terça-feira, 3 de março de 2026


Uso de Suplementos Vitamínicos sem Acompanhamento: Risco ou Necessidade?




O consumo de suplementos vitamínicos cresceu significativamente nos últimos anos. Muitas pessoas utilizam multivitamínicos ou megadoses de vitaminas com a ideia de “prevenir doenças” ou “fortalecer a imunidade”. No entanto, a suplementação sem avaliação profissional pode não trazer benefícios — e, em alguns casos, representar riscos à saúde.

Quando a suplementação é realmente necessária?

Vitaminas são micronutrientes essenciais, mas a maior parte da população saudável consegue atingir as recomendações por meio de uma alimentação equilibrada.

A suplementação é indicada principalmente quando há:

  • Deficiência comprovada por exames laboratoriais

  • Condições clínicas específicas (como anemia ferropriva ou osteopenia)

  • Necessidades aumentadas (gestação, idosos, atletas)

  • Restrições alimentares (ex.: deficiência de B12 em vegetarianos estritos)

A Organização Mundial da Saúde reforça que intervenções nutricionais devem ser direcionadas a grupos de risco e baseadas em evidências.

Quais são os riscos do uso indiscriminado?

1. Toxicidade (Hipervitaminose)

Vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K) se acumulam no organismo. O excesso pode causar efeitos adversos como alterações hepáticas, calcificações e distúrbios metabólicos.

2. Interações medicamentosas

Altas doses de vitamina K podem interferir com anticoagulantes. A vitamina E, em excesso, pode aumentar risco de sangramento.

3. Ausência de benefício comprovado

Grandes estudos publicados em periódicos como o The New England Journal of Medicine e o JAMA mostram que, para indivíduos sem deficiência diagnosticada, o uso de multivitamínicos não reduz significativamente mortalidade ou risco cardiovascular.

4. Substituição de hábitos saudáveis

Suplementos não compensam alimentação inadequada, sedentarismo ou privação de sono.

Alimentação ou suplemento?

Nutrientes provenientes dos alimentos vêm acompanhados de fibras, fitoquímicos e compostos bioativos que atuam de forma sinérgica — algo que cápsulas isoladas não conseguem reproduzir completamente.

Suplementos vitamínicos não são vilões, mas também não são solução universal. O uso deve ser individualizado, baseado em avaliação clínica e laboratorial, preferencialmente com acompanhamento de nutricionista.

Cuidar da alimentação continua sendo a estratégia mais segura e eficaz para promover saúde a longo prazo.

Referências Bibliográficas

  • BAILEY, R. L. et al. Why US adults use dietary supplements. JAMA Internal Medicine, v. 173, n. 5, p. 355-361, 2013.
  • FORTMANN, S. P. et al. Vitamin and mineral supplements in the primary prevention of cardiovascular disease and cancer: an updated systematic evidence review. Annals of Internal Medicine, v. 159, n. 12, p. 824-834, 2013.
  • GARLETTI, M. et al. Dietary supplements and risk of chronic disease. The New England Journal of Medicine, v. 367, n. 17, p. 1638-1646, 2012.
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  • MASON, J. B. Vitamins, trace minerals, and other micronutrients. In: GOLDMAN, L.; SCHAFER, A. I. (eds.). Goldman-Cecil Medicine. 26. ed. Philadelphia: Elsevier, 2020.
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION (WHO). Guideline: Vitamin and mineral supplementation in adults. Geneva: WHO, 2019.

Por : Andréa Melo (estagiária em nutrição)


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