Uma das principais preocupações durante a infância e a adolescência é garantir que o crescimento e o desenvolvimento esperados sejam alcançados. O treinamento físico regular, ou mesmo o envolvimento em atividades físicas relativamente moderadas do dia-a-dia, junto a outras variáveis ambientais, influi para a obtenção do padrão de crescimento geneticamente determinado. Sua ação sobre o músculo e ossos são fatores importantes no aumento de pico de massa óssea durante a adolescência e, conseqüentemente, na prevenção da osteoporose na idade adulta.
Os meninos aumentam sua capacidade aeróbia (VO2máx) durante a adolescência, atingindo seu pico entre 18 e 20 anos. Em meninas adolescentes após a puberdade, o VO2 máx por unidade de peso corporal diminui, enquanto a gordura corporal aumenta e a hemoglobina tende a diminuir, assim como a atividade voluntária.
A manutenção do balanço energético deve ser uma preocupação constante. Jovens atletas são particularmente afetados pelo desequilíbrio energético que pode resultar, caso se prolongue, em graves conseqüências para a saúde, tais como baixa estatura, atraso puberal, deficiência de nutrientes, desidratação, irregularidade menstrual, alterações ósseas, maior incidência de lesões e maior risco para o aparecimento de distúrbios alimentares.
Vários são os fatores que influem na qualidade de uma dieta. No caso de escolares e principalmente de adolescentes, deve-se levar em consideração a influência de colegas, o tempo gasto com treinamento e outras atividades diárias. Esses são fatores que podem levar o jovem atleta a escolher alimentos que, embora sejam de sua preferência, não são os mais nutritivos, levando a um déficit de energia e nutrientes.
Recomenda-se que a dieta para atletas jovens forneça de 55 – 60% da energia total na forma de carboidratos, 12-15% de proteínas e 25-30 % de lipídios.
Para crianças e adolescentes envolvidos em competições é importante garantir que seus estoques energéticos estejam adequados. Não se recomenda que crianças utilizem supercompensação de carboidratos, que envolve uma fase de exaustão das reservas de glicogênio e dieta isenta de carboidratos (substituída por uma dieta rica em proteínas e gorduras), seguida de uma fase de alta ingestão desse nutriente, devido aos efeitos colaterais da primeira fase, tais como fadiga e irritabilidade.
Não existem recomendações específicas de micronutrientes para jovens esportistas. As RDA e as DRI são utilizadas como padrão para verificar a adequação, apesar da pouca especificidade.
Na adolescência, especial atenção deve ser dada à ingestão de ferro. O rápido aumento da massa magra, do volume sangüíneo e das células vermelhas resulta em uma maior necessidade de ferro para a mioglobulina e a hemoglobina, com maior possibilidade de ocorrer anemia no estirão. A maior reserva de ferro devida à maior massa magra e às perdas menstruais em meninas, justificam a necessidade de uma maior ingestão desse nutriente nesta faixa etária. A ingestão insuficiente de ferro pode prejudicar a capacidade de transporte de oxigênio, diminuindo o desempenho e interferindo com o treinamento, se a deficiência de ferro progredir para uma anemia.
A hidratação é essencial para garantir a manutenção da saúde e o desempenho físico. Devido à maior perda de água e eletrólitos, através da sudorese, é indicado que esportistas ingiram fluidos antes, durante e após os períodos de treinamento e competição. A temperatura e sabor das bebidas contribuem para uma maior ingestão.
Devem ser respeitadas as preferências das crianças, desde que o alimento escolhido apresente as características adequadas.
Cabe aos profissionais da saúde envolvidos no acompanhamento desses jovens atletas esclarecer a importância de uma alimentação equilibrada. Devem ser fornecidas informações ao jovem, familiares e treinadores para garantir a adoção de hábitos alimentares adequados.
Postado por: Karen Tavares e Luciana Pacheco

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