segunda-feira, 25 de outubro de 2010

ANÁLISE DE INFLUÊNCIAS EM DIETAS DE EMAGRECIMENTO

A obesidade é uma doença crônica, com acúmulo excessivo de gordura, a tal ponto que a saúde do indivíduo obeso esteja comprometida. De acordo com o Ministério da Saúde, (2008), cerca de 43,4% da população adulta brasileira está com Índice de Massa Corporal (IMC) ≥ 25 kg/m2.
A patologia tem causa multifatorial, nos quais diversos fatores estão envolvidos, como por exemplo, fatores genéticos (não modificáveis) e ambientais (modificáveis).
Adultos obesos são considerados mais vulneráveis a riscos para o desenvolvimento de co-morbidades. Um aumento de 20% do peso corporal eleva significativamente o risco de desenvolver hipertensão arterial, doenças coronarianas, dislipidemias, diabetes mellitus tipo II, além da patologia ser considerada um fator de risco para outras afecções como apnéia do sono, doenças articulares e cálculos biliares.
O comportamento alimentar envolve o apetite (sensação de fome e saciedade), os estados motivacionais e a necessidade de consumo energético. Este comportamento tem bases biológicas e sociais e, associado à obesidade, torna-se ainda mais complexo pelos aspectos psicológicos envolvidos, os quais podem se expressar por meio de humor depressivo, ansiedade, sentimento de culpa e, também por mecanismos fisiológicos, como a resistência ao jejum na vigência de dietas restritivas.
Grande parte dos indivíduos obesos come para resolver ou compensar seus problemas, ou seja, consome mais alimentos em situação de estresse emocional. Pessoas obesas, principalmente mulheres, comem excessivamente como mecanismo compensatório em situações de ansiedade, depressão, tristeza e raiva.
Nos dias atuais várias são as estratégias disponíveis para o tratamento da obesidade, cuja efetividade varia amplamente. Farret (2005) ressalta que por esta patologia ser reconhecida como uma doença crônica, as estratégias de tratamento são efetivas apenas em curto prazo e a terapias combinadas, tais como: dieta, exercícios físicos, tratamento comportamental e farmacológico.
O tratamento nutricional é uma das formas para a perda de peso porém,  se o paciente não estiver esclarecido sobre a causa do excesso de peso ou o comportamento que está influenciando o comportamento essa medida será infrutífera.
Para auxiliar na mudança de comportamento do indivíduo, devem ser investigados os fatores que facilitam a ingestão inadequada de alimentos naquele indivíduo em particular: a presença de episódios de comer compulsivo; o padrão de exercício físico; os eventos associados às oscilações de peso e suas consequências; os pensamentos; sentimentos e comportamentos associados ao peso, dentre outros aspectos.

Estudos relatam que 95% das pessoas com excesso de peso fracassam na manutenção de dietas de emagrecimento e voltam a engordar posteriormente.
Um estudo aplicou com os pacientes um questionário onde respondiam questões de como se sentiam em relação a autoestima, humor, depressão e ansiedade, atendidos em um ambulatório de uma instituição de ensino privada, os resultados foram:
·         Observou-se que as mulheres buscam melhorar a aparência em relação aos homens, assim procurando tratamento.
·         A maioria dos pacientes relatou baixa autoestima devido ao excesso de peso.
·         Apresentaram também pacientes que tinham crises de ansiedade e mau humor. Cade et al. (2009) relataram que em seu estudo, que uma das causas dos pacientes comerem muito, geralmente estava relacionado a ansiedade, raiva, tristeza, culpa e preocupação.
·         Observou-se também no presente estudo que 61,5% dos pacientes relataram apresentar momentos de comer compulsivo. Vários estudos com mulheres que procuram programas de redução de peso vêm mostrando que existe associação entre excesso de peso e a presença da compulsão alimentar, revelando valores que variam de 15 a 63%.
·         Em relação aos hábitos alimentares, em nosso estudo 69,2% retornaram aos antigos hábitos após o término do tratamento para perda de peso.
Concluímos que há interferência de fatores psicológicos envolvidos no tratamento de perda de peso. Sendo necessário o acompanhamento multidisciplinar a fim de expandir o conhecimento sobre o assunto, pois a diversidade de conhecimentos que estes trazem pode contribuir para uma melhor compreensão dos aspectos envolvidos a fim de auxiliar na prevenção e no tratamento do excesso de peso. 
Bruna Sousa Albino

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