terça-feira, 15 de setembro de 2026

Seu hidratante cuida da pele por fora. Mas quem ajuda a construir e manter essa pele por dentro?

 



Quando pensamos em cuidados com a pele, é comum lembrarmos de hidratantes, protetor solar, séruns e procedimentos estéticos. Mas existe uma parte importante desse cuidado que acontece de dentro para fora: a nutrição.
A pele é o maior órgão do corpo humano e precisa de energia, proteínas, vitaminas, minerais e lipídios para manter sua estrutura, participar da renovação celular e exercer sua função de proteção.
Isso não significa que um alimento específico seja capaz de eliminar rugas ou transformar a pele. A ideia é entender que uma alimentação adequada contribui para a manutenção da saúde e da integridade cutânea.

A pele precisa de nutrientes para funcionar
A pele está em constante renovação. Suas células são produzidas, amadurecem e são substituídas ao longo do tempo. Para que esse processo aconteça, o organismo depende de nutrientes que participam da formação de tecidos, da produção de proteínas e da proteção celular.

As proteínas, por exemplo, fornecem aminoácidos utilizados na formação de estruturas como colágeno, elastina e queratina. Já a vitamina C participa da síntese e da estabilização do colágeno, enquanto o zinco atua como cofator de diversas enzimas envolvidas na renovação e no reparo dos tecidos.
A vitamina A também participa da diferenciação celular, e a vitamina E contribui para a proteção contra danos oxidativos. Porém, seus benefícios estão relacionados principalmente à adequação nutricional: suplementar sem necessidade não significa obter mais resultados estéticos.

E a hidratação da pele? 

Não depende apenas de beber água
A hidratação cutânea não está relacionada somente à quantidade de água ingerida. A pele também precisa conseguir reter essa água.
Na camada mais externa, chamada estrato córneo, existem células e lipídios organizados de maneira semelhante a uma estrutura de “tijolos e cimento”. Entre esses componentes estão as ceramidas, o colesterol e os ácidos graxos livres.

Esses lipídios ajudam a reduzir a perda de água e dificultam a entrada de agentes externos. Quando essa barreira está comprometida, podem surgir sinais como ressecamento, sensibilidade, descamação e maior irritação.
Por isso, uma pele hidratada depende de vários fatores:
  • ingestão adequada de líquidos;
  • alimentação suficiente e variada;
  • disponibilidade de ácidos graxos essenciais;
  • integridade da barreira cutânea;
  • uso adequado de hidratantes;
  • proteção solar;
  • sono e cuidados com o ambiente;
  • controle de condições dermatológicas quando necessário.
Onde entram as gorduras?

As gorduras não devem ser vistas apenas como fonte de energia. Alguns ácidos graxos participam da formação das membranas celulares e da manutenção da barreira da pele.
O ácido linoleico, por exemplo, é um ácido graxo essencial envolvido na organização dos lipídios cutâneos. Ele pode ser encontrado em alimentos como sementes, oleaginosas e óleos vegetais.

Os ácidos graxos da família ômega-3 também são estudados por sua participação na modulação de processos inflamatórios. No entanto, os resultados de suplementação variam conforme a condição clínica, a dose e o perfil da pessoa. Não é correto afirmar que todo mundo precisa tomar cápsulas de ômega-3 para melhorar a pele.

E o colágeno ingerido?

O colágeno é uma proteína muito conhecida no universo da estética, mas existe um detalhe importante: o colágeno ingerido não é direcionado automaticamente para a pele.
Durante a digestão, ele é quebrado em peptídeos e aminoácidos. Esses componentes podem ser utilizados pelo organismo conforme suas necessidades. Alguns estudos investigam o uso de peptídeos de colágeno e possíveis efeitos sobre hidratação e elasticidade da pele, mas os resultados dependem da formulação, da dose, do tempo de uso e da qualidade dos estudos.
Além disso, a produção de colágeno também depende de nutrientes como vitamina C, cobre e proteínas adequadas. Portanto, não adianta olhar apenas para um suplemento e esquecer a alimentação como um todo.
Nutrição e cosmética trabalham juntas
O cuidado estético não precisa ser visto como uma disputa entre alimentação e cosméticos. Na verdade, eles atuam em frentes diferentes e podem ser complementares.
Os cosméticos podem ajudar diretamente na superfície da pele, contribuindo para hidratação, proteção e recuperação da barreira cutânea. Já a nutrição oferece os componentes necessários para o funcionamento do organismo e para a renovação dos tecidos.
O mais importante é evitar promessas milagrosas. Uma alimentação equilibrada não substitui tratamentos dermatológicos, assim como um creme não corrige sozinho uma deficiência nutricional.

Cuidar da pele por dentro não significa buscar o alimento da beleza, mas garantir que o corpo tenha condições de manter sua estrutura e suas funções.

Curiosidade científica

A pele possui uma espécie de “cimento” natural
As ceramidas, o colesterol e os ácidos graxos livres ficam organizados entre as células do estrato córneo, formando uma barreira semelhante a uma parede feita de tijolos e cimento.
As células seriam os “tijolos”, enquanto os lipídios funcionariam como o “cimento” que preenche os espaços entre elas. Quando essa organização é prejudicada, a pele pode perder água com mais facilidade e ficar mais vulnerável a irritações.
É por isso que alguns hidratantes utilizam ceramidas em sua formulação: elas podem ajudar a complementar a composição lipídica da barreira cutânea.

Post elaborado por Cláudia Cryslla - Graduanda de Nutrição

Referências científicas

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