terça-feira, 15 de setembro de 2026

Seu prato pode conversar com o seu DNA? Entenda a nutrigenômica!

 



E se o seu prato não fosse apenas uma fonte de energia, mas também uma espécie de mensagem para as suas células?

Parece futurista, mas a ciência já estuda essa relação. A nutrigenômica investiga como nutrientes e compostos presentes nos alimentos podem influenciar a atividade dos genes e participar de processos relacionados ao metabolismo, à inflamação e ao funcionamento celular.

Mas atenção: isso não significa que comer determinado alimento “mude seu DNA”. A sequência do DNA permanece a mesma; o que pode sofrer influência é a forma como alguns genes são ativados ou regulados.

A alimentação pode influenciar os genes?

Nutrientes e compostos bioativos podem participar de reações químicas e vias de sinalização que ajudam a regular a atividade celular.

Por exemplo, componentes encontrados em frutas, verduras, leguminosas, sementes, chás e cacau são estudados por sua participação em processos relacionados ao estresse oxidativo e à inflamação. Já nutrientes como folato, vitamina B12 e colina participam de reações envolvidas em mecanismos epigenéticos, como a metilação do DNA.

Isso não quer dizer que um alimento isolado seja capaz de “ligar o gene da longevidade” ou “desligar o gene da doença”. O organismo funciona por meio de redes complexas, influenciadas por alimentação, genética, sono, atividade física, ambiente e condições de saúde.

E por que cada pessoa responde de um jeito?

A conversa também acontece no sentido contrário: os genes podem influenciar a maneira como o organismo responde aos alimentos.

Diferenças genéticas podem participar de processos como:

  • metabolismo da cafeína;

  • absorção e utilização de nutrientes;

  • resposta glicêmica;

  • metabolismo de gorduras;

  • aproveitamento de vitaminas e minerais.

É por isso que duas pessoas podem consumir refeições semelhantes e apresentar respostas diferentes. Porém, a genética não é o único fator envolvido — e também não determina sozinha o peso, a saúde ou a necessidade de uma dieta específica.

Já existe uma dieta baseada no DNA?

A chamada nutrição personalizada é uma área promissora, mas ainda está em desenvolvimento.

Os testes genéticos podem identificar algumas variantes, mas interpretar o que elas significam para a alimentação não é tão simples. Para muitas características, vários genes participam ao mesmo tempo, e seus efeitos podem ser pequenos diante da influência do ambiente e do estilo de vida.

Por isso, um teste genético não deve ser visto como uma receita alimentar automática. Uma avaliação nutricional continua considerando história clínica, exames quando necessários, rotina, preferências, cultura alimentar e objetivos individuais.

No fim, a nutrigenômica nos mostra algo fascinante: a alimentação não é apenas combustível, ela também participa da comunicação entre o organismo e suas células.

Seu DNA influencia a forma como você responde à alimentação, e aquilo que você come pode influenciar processos que ajudam o corpo a funcionar. Essa conversa é real, mas está longe de ser tão simples quanto os anúncios de “dieta do DNA” fazem parecer.

As células conseguem “perceber” o estado nutricional

Alguns nutrientes e metabólitos funcionam como sinais celulares. Dependendo da disponibilidade dessas substâncias, determinadas vias podem ser estimuladas ou reduzidas, influenciando processos como produção de energia, síntese de proteínas e armazenamento de nutrientes.

Ou seja: a célula não apenas recebe nutrientes, ela também interpreta informações químicas sobre o ambiente em que está.

post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências

AGRAWAL, P. et al. Genetics, nutrition, and health: a new frontier in disease prevention. Journal of the American Nutrition Association, 2024.

LAGOUMINTZIS, G.; PATRINOS, G. P. Triangulating nutrigenomics, metabolomics and microbiomics toward personalized nutrition and healthy living. Human Genomics, v. 17, 109, 2023. DOI: 10.1186/s40246-023-00561-w.

LAGOUMINTZIS, G.; AFRATIS, N. A.; PATRINOS, G. P. Nutrigenomics and personalized nutrition: advancing basic, clinical, and translational research. Frontiers in Nutrition, 2024.

FERRARI, M. et al. Nutrigenomics: an underestimated contribution to the functional role of polyphenols. Current Opinion in Food Science, v. 47, 100880, 2022.

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