sábado, 17 de outubro de 2026

Vício em açúcar, por que sentimos tanta vontade de comer doces?





Você já sentiu uma vontade intensa de comer chocolate, bolo ou outros doces, mesmo sem estar com fome? Esse comportamento é comum e pode estar relacionado a fatores biológicos, emocionais e ambientais. Mas será que o açúcar realmente causa dependência?

O chamado “vício em açúcar” é um tema que vem sendo estudado pela ciência. Embora existam pesquisas sobre os efeitos do açúcar no cérebro e sobre comportamentos alimentares semelhantes à dependência, ainda não há consenso científico de que o açúcar, isoladamente, cause dependência em seres humanos da mesma forma que substâncias como a nicotina.

Por que sentimos tanta vontade de comer doces?O cérebro possui um sistema de recompensa relacionado à sensação de prazer e à motivação. Quando consumimos alimentos saborosos, como doces, esse sistema é ativado, favorecendo a vontade de repetir a experiência.

A dopamina é um dos neurotransmissores envolvidos nesse processo, participando da motivação e do aprendizado relacionado às recompensas. Entretanto, sua participação não significa, necessariamente, que exista uma dependência.

Segundo Qin et al. (2025), no artigo About Sugar Addiction, o consumo excessivo de açúcar pode estar relacionado a mecanismos cerebrais de recompensa e a comportamentos alimentares semelhantes à dependência. Os autores também discutem a influência de fatores hormonais, psicológicos e ambientais. É importante destacar que parte das evidências vem de estudos com animais, cujos resultados não podem ser diretamente generalizados para os seres humanos.

Além dos mecanismos cerebrais, outros fatores podem aumentar a vontade de comer doces, como:


Quais são os efeitos do consumo excessivo de açúcar?
Embora o conceito de dependência de açúcar ainda seja discutido, existem evidências consistentes sobre os prejuízos do consumo excessivo de açúcares livres.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que o consumo de açúcares livres seja inferior a 10% do valor energético total da alimentação, sugerindo que uma redução para menos de 5% pode proporcionar benefícios adicionais.
Os açúcares livres incluem aqueles adicionados aos alimentos e às bebidas, além dos presentes naturalmente no mel, nos xaropes e nos sucos de frutas.
Entre os principais efeitos do consumo excessivo, destacam-se:
Ganho de peso: o consumo frequente de alimentos e bebidas açucarados pode favorecer o excesso de calorias.
Alterações metabólicas: padrões alimentares com excesso de açúcares adicionados, especialmente bebidas açucaradas, podem contribuir para o ganho de peso e aumentar o risco de problemas metabólicos.
Piora da qualidade alimentar: quando alimentos ricos em açúcar substituem opções nutritivas, pode haver redução da qualidade geral da alimentação.
Vale lembrar que essas condições são multifatoriais e não dependem exclusivamente do consumo de açúcar.
Além disso, o açúcar naturalmente presente nas frutas inteiras não deve ser equiparado aos açúcares livres, pois as frutas também fornecem fibras, vitaminas, minerais e outros compostos importantes para a saúde.
O chamado vício em açúcar é um tema complexo que envolve mecanismos cerebrais de recompensa, hábitos alimentares e fatores emocionais e ambientais.
Embora existam estudos que apontem semelhanças entre determinados comportamentos alimentares e a dependência, ainda não há consenso científico de que o açúcar isoladamente cause dependência em seres humanos.
Por outro lado, as evidências reforçam a importância de reduzir o consumo excessivo de açúcares livres para prevenir problemas como cáries dentárias e contribuir para uma alimentação mais saudável.
O mais importante é evitar a demonização dos alimentos e buscar equilíbrio, variedade e consciência nas escolhas alimentares.

Referências:
QIN, D. et al. (2025). About Sugar Addiction. Brain and Behavior, 15(7), e70338.

PENZENSTADLER, L. et al. (2019). Systematic Review of Food Addiction as Measured with the Yale Food Addiction Scale: Implications for the Food Addiction Construct. Current Neuropharmacology, 17(6), 526–538.

WORLD HEALTH ORGANIZATION (2015). Guideline: Sugars Intake for Adults and Children. Geneva: WHO.


Elaborado por Caroline Andrade - Estágiaria Nutrição Clínica 

Nenhum comentário:

Postar um comentário