Desde os primeiros Jogos Olímpicos realizados em 776 a.C. na Grécia Antiga, atletas e treinadores buscam uma alimentação especial capaz de aumentar o rendimento físico e melhorar o desempenho. Neste final de século, essa busca ainda persiste, mas com um elevado grau de desinformação, observado tanto em atletas como em treinadores, que assumem praticamente a responsabilidade das dietas dos seus alunos.
Há relatos que a participação de atletas femininas em esportes competitivos cresceu significativamente. Pesquisas demonstram que o ambiente esportivo representa uma subcultura que amplia as pressões sócio-culturais pela magreza e indicam a prevalência de distúrbios alimentares em atletas femininas jovens envolvidas com o esporte, principalmente aqueles que preconizam magreza e o baixo peso corporal, tais como ginástica olímpica e corridas de longa distância.
Assim há possibilidade das atletas serem acometidas por uma síndrome denominada “Tríade das Atletas femininas” que consiste em desordens alimentares, amenorréia e osteoporose.
Sendo que a Ginástica Olímpica é um esporte caracterizado pela leveza dos movimentos, pela arte do equilíbrio e da flexibilidade, preconiza-se que as ginastas sejam leves e magras. Estudo realizado por com 97 ginastas competitivas observou que essas atletas têm um baixo consumo energético frente às demandas necessárias à prática esportiva. E, além disso, suas dietas, em geral, encontram-se desequilibradas em relação aos macronutrientes, o que implica na ingestão precária de vitaminas e mineral.
Sendo nocivo, pois atletas femininas que praticam exercícios físicos podem ter alterações no equilíbrio endócrino que regula as funções reprodutoras, por fatores genéticos, psicológicos e físicos. O treinamento intenso pode estar associado à presença de irregularidades menstruais, como amenorréia e oligorréia.
O conceito de imagem corporal envolve três componentes: o perceptivo, que se relaciona com a precisão da percepção da própria aparência física, sendo que envolve uma estimativa do tamanho corporal e do peso; o subjetivo que envolve aspectos como satisfação com a aparência, com o nível de preocupação e com a ansiedade a ela associada; e por último o comportamental, que focaliza as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal; Os sentimentos que uma pessoa tem sobre o seu próprio corpo são proporcionais aos sentimentos que nutre sobre ela própria. E a percepção subjetiva que uma pessoa tem sobre seu corpo pode ser mais importante do que a realidade objetiva de sua aparência;E as crenças culturais determinam normas sociais na relação com o corpo humano. Práticas de embelezamento, manipulação e mutilação, fazem do corpo um terreno de significados simbólicos. As mudanças artificiais em seu formato do corpo, tamanho e aparência são comuns em todas as sociedades e têm uma importante função social. Elas comunicam a informação sobre a posição social do indivíduo e, muitas vezes, demonstram um sinal de mudança em seu status social.
Percebe-se que o mundo social, claramente, discrimina os indivíduos não-atraentes, numa série de situações cotidianas importantes. Pessoas julgadas pelos padrões vigentes como atraentes parecem receber mais suporte e encorajamento no desenvolvimento de repertórios cognitivos socialmente seguros e competentes, assim, indivíduos tidos como não-atraentes, estão mais sujeitos a encontrar ambientes sociais não-responsivos e rejeitador e que desencorajam o desenvolvimento de habilidades sociais e de um autoconceito favorável.
As conseqüências dessa imagem corporal negativa, sendo que esta pode estar relacionada a uma baixa auto-estima sendo que as pessoas acreditam que não possuem qualidades necessárias para serem particularmente masculinas ou femininas; ansiedade interpessoal que pode surgir com sentimentos de autoconsciência e inadequação em algumas interações sociais; a autoconsciência física que pode trazer dificuldades na esfera sexual; descontentamento com a aparência podendo desencadear depressão e por último, pode estar associada com distúrbios alimentares.
Embora a insatisfação com o corpo ou a própria distorção da imagem corporal possa estar presente em outros quadros psiquiátricos - transtorno dismórfico corporal, delírios somáticos, transexualismo, depressão, esquizofrenia e obesidade - é nos transtornos alimentares que seu papel sintomatológico e prognóstico é mais relevante e acentuado
Deve-se, contudo, considerar os aspectos relacionados à saúde e as diferentes constituições físicas da população. Esse padrão distorcido da beleza acarreta um número cada vez maior de pessoas que se submetem às dietas para controle do peso, ao abuso de exercícios físicos e o uso de laxantes e diuréticos.
Portanto deve-se sempre estar atento à forma que se faz a alimentação, que é ponto fundamental tanto para o bom desempenho quanto para a saúde e bem estar de atletas, sejam esses homens ou mulheres.
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