Há evidências de que a aterosclerose, causa mais freqüente de morte no Brasil, tem início na infância, e de que a rapidez da progressão e a gravidade das lesões que a constituem são proporcionais à presença e à agregação dos fatores de risco cardiovascular (FRCV), já descritos em adultos, que se encontram presentes desde a infância.
Dentre esses fatores, a inatividade física ou o sedentarismo surge como predisponente ao aparecimento ou à piora de outros FRCV, particularmente da obesidade (resultante de um desequilíbrio entre a ingestão e o gasto energético) que, também em jovens, encontra-se associada a inúmeras comorbidades, tais como síndrome metabólica, diabetes melito tipo II, dislipidemia e hipertensão arterial sistêmica.
Além disso, há evidências de que o comportamento sedentário ou ativo apresentado na infância e adolescência tende a persistir na vida adulta, de forma que a aquisição e a manutenção de um estilo de vida ativo desde a infância encontra-se presente em todas as recomendações para uma sobrevida longa e saudável.
Na ausência de um padrão ouro, diferentes instrumentos têm sido utilizados para a mensuração da atividade física diária, os quais podem fazê-lo de um ponto de vista fisiológico (consumo de oxigênio, frequência cardíaca) ou comportamental (questionários, entrevistas, diários). É também de importância, a investigação do tempo diário utilizado em atividades sedentárias (televisão, jogos eletrônicos, computadores), as quais, por reduzir o tempo gasto em atividades com maior dispêndio energético, podem contribuir para a elevação do peso e da gordura corporal, da pressão arterial e dos lípides séricos.
Um trabalho que teve como objetivo estabelecer o nível de atividade física (NAF) e o número diário de horas frente à TV (HTV), bem como a associação e a correlação de tais variáveis com o excesso de peso e a obesidade, em crianças e adolescentes.
No presente estudo, de base populacional escolar, observa-se que 93,5% dos jovens avaliados não praticam atividade física de moderada a intensa ao longo da semana e que esse comportamento sedentário, como já demonstrado em outros estudos, é mais freqüente em adolescentes do que em crianças e no sexo feminino.
Quanto à composição corporal, no presente trabalho não se observou associação significante do comportamento sedentário com o sobrepeso identificado pelo IMC, nem com a prega cutânea do tríceps nos percentís igual ou acima de 85 e igual ou acima de 95, quando analisados isoladamente ou
em conjunto.
Observou-se que a média diária de horas frente à TV foi de 3,6 horas, sendo 3,7 nas meninas e 3,5 nos meninos; a mediana para o grupo e em ambos os sexos foi de 3 horas.
Não houve associação entre assistir 3 ou mais horas de TV e faixa etária, sexo, classe econômica e tipo de escola, demonstrando que esse é um comportamento freqüente e ubíquo nos jovens de Maceió. Em relação à composição corporal, há associação significante apenas em indivíduos que apresentam excesso de gordura corporal (PCT nos percentis acima ou igual a 85 e 95).
A conclusão da presente investigação leva à observação de que a maioria (93,5%) dos jovens da cidade de Maceió não pratica atividade física de moderada a intensa, utiliza mais do que o tempo diário recomendado para atividades sedentárias (65,0%) e não pratica atividade física na escola (60,0%), havendo razões para acreditar-se que, apesar destes comportamentos não parecerem estar envolvidos na gênese da obesidade por eles apresentada, poderão contribuir na vida adulta para o aparecimento da obesidade e de outros FRCV, que por sua vez contribuirão para piorar o atual perfil de morbimortalidade cardiovascular.
Bruna Sousa Albino

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