Adoçante X Gravidez
Maria Regina TORLONI et al.
Os adoçantes são substâncias naturais ou artificiais do açúcar que conferem sabor doce com menor caloria, e, como qualquer outra droga, também recebem uma classificação de risco potencial para o uso na gravidez e por isso recebem uma recomendação de ingestão diária aceitável (IDA) elaborada pelos órgãos regulatórios nacionais e internacionais.
Os principais adoçantes são:
- Sacarina: é derivada da naftalina, 400 vezes mais doce do que o açúcar, é lentamente absorvida e não é metabolizada pelo corpo.
Na gravidez o uso de 25 - 100mg desse adoçante passa a barreira placentária sendo identificada no sangue, porém sem efeito teratogênico. A preocupação é quanto seu efeito carcinogênico que ainda não foi confirmado pelos estudos, portanto é recomendado que a sacarina seja evitada.
- Ciclamato: Adoça de 30 - 40 vezes mais que o açúcar e não possui calorias.
Na gravidez também passa pela barreira placentária e estudos dizem qe pode causar efeitos teratogênicos sobre os linfócitos e má formação do feto, porém não há comprovação.
Não existem dados disponíveis para recomendação durante a lactação.
- Aspartame: tem sabor e valor calórico semelhante ao do açúcar, porém tem o poder de adoçar 180 - 200 vezes mais que o açúcar.
Após a ingestão, o aspartame se decompõe e forma um composto alcoólico (metanol), porém não há a possibilidade de dano fetal pela quantidade irrisória presentes nos podutos.
Portanto, o uso de aspartame na gradivez é considerado seguro.
- Sucralose: é obtida a partir da substituição de grupos hidroxila por cloros nos carbonos. Grande parte é metabolizada e seu poder de adoçante é 600 vezes mais que o açúcar e não possui calorias.
Estudos mostram que seu uso durante a gravidez não tem risco teratogênico.
- Estévia: não possui calorias, adoça 300 vezes mais que o açúcar e também não é metabolizado. Tem gosto amargo de ervas, pois é um adoçante natural extraído da Stevia Rebaudiana Bertoni.
Reduz a glicemia pós-prandial em diabéticos tipo 2 e mascara os testes de glicose durante a gestação. Não possui evento adverso na gestação em animais, porém não existem estudos quanto ao seu uso em humanos.
O uso de adoçante durante a gestação deve ser reservado para pacientes que precisam controlar seu ganho de peso e para as diabéticas. Baseado nas evidências disponíveis deve se dar preferência ao aspartame, sucralose e estévia.
Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia - 2007
Ana Paula SANTOS
Carolina AGUILAR

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