A predisposição genética, a alimentação inadequada e a inatividade física estão entre os principais fatores que contribuem para o surgimento da Síndrome Metabólica (SM).
Os maus hábitos alimentares a progressiva redução da atividade física do cotidiano em razão da modernização e do avanço tecnológico, tornam possível prognosticar o aumento da prevalência da obesidade e do sobrepeso. O excesso de gordura e de peso corporal é acompanhado por maior suscetibilidade de uma variedade de disfunções crônico-degenerativas que elevam extraordinariamente os índices de morbidade e mortalidade.
Fatores de risco para DCV já estão presentes em crianças e adolescentes obesos.
Obesidade e sobrepeso
A obesidade é doença crônica, complexa, de etiologia multifatorial e resulta de balanço energético positivo. Seu desenvolvimento ocorre, na grande maioria dos casos, pela associação de fatores genéticos, ambientais, comportamentais, fisiológicos e psicológicos.
Foram sugeridos três períodos críticos para o desenvolvimento da obesidade: Período pré-natal, Rebote de adiposidade (cinco a seis anos de idade) e a adolescência
O sobrepeso é tido como aumento excessivo do peso corporal total, o que pode ocorrer em consequência de modificações em apenas um de seus constituintes (gordura, músculos, osso, água) ou em seu conjunto e a obesidade como o aumento generalizado ou localizado de gordura em relação ao peso corporal. A obesidade é o excesso de tecido adiposo, e não necessariamente o maior peso corporal.
O aumento crescente da prevalência da obesidade nas ultimas décadas vem alcançando proporções epidêmicas.
A obesidade na infância tem-se apresentado como epidemia global e está associada a conseqüências negativas para a saúde da criança e do adolescente, incluindo dislipidemias, inflamações crônicas, aumento da tendência à coagulação sanguínea, disfunção endotelial, resistência à insulina, diabetes tipo 2, hipertensão, complicações ortopédicas, alguns tipos de câncer, apneia do sono e esteato-hepatite não alcoólica. Também está associado à obesidade infantil quadro psicológico conturbado com diminuição da auto-estima, depressão e distúrbio da auto-imagem.
Importante ressaltar que mesmo que não haja obesidade grave podem estar presentes várias co-morbidades, pois outros fatores, como os genéticos, o padrão de alimentação e a atividade física, colaboram de forma importante para o desenvolvimento de complicações
Síndrome metabólica
A Síndrome Metabólica (SM) ou síndrome de resistência à insulina foi descrita por Reaven, em 1988, como síndrome X13, um transtorno complexo representado por um conjunto de fatores de risco cardiovascular usualmente relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina.
Embora o reconhecido efeito da obesidade na SM, a localização da gordura no abdome parece ser muito mais importante do que a adiposidade total, sendo a obesidade abdominal considerada um achado característico da SM.
A distribuição do tecido adiposo influencia na morbi-mortalidade causada pela obesidade. A distribuição central de gordura se refere à obesidade do tipo andróide (também chamada de abdominal ou visceral), que se associa fortemente a complicações participantes da SM. São elas: intolerância à glicose, diabetes, hipertensão, baixos níveis de HDL, altos níveis de LDL e de triglicérides, e a resistência insulínica que parece ser o mecanismo primário da síndrome, esteatose hepática não alcoólica, sobrecarga hepática de ferro, alterações da coagulação, inflamação e disfunção endotelial.
A obesidade infantil está fortemente associada a alterações metabólicas que podem aparecer ainda na infância. E o risco de SM na vida adulta é maior nos indivíduos que apresentam obesidade na infância
Definição da Síndrome Metabólica para crianças e adolescentes
O Departamento de Nutrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria adota o consenso proposto pela Federação Internacional de Diabetes (IDF) que define SM, em adolescentes entre 10 e abaixo de 16 anos, como aumento da circunferência abdominal (> p90, segundo sexo e idade) associado a pelo menos duas das quatro anormalidades relacionadas:
· Hipertrigliceridemia > 150 mg/dL;
· Baixo HDL- colesterol < 40 mg/dL
· Hipertensão arterial sistólica > 130 mmHg e diastólica > 85 mmHg
· Intolerância à glicose – glicemia de jejum > 100 mg/dL (recomendado o teste de tolerância oral a glicose) ou presença de diabetes mellitus tipo 2.
Prevenção
A prevenção da obesidade infantil deve ser a primeira estratégia de saúde publica para se evitar as complicações decorrentes do excesso de peso. Os profissionais de saúde devem estar aptos para detectar crianças em risco, diagnosticar a obesidade e investigar a ocorrência de comorbidades.
Por ser uma consequência da obesidade, o principal foco do tratamento da síndrome metabólica é a manutenção de um peso adequado. Coma adoção de hábitos de vida saudáveis, como atividade física regular e dieta adequada.
O tratamento convencional para a perda de peso baseia-se na redução da ingestão calórica, aumento do gasto energético, modificação comportamental e envolvimento familiar no processo de mudança.

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