A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da Síndrome Metabólica (SM). Os maus hábitos alimentares a progressiva redução da atividade física do cotidiano em razão da modernização e do avanço tecnológico, tornam possível prognosticar o aumento da prevalência da obesidade e do sobrepeso. O excesso de gordura e de peso corporal é acompanhado por maior suscetibilidade de uma variedade de disfunções crônico-degenerativas que elevam extraordinariamente os índices de morbidade e mortalidade.
Um ponto relevante sobre a prevalência da gordura corporal excessiva na infância refere-se à precocidade com que podem surgir efeitos danosos à saúde, além das relações existentes entre obesidade infantil e sua persistência até a vida adulta.
Vários estudos realizados pelo Brasil constataram prevalência de Sobrepeso e Obesidade em crianças e adolescentes, assim como a Síndrome Metabólica.
Fatores de risco para DCV já estão presentes em crianças e adolescentes obesos.
O sobrepeso é tido como aumento excessivo do peso corporal total, o que pode ocorrer em consequência de modificações em apenas um de seus constituintes (gordura, músculos, osso, água) ou em seu conjunto e a obesidade como o aumento generalizado ou localizado de gordura em relação ao peso corporal. A obesidade é o excesso de tecido adiposo, e não necessariamente o maior peso corporal .
Nos países desenvolvidos, vem aumentando a prevalência do sobrepeso e da obesidade não só na população adulta como também em crianças e adolescentes. A realidade atual tem demonstrado também um aumento considerável na prevalência da obesidade nos países em desenvolvimento. Nestes, o excesso de peso é ainda mais predominante nas classes econômicas altas, demonstrando como o fator socioeconômico interfere em seu aparecimento.
A obesidade na infância tem-se apresentado como epidemia global e está associada a conseqüências negativas para a saúde da criança e do adolescente, incluindo dislipidemias, inflamações crônicas, aumento da tendência à coagulação sanguínea, disfunção endotelial, resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, complicações ortopédicas, alguns tipos de câncer, apneia do sono e esteato-hepatite não alcoólica. Também está associado à obesidade infantil quadro psicológico conturbado com diminuição da auto-estima, depressão e distúrbio da auto-imagem.
Importante ressaltar que mesmo que não haja obesidade grave podem estar presentes várias co-morbidades, pois outros fatores, como os genéticos, o padrão de alimentação e a atividade física, colaboram de forma importante para o desenvolvimento de complicações.
Definição da Síndrome Metabólica para crianças e adolescentes
O Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria adota o consenso proposto pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) que define SM, em adolescentes entre 10 e abaixo de 16 anos, como aumento da circunferência abdominal (> p90, segundo sexo e idade) associado a pelo menos duas das quatro anormalidades relacionadas9:
- Hipertrigliceridemia > 150 mg/dL;
- Baixo HDL- colesterol < 40 mg/dL
- Hipertensão arterial sistólica > 130 mmHg e diastólica > 85 mmHg
- Intolerância à glicose – glicemia de jejum > 100 mg/dL (recomendado o teste de tolerância oral a glicose) ou presença de diabetes mellitus tipo 2.
Prevenção
A prevenção da obesidade infantil deve ser a primeira estratégia de saúde publica para se evitar as complicações decorrentes do excesso de peso. Os profissionais de saúde devem estar aptos para detectar crianças em risco, diagnosticar a obesidade e investigar a ocorrência de comorbidades.
Por ser uma consequencia da obesidade, o principal foco do tratamento da síndrome metabólica é a manutenção de um peso adequado. Coma adoção de hábitos de vida saudáveis, como atividade física regular e dieta adequada.
O tratamento convencional para a perda de peso baseia-se na redução da ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificação comportamental e envolvimento familiar no processo de mudança.
Pode-se concluir que o sobrepeso e obesidade em crianças e adolescentes é um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças, com a presença de varias complicações metabólicas.
Portanto medidas intervencionistas e combate a esse distúrbio tornam-se necessárias, com o incentivo e adoção de hábitos de vida saudáveis para que os mesmos perdurem na fase adulta.
Postado por: Heleuza Silva e Priscila Lumazini
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