Apolipoproteína B (ApoB)
A Apolipoproteína B (ApoB) é uma proteína presente em várias partículas de lipoproteínas que transportam gordura e colesterol no sangue. Cada partícula potencialmente aterogênica — ou seja, capaz de contribuir para a formação de placas nas artérias — contém exatamente uma molécula de ApoB. Por esse motivo, a medição de ApoB é considerada uma forma bastante precisa de estimar o número total de partículas lipídicas que podem causar aterosclerose.
A ApoB está presente principalmente nas lipoproteínas LDL, VLDL, IDL e nos remanescentes de lipoproteínas ricas em triglicerídeos. Essas partículas podem penetrar na parede das artérias e iniciar o processo de acúmulo de gordura e inflamação que leva à Aterosclerose, condição associada a eventos cardiovasculares como Infarto do miocárdio e Acidente vascular cerebral.
Diferentemente do colesterol LDL, que mede a quantidade de colesterol transportado nas partículas, a ApoB indica quantas partículas aterogênicas estão circulando no sangue. Isso é importante porque duas pessoas podem ter o mesmo valor de LDL, mas números diferentes de partículas. Quando há muitas partículas pequenas contendo menos colesterol cada uma, o LDL pode parecer normal, mas o risco cardiovascular ainda pode estar elevado. Nesses casos, a ApoB tende a estar aumentada.
Valores de referência podem variar entre laboratórios, mas em geral considera-se que níveis abaixo de cerca de 65 mg/dL indicam risco cardiovascular muito baixo, entre 65 e 80 mg/dL são considerados ideais para a maioria das pessoas, e valores acima de 100 mg/dL podem indicar aumento do risco de doença cardiovascular, especialmente em indivíduos com outros fatores de risco.
Níveis elevados de ApoB são mais comuns em pessoas com condições metabólicas como Síndrome metabólica, Diabetes tipo 2, triglicerídeos elevados e Esteatose hepática. Nessas situações, o fígado costuma produzir mais partículas ricas em triglicerídeos (VLDL), o que aumenta o número total de partículas contendo ApoB.
Na prática clínica, a avaliação da ApoB pode ajudar a estimar melhor o risco cardiovascular, orientar mudanças de estilo de vida e auxiliar na decisão sobre tratamentos como estatinas ou outras terapias para redução de lipídios. Muitos especialistas consideram a ApoB um dos marcadores mais diretos da carga aterogênica do sangue.
Por: Andréa Melo
- SNIDERMAN, Allan D. et al. Apolipoprotein B particles and cardiovascular disease: a narrative review. JAMA Cardiology, Chicago, v. 4, n. 12, p. 1287–1295, 2019.
- BOEKHOLDT, S. Matthijs et al. Levels and changes of HDL cholesterol and apolipoprotein A-I in relation to risk of cardiovascular events. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 58, n. 14, p. 1302–1309, 2011.
- CROMWELL, William C.; OTVOS, James D. Low-density lipoprotein particle number and risk for cardiovascular disease. Current Atherosclerosis Reports, Philadelphia, v. 6, n. 5, p. 381–387, 2004.
- GRUNDY, Scott M. et al. 2018 guideline on the management of blood cholesterol. Journal of the American College of Cardiology, New York, v. 73, n. 24, p. e285–e350, 2019. Diretriz elaborada pelo American College of Cardiology e pela American Heart Association.
- MACH, François et al. 2019 ESC/EAS Guidelines for the management of dyslipidaemias. European Heart Journal, Oxford, v. 41, n. 1, p. 111–188, 2020. Diretriz da European Society of Cardiology e da European Atherosclerosis Society.
Nenhum comentário:
Postar um comentário