sábado, 28 de março de 2026

Como interpretar exames de colesterol?

Como interpretar exames de colesterol?


Um dos marcadores mais pedidos e observados para mensurar a saúde geral de uma pessoa são o colesterol total e as suas frações. Mas você sabe como interpretar esse exame e sabe a diferença do colesterol bom e mau e por que chamam eles assim? 

Para começar, não existe colesterol bom ou ruim, o colesterol é uma molécula gordurosa que exerce funções importantes no organismo, como produzuir os hormônios sexuais. Ele deve ser consumido diariamente, porém, em pequenas quantidades. Quando falamos em colesterol bom, nós estamos fazendo referência a fração denominada de HDL, que é uma liporproteína.

As frações do colesterol, todas são lipoproteínas, que é a junção de uma molécula de proteína com uma molécula de gordura. O HDL quer dizer High Density Lipoprotein, ou lipoproteína de alta densidade. O seu irmão LDL, que é tido como o colesterol ruim, é uma lipoproteína de baixa densidade, ou no inglês, Low Density Lipoprotein. 

Existe também uma outra fração do colesterol que conta, mas não é tão utilizada assim, que é o VLDL, uma lipoproteína de muito baixa densidade: Very Low Density Lipoprotein. O colesterol total dos exames de sangue, é a soma de todas as frações do colesterol: HDL + VLDL + LDL. 


Com isso em mente nós podemos interpretar os exames de sangue, principalmente o perfil lipídico, que é a parte que o colesterol e suas frações fazem parte, juntamente com os triglicérides. Então quando olhamos o valor de colesterol total, o valor de referência dele para indicar uma boa saúde deve ficar em qualquer valor menor que 190 mg/dL. Mas esse valor pode ser maior, e isso não necessariamente quer dizer que a pessoa tenha um perfil lipídico ruim. 

Existe um medidor chamado índice de Castelli, que faz menção à quantidade de HDL e LDL de forma comparativa. Nós devemos dividir o LDL pelo HDL para obtermos o índice de Castelli (Por exemplo: 120 mg/dL de LDL e 60 mg/dL de HDL, 120/60 = 2). Um índice de Castelli saudável fica até 2,5, caso a pessoa seja obesa, um valor de até 3,6 é aceitável - mas lembrem-se, não é porque é aceitável, que não pode ser melhorado. 

Um exemplo um pouco mais audacioso. Digamos que um indivíduo tenha 130 mg/dL de LDL com 80 mg/dL de HDL, se somarmos os dois, ficaríamos com 210 mg de colesterol total, fora o VLDL, que deve entrar no cálculo para mensurar a quantidade de colesterol total. Nesse caso, facilmente o paciente pode passar dos 240mg de colesterol, sinalizando um nível total relativamente alto, mas e o índice de Castelli? Nesse caso ele fica em torno de 1,6, revelando um bom perfil lipídico e um baixo risco cardiovascular. 

Outro exemplo, mais ousado ainda, um indivíduo com 170 mg de LDL com 90 mg de HDL, apenas os dois somados, totalizam 260 mg de colesterol, fora o VLDL, podendo chegar até 300 mg de colesterol total. Mas o índice de Castelli é de 1,8. É claro, não quer dizer que esse valor não pode ser melhorado, nós podemos manter o HDL alto e focarmos em baixar o LDL.

O HDL possui a função de transportar a gordura que está circulando no sangue para o fígado para ser metabolizada e excretada. O LDL é praticamente o contrário, ele mantém a gordura circulando pelos vasos sanguíneos sem ir ao fígado para ser excretada, fazendo o nível de gorduras circulantes aumentar (Triglicérides). Isso aumenta em muito a chance de desenvolver um quadro de aterosclerose, que é a formação de placas de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos, aumentando a chance de um AVC, infarto agudo do miocardio e entupimento de outras artérias importantes. 

Então nós sempre devemos ficar de olho no perfil lipídico, e juntamente com esse marcador do colesterol, nós devemos olhar a homocisteína, que representa a chance de risco cardiovascular por revelar uma possível lesão no endotélio (Parede dos vasos sanguíneos). 

Olhar apenas o valor de colesterol total é muito vago, deve ser feita uma análise um pouco mais minuciosa das frações desse colesterol, para que assim, seja estimada de forma mais precisa como é a saúde cardíaca do indivíduo e qual intervenção pode ou deve ser tomada. 


Por nutricionista estagiário: Pedro Paulo.


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