Dentro de uma perspectiva histórica da pesquisa científica sobre a excelência, a visão do talento inato foi inicialmente preferida. Provavelmente, devido a uma impossibilidade para explicar certas observações empíricas, a teoria baseada em características adquiridas passou a ser seriamente considerada (Ericsson & Smith, 1991). Na verdade, as causas relacionadas ao desempenho de alto nível são extremamente complexas, dependentes de um conjunto de fatores que interagem, influenciando-se mutuamente. Dentro dessa abordagem, o objetivo desta revisão de literatura é apresentar resultados de pesquisa e considerações teóricas sobre os fatores que potencialmente influenciam a excelência esportiva.
O treinamento esportivo, mesmo quando combinado com orientação adequada, oportunidades precoces, muito incentivo e motivação incomum, nem sempre dará origem a atletas excepcionais. Apesar de atrativa, a idéia de que a prática leva à perfeição, não parece ser realista. É inegável a necessidade de dedicação aos treinamentos para obtenção do sucesso. Porém, as explicações em termos de prática não são suficientes e características hereditárias não podem ser desprezadas (Schneider, 1997). Na verdade, não existe nenhuma evidência científica que sustente exclusividade em favor de características hereditárias ou ambientais no desempenho esportivo apresentado.
Diversos aspectos da personalidade podem predispor os indivíduos no sentido de maior ou menor dedicação aos treinos, assim como manter níveis ótimos de motivação por longos períodos. Wolansky (1984) citou que existem diferenças na sensibilidade (aceitação) dos diferentes estímulos ambientais. Segundo ele, a sensibilidade do organismo é geneticamente determinada e influenciada por experiências precoces. É provável que características psicológicas sejam influenciadas indiretamente pelos genes (Plomin & Thompson, 1993). Entretanto, não existe um padrão psicológico que possa ser considerado ideal para o alto desempenho (Williams & Reilly, 2000; Abbott & Collins, 2004).
A motivação para se dedicar pode fazer parte de um potencial inato (Winner & Martino, 1993). Ainda que sejam oferecidos oportunidades e incentivo para a criança, não são todas que respondem de maneira positiva a tais ofertas. Crianças que notoriamente se destacam passam horas praticando tarefas relacionadas à sua atividade de maneira absolutamente voluntária. Feldman (1988) e Winner e Martino (1993) argumentaram que alguns fatores apontam para a existência de habilidades que naturalmente variam entre crianças. Um desses fatores seria o grande empenho e dedicação para se destacar em determinada atividade.
Postado por: Daniela de Barba

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