Em relação à preparação física, o tênis é uma modalidade muito exigente. Para se ser um bom tenista, é necessário ter tanto os músculos das pernas como os dos braços desenvolvidos. Além disso, a resistência física é muito importante, uma vez que há jogos de tênis que podem durar mais de 3 horas.
Por isso, torna-se de particular importância a utilização de todos os recursos relacionados com o atleta, o treino e a competição. Então, uma boa programação do treino, da competição e da recuperação é aquela que não exclui o acompanhamento nutricional.
A modalidade surgiu no Egito e na Pérsia cerca de 500 anos antes da era cristã, entretanto a modalidade foi sofrendo evoluções no que diz respeito ao jogo em si e à preparação dos jogadores. Os níveis de velocidade, força, potência, flexibilidade, coordenação, endurance, consistência e capacidade de recuperação foram alvo de grande mudança e otimização. Para o aperfeiçoamento de todas estas componentes tem-se recorrido à ciência.
O papel das ciências da nutrição tem ganhado especial importância nos seguintes componentes do treino e da competição: melhora da performance; melhor recuperação em menor espaço de tempo; redução da fadiga; hidratação e prevenção de lesões. Por outro lado, não nos podemos esquecer que o papel da nutrição em muito contribui para um bom estado de saúde dos atletas.
Dos suplementos nutricionais, a creatina é um dos mais populares entre os atletas, sendo usualmente ingerida na forma monohidratada, que é bem tolerada pelo organismo proporcionando rápido aumento de sua concentração plasmática. A suplementação de creatina vem sendo utilizada amplamente na tentativa de aumentar força e massa magra em sujeitos saudáveis e atletas.
A creatina (ácido α-metil guanidino acético) é uma amina de ocorrência natural sintetizada endogenamente pelo fígado, rins e pâncreas, a partir dos aminoácidos glicina e arginina. Pode também ser obtida via alimentação, especialmente pelo consumo de carne vermelha e peixes.
O uso da creatina como suplemento nutricional teve início nos anos 70, onde atletas da extinta União Soviética utilizaram a creatina no intuito de melhorar o desempenho. No entanto a popularidade da creatina cresceu substancialmente no começo dos anos 90, com a notícia que os atletas ganhadores do ouro olímpico, Linford Christie (100 m rasos) e Sally Gunnel (400 m com barreiras), utilizaram creatina como recurso ergogênico.
A creatina é um importante composto químico fornecedor de energia para atividades musculares de alta intensidade e curta duração, participando da formação da fosfocreatina por meio de uma reação reversível que libera um fosfato de alta energia da molécula de adenosina trifosfato (ATP), formando assim adenosina difosfato (ADP), sendo esta reação catalisada pela enzima creatina cinase. As quantidades intramusculares de ATP e fosfocreatina são capazes sustentar contrações musculares de alta intensidade por um tempo de aproximadamente 10 segundos.
A suplementação de creatina pode aumentar os estoques de creatina muscular propiciando melhora do desempenho em exercícios de curta duração e alta intensidade.
Os indivíduos que praticam exercícios físicos onde o componente força e/ou velocidade são importantes usam como energia primária os estoques intramusculares de ATP e fosfocreatina. Esta fonte energética é utilizada em trabalhos físicos máximos, por exemplo, corridas de 50 a 100 m, ou no caso do tênis quando a bola se encontra em jogo os esforços são de grande intensidade e curta duração, sendo a fadiga atribuída nestes casos a um rápido decréscimo nas concentrações musculares de fosfocreatina.
A maioria dos estudos sugere que a suplementação de creatina pode melhorar o desempenho nos exercícios de alta intensidade, que dependem primariamente da energia rápida que provém da fosfocreatina, isto é, exercícios que em algum momento precisam de explosão.
A melhora do desempenho causada pela suplementação de creatina pode estar associada ao aumento da freqüência de ressíntese de fosfocreatina durante o exercício, estudos sugerem que um aumento na concentração de creatina pode melhorar a capacidade de suportar a fadiga pelo músculo.
Um fator que poderia favorecer a retenção de creatina no músculo seria a sua suplementação em conjunto com carboidratos A suplementação de creatina mais carboidratos pode aumentar o transporte de creatina para o músculo, sendo este efeito mediado pela insulina. Tanto a suplementação isolada de creatina como sua suplementação de forma combinada ao carboidrato aumentam o estoque de creatina total e a fosfocreatina e pode, de acordo com estudos, aumentar o desempenho físico.
Alguns estudos referem que a suplementação de creatina poderia provocar efeitos colaterais tais como diarreia; cãibras musculares, que poderiam ser justificadas pela retenção de água no músculo, já que sendo a creatina uma substância osmoticamente ativa, um aumento na sua concentração intracelular poderia induzir influxo de água para dentro da célula como também aumento do peso por retenção hídrica.
“As ciências da nutrição podem não fazer campeões, mas seguramente tem grande influência no caminho e na manutenção da vitória.”
Fontes consultadas:
CARDOSO, A.M.S. Nutrição e tênis. Faculdade de Ciências da Nutrição e Alimentação Universidade do Porto. 2005/2006
GUALANO, B. et al. Efeitos da suplementação de creatina sobre força e hipertrofiamuscular:atualizações. Rev Bras Med Esporte vol.16 no.3 Niterói. Maio/Junho, 2010.
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