sábado, 14 de março de 2026

Os efeitos da obesidade no organismo

Os índices de obesidade têm crescido cada vez mais, e qualquer faixa etária está suscetível a isso. Se antes a obesidade era relacionada majoritariamente com a fase adulta, hoje ela abrange toda e qualquer idade. 

A obesidade é uma doença crônica com baixo grau de inflamação não transmissível, caracterizada por uma síndrome metabólica. Essa síndrome faz menção a diversas mudanças metabólicas que geram prejuízos às funções corporais. 

A síndrome metabólica se caracteriza por:

- Aumento dos triglicérides (Gordura no sangue);

- Aumento da resistência à insulina;

- Aumento da pressão arterial;

- Aumento do LDL (Colesterol ruim) e baixa do HDL (Colesterol bom);

- Aumento da deposição de gordura visceral (Que se localiza entre as vísceras);


A obesidade se relaciona com muitas outras doenças e é, atualmente, uma das maiores causadoras de mortes em todo o mundo. Um indivíduo obeso possui uma altíssima quantidade de tecido adiposo estocado. Como nós sabemos hoje, a gordura não é somente um estoque energético, ela possui diversas funções metabólicas e até atua como uma glândula secretora das famosas Adipocinas. 

As Adipocinas são moléculas sinalizadoras semelhantes às Miocinas; com a diferença de que as Miocinas são liberadas pelo tecido muscular. As Adipocinas exercem algumas funções importantes no nosso organismo, porém, quando são secretadas com moderação. 

No caso de um indivíduo obeso que possui muito tecido adiposo, as células gordurosas, conhecidas também como adipócitos, sofrem uma hipertrofia (Aumento de tamanho) e uma hiperplasia (Multiplicação), fazendo com que elas secretem em maior quantidade essas Adipocinas.

Vou comentar sobre as principais adipocinas e os seus respectivos malefícios:

Leptina: Ela é conhecida como o hormônio que sinaliza ao cérebro a saciedade. Ela é muito importante, pois sinaliza ao cérebro quando estamos saciados e está na hora de diminuir a secreção da Grelina (Hormônio da fome). O problema surge com a grande secreção da Leptina, que faz com que seja gerada uma resistência a ela mesma, perdendo esse efeito saciatório: Uma das grandes queixas de quem possui obesidade é essa fome insaciável e constante, o que corrobora com o ganho de peso. 


Resistina: Outra Adipocina que possui um efeito maléfico é a Resistina, exercendo um grande papel na piora do perfil glicêmico do indivíduo. A Resitina bloqueia em parte a ação da Insulina de ativar o GLUT-4 (Transportador de glicose) fazendo essa glicose ficar circulante ao invés de ir às células. Isso aos poucos vai causando uma resistência à Insulina e uma hiperglicemia, podendo gerar um quadro de diabetes. 


Angiotensina II: Quando nós ficamos com a pressão arterial muito baixa, o nosso organismo tem um mecanismo renal que consegue, através da retenção de água e sódio e uma vasoconstrição, aumentar a pressão arterial, retornando-a a seus níveis normais. O problema vem com o excesso de tecido adiposo, acarretando um excesso da secreção da Angiotensina II, fazendo a pressão arterial subir por conta própria, sem necessariamente estar com a pressão arterial baixa. O que aos poucos, pode gerar um quadro de hipertensão arterial sistêmica.


Adiponectina: Apesar do nome parecido, a Adiponectina é uma Adipocina. Ela se difere das demais porque ela é a única que tem a sua produção diminuída com o aumento do tecido adiposo. Ela possui funções benéficas à nós, como aumentar a sensibilidade à Insulina, promover a angiogênese (Construção de novos vasos sanguíneos), proteção cardiovasculoar e ação anti-inflamatória.

Com o aumento do tecido adiposo, a sua secreção diminui, piorando a sensibilidade à Insulina, tornando-a mais resistente, colaborando com o surgimento da diabetes e também causando a piora de outros marcadores metabólicos. 


Essas são algumas das mudanças que ocorrem em nosso organismo em função desse aumento da rede dos adipócitos e da secreção descontrolada das Adipocinas. Esses fatores corroboram com o surgimento da síndrome metabólica, oferecendo sérios riscos à saúde. 

A obesidade causa a diabetes do tipo II, causa insuficiência cardíaca, causa uma hipertensão arterial sistêmica, causa problemas ósseos e articulares, causa entupimento das veias e artérias, causa AVC e causa infarto do miocardio. 




Por estagiário nutricionista: Pedro Paulo.






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