quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SUPLEMENTAÇÃO DE CARBOIDRATOS DURANTE O EXERCÍCIO: AJUDA? QUANTO É DEMAIS?

A ingestão de carboidratos durante o exercício consegue retardar a instalação da fadiga e melhorar o desempenho de exercícios prolongados, de curta duração e de maior intensidade (ex. exercícios contínuos com duração de aproximadamente 1 hora e exercícios intermitentes de alta intensidade), mas os mecanismos envolvidos nessa melhora são diferentes.

Durante exercícios prolongados, parece que os benefícios da ingestão de carboidratos no desempenho são conseguidos por meio da manutenção ou aumento das concentrações plasmáticas de glicose e pela manutenção de altas taxas de oxidação de carboidratos, enquanto no exercício intenso, parece que a ingestão de carboidratos tem um efeito positivo no sistema nervoso central.

 Carboidratos provenientes de uma única fonte, como a glicose, por exemplo, conseguem ser oxidados na taxa de aproximadamente 60 g/h.

Quando se ingere uma mistura de carboidratos (ex. glicose e frutose), as taxas de oxidação podem chegar a ultrapassar um pouco mais de 100 g/h, se grandes quantidades forem consumidas (ex. > 140 g/h).

É provável que a ingestão de uma solução de carboidratos muito concentrada e/ou com alta osmolalidade pode causar desconforto gastrointestinal.

A quantia de carboidratos que um atleta individual deve ingerir durante o exercício deve ser determinada por tentativa e erro, e deve haver um equilíbrio entre o aumento da disponibilidade de carboidratos durante o exercício e a minimização do desconforto gastrointestinal.
Como descrito em detalhes posteriormente neste artigo, a ingestão de carboidratos durante exercícios de longa duração, com 2 horas ou mais, quase sempre retarda a instalação da fadiga e melhora o desempenho. Os carboidratos também podem ser benéficos durante exercícios contínuos mais intensos que duram aproximadamente 1 hora e durante exercícios intermitentes de alta intensidade. Nos exercícios de longa duração, uma maior contribuição de carboidratos exógenos (carboidratos ingeridos em bebidas ou outros alimentos) preservará o glicogênio hepático, evitando a queda da glicemia e ajudando a manter a alta taxa de oxidação de carboidratos necessária para manter a intensidade do exercício. Entretanto, mesmo quando os carboidratos são ingeridos, quase sempre há um balanço negativo de energia durante o exercício, ou seja, o gasto energético supera a ingestão calórica. Por exemplo, há trabalhos que mostram que nas principais provas de ciclismo com etapas (incluindo a Volta da França), os atletas ingerem uma média de 25 g de carboidratos por hora (Garcia-Roves e col., 1997). Isso representa uma ingestão calórica de apenas 100 Kcal/h, enquanto o gasto energético pode chegar ser, no mínimo, dez vezes maior. Em casos radicais de exercícios que duram 5-6 h, isso pode representar um balanço energético negativo de 4000-5000 kcal. O balanço energético negativo atingido durante provas extremamente longas era tradicionalmente compensado por um jantar excepcionalmente bem-servido antes da prova (Jeukendrup e col., 2000a); apesar disso, alguns atletas podem ter dificuldade para manter o balanço energético (Saris e col., 1989). É óbvio que a ingestão calórica durante a prova não precisa limitar-se apenas a carboidratos; gorduras e proteínas também podem ser ingeridas na tentativa de minimizar o balanço energético negativo. Infelizmente, a gordura e a proteína podem ser potentes inibidores do esvaziamento gástrico, retardando não só a oferta de energia, mas também de líquidos (Brouns & Beckers, 1993). Por isso, faz sentido aumentar a ingestão de carboidratos durante o exercício e dessa maneira, aumentar a oxidação de carboidratos pelos músculos acionados.

Entretanto, a ingestão excessiva de carboidratos pode ter efeitos negativos; soluções altamente concentradas de carboidratos e bebidas com alta osmolalidade foram associadas ao desenvolvimento do desconforto gastrintestinal (Rehrer e col., 1992a). Portanto, os atletas devem atingir o equilíbrio adequado entre a ingestão suficiente de carboidratos para oferecer energia adicional, mas sem excessos, para não aumentar o risco do desconforto gastrintestinal. Há outros fatores que podem complicar essa questão: o desenvolvimento do desconforto gastrointestinal parece ser uma resposta altamente individual e dependente da intensidade e duração do exercício, estado de hidratação, condições ambientais e outros fatores.

Como será discutido posteriormente, o mecanismo envolvido nos efeitos benéficos da ingestão de carboidratos para prática de exercícios que dure aproximadamente 1 hora e talvez para exercícios intermitentes (algumas vezes com duração maior que 1 h) parece ser diferente daquele presente nos exercícios contínuos prolongados e está associado aos efeitos no sistema nervoso central. Para exercícios de curta duração, a quantidade necessária de carboidratos a ser ingerida é menor comparada aos exercícios mais prolongados. Assim como ocorre nos exercícios prolongados, é possível que haja desconforto gastrintestinal se um atleta ingerir carboidratos em excesso durante exercícios de alta intensidade.

O principal objetivo deste artigo é apresentar uma breve revisão da literatura científica relacionada aos efeitos da ingestão de carboidratos no desempenho, a ótima dose e o tipo de carboidrato ingerido durante os exercícios. O artigo também trata do metabolismo dos carboidratos, de distúrbios gastrintestinais durante o exercício prolongado, da relação entre a ingestão de carboidratos e oferta de líquidos, e da possíbilidade de que a ingestão de carboidrato durante o exercício possa afetar negativamente as adaptações genéticas ao treinamento físico.

Postado por: Daniela de Barba
http://www.gssi.com.br/artigo/133/sse-52-suplementacao-de-carboidratos-durante-o-exercicio-ajuda-quanto-e-demais 

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