A imagem corporal é entendida como a forma pela qual o corpo se apresenta para a própria pessoa, ou seja, ela é vista de acordo com o que pensamos dela, levando em conta fatores ambientais, emocionais, sociais e outros formadores de opinião.
Em países ocidentais ser magra não é apenas ser magra, mas sim ter competência, sucesso, ser atraente e ter autocontrole.
As profissões que demandam da forma física como, por exemplo, as bailarinas e atletas de outras modalidades, apresentam uma insatisfação corporal, o que pode levar a transtornos alimentares. Pode-se dizer que a busca da imagem corporal ideal em bailarinas vai além dos parâmetros da população em geral e, na medida em que elas se tornam profissionais, a necessidade de manter o peso adequado vai aumentando.
Estudos onde é avaliada a imagem corporal das bailarinas se justificam, pois é através do corpo que a bailarina demonstra a emoção e passa a coreografia. As bailarinas têm um treinamento físico e também a demanda por um padrão de estética adequado, onde pode haver muitas vezes a distorção corporal.
Um estudo com bailarinas de Porto Alegre, um grupo de Jazz e com as bailarinas de Nova York, utilizando um instrumento usado para avaliar a insatisfação com a autoimagem corporal foi o questionário Body Shape Questionnaire - BSQ (Questionário de Imagem Corporal), que mede o grau de preocupação com a forma do corpo, a autodepreciação devido à aparência física e a sensação de estar gordo.
Dentre os três grupos estudados (balé clássico de Porto Alegre, dança jazz de Porto Alegre e balé clássico de Nova Iorque), observou-se níveis de insatisfação e distorção da imagem corporal, não havendo diferenças significativas entre eles. Os resultados mostram que, independente da modalidade, qualquer manifestação artística na forma de dança traz consigo a preocupação do bailarino com sua estética corporal, levando-o a buscar sempre um corpo magro.
Em relação ao nível de satisfação com a imagem corporal das bailarinas de balé clássico e de dança jazz de Porto Alegre, foi constatado que mais da metade da amostra (60%) das bailarinas de balé clássico apresentou classificação no teste BSQ no padrão de normalidade. Entretanto, um total de 56,2% das bailarinas do grupo de dança jazz apresentaram classificação entre leve e moderada de distorção de sua imagem corporal no mesmo teste. Apesar de 60% da amostra de bailarinas de balé clássico ter se enquadrado no nível normal de satisfação corporal, o grupo de balé de Porto Alegre foi o único a apresentar classificação do BSQ em todos os níveis até o grau grave, diferentemente do grupo da dança jazz, em que o grau máximo encontrado foi o moderado.
Em outro estudo observou-se que resultados apontam que as bailarinas com formação clássicas têm peso corporal, estatura e índice de massa corporal inferiores aos demais grupos de dança, reforçando que a busca pela imagem corporal adequada no balé clássico significa manter um corpo leve e com baixa percentagem de gordura.
O balé, além de ser considerada uma modalidade artística, tem sido citado em alguns estudos sobre o comportamento alimentar de atletas entre os esportes que preconizam o baixo peso corporal e supervalorizam a estética. As bailarinas representam parte da população de risco para o desenvolvimento de padrões alimentares inadequados, que podem trazer como consequência prejuízos graves à saúde, entre eles a amenorreia, osteoporose, aneroxia nervosa e bulimia nervosa. Sabe-se que o distúrbio de imagem corporal é considerado um dos principais sintomas nucleares dos transtornos alimentares, caracterizado pela autoavaliação negativa do indivíduo em relação ao seu peso e forma corporal. Assim, é de extrema necessidade o esclarecimento de bailarinas e seus professores quanto aos comportamentos de risco, tais como as dietas restritivas para perda rápida de peso, que consequentemente podem levar ao desenvolvimento de quadros graves de Transtornos do Comportamento Alimentar (TCA).
É importante que pais e professores orientem e esclareçam quaisquer dúvidas que possam surgir nas bailarinas desde a sua formação, criando um ambiente propício e estimulante ao aprendizado através da arte, com disciplina e respeito ao desenvolvimento físico e emocional da bailarina de acordo com sua faixa etária.Bruna Sousa Albino
Fonte:http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1517-86922010000300005&script=sci_arttext&tlng=en

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