terça-feira, 23 de fevereiro de 2010


Aminoácidos de cadeia ramificada e suas relações
com a prática de atividades físicas e com a saúde


Cristiane Camila Zeiser*
Herton Xavier Corseuil**

Os aminoácidos de cadeia ramificada conhecidos como BCAA (Branched Chain Amino Acids), compreendem três aminoácidos essenciais: valina, leucina e isoleucina. De todos os aminoácidos isolados consumidos, apenas os aminoácidos essenciais apresentam uma sustentação teórica para a sua administração. Eles não são sintetizados no organismo humano devendo, por isso, ser ingeridos na dieta ou na forma de suplementos dietéticos, os quais são apresentados na forma de cápsulas, comprimidos, pó, tabletes e na forma líquida. Nos alimentos, podem ser encontrados nas carnes e outros produtos de origem animal, ricos em proteínas.
   
Ação anabólica e anticatabólica
    Os estudos descritos a seguir, realizados com indivíduos fisicamente ativos ou não, sugerem que a suplementação com BCAA, antes ou imediatamente após o exercício, pode estimular a síntese protéica e diminuir danos ao tecido muscular, devido ao fato de a suplementação suprir as necessidades dietéticas destes aminoácidos, preservando os estoques musculares. Resultados encontrados permitem supor que a ingestão de BCAA estimularia a liberação de hormônios como a testosterona, o hormônio de crescimento (GH) e a insulina, aumentando, assim, a síntese de proteínas.


Serve de substrato para a gliconeogênese
    Os BCAA são desaminados no tecido muscular formando a alanina, que por sua vez, deixa o músculo e vai para o fígado onde é convertida em piruvato e, posteriormente, em glicose (ciclo glicose-alanina) contribuindo para a manutenção da glicemia durante exercícios prolongados.
    Os BCAA, particularmente a leucina, também podem servir como importantes doadores de nitrogênio no cérebro, por meio dos grupos amina, com a finalidade de síntese de glutamato. Sendo um aminoácido importante no metabolismo humano, o glutamato é o produto da transaminação do α-cetoglutarato, participando na produção de metabólitos como o piruvato ou o oxaloacetato, que participam em vias metabólicas como a gluconeogénese e na glicólise.


Envolvimento na resposta imunológica
    Durante exercícios de resistência, há uma diminuição dos níveis plasmáticos de glutamina, cuja função principal é servir de fonte de energia para importantes células do sistema imunológico. Já que os BCAA servem de substrato para a síntese de glutamina, sua administração após o exercício aumentaria as concentrações da mesma, diminuindo assim a incidência de infecções nos atletas.


Retardo da fadiga central em exercícios prolongados
    Sabe-se que os BCAA e o triptofano-livre competem entre si, em situações em que os níveis plasmáticos de BCAA se encontram reduzidos (exercícios prolongados); isto facilitaria a entrada de triptofano-livre no cérebro (SNC), levando à geração de 5 hidroxi-triptamina, precursor da serotonina, que por sua vez é um mediador potencial da fadiga central. Portanto, acredita-se que a suplementação de BCAA poderia reduzir a formação da serotonina, retardando assim a fadiga e conseqüentemente, melhorando o desempenho esportivo.
   
A partir deste trabalho sobre a suplementação com os aminoácidos de cadeia ramificada (BCAA), observa-se que o consumo pode ser benéfico, ingerido sozinho ou associado a outros nutrientes, se confirmada a necessidade e, desde que com acompanhamento de profissionais da área da saúde, como médicos, nutricionistas e educadores físicos.

 Marília Cremonezi
Carina Ferreira de Melo

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