terça-feira, 19 de outubro de 2010

Deficiência de ferro na adolescência

A deficiência de ferro é um dos distúrbios nutricionais mais prevalentes no mundo, acarretando prejuízos de curto e logo prazo, como a falta de apetite, problemas neuropsicomotor, na capacidade de aprendizagem, além de comprometer o sistema imunológico.
Na adolescência a deficiência de ferro é uma situação complexa, pois sofre varias interferências, pois essa fase é marcada por mudanças fisiológicas, psicológicas e interferências socioculturais.
Considerações apresentadas pela Organização Mundial da Saúde indicam que aproximadamente dois bilhões de pessoas, mais de 30% da população mundial, apresentam-se anêmicas, evidenciando a gravidade do problema em saúde pública em países desenvolvidos e em desenvolvimento.  
Um estudo americano evidencio que 9% das meninas entre 9 a 12 anos tinham deficiência de ferro e entre 16 a 19 anos a porcentagem é de 16%, nos meninos observou-se a menor prevalência.
No Brasil, apesar da ausência de um levantamento multicêntrico e nacional, existe consenso na comunidade científica de que a anemia ferropriva tem alta prevalência em todo o território, atingindo todas as classes sociais, e, em revisão de estudos localizados (regionais), estima-se uma taxa de 20% de anemia entre os adolescentes.

Causas

A adolescência é um período marcado pelo aumento da necessidade diária de ferro devido à expansão do volume sanguíneo, à perda sanguínea menstrual nas meninas e ao aumento da massa muscular recorrentes do estirão pubertário. Nesse contexto, a presença de outros fatores associados, como a ingestão deficiente em ferro, doenças crônicas, perda menstrual excessiva, sobrepeso, obesidade, desnutrição e excesso de atividade física podem acarretar ferropenia ou anemia ferropriva.
Os baixos índices de anemia no sexo masculino em adolescentes é que há aumento fisiológico nos níveis de hemoglobina, causada pela maturação sexual, porém a prevalência de ferropenia vem aumentando também nesses adolescentes.
Quanto ao consumo alimentar durante a adolescência, alicerça-se em valores socioeconômicos e socioculturais, imagem corporal, situação financeira familiar, modismos alimentares, alimentos consumidos fora de casa, preferência pelo consumo de lanches e de produtos com excesso de açúcares e gorduras e influência de pares e da mídia.
A perda menstrual excessiva, sugerida pela presença de coágulos, é definida como volume superior a 80 mL/ mês, podendo estar associada ou não à irregularidade menstrual nos primeiros dois a três anos após a menarca.
Quanto a prevalência de sobrepeso e obesidade observa-se o aumento, devido se alimentarem com uma dieta pobre em micronutrientes e rica em calorias à maior necessidade de ferro relacionada ao peso corpóreo, a fatores genéticos e/ou ao sedentarismo.
Nos pacientes desnutridos, além de ingesta inadequada, deve-se considerar como outras possíveis causas da desnutrição as síndromes de má absorção e/ou perdas excessivas e, neste contexto, estes pacientes apresentam achatamento e atrofia das vilosidades intestinais, que comprometem a absorção de micronutrientes.

Prevenção

A prevenção primária de ferropenia em adolescentes não é preconizada. Alguns autores defendem a reposição de ferro em adolescentes como prevenção secundária devido à alta prevalência de ferropenia nessa população, principalmente em meninas e atletas. Por outro lado, enquanto a Academia Americana de Pediatria recomenda que devam ser rastreadas adolescentes após a menarca (anualmente) e meninos durante o estirão pubertário, o Centro de Controle de Doenças (CDC) sugere o rastreamento de todas as adolescentes não grávidas a cada 5 a 10 anos.
Desta forma, devido à discrepância das recomendações de prevenção de ferropenia em adolescentes, essa decisão pode ser individualizada de acordo com os fatores de risco que estiverem presentes nessa população, dentre eles baixa renda socioeconômica, desnutrição, obesidade,atividade física significante, dieta pobre em ferro, doença crônica ou história de perda menstrual > 80 mL/mês, e estes adolescentes devem ser triados com hemograma e ferritina.
Desta forma, devemos estar atentos, principalmente, aos eventos pubertários e aos hábitos alimentares e à possibilidade de ocorrer deficiência de ferro nesta faixa etária, antes mesmo do aparecimento dos sinais e sintomas clínicos de anemia.

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