Hoje em dia o sobrepeso e a obesidade são problemas que atingem uma elevada porcentagem da população em geral de países industrializados. Estima-se que a nível europeu no ano de 2010 existam cerca de 150 milhões de adultos obesos. E a nível mundial cerca de 1,6 bilhões de pessoas (>15 anos) com excesso de peso e que pelo menos, 400 milhões são consideradas obesas.
O excesso de peso e o sedentarismo estão intimamente associados a vários problemas de saúde, dentre eles: hipertensão arterial, aumento do colesterol, infarto do miocárdio, ansiedade, diabetes, obesidade, doenças músculo-esqueléticas.
Os indivíduos com Déficit Intelectual (DI), são um grupo específico de população onde pode se observar a prevalência de excesso de peso e também obesidade superiores às verificadas em populações adultas saudáveis.
A literatura realça a tendência deste grupo específico para a obesidade, o qual tem um risco elevado de hipertensão arterial, enfarte agudo do miocárdio e diabetes, consequentemente causando uma baixa expectativa de vida. Para agravar esta situação existem relatos que a população com DI, tem um estilo de vida sedentário, do mesmo modo sugerem que indivíduos com Déficit Intelectual são mais propensos a desenvolver a obesidade que indivíduos sem DI. Foi observado que 28% dos homens e 38% das mulheres com Déficit Intelectual leve (QI entre 53 a 70) a moderada (QI entre 36 a 52) foram considerados obesos. Entretanto, os indivíduos com Déficit Intelectual severo (QI entre 21 a 35) e profundo (QI <20) os percentuais baixaram significativamente para 7% entre os homens e 14% entre as mulheres. Alguns fatores são apontados como possíveis causas para problemas de peso, dentre eles; falta de conhecimento nutricional, o estilo de vida sedentário, alimentação pobre, personalidade e fatores de comportamento.
Cada vez mais são evidentes os benefícios do exercício físico sistemático em pessoas com DI. Pessoas com DI fisicamente ativos apresentam um controle do peso corporal, aumento da força muscular, menor percentagem de gordura total e gordura abdominal baixos valores de IMC e melhor condição cardiovascular. O IMC é recomendado pela OMS (1985) como um indicador da gordura corporal por ser um método rápido e basicamente sem custo nenhum.
Em um estudo com pessoas de ambos os sexos, com idade de 7 a 45 anos de idade, onde foi usado como método de avaliação o IMC, notou-se que a média do peso corporal masculino foi maior em relação ao sexo feminino, em contrapartida a média do IMC masculino foi menor do que o feminino e que o grupo feminino é mais velho que o masculino, porém com uma diferença pequena. O grupo masculino tem uma estatura maior que o grupo feminino. Segundo WHO 2004 a classificação dos dois grupos pesquisados são considerados como normal. Todavia os estudos que classificam os indivíduos de acordo com o IMC são geralmente baseados numa população denominada como “normal” e não com indivíduos com algum tipo de DI.
Deve-se considerar que pessoas com DI e indivíduos “normais” são diferentes e que há necessidade de estudos populacionais e clínicos especificamente para estes indivíduos e que orientem um critério único, que além de identificar os indivíduos com maior probabilidade de excesso de gordura corporal, correlacione isto a risco de morte e doenças relacionadas ao sedentarismo.
Bruna Sousa Albino

MUITO LEGAL ESTE ARTIGO, A REVISTA E O AUTOR ESTÃO DE PARABÉNS
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