quarta-feira, 20 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO NUTRICIONAL, CONSUMO ALIMENTAR E RISCO PARA DOENÇAS CARDIOVASCULARES DE CRIANÇAS PRATICANTES DE NATAÇÃO

As doenças cardiovasculares (DCV) são as principais causas de morte não apenas de adultos como também em jovens menores de 15 anos. A maior causa de doenças cardiovasculares em crianças é devida a malformações congênitas, porém muitos jovens apresentam fatores de risco como: hipertensão, hipercolesterolemia, síndrome metabólica, inatividade física
e excesso de peso. Há um risco aumentado da criança e do adolescente obeso permanecer neste estado quando adultos se comparados aos indivíduos eutróficos.
As recomendações para reduzir o risco DCV em adultos incluem uma dieta saudável e exercícios físicos regulares, além da limitação de gorduras em menos de 7% da ingesta energética total, gordura trans inferior a 1% e o colesterol abaixo de 300mg por dia.
Os lipídios saturados são considerados aterogênicos, pois, se ingeridos em excesso, são a principal causa dos aumentos do colesterol plasmático e do LDL, assim como os ácidos graxos trans também contribuem para o aumento destes e diminuição do HDL.
Não existe concordância de quando deve-se começar com medidas para diminuir o risco de doenças cardiovasculares, porém consolido-se o conceito que a prevenção deveria começar na infância.
A participação de crianças e adolescentes em atividades esportivas é importante para o processo de crescimento e desenvolvimento, como também pode melhorar o perfil lipídico em jovens com sobrepeso e obesidade.
Em um estudo onde o objetivo era avaliar o consumo alimentos que aumentam o risco de DVC e avaliação antropométrica de crianças que faziam natação, os resultados foram que das 204 crianças 31% tinham excesso de peso.
Vários são os fatores que influenciam na qualidade de uma dieta. No caso de crianças que estão em idade escolar, deve-se levar em consideração que nessa faixa etária há uma busca por maior independência, e a escolha de alimentos é uma das áreas onde esses jovens podem expressar suas preferências. A influência de colegas, o tempo gasto com treinamento e
outras atividades diárias são fatores que podem influenciar nas escolhas alimentares de atletas jovens.
O estado nutricional das crianças e adultos brasileiros tem se modificado nas últimas décadas. A prevalência de desnutrição energético protéica infantil diminuiu entre os dois grandes levantamentos de dados nacionais realizados desde 1989 (Pesquisa Nacional de Saúde e Nutrição – PNSN) e 1996 (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde - PNDS). No entanto, as prevalências de sobrepeso e obesidade em crianças brasileiras, têm aumentado nos últimos anos.
As consequências do excesso de peso na infância podem ser notadas a curto e em longo prazo. No primeiro grupo estão às desordens ortopédicas, os distúrbios respiratórios, o diabetes, a hipertensão arterial e as dislipidemias. Em longo prazo, tem sido relatada mortalidade aumentada por causas diversas, em especial por DCV nos adultos que foram obesos durante a infância e a adolescência.
A etiologia da obesidade é multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais. Entre os ambientais, destacam-se a ingestão energética excessiva e a atividade física diminuída.
Intervenções nutricionais devem ser iniciadas e estimuladas ainda na infância para prevenção dos fatores de risco cardiovasculares e a associação destas com atividade física tem se mostrado efetiva para o controle de fatores de risco para DCV.

Bruna Sousa Albino

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