quarta-feira, 1 de setembro de 2010

LÍTIO E A DEPRESSÃO



O transtorno do humor bipolar (THB) é uma doença crônica, definida pela alternância de episódios de mania, ou de episódios de mania e depressão. Os principais objetivos do tratamento são a diminuição de sintomas maníacos agudos, da freqüência dos episódios e da alternância do humor, da severidade das alterações comportamentais da doença e a prevenção das conseqüências psicossociais.

O lítio foi usado por Cade em 1949 para o tratamento de pacientes psiquiátricos e, alguns anos depois, em 1954, Schou et al. comprovaram a eficácia dele para o tratamento de pacientes bipolares. Foi o primeiro fármaco aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), sendo utilizado há mais de 50 anos para o tratamento das fases agudas e de manutenção da doença bipolar, o único medicamento com propriedades estabilizadoras do humor comprovadas.

O lítio é eficaz na mania aguda, e seu efeito terapêutico está diretamente correlacionado à concentração sérica do fármaco. Com concentrações séricas altas (1,06 mmol/L) e médias (0,91 mmol/L), a melhora dos sintomas ocorre em 73% e 57% dos pacientes, respectivamente, enquanto com concentrações séricas baixas (0,43 mmol/l) a melhora dos sintomas diminui para 39% dos pacientes, semelhante aos resultados oferecidos pelo tratamento com placebo. Apesar de o lítio ser significativamente melhor que o placebo, seu efeito antimaníaco ocorre com latência longa, de 7 a 14 dias, e há a necessidade de concentrações séricas elevadas, aumentando os riscos de efeitos adversos. O lítio também é eficaz na depressão bipolar, conforme estudos clínicos randomizados, e as concentrações terapêuticas variam entre 0,65 e 1,5 mmol/L (Sproule, 2002).

O lítio é robustamente mais efetivo que o placebo para prevenir as recorrências dos episódios de mania e depressão, segundo estudos clínicos randomizados. O seu uso continuado é responsável pela diminuição dos episódios em 3,6 vezes mais que o placebo. Estudos mais recentes confirmam esses resultados, relatando que o uso do lítio como tratamento profilático diminui as recaídas em 81% dos casos, e que esses pacientes necessitam menos da combinação com antipsicóticos, antidepressivos ou eletroconvulsoterapia (ECT), ao contrário daqueles mantidos sem o uso do lítio.

Há divergências quanto às concentrações séricas ideais para o tratamento profilático com lítio. Alguns estudos sugerem que a manutenção do tratamento deva seguir com concentrações séricas entre 0,8 e 1 mmol/L, enquanto outros não relatam diferenças quando pacientes são mantidos com concentrações inferiores a 0,5 mmol/L.
O lítio também é útil para pacientes com risco suicida, sendo responsável pela diminuição da freqüência de atos suicidas de 3,2 para 0,37/100.

Além das propriedades estabilizadoras de humor, o lítio foi considerado igualmente efetivo em comparação aos antidepressivos tricíclicos na depressão unipolar, sendo preferido aos antidepressivos para pacientes bipolares, com risco de desenvolver episódios de mania.

Com base nas evidências expostas, verifica-se que a eficácia do lítio não ocorre para todos os pacientes, sendo necessário investigar as razões para tal situação. Os diferentes tipos de transtornos do humor, por exemplo, pacientes bipolares com ciclagem rápida, com episódios mistos, comorbidade com abuso de substâncias, fatores psicóticos, história familiar negativa ou mania secundária, não respondem adequadamente ao lítio, embora inexistam evidências de outros fármacos mais eficazes.

Postado por: Amanda Manzini e Anna Carolina Horta.

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