terça-feira, 25 de agosto de 2026

Mastigação: por que ela é mais importante do que parece?


 Você já parou para pensar que a digestão começa antes mesmo de o alimento chegar ao estômago? A mastigação é a primeira etapa mecânica da digestão. Ao triturar os alimentos, os dentes aumentam a superfície de contato para que as enzimas digestivas consigam atuar com maior eficiência.

Além disso, uma mastigação adequada pode contribuir para:

* 🥗 Melhorar a digestão: alimentos bem triturados facilitam o trabalho do sistema digestório.

* 🧠 Favorecer a percepção da saciedade: comer mais devagar permite que os sinais de saciedade tenham tempo para serem percebidos.

* 🍽️ Aumentar a atenção durante as refeições: mastigar com calma ajuda a perceber melhor sabores, aromas e texturas.

* 🦷 Contribuir para a saúde bucal: a mastigação participa da estimulação da saliva, que possui importante papel na proteção da boca.

* 💧 Misturar o alimento à saliva: a saliva umedece o alimento e contém enzimas, como a amilase salivar, que inicia a digestão do amido.

Mas existe um número ideal de mastigações?

Não necessariamente. A quantidade varia conforme o alimento, sua textura e a pessoa. Mais importante do que contar as mastigadas é evitar comer com pressa e permitir que o alimento seja adequadamente triturado antes de engolir. Mastigar bem é um pequeno hábito que pode fazer uma grande diferença na relação com a comida e no processo digestivo.

-Beatriz Vitória da Silva Teixeira

Referências:

GUYTON, A. C.; HALL, J. E. Tratado de Fisiologia Médica. 14. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

NELSON, D. L.; COX, M. M. Princípios de Bioquímica de Lehninger. 8. ed. Porto Alegre: Artmed, 2022.

O horário em que você come importa?



Você já parou para pensar que não é apenas o que comemos que importa, mas também quando comemos?

A crononutrição é a área que estuda a relação entre os horários das refeições, o relógio biológico e o funcionamento do organismo.

Nosso corpo possui ritmos circadianos, ciclos de aproximadamente 24 horas que ajudam a regular processos como sono, produção hormonal e metabolismo. Por isso, o organismo pode responder de maneiras diferentes aos alimentos dependendo do momento do dia.

E comer à noite?

Isso não significa que comer depois de determinado horário seja automaticamente prejudicial. Porém, estudos sugerem que refeições muito tardias e horários alimentares desalinhados com o ciclo de sono e vigília podem influenciar o controle da glicose e a sensibilidade à insulina.

Algumas pesquisas também indicam que concentrar a alimentação em períodos mais precoces do dia pode trazer benefícios para determinados marcadores metabólicos. No entanto, ainda não existe um “horário perfeito” para todas as pessoas.

Então, qual é a melhor hora para comer?

A resposta depende da rotina e das necessidades de cada pessoa. Horário de trabalho, sono, atividade física, medicamentos e condições de saúde precisam ser considerados.

Mais do que seguir uma regra rígida, a crononutrição mostra que o momento em que nos alimentamos também pode fazer parte da nossa saúde.

No fim, a pergunta não é apenas: “O que você come?”
Mas também: “Quando você come?” 

Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências científicas:

Chamorro R. et al. When should I eat: A circadian view on food intake and metabolic regulation. Acta Physiologica, 2023.
Bahammam AS, Pirzada A. Timing Matters: The Interplay between Early Mealtime, Circadian Rhythms, Gene Expression, Circadian Hormones, and Metabolism. Clocks & Sleep, 2023.
Rovira-Llopis S. et al. Circadian alignment of food intake and glycaemic control by time-restricted eating: A systematic review and meta-analysis. Reviews in Endocrine and Metabolic Disorders, 2024.
Delayed Eating Schedule Raises Mean Glucose Levels in Young Adult Males: a Randomized Controlled Cross-Over Trial. The Journal of Nutrition, 2023.





Comer bem não precisa ser caro!

 







 

Hidratação: a importância da ingestão adequada de água para a saúde e a performance

A água é um nutriente essencial para o funcionamento do organismo e desempenha papel fundamental na regulação da temperatura corporal, transporte de nutrientes, manutenção do volume sanguíneo, funcionamento renal e equilíbrio hidroeletrolítico. Por isso, manter uma boa hidratação é importante tanto para a saúde quanto para o desempenho físico.

Quanto devemos beber?

Não existe uma quantidade única de água adequada para todas as pessoas. A necessidade diária depende de idade, peso corporal, alimentação, temperatura ambiente, atividade física e taxa de transpiração.

Como referência populacional, a EFSA (European Food Safety Authority) considera adequada uma ingestão de água total de aproximadamente 2,0 L/dia para mulheres e 2,5 L/dia para homens adultos, considerando a água proveniente de bebidas e alimentos, em condições ambientais e de atividade física moderadas. (European Food Safety Authority)

Esses valores não devem ser interpretados como uma prescrição individual. Pessoas que praticam exercícios, vivem em ambientes quentes ou apresentam elevada taxa de suor podem necessitar de maior ingestão de líquidos.

Hidratação e atividade física

Durante o exercício, o organismo produz mais calor e perde água e eletrólitos pelo suor. Quando a perda de líquidos é significativa, podem ocorrer aumento da percepção de esforço, comprometimento da termorregulação e redução do desempenho.

O American College of Sports Medicine (ACSM) recomenda estratégias individualizadas de reposição de líquidos, considerando duração e intensidade do exercício, condições ambientais e características individuais de sudorese. Durante atividades prolongadas, a reposição de eletrólitos e carboidratos também pode ser útil em determinadas situações. (PubMed)

Uma referência utilizada na literatura esportiva é evitar perdas excessivas de massa corporal durante o exercício, especialmente superiores a aproximadamente 2% do peso corporal por déficit hídrico. (PubMed)

Beber água demais também pode ser um problema

Hidratação adequada não significa simplesmente beber o máximo possível. O consumo excessivo de líquidos, principalmente durante exercícios prolongados, pode contribuir para a hiponatremia associada ao exercício, caracterizada pela redução da concentração de sódio no sangue.

Por isso, a estratégia mais segura é individualizar a hidratação, em vez de seguir uma quantidade fixa para todas as pessoas. (PubMed)

Dicas simples para manter uma boa hidratação

  • Tenha uma garrafa de água sempre por perto.

  • Distribua a ingestão de líquidos ao longo do dia.

  • Aumente a atenção à hidratação em dias quentes e durante exercícios.

  • Observe sinais como sede, boca seca e urina mais concentrada.

  • Em exercícios prolongados ou com muita sudorese, avalie a necessidade de reposição de eletrólitos.

  • Não espere chegar a uma desidratação importante para começar a beber água.

Hidratação também faz parte da performance

Uma alimentação equilibrada e uma boa estratégia de hidratação caminham juntas. Para quem pratica atividade física, hidratar-se adequadamente é parte da preparação, do desempenho e da recuperação.

Mais do que seguir uma regra fixa, o ideal é conhecer as necessidades individuais e ajustar a ingestão de líquidos ao seu corpo, rotina e nível de atividade física.

Cuide da sua hidratação todos os dias. Seu corpo e sua performance agradecem!

Referências científicas

  • World Health Organization (WHO). Domestic water quantity, service level and health. 2nd ed. Geneva: WHO, 2020. A OMS destaca que as necessidades de água variam conforme condições ambientais, atividade física e outros fatores. (Organização Mundial da Saúde)

  • World Health Organization (WHO). Guidelines for Drinking-water Quality. 4th ed., incorporating addenda. A publicação estabelece recomendações baseadas em evidências para garantir a segurança da água destinada ao consumo humano. (Organização Mundial da Saúde)

  • EFSA Panel on Dietetic Products, Nutrition and Allergies. Scientific Opinion on Dietary Reference Values for water. EFSA Journal. 2010;8(3):1459. (European Food Safety Authority)

  • Sawka MN, Burke LM, Eichner ER, et al. American College of Sports Medicine position stand: Exercise and Fluid Replacement. Medicine & Science in Sports & Exercise. 2007;39(2):377–390. (PubMed)

Estagiárias: Inez & Sara


 






Recomposição corporal em mulheres e homens

A recomposição corporal é uma estratégia nutricional e esportiva cujo objetivo é melhorar a relação entre massa muscular e gordura corporal, buscando, em diferentes graus, reduzir tecido adiposo enquanto preserva ou aumenta a massa muscular.

Diferentemente de uma dieta convencional para emagrecimento, em que a balança costuma ser o principal indicador, a recomposição exige uma avaliação mais ampla: peso, percentual de gordura, circunferências, composição corporal, desempenho físico, força e evolução visual.

O processo depende da interação entre alimentação adequada, treinamento resistido, ingestão proteica, disponibilidade energética, sono e recuperação.


 Como acontece a recomposição corporal?

O músculo está constantemente passando por processos de síntese e degradação proteica.

O treinamento de força aumenta o estímulo para síntese proteica muscular, enquanto a ingestão adequada de proteínas fornece aminoácidos necessários para esse processo.

A combinação entre treinamento resistido + proteína adequada é particularmente importante para preservar e desenvolver massa muscular. A ISSN considera, para a maioria dos indivíduos fisicamente ativos, uma ingestão de aproximadamente 1,4–2,0 g de proteína/kg/dia, podendo haver necessidade de valores maiores durante períodos de restrição energética em indivíduos treinados. (PubMed Central (PMC))

Isso explica por que duas pessoas podem perder 5 kg e apresentar resultados corporais completamente diferentes.

Uma pode perder principalmente gordura e preservar a musculatura.

Outra pode perder gordura e massa muscular, apresentando redução de peso, mas pouca melhora na composição corporal.


Recomposição corporal na mulher

A mulher possui particularidades fisiológicas que precisam ser consideradas na prescrição nutricional.

Entre elas estão:

ciclo menstrual;

oscilações hormonais;

função ovariana;

disponibilidade energética;

saúde óssea;

composição corporal;

gestação e lactação, quando aplicável;

peri e pós-menopausa.

Isso não significa que mulheres precisem de uma dieta completamente diferente da dos homens. Os princípios fundamentais da recomposição são semelhantes, mas algumas variáveis podem exigir individualização.

A posição da ISSN sobre a atleta feminina recomenda ingestão proteica na faixa de 1,4–2,2 g/kg/dia, distribuída ao longo do dia, especialmente quando o objetivo envolve manutenção ou desenvolvimento de massa muscular. (PubMed Central (PMC))

Um ponto especialmente importante para mulheres

Uma das maiores preocupações na busca por um corpo mais definido é o excesso de restrição energética.

A mulher que reduz drasticamente calorias, aumenta excessivamente o exercício e mantém baixa disponibilidade energética pode comprometer:

desempenho;

recuperação;

saúde óssea;

função hormonal;

ciclo menstrual;

massa muscular.

Por isso, “quanto menos eu comer, mais rápido vou definir” é uma estratégia equivocada.

Na recomposição corporal feminina, o objetivo é criar condições para perder gordura sem comprometer a massa magra e a saúde metabólica e hormonal.

A literatura específica sobre atletas femininas também destaca a importância de adequar energia, proteína e nutrientes ao treinamento e à fase da vida. (PubMed Central (PMC))


Recomposição corporal no homem

Nos homens, os princípios fundamentais também são:

déficit energético controlado + proteína adequada + treinamento resistido + recuperação.

A testosterona, maior massa muscular média e diferenças na distribuição de gordura fazem com que homens e mulheres apresentem algumas diferenças fisiológicas, mas isso não significa que o homem possa simplesmente comer qualquer quantidade de proteína ou fazer um déficit calórico agressivo.

O treinamento de força continua sendo fundamental para sinalizar ao organismo que a massa muscular deve ser preservada ou desenvolvida.

Em períodos de déficit energético, uma ingestão proteica mais elevada pode ser interessante para indivíduos treinados, particularmente quando o objetivo é preservar massa magra. A literatura da ISSN aponta valores de 2,3–3,1 g/kg de massa livre de gordura/dia como uma faixa que pode ser utilizada em determinadas situações de restrição energética em indivíduos treinados — não como recomendação universal para todos. (PubMed Central (PMC))


Mulheres × homens: o que realmente muda?


Na busca pela redução de gordura corporal associada à preservação ou ao aumento da massa magra, os objetivos nutricionais de mulheres e homens são bastante semelhantes. Em ambos os casos, a musculação é fundamental para preservar e estimular a massa muscular, especialmente durante processos de redução de gordura.

Em relação ao consumo de proteínas, mulheres fisicamente ativas podem utilizar aproximadamente 1,4 a 2,2 g/kg/dia, enquanto, para a maioria dos homens ativos, uma faixa de aproximadamente 1,4 a 2,0 g/kg/dia pode ser adequada, sempre considerando o contexto individual, o volume de treinamento, o objetivo e o estado nutricional.

O déficit energético deve ser individualizado tanto para mulheres quanto para homens, evitando restrições excessivas que possam comprometer o desempenho, a recuperação e a manutenção da massa muscular. Nas mulheres, entretanto, existe um aspecto adicional que merece atenção: o ciclo menstrual, que pode influenciar sintomas, percepção de esforço, apetite e algumas necessidades nutricionais. Por isso, a estratégia nutricional pode ser ajustada individualmente ao longo do ciclo, sem a necessidade de regras rígidas.

Outro ponto importante para ambos os sexos é a disponibilidade energética. Nas mulheres, é especialmente importante evitar baixa disponibilidade energética, pois ela pode estar associada a alterações da função reprodutiva, saúde óssea e desempenho. Nos homens, a disponibilidade energética também deve ser adequada, principalmente em indivíduos submetidos a treinamento intenso e dietas restritivas.

Quanto à massa muscular, mulheres e homens devem priorizar sua preservação durante o emagrecimento e, quando possível, estimular a hipertrofia por meio da combinação de treinamento de força, ingestão proteica adequada, energia suficiente e recuperação.

Por fim, a avaliação nutricional não deve se limitar ao peso corporal. Para ambos, é mais adequado acompanhar um conjunto de indicadores, incluindo peso, composição corporal, medidas antropométricas e desempenho físico. Dessa forma, é possível avaliar de maneira mais precisa as mudanças na composição corporal e diferenciar perda de gordura de alterações de massa magra.

Em síntese, as diferenças entre mulheres e homens não significam que sejam necessárias estratégias completamente distintas. A base permanece semelhante, mas fatores fisiológicos específicos — especialmente o ciclo menstrual e a saúde hormonal e reprodutiva nas mulheres — devem ser considerados na individualização da estratégia nutricional.

As diferenças existem, mas não justificam uma abordagem simplista do tipo “dieta para homem” versus “dieta para mulher”. A prescrição deve considerar sexo, idade, composição corporal, treinamento, objetivo, histórico alimentar, rotina e condições fisiológicas.


Proteína: uma das peças centrais

Para a recomposição corporal, não basta atingir uma quantidade diária de proteína. A distribuição ao longo do dia também pode ser relevante.

A ISSN sugere, de maneira geral, doses de aproximadamente 0,25 g/kg por refeição, ou cerca de 20–40 g de proteína de alta qualidade, distribuídas a cada 3–4 horas, dependendo das características individuais. (PubMed)

Na prática, isso pode significar distribuir fontes proteicas entre:

café da manhã → almoço → lanche → jantar → eventualmente ceia.

Boas fontes incluem:

ovos;

peixes;

carnes;

frango;

leite e derivados;

whey protein, quando necessário;

soja e derivados;

leguminosas;

combinações de proteínas vegetais.


O treinamento de força é indispensável

Existe uma diferença enorme entre:

“fazer dieta para perder peso”

“estruturar uma estratégia para modificar a composição corporal”.

Na segunda situação, o treinamento resistido assume papel central.

O exercício de força fornece um estímulo mecânico para manutenção e hipertrofia muscular, enquanto a proteína fornece aminoácidos para a remodelação muscular. A combinação desses estímulos é particularmente relevante para a adaptação muscular. (PubMed Central (PMC))

Por isso, uma pessoa pode estar fazendo cardio todos os dias, comendo pouco e vendo o peso cair — mas isso não significa necessariamente que esteja fazendo uma boa recomposição corporal.


É possível ganhar músculo enquanto perde gordura?

Sim, mas não acontece da mesma maneira para todas as pessoas.

A recomposição tende a ser mais plausível em situações como:

iniciantes na musculação;

pessoas retornando ao treinamento após período de inatividade;

indivíduos com maior quantidade de gordura corporal;

pessoas que anteriormente apresentavam baixa ingestão proteica;

indivíduos que passam a treinar e se alimentar adequadamente.

Em pessoas muito treinadas e já bastante musculosas, simultaneamente ganhar músculo e perder gordura tende a ser mais difícil e mais lento.

Por isso, a estratégia precisa ser individualizada.


A balança não pode ser o único parâmetro

Esse talvez seja o conceito mais importante.

Imagine uma mulher:

Peso inicial: 70 kg

Gordura: 30%

Massa magra: 49 kg

Depois de alguns meses:

Peso: 69 kg

Gordura: 25%

Massa magra: 51,75 kg

A balança praticamente não mudou.

Mas o corpo mudou dramaticamente.

Ela perdeu aproximadamente 3,5 kg de gordura e ganhou aproximadamente 2,75 kg de massa magra.

Portanto, avaliar somente o peso poderia levar à falsa conclusão de que “a dieta não funcionou”.

É por isso que, na recomposição corporal, devemos acompanhar:

peso + circunferências + composição corporal + fotos padronizadas + força + desempenho + percepção corporal.


A grande diferença entre emagrecimento e recomposição

Emagrecimento

Objetivo principal: reduzir peso e gordura corporal.

Recomposição corporal

Objetivo principal: melhorar a composição corporal, reduzindo gordura e preservando ou aumentando massa muscular.

Portanto:

Emagrecer muda o número da balança.

Recompor muda a relação entre gordura e músculo.

E, para atletas e pessoas fisicamente ativas, essa diferença é enorme.

Referências bibliográficas

JÄGER, R. et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 14, n. 20, 2017. (PubMed Central (PMC))

KERKSICK, C. M. et al. ISSN exercise & sports nutrition review update: research & recommendations. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2018. (Springer Nature Link)

SMITH-RYAN, A. E. et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutritional concerns of the female athlete. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 2023. (PubMed Central (PMC))

JÄGER, R. et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition, 14, 20, 2017. DOI: 10.1186/s12970-017-0177-8. (Springer Nature Link)

DABBS, N. C. et al. National Strength and Conditioning Association Position Statement on Strength and Conditioning of Female Athletes. Part II: Training Adaptations and Program Design. Journal of Strength and Conditioning Research, 2026. (PubMed)

Estagiárias: Inez & Sara

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Diet, Light e Zero: qual é a diferença?

 

🥗 Diet, Light e Zero: qual é a diferença?

O rótulo pode dizer muito mais do que você imagina! Entenda a diferença e faça escolhas mais conscientes. 
- Beatriz Vitória da Silva Texeira 

- Referências: BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Rotulagem nutricional. Brasília, DF: Anvisa, 2020. 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Instrução Normativa – IN nº 75, de 8 de outubro de 2020. Estabelece os requisitos técnicos para declaração da rotulagem nutricional nos alimentos embalados. 

BRASIL. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 429, de 8 de outubro de 2020. Dispõe sobre a rotulagem nutricional dos alimentos embalados.

ANVISA; BRASIL. Ministério da Justiça. Consumo e saúde: alimentos diet e light: entenda a diferença. Brasília, DF, 2013.

Suplementação e ultraprocessados: o equilíbrio da sua saúde em 2026

 




Você sabia que a cor da fruta pode revelar o que existe dentro dela?




 Vermelha, laranja, roxa, verde… As cores das frutas não estão ali por acaso!

Grande parte dessas cores vem de pigmentos naturais, como carotenoides e antocianinas. Esses compostos fazem parte do grupo de substâncias bioativas presentes nos alimentos e vêm sendo bastante estudados por seus possíveis efeitos no organismo.

Frutas amarelas e alaranjadas, como manga, mamão e laranja, podem conter carotenoides, como o betacaroteno.

Frutas vermelhas, roxas e azuladas, como morango, uva e mirtilo, podem ser fontes de antocianinas, pigmentos responsáveis por muitas dessas tonalidades.

E as verdes? Também têm seus próprios compostos bioativos, mostrando que não existe uma única “fruta mais saudável”.

E aqui está a parte mais interessante: uma revisão que reuniu 86 estudos e dados de mais de 37 milhões de pessoas encontrou evidências de que a variedade de frutas e vegetais de diferentes cores pode trazer benefícios à saúde além do simples aumento da quantidade consumida. Porém, os próprios autores destacam que a qualidade das evidências varia bastante.

Então, que tal pensar no prato como um arco-íris? 

Em vez de escolher sempre a mesma fruta, experimente variar as cores ao longo da semana. Assim, você aumenta a diversidade de nutrientes e compostos bioativos da alimentação.

Qual cor de fruta aparece mais na sua rotina? 

Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição 

Referências científicas

  1. Williamson G, et al. Should We ‘Eat a Rainbow’? An Umbrella Review of the Health Effects of Colorful Bioactive Pigments in Fruits and Vegetables. Molecules. 2022;27(13):4061. DOI: 10.3390/molecules27134061.
  2. Park J, et al. Carotenoids from fruits and vegetables: Chemistry, analysis, occurrence, bioavailability and biological activities. Food Research International. 2015. DOI: 10.1016/j.foodres.2015.07.047.
  3. Fang J. Classification of fruits based on anthocyanin types and relevance to their health effects. Nutrition. 2015;31(11-12):1301-1306. DOI: 10.1016/j.nut.2015.04.015.



Antioxidantes na alimentação: proteção contra o estresse oxidativo

Os antioxidantes presentes nos alimentos desempenham papel importante na manutenção do equilíbrio redox do organismo. Radicais livres e outras espécies reativas de oxigênio e nitrogênio são produzidos naturalmente pelo metabolismo, inclusive durante a respiração celular e a prática de exercícios físicos.

Em condições fisiológicas, essas moléculas também participam de mecanismos de sinalização celular e adaptação. O problema ocorre quando sua produção supera a capacidade dos sistemas antioxidantes endógenos, contribuindo para o chamado estresse oxidativo. (PubMed)

Por isso, o objetivo da alimentação não é “eliminar todos os radicais livres”, mas favorecer o equilíbrio entre processos oxidativos e mecanismos de defesa antioxidante.

Principais alimentos antioxidantes e seus mecanismos

 1. Frutas vermelhas — antocianinas

Morango, mirtilo, amora, framboesa e outras frutas vermelhas são fontes de antocianinas e outros polifenóis.

Esses compostos apresentam atividade antioxidante e podem participar da modulação de vias relacionadas ao estresse oxidativo e à inflamação.

Além disso, frutas fornecem fibras, vitaminas e diversos compostos bioativos. A Organização Mundial da Saúde destaca frutas e vegetais como fontes importantes de vitaminas, minerais, fibras e antioxidantes. (Organização Mundial da Saúde)

Na prática: excelentes opções para café da manhã, lanches, iogurte natural e refeições pós-treino.

 2. Uva roxa — antocianinas e outros polifenóis

A uva, especialmente a casca, contém diversos compostos fenólicos.

Entre eles estão antocianinas, flavonoides e resveratrol. Esses compostos podem atuar em diferentes mecanismos relacionados ao equilíbrio oxidativo e à função vascular.

Importante: o benefício não deve ser atribuído exclusivamente ao resveratrol. O alimento contém uma matriz de diferentes compostos bioativos, e o efeito da alimentação é mais complexo do que o efeito isolado de uma molécula.


3. Acerola, laranja, kiwi e goiaba — vitamina C

A vitamina C (ácido ascórbico) é um antioxidante hidrossolúvel que participa da proteção de moléculas contra oxidação e da regeneração de outros sistemas antioxidantes.

A acerola e a goiaba são particularmente interessantes por apresentarem elevada concentração de vitamina C.

Na prática: combinar frutas ricas em vitamina C com refeições que contenham fontes de ferro vegetal pode favorecer a absorção do ferro não heme.


4. Tomate — licopeno

O tomate é uma das principais fontes alimentares de licopeno, um carotenoide associado à proteção contra processos oxidativos.

Uma característica interessante é que o processamento térmico pode aumentar a biodisponibilidade do licopeno, especialmente quando o alimento é consumido com uma fonte de gordura.

Por isso, molho de tomate preparado com azeite pode ser uma excelente estratégia alimentar.


5. Cenoura, abóbora e batata-doce — carotenoides

Esses alimentos fornecem betacaroteno e outros carotenoides.

O betacaroteno pode ser convertido pelo organismo em vitamina A, nutriente importante para visão, sistema imunológico e manutenção dos tecidos.

Os carotenoides também participam da defesa contra processos oxidativos.

Dica nutricional: variar as cores dos vegetais aumenta a diversidade de compostos bioativos da dieta.


6. Couve, espinafre, rúcula e brócolis — combinação de antioxidantes

Vegetais verde-escuros fornecem uma combinação de:

carotenoides;

vitamina C;

vitamina E em diferentes quantidades;

folato;

minerais;

compostos fenólicos.

O grande benefício não está em um único antioxidante, mas na sinergia entre diferentes nutrientes e compostos bioativos.

A OMS recomenda uma alimentação rica em vegetais, frutas, leguminosas, cereais integrais e oleaginosas como parte de um padrão alimentar saudável. (Organização Mundial da Saúde)


7. Azeite de oliva extravirgem — polifenóis e vitamina E

O azeite extravirgem fornece compostos fenólicos e vitamina E, além de gorduras predominantemente monoinsaturadas.

Seus compostos fenólicos apresentam atividade antioxidante e fazem parte de um padrão alimentar associado à saúde cardiovascular.

Como utilizar: em saladas, legumes, preparações culinárias e finalização dos pratos.

 8. Abacate — vitamina E e carotenoides

O abacate fornece vitamina E, carotenoides e gorduras monoinsaturadas.

A vitamina E é um antioxidante lipossolúvel que participa da proteção das membranas celulares contra processos oxidativos.

Além disso, a presença de gordura pode favorecer a absorção de carotenoides provenientes da própria refeição.


9. Castanhas e nozes — vitamina E e minerais

Oleaginosas podem fornecer vitamina E, selênio, magnésio, gorduras insaturadas e compostos fenólicos.

O selênio é particularmente importante porque participa da estrutura de enzimas antioxidantes, incluindo a glutationa peroxidase.

Aqui existe um cuidado: mais não significa melhor. Algumas castanhas apresentam concentrações muito elevadas de selênio, portanto o consumo deve ser moderado.


10. Chá-verde — catequinas

O chá-verde contém polifenóis, especialmente catequinas, entre elas a epigalocatequina galato (EGCG).

Esses compostos são estudados por sua capacidade de modular mecanismos relacionados ao estresse oxidativo, inflamação e metabolismo.

O consumo deve ser considerado dentro do contexto da alimentação, e não como substituto de uma dieta equilibrada.


11. Cebola — quercetina

A cebola é uma fonte importante de quercetina, um flavonoide.

A quercetina apresenta propriedades antioxidantes e pode participar da modulação de diferentes vias celulares relacionadas à inflamação e ao estresse oxidativo.


12. Alho — compostos organossulfurados

O alho contém compostos sulfurados bioativos, como a alicina, formada quando o alho é cortado ou triturado.

Esses compostos são estudados por seus efeitos antioxidantes e pela possível participação na modulação de processos cardiovasculares e inflamatórios.


13. Café — ácidos clorogênicos

O café é uma das fontes mais relevantes de polifenóis na alimentação habitual.

Entre seus compostos bioativos estão os ácidos clorogênicos, que apresentam atividade antioxidante.

Entretanto, o benefício do café depende do contexto individual, quantidade consumida, horário e tolerância à cafeína.

O organismo também possui seu próprio sistema antioxidante

Esse é um conceito fundamental para entender a nutrição antioxidante.

O corpo possui sistemas endógenos de defesa, incluindo:

Superóxido dismutase (SOD)

Converte o ânion superóxido em peróxido de hidrogênio.

Catalase (CAT)

Participa da decomposição do peróxido de hidrogênio.

Glutationa peroxidase (GPx)

Utiliza glutationa para reduzir peróxidos.

Além disso, existem moléculas antioxidantes provenientes da alimentação, como vitamina C, vitamina E, carotenoides e polifenóis.

Portanto, a melhor estratégia nutricional é oferecer ao organismo uma variedade de nutrientes e compostos bioativos, e não buscar uma única substância “milagrosa”.


 Antioxidantes e exercício físico: um cuidado importante

No esporte, existe uma particularidade.

O exercício aumenta temporariamente a produção de espécies reativas. Isso não significa necessariamente que o exercício esteja causando danos.

Essas moléculas também participam da sinalização necessária para algumas adaptações ao treinamento.

Por isso, o uso indiscriminado de altas doses de suplementos antioxidantes, especialmente vitaminas C e E, não deve ser encarado como estratégia automática para melhorar recuperação ou performance.

Revisões sistemáticas mostram resultados inconsistentes para suplementação antioxidante e levantam a possibilidade de interferência em determinadas adaptações ao exercício quando utilizada em doses elevadas e de forma crônica. (PubMed)

Uma revisão de 2023 concluiu que ainda não existem evidências suficientes para recomendar altas doses de vitaminas C e E com o objetivo de melhorar recuperação muscular, destacando que uma alimentação adequada, baseada em frutas e vegetais, é uma estratégia mais apropriada para obtenção de antioxidantes. (PubMed)

Em outras palavras: alimento primeiro, suplemento quando houver indicação.


Estratégia prática: quanto mais diversidade, melhor

Uma estratégia nutricional interessante é utilizar o conceito de “prato colorido”:

Verde: couve, brócolis, rúcula, espinafre

Vermelho: tomate, morango, melancia

Roxo: uva, açaí, berinjela, repolho-roxo

Laranja: cenoura, abóbora, mamão

Amarelo: manga, milho, pimentão-amarelo

Branco: alho, cebola, couve-flor

Cada grupo fornece diferentes compostos bioativos.

A verdadeira estratégia antioxidante não é escolher um “superalimento”. É construir uma alimentação rica, variada e colorida.

A OMS associa maior consumo de frutas e vegetais a menor risco de diversas doenças crônicas não transmissíveis e recomenda que esses alimentos façam parte de uma alimentação saudável. (Organização Mundial da Saúde)

Referências científicas

World Health Organization (WHO). Increasing fruit and vegetable consumption to reduce the risk of noncommunicable diseases. 2023. (Organização Mundial da Saúde)

Clifford T, Jeffries O, Stevenson EJ, Bowden Davies KA. The effects of vitamin C and E on exercise-induced physiological adaptations: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials. Critical Reviews in Food Science and Nutrition. 2020. (PubMed)

Pastor R, Tur JA. Antioxidant Supplementation and Adaptive Response to Training: A Systematic Review. Current Pharmaceutical Design. 2019. (PubMed)

Kim J. Effect of high-dose vitamin C and E supplementation on muscle recovery and training adaptation: a mini review. Physical Activity and Nutrition. 2023. (PubMed)

Rogers DR, Lawlor DJ, Moeller JL. Vitamin C Supplementation and Athletic Performance: A Review. Current Sports Medicine Reports. 2023. (PubMed)

Nikolaidis MG et al. Does vitamin C and E supplementation impair the favorable adaptations of regular exercise? Oxidative Medicine and Cellular Longevity. 2012. (PubMed)


Estagiárias: Inez Candido & Sara 

 


Vitamina D e regulação: muito além da saúde óssea

A vitamina D é frequentemente associada à manutenção de ossos fortes, mas sua atuação no organismo é mais ampla. Atualmente, ela é reconhecida como um pró-hormônio/secosteroide envolvido na regulação do metabolismo mineral, da função muscular e de diferentes processos celulares, incluindo mecanismos relacionados ao sistema imunológico.

Como a vitamina D atua no organismo?

A vitamina D pode ser obtida pela exposição da pele à radiação ultravioleta B (UVB), pela alimentação e pelo uso de suplementos. Entretanto, a vitamina D proveniente dessas fontes ainda precisa ser metabolizada.

Primeiramente, ocorre sua conversão no fígado em 25-hidroxivitamina D [25(OH)D], também conhecida como calcidiol. Essa é a principal forma utilizada para avaliar o estado nutricional de vitamina D no sangue. Posteriormente, principalmente nos rins, ocorre a formação da 1,25-dihidroxivitamina D [1,25(OH)₂D], ou calcitriol, sua forma biologicamente ativa.

O calcitriol atua por meio do receptor de vitamina D (VDR), presente em diversos tecidos. Por isso, seus efeitos não estão restritos ao tecido ósseo.

Vitamina D e saúde óssea

Uma das funções mais bem estabelecidas da vitamina D é favorecer a absorção intestinal de cálcio e fósforo, minerais fundamentais para a formação e manutenção do tecido ósseo.

A deficiência grave pode comprometer a mineralização óssea, contribuindo para raquitismo em crianças e osteomalácia em adultos. Em conjunto com o cálcio, a vitamina D também participa da manutenção da saúde óssea e da prevenção da perda de massa óssea.

Esse papel foi amplamente discutido na literatura, incluindo a revisão clássica de Michael F. Holick publicada no New England Journal of Medicine em 2007.

Vitamina D e sistema imunológico

A relação entre vitamina D e imunidade é uma das áreas que mais despertam interesse científico.

Células do sistema imunológico possuem receptores para vitamina D e algumas delas são capazes de metabolizar a vitamina D em sua forma ativa. Esse mecanismo permite que a vitamina D participe da modulação das respostas imunes inata e adaptativa.

Em termos fisiológicos, a vitamina D pode influenciar a atividade de células imunológicas e a expressão de determinados genes relacionados à resposta inflamatória. Portanto, é mais adequado falar em modulação da resposta imunológica, e não simplesmente em “aumento da imunidade”.

Essa distinção é importante porque uma resposta imunológica eficiente depende de equilíbrio: tanto a defesa contra agentes infecciosos quanto o controle de respostas inflamatórias excessivas são fundamentais para a saúde.

E quanto à saúde mental?

A vitamina D também tem sido investigada em relação à saúde mental e ao humor. Estudos observacionais encontram associações entre níveis reduzidos de 25(OH)D e diferentes condições de saúde, mas associação não significa necessariamente causalidade.

Por isso, embora exista interesse científico nessa relação, não é adequado afirmar que a vitamina D isoladamente previne ou trata depressão. O tratamento de transtornos do humor deve seguir avaliação e acompanhamento profissional.

Regulação hormonal e metabólica

Outro aspecto importante é que a vitamina D apresenta características de um hormônio esteroide, especialmente por meio da ação do calcitriol e do receptor VDR.

Além da regulação do metabolismo do cálcio e do fósforo, o sistema da vitamina D participa da expressão de genes envolvidos em processos como diferenciação celular, proliferação celular, função neuromuscular e resposta imunológica.

Isso ajuda a explicar por que a vitamina D é estudada em diferentes áreas da fisiologia humana.

Onde encontramos vitamina D?

A vitamina D pode ser obtida por diferentes fontes:

  • Exposição solar: a radiação UVB estimula a síntese cutânea de vitamina D.

  • Peixes: especialmente peixes gordurosos, como salmão.

  • Ovos: principalmente a gema.

  • Alimentos fortificados: dependendo da disponibilidade e das políticas alimentares de cada país.

  • Suplementos: podem ser utilizados quando há indicação individualizada.

A exposição solar necessária varia de acordo com fatores como latitude, estação do ano, pigmentação da pele, idade, uso de roupas e protetor solar, entre outros. Portanto, não existe uma recomendação universal de tempo de exposição que seja adequada para todas as pessoas.

O exame utilizado para avaliar vitamina D

Quando há indicação clínica para avaliar o status de vitamina D, o marcador mais utilizado é a 25-hidroxivitamina D [25(OH)D] sérica. A forma ativa, 1,25(OH)₂D, geralmente não é o exame de escolha para avaliar reservas de vitamina D, pois sua concentração é fortemente regulada e pode permanecer normal mesmo diante de deficiência.

Também é importante reconhecer que os valores considerados adequados podem variar conforme a população, o contexto clínico e a referência utilizada. O National Institutes of Health destaca que ainda existem discussões científicas sobre concentrações séricas que definem deficiência, adequação e benefícios para diferentes desfechos de saúde.

Vitamina D: equilíbrio é a palavra-chave

A vitamina D é essencial, mas mais não significa necessariamente melhor.

A suplementação deve considerar as necessidades individuais, alimentação, exposição solar, condições clínicas, medicamentos e, quando indicado, resultados laboratoriais. Doses excessivas podem causar toxicidade, principalmente por provocar hipercalcemia e outras alterações metabólicas.

Assim, a melhor abordagem não é buscar níveis extremamente elevados de vitamina D, mas manter um estado nutricional adequado e individualizado.

Em resumo

A vitamina D participa de uma complexa rede de regulação fisiológica. Seu papel na absorção de cálcio, mineralização óssea e manutenção do metabolismo mineral é bem estabelecido. Além disso, pesquisas demonstram sua participação na modulação imunológica e em diferentes processos celulares.

Entretanto, é fundamental diferenciar mecanismos biológicos de benefícios clínicos comprovados. A vitamina D não deve ser apresentada como uma solução isolada para doenças ou como um “fortalecedor universal da imunidade”.

Cuidar dos níveis adequados de vitamina D faz parte de uma abordagem integrada de saúde, que inclui alimentação equilibrada, atividade física, exposição solar responsável e acompanhamento profissional quando necessário.

Referências científicas

  1. Holick MF. Vitamin D deficiency. New England Journal of Medicine. 2007;357(3):266–281. DOI: 10.1056/NEJMra070553.

  2. National Institutes of Health – Office of Dietary Supplements. Vitamin D – Health Professional Fact Sheet.

  3. Nature Reviews Endocrinology. Unexpected actions of vitamin D: new perspectives on the regulation of innate and adaptive immunity.

  4. Nature Reviews Rheumatology. Involvement of the secosteroid vitamin D in autoimmune rheumatic diseases and COVID-19.

  5. Flemming A. Connecting vitamin D, the microbiome and anticancer immunity. Nature Reviews Immunology. 2024;24:378.

Conteúdo educativo. Este texto não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação de profissional de saúde.

Estagiárias: Sara e Inez

sábado, 22 de agosto de 2026

Por que o café tira o sono de algumas pessoas e de outras não?

 



Você já reparou que algumas pessoas conseguem tomar café depois do jantar e dormir tranquilamente, enquanto outras tomam uma xícara no fim da tarde e já sabem que terão uma noite difícil?

Essa diferença pode ter relação com a genética.

A cafeína, presente principalmente no café, chá, energéticos e alguns suplementos, atua no nosso cérebro bloqueando a ação da adenosina, uma substância relacionada à sensação de cansaço e sono. Por isso, depois de tomar café, ficamos mais alertas e menos sonolentos.

Mas o efeito da cafeína não é igual para todo mundo.

Onde entra a genética?

Nosso organismo precisa metabolizar a cafeína, e uma das principais enzimas envolvidas nesse processo é produzida a partir do gene CYP1A2. Existem variações genéticas que podem influenciar a velocidade com que a cafeína é metabolizada.

Outro gene estudado é o ADORA2A, relacionado aos receptores de adenosina no cérebro. Algumas variações nesse gene podem estar associadas a diferenças na sensibilidade à cafeína, inclusive em relação ao sono e à ansiedade.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas podem consumir a mesma quantidade de café e apresentar respostas diferentes.

Mas atenção: não é apenas a genética que determina essa resposta.

Quantidade de café, horário do consumo, frequência, qualidade do sono, uso de alguns medicamentos e outros hábitos também podem influenciar a forma como nosso corpo reage à cafeína.

Então posso tomar café à noite?

Depende.

Mesmo pessoas que não percebem efeitos imediatos podem ter alterações no sono. Uma revisão sistemática com 24 estudos mostrou que a cafeína pode diminuir o tempo total de sono e aumentar o tempo necessário para adormecer, principalmente quando consumida próximo ao horário de dormir.

Por isso, mais importante do que perguntar “qual é o melhor horário para tomar café?”, pode ser observar:

“Como o meu corpo responde ao café?”

Se você percebe que uma xícara no final da tarde prejudica seu sono, antecipar o horário ou reduzir o consumo pode ser uma estratégia simples.

E o que isso ensina para a Nutrição?

A genética mostra que não somos todos iguais. Nossos genes podem influenciar algumas respostas aos alimentos e nutrientes, mas isso não significa que nosso DNA determine sozinho o que devemos comer ou beber.

A ciência da Nutrição está justamente tentando entender melhor essas diferenças entre as pessoas.

Por enquanto, uma coisa já sabemos: aquele amigo que toma café às 22h e dorme tranquilamente pode realmente ter uma resposta diferente da sua e a genética pode ser parte da explicação.


Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição 

Referências

KAPELLOU, A. et al. Genetics of caffeine and brain-related outcomes: a systematic review of observational studies and randomized trials. Nutrition Reviews, 2023.

MOHAMED, A. et al. Genetic susceptibility to caffeine intake and metabolism: a systematic review. 2024.

GARDINER, C. et al. The effect of caffeine on subsequent sleep: a systematic review and meta-analysis. Sleep Medicine Reviews, 2023.

É fome ou vontade de comer?


  É fome ou vontade de comer?


Nem toda vontade de comer significa fome. A fome física surge gradualmente e apresenta sinais do corpo. Já a vontade de comer pode estar ligada a emoções, hábitos ou estímulos externos. Observar esses sinais, comer com atenção e sem culpa ajuda a desenvolver uma relação mais consciente com a alimentação.


Elaborado por Roselia Aparecida Ferreira.


Referências: Ministério da Saúde – Guia Alimentar para a População Brasileira; Harvard T.H. Chan School of Public Health – Mindful Eating.

 




Alimentos para Diabetes Mellitus: o que são e sua importância na alimentação

Uma alimentação equilibrada é fundamental para pessoas com diabetes mellitus, pois contribui para o controle da glicemia, auxilia na manutenção de um peso saudável e favorece a prevenção de complicações relacionadas à doença. A alimentação deve ser variada, equilibrada e adaptada às necessidades individuais de cada pessoa.

  O que são alimentos indicados para pessoas com diabetes?

São alimentos que podem fazer parte de uma alimentação saudável para pessoas com diabetes, especialmente aqueles que fornecem fibras, vitaminas, minerais, proteínas e gorduras de melhor qualidade. A escolha adequada dos alimentos e a quantidade consumida podem contribuir para um melhor controle da glicemia.

É importante destacar que não existe uma lista única de alimentos "proibidos" para todas as pessoas com diabetes. O planejamento alimentar deve considerar o tipo de diabetes, medicamentos utilizados, rotina, preferências alimentares, condições de saúde e objetivos individuais.

 Por que a alimentação é importante no diabetes?

Uma alimentação adequada pode:

✅ Auxiliar no controle da glicemia;

✅ Contribuir para a manutenção ou redução do peso corporal quando necessário;

✅ Favorecer a saúde cardiovascular;

✅ Aumentar a ingestão de fibras, vitaminas e minerais;

✅ Ajudar na prevenção de complicações relacionadas ao diabetes;

✅ Contribuir para uma melhor qualidade de vida.

A terapia nutricional é considerada parte importante do tratamento do diabetes, juntamente com atividade física, medicamentos quando indicados e acompanhamento da equipe de saúde.

 🥦 Exemplos de alimentos que podem fazer parte da alimentação

 🥗 1. Verduras e legumes

Brócolis, alface, cenoura, tomate e outros vegetais são boas opções para aumentar o consumo de fibras, vitaminas e minerais. Sempre que possível, diferentes tipos de vegetais devem estar presentes nas refeições.

 🌾 2. Grãos e cereais integrais

Aveia, arroz integral, quinoa, cevada e outros cereais integrais podem contribuir para aumentar o consumo de fibras. As fibras alimentares são importantes para a saúde e podem auxiliar no controle da glicemia.

 🍗 3. Proteínas

Peixes, frango, ovos e leguminosas, como feijão, lentilha e grão-de-bico, são fontes de proteínas que podem fazer parte de uma alimentação equilibrada. A quantidade ideal deve ser individualizada de acordo com as necessidades de cada pessoa.

 🥑 4. Gorduras de melhor qualidade

Abacate, azeite de oliva, castanhas e sementes podem ser incluídos na alimentação em quantidades adequadas. Essas gorduras contribuem para a saúde cardiovascular quando fazem parte de uma alimentação equilibrada.

 🍓 5. Frutas

Frutas inteiras podem fazer parte da alimentação de pessoas com diabetes. Maçã, pera, laranja, morango e kiwi são exemplos. Em geral, recomenda-se priorizar a fruta inteira em vez de sucos, observando a quantidade consumida e o contexto da refeição.

💡 Dicas importantes

 ⏰ Faça refeições de forma organizada

Mantenha uma rotina alimentar adequada às suas necessidades.

 💧 Beba água

A hidratação adequada faz parte de um estilo de vida saudável.

 🚫🍬 Evite o excesso de açúcar e ultraprocessados

Principalmente bebidas açucaradas e produtos com grande quantidade de açúcares, gorduras saturadas e sódio.

 ⚖️ Observe as porções

Mesmo alimentos considerados saudáveis podem contribuir para o aumento da glicemia quando consumidos em excesso.

🚶‍♂️ Pratique atividade física

Quando liberada e orientada pela equipe de saúde, a atividade física é uma importante aliada no cuidado do diabetes.

 👩‍⚕️ Procure acompanhamento profissional

Nutricionista, médico e demais profissionais da equipe de saúde podem ajudar a elaborar um plano adequado para cada pessoa.

 🌱 Alimentação saudável não significa passar fome ou eliminar todos os carboidratos

O objetivo não é simplesmente retirar alimentos da alimentação, mas construir um padrão alimentar equilibrado e sustentável. A estratégia nutricional deve ser individualizada, considerando as necessidades, preferências e condições de cada pessoa.

 🎯 Conclusão

Os alimentos escolhidos no dia a dia podem desempenhar um papel importante no cuidado do diabetes mellitus. Priorizar verduras, legumes, frutas inteiras, leguminosas, cereais integrais, proteínas adequadas e fontes de gorduras de melhor qualidade, dentro de um plano alimentar individualizado, pode contribuir para o controle da glicemia e para a saúde geral.

🌟 Cada escolha alimentar pode fazer parte de um cuidado mais consciente com a saúde.

> ⚠️ Atenção: As informações deste artigo são educativas e não substituem uma avaliação individualizada com médico ou nutricionista.

 📚 Referências

🔹 Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes – Edição 2024. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br

🔹 Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Terapia Nutricional no Pré-Diabetes e no Diabetes Mellitus Tipo 2. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br

🔹 Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Descobri que tenho diabetes... Como deverá ficar minha alimentação? Disponível em: https://diabetes.org.br


Estagiárias: Sara Cristina Rodrigues da Silva Simões & Maria Inez Candido Schiesaro