Por outro lado, uma alimentação baseada em alimentos in natura ou minimamente processados, como frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, oleaginosas e fontes adequadas de proteínas, favorece uma alimentação mais equilibrada. 

Alguns hábitos importantes: 

• Aumentar o consumo de frutas, verduras, legumes e alimentos ricos em fibras; 

• Reduzir o consumo frequente de bebidas açucaradas e alimentos ricos em açúcares livres; 

• Preferir fontes de gorduras insaturadas, como azeite, peixes, abacate e oleaginosas; 

• Moderar o consumo de gorduras saturadas e alimentos ultraprocessados; 

• Praticar atividade física regularmente; 

• Quando houver excesso de peso, uma redução de peso individualizada e orientada por profissionais pode melhorar a quantidade de gordura no fígado e outros aspectos da doença. Importante: ter gordura no fígado não significa simplesmente “comer gordura demais”. 

A condição é multifatorial e está relacionada à saúde metabólica como um todo. Além disso, o tratamento deve ser individualizado, especialmente quando já existem alterações no fígado ou outras doenças associadas. 

✨ Cuidar do fígado também é cuidar da alimentação, do movimento e da saúde metabólica. Informação não substitui avaliação individual com nutricionista e médico. 

- Beatriz Vitória 

Referências 

1. EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF THE LIVER (EASL); EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF DIABETES (EASD); EUROPEAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF OBESITY (EASO). EASL–EASD–EASO Clinical Practice Guidelines on the management of metabolic dysfunction-associated steatotic liver disease (MASLD). Journal of Hepatology, 2024. (EASL) 

2. AMERICAN ASSOCIATION FOR THE STUDY OF LIVER DISEASES (AASLD). Clinical Assessment and Management of Metabolic Dysfunction-Associated Steatotic Liver Disease. Atualizações e orientações clínicas. (AASLD) 

3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Healthy diet. 2026. (Organização Mundial da Saúde) 

4. WORLD HEALTH ORGANIZATION; FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS. What are healthy diets? Joint statement by the Food and Agriculture Organization of the United Nations and the World Health Organization. 2024. (Organização Mundial da Saúde)

Climatério não é só sobre calorões: o que muda no corpo nessa fase e a alimentação!

 



Quando se fala em climatério, muitas pessoas pensam apenas nas ondas de calor. Mas essa fase envolve muito mais: as alterações hormonais podem influenciar o sono, o humor, a massa muscular, a saúde óssea, o metabolismo e a composição corporal.

O climatério é uma fase natural da vida, marcada por mudanças na produção dos hormônios ovarianos, especialmente o estrogênio. Como esse hormônio participa de diversas funções do organismo, sua redução pode provocar diferentes efeitos, que variam de mulher para mulher.

Por que o corpo pode mudar?

Durante essa transição, algumas mulheres percebem maior concentração de gordura na região abdominal, alterações no sono, cansaço e mudanças no apetite ou na disposição. Porém, esses efeitos não dependem apenas dos hormônios: idade, atividade física, alimentação, estresse e qualidade do sono também influenciam.

A redução do estrogênio também está relacionada a mudanças na remodelação óssea, podendo aumentar o risco de perda de massa óssea. Além disso, a manutenção da massa muscular se torna especialmente importante para preservar força, equilíbrio e autonomia.

Onde entra a Nutrição?

A alimentação pode contribuir para a saúde e a qualidade de vida durante o climatério. Alguns cuidados importantes incluem:

  • Proteínas adequadas: ajudam na manutenção da massa muscular, principalmente quando associadas ao treinamento de força.
  • Cálcio e vitamina D: participam da manutenção da saúde óssea e devem ser avaliados de acordo com as necessidades individuais.
  • Fibras: presentes em frutas, verduras, legumes, feijões, aveia e sementes, contribuem para a saúde intestinal e metabólica.
  • Gorduras de boa qualidade: como azeite, castanhas, sementes, abacate e peixes, podem fazer parte de um padrão alimentar cardioprotetor.
  • Variedade alimentar: fornece vitaminas, minerais e compostos bioativos importantes para o funcionamento do organismo.
  • Hidratação: contribui para o funcionamento geral do corpo, embora não seja uma solução isolada para as ondas de calor.

Não existe uma dieta única que funcione para todas as mulheres. O cuidado deve considerar sintomas, exames, rotina, preferências alimentares e condições de saúde.

Mais do que focar apenas no peso, a Nutrição no climatério deve contribuir para preservar massa muscular, saúde óssea, saúde metabólica, autonomia e qualidade de vida.

Curiosidade científica

O estrogênio também participa da saúde dos ossos

O estrogênio ajuda a equilibrar a formação e a reabsorção óssea. Quando seus níveis diminuem, a perda de tecido ósseo pode se acelerar. Por isso, cuidar dos ossos nessa fase envolve muito mais do que consumir cálcio: também é importante considerar vitamina D, proteínas, atividade física e acompanhamento individual.

Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição


Referências

OLIVEIRA, G. M. M. et al. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 7, e20240478, 2024.

Nutritional interventions in treating menopause-related sleep disturbances: a systematic review. Nutrition Reviews, v. 82, n. 8, p. 1087–1110, 2024. DOI: 10.1093/nutrit/nuad113.

Menopause transition and cardiovascular disease risk. Maturitas, 2024.

Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério da SOBRAC 2024. Sociedade Brasileira de Climatério, 2024.

 


 Energia para treinar e nutrientes para recuperar!


Energia para treinar, nutrientes para recuperar! 

Na nutrição esportiva, os carboidratos têm papel importante no fornecimento de energia durante os exercícios e na reposição do glicogênio após o treinamento. E uma boa estratégia nutricional não precisa depender exclusivamente de suplementos: muitos alimentos naturais podem contribuir para essa reposição.

Quais alimentos naturais ajudam a repor energia?

Banana e outras frutas

Banana, manga, uva, laranja e outras frutas fornecem carboidratos e também oferecem vitaminas, minerais e água. A banana, por exemplo, é prática e pode ser uma opção interessante antes ou depois do treino.

Frutas secas

Tâmaras, uvas-passas e damascos secos possuem carboidratos concentrados e são fáceis de transportar. Podem ser úteis durante atividades prolongadas, desde que sejam bem tolerados individualmente.

Mel

O mel é uma fonte concentrada de carboidratos e pode ser utilizado em preparações como pão, aveia, tapioca ou combinado com frutas.

Batata, batata-doce e mandioca

Esses alimentos são excelentes fontes de carboidratos e podem fazer parte das principais refeições antes ou depois do exercício. A escolha entre eles deve considerar as preferências e necessidades de cada pessoa.

Aveia e cereais

Aveia, arroz, pão, milho e outros cereais também são importantes fontes de carboidratos. Podem ser combinados com proteínas e frutas para formar refeições equilibradas.

O que comer depois do treino?

Após o exercício, o organismo precisa recuperar energia e reparar tecidos. Por isso, uma refeição ou lanche contendo carboidratos + proteínas pode ser uma boa estratégia.

Algumas combinações práticas:

 Banana + iogurte + aveia
Pão + ovos + fruta
Arroz + feijão + carne 
Batata + frango + legumes
Aveia + leite + frutas

A quantidade ideal depende do tipo e duração do exercício, do gasto energético e dos objetivos individuais.

Alimento natural ou suplemento?

Os alimentos naturais podem atender muitas necessidades nutricionais do praticante de atividade física. Porém, em exercícios longos ou situações em que praticidade e rápida ingestão de carboidratos são importantes, produtos esportivos podem ser uma alternativa.

Portanto, não existe uma única estratégia que funcione para todo mundo. A nutrição esportiva deve ser individualizada.

A mensagem principal

Não existe alimento milagroso para melhorar o desempenho. O resultado é consequência de um conjunto de fatores: alimentação adequada, treinamento, hidratação, recuperação e sono.

Escolha alimentos que você tolere bem, organize sua alimentação de acordo com o horário do treino e, quando necessário, procure um nutricionista esportivo para elaborar uma estratégia personalizada.

Referências científicas

THOMAS, D. T.; ERDMAN, K. A.; BURKE, L. M. Nutrition and Athletic Performance. Journal of the Academy of Nutrition and Dietetics, 2016.
JEUKENDRUP, A. E. The use of carbohydrates during exercise as an ergogenic aid. Sports Medicine, 2014.
MOUNTJOY, M. et al. IOC consensus statement on Relative Energy Deficiency in Sport (REDs). British Journal of Sports Medicine, 2023.
BURKE, L. M. et al. Contemporary perspectives on carbohydrate guidelines for endurance athletes. Sports Medicine, 2026.

 


Inez & Sar

 



 

Alimentos termogênicos naturais: o que a ciência realmente diz?

Por que alguns alimentos podem aumentar o gasto energético — e como incluí-los em uma alimentação voltada ao esporte e à composição corporal

Quando o assunto é emagrecimento, definição muscular e desempenho esportivo, os chamados alimentos termogênicos costumam receber bastante atenção. Café, chá-verde, pimenta, gengibre e canela, por exemplo, são frequentemente associados à ideia de “acelerar o metabolismo”.

Mas será que esses alimentos realmente aumentam a queima de gordura?

A resposta é: alguns compostos presentes nesses alimentos podem aumentar modestamente a termogênese e o gasto energético, mas seus efeitos são pequenos e não substituem alimentação adequada, treinamento, sono e controle do balanço energético.

Como nutricionista esportiva, considero mais interessante encarar esses alimentos como coadjuvantes de uma estratégia nutricional, e não como soluções isoladas para emagrecimento.

O que é termogênese?

Termogênese é a produção de calor pelo organismo. Ela faz parte do gasto energético diário e está relacionada a processos como metabolismo basal, digestão dos alimentos, atividade física e mecanismos de adaptação metabólica.

Algumas substâncias presentes nos alimentos podem estimular temporariamente a termogênese. Entre as mais estudadas estão a cafeína, as catequinas do chá-verde e os capsaicinoides, encontrados nas pimentas.

Entretanto, aumentar discretamente o gasto energético não significa necessariamente perder peso. Para que haja redução de gordura corporal, é necessário considerar o conjunto da alimentação e do gasto energético ao longo do tempo.

1. Café e cafeína

O café é uma das fontes alimentares mais conhecidas de cafeína, uma substância estimulante do sistema nervoso central.

Além de seus possíveis efeitos sobre o gasto energético, a cafeína possui evidências bastante consistentes na área esportiva. A literatura mostra que seu consumo pode melhorar aspectos do desempenho físico, especialmente em exercícios de resistência, além de poder favorecer força, potência e capacidade de realizar esforços de alta intensidade em determinadas situações.

Na prática esportiva, a cafeína pode ser particularmente interessante antes do exercício, desde que a dose e o horário sejam individualizados.

Fontes: café, café espresso, café filtrado, chá-preto e chá-verde.

Atenção

Mais cafeína não significa necessariamente mais benefícios. Doses elevadas podem provocar ansiedade, tremores, desconforto gastrointestinal, palpitações e prejuízo do sono. Como o sono é fundamental para recuperação e desempenho, consumir cafeína próximo ao horário de dormir pode ser contraproducente.

Para atletas, a literatura da International Society of Sports Nutrition descreve benefícios de desempenho com aproximadamente 3–6 mg/kg de peso corporal, embora a resposta individual varie e doses menores também possam produzir efeitos.

Isso não significa que essa faixa seja necessária para todas as pessoas.

2. Chá-verde

O chá-verde contém catequinas, especialmente a epigalocatequina galato (EGCG), além de cafeína.

A combinação desses compostos tem sido investigada por seus possíveis efeitos sobre metabolismo, oxidação de gordura e composição corporal.

Uma revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos encontrou pequenas reduções de peso, IMC e circunferência da cintura em algumas condições quando catequinas foram consumidas juntamente com cafeína. Entretanto, os próprios autores destacaram que a magnitude desses efeitos foi modesta e provavelmente de pouca relevância clínica. Quando as catequinas foram avaliadas sem cafeína, não foram observados benefícios consistentes nas medidas antropométricas analisadas.

Portanto, o chá-verde pode fazer parte de uma alimentação saudável, mas não deve ser apresentado como um “queimador de gordura”.

3. Pimentas e capsaicina

A capsaicina é o composto responsável pela sensação de ardência das pimentas.

Ela ativa mecanismos relacionados aos receptores TRPV1 e pode aumentar temporariamente a termogênese e a oxidação de gordura.

Uma revisão sistemática e meta-análise envolvendo adultos saudáveis encontrou aumento do gasto energético de repouso associado ao consumo de capsaicinoides/capsinoides. O efeito estimado sobre o gasto energético, entretanto, foi relativamente pequeno — cerca de 34 kcal por dia — e os autores ressaltam a necessidade de estudos de maior qualidade.

Outra revisão também concluiu que capsaicina e capsiato podem aumentar o gasto energético e a oxidação de gordura, mas destacou que a magnitude desses efeitos é pequena.

Isso ajuda a colocar a pimenta em perspectiva: ela pode contribuir, mas dificilmente será responsável por uma transformação significativa na composição corporal sozinha.

E durante o exercício?

É importante diferenciar o efeito em repouso do efeito durante o treinamento.

Uma revisão sistemática publicada posteriormente encontrou resultados inconsistentes sobre aumento do gasto energético durante o exercício após consumo de capsaicinoides. Portanto, ainda não existe evidência suficiente para considerar a capsaicina uma estratégia ergogênica confiável para aumentar o gasto calórico durante o treino.

4. Gengibre

O gengibre contém compostos bioativos, como gingeróis e shogaóis, que vêm sendo estudados por suas propriedades fisiológicas.

Ele pode ser utilizado em preparações culinárias, chás e outras bebidas e é uma excelente maneira de aumentar o sabor das refeições sem depender de grandes quantidades de açúcar, gordura ou sal.

Entretanto, é importante não extrapolar os resultados de estudos experimentais para afirmar que o consumo habitual de gengibre provoca uma grande aceleração do metabolismo. As evidências sobre seu efeito termogênico em humanos são menos robustas do que aquelas disponíveis para cafeína e capsaicinoides.

Por isso, eu o classificaria mais como um alimento funcional que pode fazer parte de uma alimentação equilibrada do que como um poderoso termogênico.

5. Canela

A canela também aparece frequentemente em listas de alimentos termogênicos.

Ela possui compostos bioativos e pode ser uma alternativa interessante para melhorar o sabor de frutas, aveia, iogurte e outras preparações.

Porém, assim como acontece com o gengibre, é preciso separar o potencial biológico de um alimento da existência de um efeito clinicamente relevante sobre o emagrecimento.

Não há justificativa científica para tratar a canela como um alimento capaz de produzir, sozinha, uma aceleração importante do metabolismo.

Termogênico não é sinônimo de queimador de gordura

Esse é provavelmente o ponto mais importante deste assunto.

Um alimento pode provocar um pequeno aumento agudo na termogênese sem necessariamente resultar em uma redução significativa de gordura corporal.

Por exemplo, os estudos com capsaicinoides demonstram alterações no gasto energético, mas de pequena magnitude.

Da mesma forma, estudos com chá-verde encontraram efeitos modestos sobre peso e medidas corporais, especialmente quando catequinas e cafeína estavam presentes juntas.

Portanto, não existe alimento que “derreta gordura” de maneira significativa por si só.

Como utilizar esses alimentos na alimentação esportiva?

Uma estratégia mais inteligente é incorporá-los de acordo com o contexto.

Antes do treino

Para algumas pessoas, o café pode ser utilizado como fonte de cafeína antes do exercício, especialmente quando há necessidade de melhorar estado de alerta e desempenho.

Entretanto, a estratégia deve considerar:

horário do treinamento;
tolerância individual à cafeína;
qualidade do sono;
tipo e duração do exercício;
alimentação realizada antes do treino;
quantidade total de cafeína consumida ao longo do dia.

Nas refeições

Pimenta, gengibre e canela podem ser utilizados para aumentar o sabor e a variedade da alimentação.

Algumas ideias:

café sem excesso de açúcar;
chá-verde;
iogurte natural com canela;
aveia com canela e frutas;
preparações com gengibre;
legumes, carnes ou ovos temperados com pimenta;
frutas com canela.

O objetivo não deve ser simplesmente “acelerar o metabolismo”, mas construir uma alimentação nutritiva, prazerosa e sustentável.

E os suplementos termogênicos?

É importante diferenciar alimentos de suplementos.

Produtos comercializados como “termogênicos” podem combinar cafeína com diversas outras substâncias e apresentar doses muito superiores às encontradas naturalmente em uma alimentação convencional.

Além disso, aumentar indiscriminadamente o consumo de estimulantes pode trazer efeitos adversos e comprometer justamente um dos pilares da performance: o sono.

Para quem pratica esporte, a pergunta mais importante não deveria ser “qual termogênico queima mais gordura?”, mas sim:

“Essa estratégia melhora minha alimentação, meu desempenho e minha recuperação sem comprometer minha saúde?”

Conclusão

Café, chá-verde e pimentas possuem compostos com efeitos termogênicos estudados cientificamente. A evidência mais consistente entre os alimentos discutidos está relacionada à cafeína, especialmente no contexto do desempenho esportivo, enquanto catequinas do chá-verde e capsaicinoides apresentam efeitos metabólicos geralmente pequenos.

Gengibre e canela podem ser excelentes ingredientes dentro de uma alimentação variada, mas não devem ser vendidos como “aceleradores milagrosos do metabolismo”.

Para redução de gordura corporal e melhora da composição corporal, o mais importante continua sendo o conjunto: ingestão energética adequada, proteínas suficientes, qualidade da dieta, treinamento de força e/ou aeróbico, recuperação e sono.

Os alimentos termogênicos podem participar dessa estratégia — mas são coadjuvantes, não protagonistas.

Referências bibliográficas

GUEST, N. S. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: caffeine and exercise performance. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 18, 2021. DOI: 10.1186/s12970-020-00383-4.
PHUNG, O. J. et al. Effect of green tea catechins with or without caffeine on anthropometric measures: a systematic review and meta-analysis. The American Journal of Clinical Nutrition, v. 91, n. 1, p. 73–81, 2010. DOI: 10.3945/ajcn.2009.28157.
IRANDOOST, P. et al. The effect of Capsaicinoids or Capsinoids in red pepper on thermogenesis in healthy adults: a systematic review and meta-analysis. Phytotherapy Research, 2021. DOI: 10.1002/ptr.6897.
LUDWIG, D. S. et al. The effects of capsaicin and capsiate on energy balance: critical review and meta-analyses of studies in humans. Chemical Senses, v. 37, n. 2, p. 103–121, 2012.
Hursel, R. et al. The effects of green tea on weight loss and weight maintenance: a meta-analysis. International Journal of Obesity, 2009.


Inez & Sara 

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Àgua depois do almoço:Mito ou Verdade?

 


Seu prato pode conversar com o seu DNA? Entenda a nutrigenômica!

 



E se o seu prato não fosse apenas uma fonte de energia, mas também uma espécie de mensagem para as suas células?

Parece futurista, mas a ciência já estuda essa relação. A nutrigenômica investiga como nutrientes e compostos presentes nos alimentos podem influenciar a atividade dos genes e participar de processos relacionados ao metabolismo, à inflamação e ao funcionamento celular.

Mas atenção: isso não significa que comer determinado alimento “mude seu DNA”. A sequência do DNA permanece a mesma; o que pode sofrer influência é a forma como alguns genes são ativados ou regulados.

A alimentação pode influenciar os genes?

Nutrientes e compostos bioativos podem participar de reações químicas e vias de sinalização que ajudam a regular a atividade celular.

Por exemplo, componentes encontrados em frutas, verduras, leguminosas, sementes, chás e cacau são estudados por sua participação em processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação. Já nutrientes como folato, vitamina B12 e colina participam de reações envolvidas em mecanismos epigenéticos, como a metilação do DNA.

Isso não quer dizer que um alimento isolado seja capaz de “ligar o gene da longevidade” ou “desligar o gene da doença”. O organismo funciona por meio de redes complexas, influenciadas por alimentação, genética, sono, atividade física, ambiente e condições de saúde.

E por que cada pessoa responde de um jeito?

A conversa também acontece no sentido contrário: os genes podem influenciar a maneira como o organismo responde aos alimentos.

Diferenças genéticas podem participar de processos como:

  • metabolismo da cafeína;

  • absorção e utilização de nutrientes;

  • resposta glicêmica;

  • metabolismo de gorduras;

  • aproveitamento de vitaminas e minerais.

É por isso que duas pessoas podem consumir refeições semelhantes e apresentar respostas diferentes. Porém, a genética não é o único fator envolvido — e também não determina sozinha o peso, a saúde ou a necessidade de uma dieta específica.

Já existe uma dieta baseada no DNA?

A chamada nutrição personalizada é uma área promissora, mas ainda está em desenvolvimento.

Os testes genéticos podem identificar algumas variantes, mas interpretar o que elas significam para a alimentação não é tão simples. Para muitas características, vários genes participam ao mesmo tempo, e seus efeitos podem ser pequenos diante da influência do ambiente e do estilo de vida.

Por isso, um teste genético não deve ser visto como uma receita alimentar automática. Uma avaliação nutricional continua considerando história clínica, exames quando necessários, rotina, preferências, cultura alimentar e objetivos individuais.

No fim, a nutrigenômica nos mostra algo fascinante: a alimentação não é apenas combustível, ela também participa da comunicação entre o organismo e suas células.

Seu DNA influencia a forma como você responde à alimentação, e aquilo que você come pode influenciar processos que ajudam o corpo a funcionar. Essa conversa é real, mas está longe de ser tão simples quanto os anúncios de “dieta do DNA” fazem parecer.

As células conseguem “perceber” o estado nutricional

Alguns nutrientes e metabólitos funcionam como sinais celulares. Dependendo da disponibilidade dessas substâncias, determinadas vias podem ser estimuladas ou reduzidas, influenciando processos como produção de energia, síntese de proteínas e armazenamento de nutrientes.

Ou seja: a célula não apenas recebe nutrientes, ela também interpreta informações químicas sobre o ambiente em que está.

post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências

AGRAWAL, P. et al. Genetics, nutrition, and health: a new frontier in disease prevention. Journal of the American Nutrition Association, 2024.

LAGOUMINTZIS, G.; PATRINOS, G. P. Triangulating nutrigenomics, metabolomics and microbiomics toward personalized nutrition and healthy living. Human Genomics, v. 17, 109, 2023. DOI: 10.1186/s40246-023-00561-w.

LAGOUMINTZIS, G.; AFRATIS, N. A.; PATRINOS, G. P. Nutrigenomics and personalized nutrition: advancing basic, clinical, and translational research. Frontiers in Nutrition, 2024.

FERRARI, M. et al. Nutrigenomics: an underestimated contribution to the functional role of polyphenols. Current Opinion in Food Science, v. 47, 100880, 2022.

Nutrigenomics-guided lifestyle intervention programmes: a critical scoping review with directions for future research. Clinical Nutrition ESPEN, v. 64, p. 296–306, 2024.

Seu hidratante cuida da pele por fora. Mas quem ajuda a construir e manter essa pele por dentro?

 



Quando pensamos em cuidados com a pele, é comum lembrarmos de hidratantes, protetor solar, séruns e procedimentos estéticos. Mas existe uma parte importante desse cuidado que acontece de dentro para fora: a nutrição.
A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa de energia, proteínas, vitaminas, minerais e lipídios para manter sua estrutura, participar da renovação celular e exercer sua função de proteção.
Isso não significa que um alimento específico seja capaz de eliminar rugas ou transformar a pele. A ideia é entender que uma alimentação adequada contribui para a manutenção da saúde e da integridade cutânea.

A pele precisa de nutrientes para funcionar
A pele está em constante renovação. Suas células são produzidas, amadurecem e são substituídas ao longo do tempo. Para que esse processo aconteça, o organismo depende de nutrientes que participam da formação de tecidos, da produção de proteínas e da proteção celular.

As proteínas, por exemplo, fornecem aminoácidos utilizados na formação de estruturas como colágeno, elastina e queratina. Já a vitamina C participa da síntese e da estabilização do colágeno, enquanto o zinco atua como cofator de diversas enzimas envolvidas na renovação e no reparo dos tecidos.
A vitamina A também participa da diferenciação celular, e a vitamina E contribui para a proteção contra danos oxidativos. Porém, seus benefícios estão relacionados principalmente à adequação nutricional: suplementar sem necessidade não significa obter mais resultados estéticos.

E a hidratação da pele? 

Não depende apenas de beber água
A hidratação cutânea não está relacionada somente à quantidade de água ingerida. A pele também precisa conseguir reter essa água.
Na camada mais externa, chamada estrato córneo, existem células e lipídios organizados de maneira semelhante a uma estrutura de “tijolos e cimento”. Entre esses componentes estão as ceramidas, o colesterol e os ácidos graxos livres.

Esses lipídios ajudam a reduzir a perda de água e dificultam a entrada de agentes externos. Quando essa barreira está comprometida, podem surgir sinais como ressecamento, sensibilidade, descamação e maior irritação.
Por isso, uma pele hidratada depende de vários fatores:
  • ingestão adequada de líquidos;
  • alimentação suficiente e variada;
  • disponibilidade de ácidos graxos essenciais;
  • integridade da barreira cutânea;
  • uso adequado de hidratantes;
  • proteção solar;
  • sono e cuidados com o ambiente;
  • controle de condições dermatológicas quando necessário.
Onde entram as gorduras?

As gorduras não devem ser vistas apenas como fonte de energia. Alguns ácidos graxos participam da formação das membranas celulares e da manutenção da barreira da pele.
O ácido linoleico, por exemplo, é um ácido graxo essencial envolvido na organização dos lipídios cutâneos. Ele pode ser encontrado em alimentos como sementes, oleaginosas e óleos vegetais.

Os ácidos graxos da família ômega-3 também são estudados por sua participação na modulação de processos inflamatórios. No entanto, os resultados de suplementação variam conforme a condição clínica, a dose e o perfil da pessoa. Não é correto afirmar que todo mundo precisa tomar cápsulas de ômega-3 para melhorar a pele.

E o colágeno ingerido?

O colágeno é uma proteína muito conhecida no universo da estética, mas existe um detalhe importante: o colágeno ingerido não é direcionado automaticamente para a pele.
Durante a digestão, ele é quebrado em peptídeos e aminoácidos. Esses componentes podem ser utilizados pelo organismo conforme suas necessidades. Alguns estudos investigam o uso de peptídeos de colágeno e possíveis efeitos sobre hidratação e elasticidade da pele, mas os resultados dependem da formulação, da dose, do tempo de uso e da qualidade dos estudos.
Além disso, a produção de colágeno também depende de nutrientes como vitamina C, cobre e proteínas adequadas. Portanto, não adianta olhar apenas para um suplemento e esquecer a alimentação como um todo.
Nutrição e cosmética trabalham juntas
O cuidado estético não precisa ser visto como uma disputa entre alimentação e cosméticos. Na verdade, eles atuam em frentes diferentes e podem ser complementares.
Os cosméticos podem ajudar diretamente na superfície da pele, contribuindo para hidratação, proteção e recuperação da barreira cutânea. Já a nutrição oferece os componentes necessários para o funcionamento do organismo e para a renovação dos tecidos.
O mais importante é evitar promessas milagrosas. Uma alimentação equilibrada não substitui tratamentos dermatológicos, assim como um creme não corrige sozinho uma deficiência nutricional.

Cuidar da pele por dentro não significa buscar o alimento da beleza, mas garantir que o corpo tenha condições de manter sua estrutura e suas funções.

Curiosidade científica

A pele possui uma espécie de “cimento” natural
As ceramidas, o colesterol e os ácidos graxos livres ficam organizados entre as células do estrato córneo, formando uma barreira semelhante a uma parede feita de tijolos e cimento.
As células seriam os “tijolos”, enquanto os lipídios funcionariam como o “cimento” que preenche os espaços entre elas. Quando essa organização é prejudicada, a pele pode perder água com mais facilidade e ficar mais vulnerável a irritações.
É por isso que alguns hidratantes utilizam ceramidas em sua formulação: elas podem ajudar a complementar a composição lipídica da barreira cutânea.

Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências científicas

REEVES, Rachel; LUKS, Emily Lebowitz. Oral supplements and dermatology: a review. Dermatological Reviews, 2024. DOI: 10.1002/der2.239.

SCHILD, Jennifer et al. The role of ceramides in skin barrier function and the importance of their correct formulation for skincare applications. International Journal of Cosmetic Science, v. 46, n. 4, p. 526–543, 2024. DOI: 10.1111/ics.12972.

FEINGOLD, Kenneth R.; ELIAS, Peter M. The role of ceramides in the disruption of the cutaneous permeability barrier, a common manifestation of skin disorders. Journal of Lipid Research, v. 65, n. 8, 100593, 2024. DOI: 10.1016/j.jlr.2024.100593.

FLUHR, Joachim W. et al. Epidermal barrier function in dry, flaky and sensitive skin: a narrative review. Journal of the European Academy of Dermatology and Venereology, 2024. DOI: 10.1111/jdv.19745.

GONZÁLEZ-MARTÍNEZ, María et al. Nutritional supplements for skin health—A review of what should be chosen and why. Medicina, v. 60, n. 1, 68, 2024. DOI: 10.3390/medicina60010068. 

HIPERTENSÃO: QUANDO A PRESSÃO ALTA MERECE ATENÇÃO?

 

A hipertensão arterial, conhecida popularmente como pressão alta, é uma condição em que a pressão exercida pelo sangue sobre as paredes das artérias permanece elevada de forma persistente. O problema é que, muitas vezes, a hipertensão não apresenta sintomas claros. Por isso, uma pessoa pode ter pressão alta e não perceber. A única maneira de saber como está a pressão arterial é realizando a aferição regularmente.

❤️ Por que devemos ter atenção?

Quando não controlada adequadamente, a hipertensão pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de estar relacionada a complicações nos rins e em outros órgãos. 

A alimentação faz parte da prevenção e do controle da hipertensão. O consumo excessivo de sódio, principalmente presente no sal e em muitos alimentos processados e ultraprocessados, está associado ao aumento da pressão arterial.

Por isso, algumas atitudes podem ajudar:

- Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados;

- Aumentar o consumo de frutas, verduras e legumes;

- Reduzir o consumo de alimentos ricos em sódio;

- Evitar o excesso de sal e temperos industrializados;

- Utilizar ervas e temperos naturais para dar mais sabor às preparações;

- Manter uma alimentação variada e equilibrada. 


 Você sabia?

A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos consumam menos de 2.000 mg de sódio por dia, o equivalente a menos de 5 g de sal. O sódio não está apenas no saleiro: ele também pode estar presente em embutidos, temperos prontos, salgadinhos, alimentos instantâneos, alguns pães, queijos e outros produtos industrializados. 

 Importante: alimentação saudável é uma parte do cuidado, mas não substitui acompanhamento profissional. Pessoas com hipertensão devem seguir as orientações da equipe de saúde e não interromper ou modificar medicamentos por conta própria. Cuidar da pressão é cuidar do coração, dos rins, do cérebro e da saúde como um todo.

- Beatriz Vitória da Silva Teixeira

Referências 

1. BRASIL. Ministério da Saúde. Hipertensão (pressão alta). Brasília: Ministério da Saúde. Ministério da Saúde — Hipertensão⁠ 

2. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Hypertension. Geneva: WHO. WHO — Hypertension⁠ 

3. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Healthy diet. Geneva: WHO, 2026. WHO — Healthy diet⁠ 

4. WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Sodium reduction. Geneva: WHO, 2026. WHO — Sodium reduction⁠ 

5. BRASIL. Ministério da Saúde. Orientações nutricionais para pessoas com hipertensão. Brasília: Ministério da Saúde.

O que significa a lupa preta na frente das embalagens?

 

A lupa preta é um símbolo de rotulagem nutricional frontal utilizado para chamar a atenção do consumidor quando um alimento apresenta alto teor de determinados nutrientes.

Ela pode indicar:

🔎 ALTO EM AÇÚCAR ADICIONADO

Quando o produto possui quantidade elevada de açúcares adicionados.


🔎 ALTO EM GORDURA SATURADA

Indica uma quantidade elevada de gordura saturada.


🔎 ALTO EM SÓDIO

Sinaliza que o alimento apresenta alto teor de sódio.

Mas atenção: a lupa não significa que o alimento é necessariamente “ruim” ou que não pode ser consumido. Ela funciona como uma informação de alerta, ajudando o consumidor a identificar rapidamente algumas características nutricionais do produto e fazer escolhas mais conscientes.

Uma dica importante:

Na próxima vez que for ao mercado, antes de colocar um produto no carrinho, olhe a parte da frente da embalagem e depois confira a lista de ingredientes e a tabela nutricional.A lupa é apenas o começo da leitura do rótulo! 

-Beatriz Vitória da Silva Teixeira

Referências

1. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Rotulagem nutricional. Brasília, DF: Anvisa, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/alimentos/rotulagem/rotulagem-nutricional⁠. Acesso em: 14 set. 2026. 

2. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Perguntas e respostas: rotulagem nutricional. Brasília, DF: Anvisa, 2020. Disponível em: Perguntas e respostas sobre rotulagem nutricional⁠. Acesso em: 14 set. 2026. 

3. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Anvisa aprova norma sobre rotulagem nutricional. Brasília, DF: Anvisa, 2020. Disponível em: Anvisa aprova norma sobre rotulagem nutricional⁠. Acesso em: 14 set. 2026. 

4. BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Rotulagem nutricional: novas regras entram em vigor em 75 dias. Brasília, DF: Anvisa, 2022. Disponível em: Novas regras de rotulagem nutricional⁠. Acesso em: 14 set. 2026.

 






 

Resistência aeróbica 

A resistência aeróbica é a capacidade do organismo de manter um esforço físico por períodos prolongados utilizando predominantemente o metabolismo aeróbico, ou seja, com produção de energia dependente do oxigênio.

Os principais fatores fisiológicos relacionados são:

VO₂máx: representa a capacidade máxima de captar, transportar e utilizar oxigênio. É um dos principais indicadores da aptidão cardiorrespiratória. (PubMed)
Limiar de lactato/ventilatório: indica a intensidade em que ocorre aumento mais acentuado da contribuição anaeróbica. Um limiar mais elevado permite sustentar velocidades ou potências maiores por mais tempo. (PubMed)
Economia de movimento: quanto menor o gasto de oxigênio para realizar determinada velocidade ou potência, maior tende a ser a eficiência durante exercícios de resistência. (PubMed)
Adaptações ao treinamento: o treinamento aeróbico promove adaptações cardiovasculares e musculares, como aumento da capacidade de transporte de oxigênio, volume sistólico e adaptações mitocondriais, favorecendo o desempenho prolongado. (PubMed)
Métodos de treinamento: tanto o treinamento contínuo quanto métodos intervalados de alta intensidade podem melhorar o VO₂máx, embora a resposta varie entre indivíduos. (PubMed)

Em síntese: a resistência aeróbica depende da integração entre coração, pulmões, sangue e músculos, permitindo fornecer e utilizar oxigênio de maneira eficiente durante o exercício. Seu desenvolvimento melhora a capacidade de sustentar esforços prolongados e está associado à melhora da aptidão cardiorrespiratória. (PubMed)


Resistência aeróbica e nutrição esportiva

A resistência aeróbica não depende apenas do treinamento. A alimentação, a hidratação e a recuperação também influenciam a capacidade de sustentar exercícios por períodos prolongados. Para melhorar a resistência, é importante garantir disponibilidade adequada de carboidratos, principal combustível para exercícios de maior duração e intensidade.

Antes do treino, recomenda-se consumir uma refeição ou lanche rico em carboidratos, como banana, aveia, pão, arroz, batata ou frutas. Quando o intervalo entre a refeição e o exercício é curto, alimentos de fácil digestão podem ser mais adequados.

Durante treinos prolongados, especialmente aqueles com duração superior a aproximadamente 60–90 minutos, a ingestão de carboidratos pode ajudar a manter a glicemia e o desempenho. Algumas opções são bebidas esportivas, géis, frutas ou outras fontes de carboidratos de fácil digestão. A necessidade varia conforme a duração e a intensidade do exercício.

A hidratação também é fundamental. A perda excessiva de líquidos pelo suor pode prejudicar o desempenho e aumentar a percepção de esforço. Portanto, deve-se iniciar o exercício bem hidratado e repor líquidos durante e após o treino. Em exercícios longos ou realizados em ambientes quentes, bebidas contendo sódio e carboidratos podem ser úteis.

Após o treino, a combinação de carboidratos e proteínas auxilia na reposição do glicogênio muscular e na recuperação. Exemplos incluem arroz com frango, iogurte com frutas e aveia, ou pão com ovos e uma fruta.

Além disso, manter uma alimentação equilibrada ao longo do dia, com carboidratos, proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e quantidade adequada de energia, é mais importante para a resistência do que depender de um único alimento ou suplemento.

Em resumo: para ganhar resistência, é necessário combinar treinamento progressivo + alimentação adequada + hidratação + recuperação. A nutrição deve ser individualizada de acordo com o tipo, duração e intensidade do exercício, além das necessidades energéticas de cada pessoa.

Referências científicas

Jones AM, Carter H. The effect of endurance training on parameters of aerobic fitness. Sports Medicine, 2000. (PubMed)
Bassett DR, Howley ET. Limiting factors for maximum oxygen uptake and determinants of endurance performance. Medicine & Science in Sports & Exercise, 2000. (PubMed)
Lundby C, Montero D, Joyner M. Biology of VO₂max: looking under the physiology lamp. Acta Physiologica, 2017. (PubMed)
Wu Z et al. Aerobic Exercise Training and VO₂max: A Scoping Review. Journal of Functional Morphology and Kinesiology, 2026. (PubMed)


Inez & Sara 

 



 

1. O que muda na menopausa?

Durante a transição menopausal ocorre uma queda importante na produção de estradiol (estrogênio). O músculo esquelético possui receptores de estrogênio, e esse hormônio participa de processos relacionados ao metabolismo, recuperação e manutenção dos tecidos musculares. Uma revisão sistemática que avaliou 32 estudos encontrou que mulheres pós-menopáusicas apresentam, em média, menor massa e força muscular que mulheres na pré-menopausa, embora os mecanismos exatos ainda não estejam completamente esclarecidos. (PubMed)

Isso não significa que o estrogênio seja um "hormônio anabólico" no mesmo sentido que testosterona ou que sua reposição necessariamente provoque hipertrofia. A literatura sobre terapia hormonal e músculo ainda é inconsistente. Uma revisão sistemática publicada em 2025 encontrou resultados conflitantes para terapia hormonal em massa, força e desempenho muscular. (PubMed)

2. Então a mulher na menopausa consegue ganhar massa muscular?

Sim — e de forma bastante significativa.

Esse é um ponto importante porque existe um mito de que, depois da menopausa, seria muito difícil ou quase impossível desenvolver músculos.

Uma meta-análise de 2026 reuniu 126 estudos e 4.019 mulheres, sendo aproximadamente dois terços pós-menopáusicas. O treinamento resistido produziu aumento significativo de força tanto em mulheres pré-menopáusicas quanto pós-menopáusicas. Mais importante: não houve diferença significativa entre os grupos na magnitude do ganho de força. Também houve melhora da massa funcional e redução da massa de gordura. (ScienceDirect)

Ou seja:

A menopausa pode aumentar os desafios para manutenção da massa muscular, mas não elimina a capacidade de adaptação ao treinamento de força.

3. O treinamento de força é particularmente importante

Uma meta-análise específica com mulheres pós-menopáusicas encontrou aumento pequeno a moderado da massa corporal magra após treinamento resistido. Foram analisados 26 estudos, envolvendo 745 mulheres, e o efeito sobre massa magra foi estatisticamente significativo (SMD = 0,44; IC95% 0,28–0,60). (PubMed)

Outra revisão sistemática e meta-análise de ensaios clínicos randomizados encontrou que exercícios melhoraram:

massa corporal magra;
força de preensão;
força de extensão do joelho;
capacidade funcional.

Os resultados foram particularmente favoráveis quando o exercício resistido era realizado de forma regular. (PubMed)

Uma revisão ainda mais recente, publicada em 2026, reforça que mulheres pós-menopáusicas continuam apresentando excelente capacidade de adaptação ao treinamento de força, com ganhos de força comparáveis aos observados antes da menopausa. (PubMed)

4. E a proteína?

Aqui existe uma interação interessante entre treinamento + proteína.

Uma revisão sistemática e meta-análise envolvendo mulheres pós-menopáusicas encontrou que a suplementação de whey protein apresentou benefícios para força e massa magra principalmente quando associada ao treinamento resistido. Sem treinamento, a proteína isoladamente não produziu benefício significativo sobre força ou massa magra. (PubMed)

Isso reforça um princípio importante:

proteína fornece substrato; treinamento fornece o estímulo.

Para hipertrofia, portanto, não faz muito sentido pensar em "tomar proteína para ganhar músculo" sem considerar a qualidade e progressão do treinamento.

5. Por que pode ser mais difícil ganhar músculo?

Provavelmente não existe um único mecanismo. É uma combinação de:

Menopausa + envelhecimento + redução de atividade física + alterações hormonais + alterações na síntese proteica muscular + mudanças na composição corporal.

Além disso, com o avanço da idade pode ocorrer redução da resposta anabólica à ingestão de proteína e ao exercício, fenômeno frequentemente chamado de resistência anabólica.

Por isso, depois da menopausa, o estímulo precisa ser suficientemente forte e consistente.

6. Uma consequência interessante: recomposição corporal

Um dos maiores benefícios do treinamento nessa fase não necessariamente aparece apenas na balança.

Uma mulher pode, por exemplo:

↑ massa muscular

↓ gordura corporal

→ peso corporal praticamente igual

Por isso, avaliar somente o peso pode ser enganoso.

A literatura mostra justamente que o treinamento resistido pode melhorar simultaneamente massa magra, força e composição corporal em mulheres pós-menopáusicas. (PubMed)

7. O que isso significa na prática?

Para uma mulher na menopausa que deseja hipertrofia, a evidência aponta para uma estratégia baseada principalmente em:

1. Treinamento resistido progressivo

Exercícios para grandes grupos musculares, com progressão de carga/repetições/volume ao longo do tempo.

2. Proteína suficiente

Distribuída ao longo do dia e adequada ao peso corporal, nível de atividade e objetivo.

3. Energia adequada

Dietas muito restritivas podem dificultar a manutenção ou ganho de massa muscular.

4. Sono e recuperação

Particularmente relevantes nessa fase, inclusive porque alterações do sono podem acompanhar a menopausa.

5. Consistência por meses, não semanas

Hipertrofia é uma adaptação progressiva.

Uma meta-análise sobre mulheres menopáusicas encontrou resultados favoráveis com treinamento resistido realizado aproximadamente 3 vezes por semana, embora isso não signifique que três sessões sejam obrigatórias para todas. (Springer Nature Link)

Um ponto importante sobre reposição hormonal

É incorreto dizer que "reposição hormonal é necessária para ganhar músculo na menopausa".

Também seria incorreto afirmar que a reposição de estrogênio ou testosterona é uma estratégia comprovada para hipertrofia muscular em todas as mulheres.

A evidência atual sobre terapia hormonal e músculo é inconsistente, e a indicação de terapia hormonal deve ser feita considerando principalmente as indicações, contraindicações, sintomas e riscos individuais — não simplesmente como uma estratégia de hipertrofia. (PubMed)

Inclusive, a posição atual sobre testosterona em mulheres não sustenta seu uso simplesmente para aumentar massa muscular; a indicação baseada em evidências é muito mais específica. (Reuters)

Em resumo

A relação pode ser representada assim:

Menopausa → ↓ estrogênio + envelhecimento → maior risco de perda de massa/força → mas o músculo continua altamente responsivo ao treinamento resistido → estímulo mecânico + proteína adequada + recuperação → hipertrofia e aumento de força são possíveis.

Portanto, a menopausa não "bloqueia" o ganho de massa muscular. Na realidade, justamente porque existe maior risco de perda muscular nessa fase, o treinamento de força se torna uma das intervenções mais importantes para preservar e aumentar a massa e a função muscular.

Referências científicas principais

Sá KMM et al. Resistance training for postmenopausal women: systematic review and meta-analysis. Menopause. 2023. (PubMed) 
Nunes PRP et al. The effect of resistance training programs on lean body mass in postmenopausal and elderly women: a meta-analysis. Aging Clinical and Experimental Research. 2021. (PubMed)
Smith-Ryan et al. / revisão 2026. It's never too late: The impact of resistance training on strength and body composition in females across the lifespan. Journal of Science and Medicine in Sport. 2026. (PubMed)
The role of estrogen in female skeletal muscle aging: A systematic review. 2023. (PubMed)
Effect of Whey Protein Supplementation in Postmenopausal Women: A Systematic Review and Meta-Analysis. Nutrients. 2022. (PubMed)
Effect of non-pharmacological interventions on the prevention of sarcopenia in menopausal women. BMC Women's Health. 2023. (Springer Nature Link)

Inez e Sara 

 

 



Análise da rotulagem — Glutationa PuraVida

A Glutationa PuraVida é um suplemento em cápsulas com 250 mg de glutationa e 7,5 mg de vitamina E por cápsula. A embalagem informa ação antioxidante e proteção das células contra os efeitos dos radicais livres. (Puravida)

 

Principais componentes e suas funções

Glutationa – 250 mg

É um composto formado por três aminoácidos: cisteína, glicina e glutamato. É um dos principais antioxidantes produzidos naturalmente pelo organismo, participando da defesa das células contra o estresse oxidativo e de processos relacionados à detoxificação celular. A versão utilizada no produto é a Setria®, obtida por fermentação e composta por L-glutationa. (Puravida)

Vitamina E – 7,5 mg (50% do VD)

É uma vitamina lipossolúvel com função antioxidante. Ajuda a proteger as células contra os danos oxidativos causados pelos radicais livres, atuando principalmente nas estruturas que contêm lipídios, como as membranas celulares. (Puravida)

Macronutrientes

Apesar de a glutationa ser formada por aminoácidos, este produto não é considerado uma fonte significativa de proteínas. A informação nutricional declara que não há quantidades significativas de carboidratos, proteínas, gorduras, fibras ou sódio por porção. (Puravida)

Micronutriente

O principal micronutriente declarado é a vitamina E, fornecendo 7,5 mg por cápsula, equivalente a 50% do Valor Diário. Sua principal função na fórmula é contribuir para a proteção antioxidante do organismo. (Puravida)

Outros componentes da fórmula

A cápsula também contém gelatina, utilizada na formação da cápsula; celulose microcristalina, usada como agente de massa; e dióxido de silício e estearato de magnésio, utilizados como antiumectantes. O rótulo informa que pode conter traços de peixes e soja e que não contém glúten. (Puravida)

Resumo para o blog

Em resumo: a fórmula combina glutationa + vitamina E, dois componentes relacionados à defesa antioxidante. A glutationa participa diretamente dos sistemas antioxidantes celulares, enquanto a vitamina E ajuda a proteger as células contra o estresse oxidativo. Cada cápsula fornece 250 mg de glutationa e 7,5 mg de vitamina E. O produto não apresenta quantidades significativas de macronutrientes, como carboidratos, proteínas e gorduras. (Puravida)

Observação: antioxidantes não devem ser interpretados como garantia de prevenção ou tratamento de doenças. Suplementos devem complementar, e não substituir, uma alimentação equilibrada.

Inez & Sara