As doenças cardiovasculares (DCV) são as principais causas de morte não apenas de adultos como também em jovens menores de 15 anos. A maior causa de doenças cardiovasculares em crianças é devida a malformações congênitas, porém muitos jovens apresentam fatores de risco como: hipertensão, hipercolesterolemia, síndrome metabólica, inatividade física
e excesso de peso. Há um risco aumentado da criança e do adolescente obeso permanecer neste estado quando adultos se comparados aos indivíduos eutróficos.
As recomendações para reduzir o risco DCV em adultos incluem uma dieta saudável e exercícios físicos regulares, além da limitação de gorduras em menos de 7% da ingesta energética total, gordura trans inferior a 1% e o colesterol abaixo de 300mg por dia.
Os lipídios saturados são considerados aterogênicos, pois, se ingeridos em excesso, são a principal causa dos aumentos do colesterol plasmático e do LDL, assim como os ácidos graxos trans também contribuem para o aumento destes e diminuição do HDL.
Não existe concordância de quando deve-se começar com medidas para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, porém consolido-se o conceito que a prevenção deveria começar na infância.
A participação de crianças e adolescentes em atividades esportivas é importante para o processo de crescimento e desenvolvimento, como também pode melhorar o perfil lipídico em jovens com sobrepeso e obesidade.
Em um estudo onde o objetivo era avaliar o consumo alimentos que aumentam o risco de DVC e avaliação antropométrica de crianças que faziam natação, os resultados foram que das 204 crianças 31% tinham excesso de peso.
Vários são os fatores que influenciam na qualidade de uma dieta. No caso de crianças que estão em idade escolar, deve-se levar em consideração que nessa faixa etária há uma busca por maior independência, e a escolha de alimentos é uma das áreas onde esses jovens podem expressar suas preferências. A influência de colegas, o tempo gasto com treinamento e
outras atividades diárias são fatores que podem influenciar nas escolhas alimentares de atletas jovens.
O estado nutricional das crianças e adultos brasileiros tem se modificado nas últimas décadas. A prevalência de desnutrição energético protéica infantil diminuiu entre os dois grandes levantamentos de dados nacionais realizados desde 1989 (Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição – PNSN) e 1996 (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde - PNDS). No entanto, as prevalências de sobrepeso e obesidade em crianças brasileiras, têm aumentado nos últimos anos.
As consequências do excesso de peso na infância podem ser notadas a curto e em longo prazo. No primeiro grupo estão às desordens ortopédicas, os distúrbios respiratórios, o diabetes, a hipertensão arterial e as dislipidemias. Em longo prazo, tem sido relatada mortalidade aumentada por causas diversas, em especial por DCV nos adultos que foram obesos durante a infância e a adolescência.
A etiologia da obesidade é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais. Entre os ambientais, destacam-se a ingestão energética excessiva e a atividade física diminuída.
Intervenções nutricionais devem ser iniciadas e estimuladas ainda na infância para prevenção dos fatores de risco cardiovasculares e a associação destas com atividade física tem se mostrado efetiva para o controle de fatores de risco para DCV.
Bruna Sousa Albino
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