Quais os efeitos da Cafeína?
A Cafeína é um dos compostos mais consumidos do mundo, quase que sempre na forma de café. Ela também pode ser achada no cacau e no fruto do guaraná, mas em uma quantidade menos expressiva. A Cafeína merece um artigo à parte pois ela gera inúmeros debates por conta de seus efeitos, se ela pode ser consumida por todos e em qual a quantidade segura para ser tomada. Tudo isso, nós traremos aqui.
A Cafeína possui uma função muito simples: Ela atua no sistema nervoso, inibindo os receptores de adenosina, que são moléculas geradas a partir da quebra do ATP (Nossa moeda energética), ou seja, o acúmulo dessas moléculas sinaliza o cansaço ao cérebro. Não só o estresse físico, mas mental também, gera gasto de ATP e consequentemente, liberação de mais moléculas de adenosina, que vão se juntando e acumulando-se em uma região específica do sistema nervoso.
Então a Cafeína entra nesses locais e os preenche, inibindo o acúmulo dessas adenosinas, inibindo assim, a sensação de cansaço, tanto físico como principalmente mental. Por conta desse efeito, a Cafeína é muito requisitada para ocasiões onde o indivíduo apresenta uma certa privação de sono ou que necessite de uma maior disposição mental.
Por isso a Cafeína é muito utilizada nos pré-treinos e energéticos, ela ajuda nessa percepção de diminuição do cansaço e nos ajuda a sentir um vigor maior para realizar as atividades físicas. A Cafeína como suplemento é muito segura e indicada - ela é um dos 6 suplementos com o maior efeito ergogênico (Que aumenta a performance) - sendo utilizada tanto por praticantes de musculação, como crossfit, endurance, tênis entre outros.
O que poucos sabem a respeito da Cafeína é que fatores genéticos ou adaptações metabólicas induzidas pelo consumo em excesso podem afetar significativamente a sua função. Existe uma enzima no fígado chamada CYP1A2, que é responsável pela metabolismo da Cafeína. Pessoas com uma maior expressão dessa enzima possuem uma maior responsividade à Cafeína, enquanto que pessoas com menor expressão dessa enzima - seja por genética ou por um consumo excessivo - tendem a sentir menos os efeitos da Cafeína, necessitando de doses maiores dela.
Por isso é muito comum vermos pessoas que, ao ingerir qualquer quantidade de café ou Cafeína, sentem imediatamente o seu efeito e podem até apresentar dificuldades para dormir. O outro lado também ocorre, é super normal vermos pessoas que consomem muito café ou Cafeína que nem sentem mais os seus benefícios, mesmo consumindo-a em grandes quantidades. A quantidade ideal de Cafeína a ser consumida, fica na faixa de 2 mg a 6 mg por kg corporal (Em uma pessoa de 70 kg, seriam 140 mg até 420 mg).
Esses valores são muito utilizados no ramo da atividade física, mas podem ser usados no cotidiano também. A única ressalva é com relação a dose diária dela: Não é recomendado ingerir mais de 420 mg por dia.
E sobre quais os públicos que podem ingeri-la, as pessoas com qualquer tipo de problemas cardíacos e de pressão arterial, jamais devem fazer uso de Cafeína - salvo com acompanhamento médico - porquê ela impacta diretamente o sistema nervoso autônomo simpático (Aquele que te prepara para uma situação de luta ou fuga) causando assim, uma descarga grande de adrenalina e aumentando a frequência cardíaca.
A Cafeína, por conta desses efeitos de interação com os receptores beta-adrenérgicos, causa a secreção da adrenalina, o que auxilia na queima de gordura, aumenta também a nossa capacidade física e otimiza o raciocínio rápido. Por isso é muito comum que esses suplementos termogênicos possuam Cafeína na sua composição, juntamente com outros componentes.
Portanto, a Cafeína é um dos melhores compostos que nós temos na alimentação, e ela deve ser usada com grande sabedoria, para não gerar nenhum efeito deletério ao organismo e nem ocasionar uma resistência à ela mesma por conta do uso em excesso. Ela é um dos suplementos com maior comprovação científica e pode tanto ser usada na atividade física como no dia a dia para facilitar as nossas atividades corriqueiras.
Por Nutricionista estagiário: Pedro Paulo
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