sexta-feira, 5 de novembro de 2010

A MANIA DAS DIETAS E A UTILIZAÇÃO DE SUPLEMENTOS NA PRÁTICA ESPORTIVA

Os atletas veteranos e novatos, jovens e velhos experimentam diversos tipos de dieta na busca de uma performance cada vez melhor. Essas manipulações dietéticas vão desde o alto consumo de carboidratos que, com base em dados cientificamente comprovados, beneficiam a performance, até o uso de técnicas condenáveis para perda de peso e o abuso de suplementos dietéticos.
As coqueluches, tanto nas dietas, como em qualquer outro segmento, são, comumente, modismo que vão e vêm e podem durar apenas enquanto são promovidas pelos fabricantes. Os hábitos dietéticos dos atletas variam singularmente entre diferentes grupos de atividade . Estudos descritivos da investigação de práticas alimentares de diversos grupos de atletas revelaram consumo elevado de suplementos nutricionais e de dietas complementares específicas e a constante manipulação de componentes dietéticos.

Dietas com alto teor de proteínas
Um crescente número de evidências indicam que as necessidades protéicas, tanto para força, quanto para resistência física dos atletas, variam de 1,0 a 2,0 gr/Kg de peso corporal.
Entretanto, as recomendações definitivas com relação ao consumo ideal não estão estabelecidas, necessitando, portanto, de maiores estudos científicos para que haja melhor compreensão a respeito das transformações metabólicas das proteínas induzidas pelos exercícios físicos. Muitos esportistas acreditam que a força e a resistência muscular podem ser adquiridas somente através do consumo de grandes quantidades de alimentos e suplementos protéicos.
Um exame das publicações disponíveis sobre o condicionamento físico, em particular durante os periódicos sobre modelagem física, demonstra claramente a "promoção da proteína" que se faz, tanto entre atletas, quanto entre fabricantes de suplementos protéicos. Dietas ricas em proteínas, freqüentemente utilizadas pelos atletas que treinam com pesos, são tipicamente aterogênicas (promovem o endurecimento das artérias).
Tais hábitos representam risco potencial de uma nutrição inadequada, pois restringem o consumo a alguns alimentos e de grupos alimentares. Complementar a dieta protéica com bebidas, pós ou pílulas que contém proteínas e aminoácidos é comum no meio esportivo. O consumo dessas substâncias, dependendo da freqüência, pode acrescentar à dieta de um atleta desde doses mínimas, correspondentes a 1,0gr, até quantidades maiores, de 100 a 200gr por dia. A ingestão de proteínas duas ou três vezes acima do recomendado pelo RDA não demonstrou aumentar a resistência física ou a força muscular. Já que o excesso de proteínas e aminoácidos não pode ser armazenado, transforma-se em energia ou gordura e o nitrogênio é excretado através da urina.
A preocupação quanto ao consumo excessivo de proteínas tem também um aspecto econômico, já que menos de 500gr de muitos desses suprimentos tem um custo elevado. Além disso, muitos suplementos protéicos são derivados de fontes de baixa qualidade, e devem ser adicionados ao leite ou ingeridos com outros alimentos que contenham proteínas de alta qualidade para torna-los nutricionalmente completos. Os riscos à saúde que o consumo excessivo de proteínas representa não estão bem documentados. 

Dietas com alto teor de carboidratos
Já há algum tempo, atletas têm sido sobrecarregados com "carbos", buscando melhor desempenho. Os que praticam esportes de resistência estão completamente cientes da importância dos carboidratos durante exercícios prolongados. E mais, embora o papel do carboidrato seja bem conhecido, muitos atletas não estão conseguindo incorporar a quantidade adequada de carboidratos em suas dietas diárias.
Fartas reservas iniciais de glicogênio nos músculos são essenciais para o desempenho ideal em exercícios prolongados, com duração de mais de uma hora. Assim, dietas para períodos de treino, que forneçam um mínimo de 55 a 65% das calorias provenientes de carboidratos (450 a 600gr de carboidratos por dia), são cruciais para exercícios prolongados.
 Entretanto, estudos que avaliam práticas dietéticas entre diferentes grupos de atletas que praticam exercícios de resistência revelam um consumo inadequado de carboidratos. Por exemplo, corredores de distância, do sexo masculino, que participaram de uma ultra maratona de 500 km, com duração de 20 dias, apresentaram um consumo calórico diário de 49% de carboidratos e 15% de álcool. Esse estudo, assim como outras pesquisas, revelam que muitos grupos de atletas necessitam de uma orientação adequada para aumentar a ingestão de carboidratos.

Dietas Vegetarianas
Muitos atletas, principalmente aqueles interessados no consumo de carboidratos, estão adotando dietas vegetarianas. Além do fato de a alimentação à base animal ser pobre em carboidratos, alguns atletas percebem não cientificamente que certos produtos animais, tais como o leite e a carne vermelha, prejudicam seu desempenho. Por exemplo, o leite é considerado a causa do efeito "boca-seca". As dietas vegetarianas variam entre a complexa exclusão de carnes, peixes, aves, ovos e laticínios e o consumo "ocasional" de carnes e outros grupos de produtos animais. 
Recentemente, muitos atletas, principalmente os que se dedicam aos esportes de resistência, vêm adotando uma alimentação semi-vegetariana, caracterizada pelo uso ilimitado de produtos animais e pela ênfase ao consumo de alimentos não refinados. Os atletas adeptos de dietas vegetarianas conseguem obter sucesso em treinos e competições. Uma dieta baseada em fontes vegetais de proteína, da mesma forma que a dieta que inclui carne, pode fornecer aos atletas o mesmo alto teor de carboidratos necessário para suportar, de forma adequada, a prática de exercícios pesados e prolongados. Embora não tenham demonstrado, ao intensificar o desempenho físico, as dietas vegetarianas de baixas calorias podem diminuir o risco de obesidade, certos tipos de câncer e outras doenças crônicas.
Os atletas podem facilmente suprir suas necessidades nutricionais com uma dieta vegetariana, particularmente com uma dieta semi-vegetariana. Entretanto, a adequação nutricional da alimentação vegetariana estrita e suas formas mais restritivas pode constituir um grande problema para o atleta. Energia, proteínas e certas vitaminas e minerais podem estar limitadas nesse tipo de dieta.
As dietas vegetarianas típicas têm demonstrado efeito negativo sobre os níveis de ferro em atletas do sexo feminino. O teor de ferro e sua absorção pelo corpo têm se revelado em níveis mais baixos em dietas vegetarianas, quando comparados com dietas que permitem quantidades moderadas de carne.

Suplementos nutricionais
O consumo de vitaminas, aminoácidos, extratos vegetais e outras substâncias alimentícias ou não-alimentícias representam, talvez, o aspecto mais em moda da nutrição esportiva. Os atletas acreditam que esses suplementos lhes darão maior vantagem competitiva quando, na verdade, podem tornar-se prejudiciais tanto para sua saúde quanto para seu desempenho. 
Freqüentemente, determinadas substâncias são comercializadas sem base em qualquer pesquisa científica que determine seus benefícios potencias ou possíveis efeitos colaterais nocivos. Alguns suplementos entram e saem da moda, antes que se façam estudos que estabeleçam seus efeitos. Suplementos vitamínicos e minerais podem melhorar substancialmente a ingestão nutricional daqueles atletas que consomem dietas inadequadas. Entretanto, a ingestão exagerada de vitaminas e minerais que excedam o RDA não melhora o desempenho, pode causar intoxicação e alterar a utilização de outros micronutrientes. Excesso de ferro como suplemento foi recentemente divulgado como sendo de valor potencial para atletas, é possível que alguns deles estejam usando-o em excesso e com isso comprometendo a absorção de zinco.
Bruna Sousa Albino
fonte:http://www.gssi.com.br/artigo/30/sse-4-a-mania-das-dietas-e-a-utilizacao-de-suplementos-na-pratica-esportiva

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