Hábitos e práticas alimentares são construídos com base em determinações socioculturais. No mundo contemporâneo, a mídia desempenha papel estruturador na construção e desconstrução de procedimentos alimentares.
As práticas alimentares de emagrecimento inserem-se numa lógica de mercado impregnada por um padrão estético de corpo ideal. A indústria cultural move-se articulando diferentes campos, como empresas produtoras de mercadorias, indústrias de aparelhos e equipamentos e setores financeiros. É nessa lógica que se produzem os paradigmas estéticos e, por conseqüência, discursos sobre práticas alimentares para emagrecimento.
Os discursos de matérias de revistas sobre práticas alimentares para emagrecimento aparecem sempre proferidos por especialistas, artistas e adolescentes, atores sociais que, em razão de sua especificidade, encerram a sua participação como formadores de opinião, comportamentos e estilos.
O conteúdo do discurso da mídia, mostra-se de cunho informativo, mas nem sempre pode ser tomado como base. O fato de ser informativo não significa que seja adequado, científico, saudável. O discurso midiático é ambíguo e pode ser capcioso. A informação, no caso, não representa, necessariamente, a "verdade", não é educativa nem formadora e não cria alicerces sólidos para o indivíduo.
O profissional de saúde e nutrição não pode estar alheio ao que se passa no mercado midiático, particularmente em se tratando de adolescentes, sob o risco de incorrer numa alienação e num afastamento do público/cliente a quem atende. De nada adianta prescrever dietas, divulgar práticas alimentares saudáveis descontextualizadas da forte influência que esse público recebe da mídia.
Para efeito de conclusão, ressaltamos a importância da dimensão educativa dos profissionais de saúde e nutrição para o público em geral, particularmente os do sexo feminino. Informar e orientar as pessoas em relação aos seus hábitos alimentares é um desafio que se impõe àqueles que acreditam que o corpo pode e deve ser pensado em suas múltiplas dimensões, não se restringindo a padrões modulares estéticos.
Assinado por: Karen Tavares e Luciana Pacheco
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