quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O ciclismo

De acordo com Tubino (2007) o ciclismo é um esporte por equipe ou individual onde o sujeito utiliza a bicicleta para disputar corridas em estradas, pistas cobertas ou não, terrenos acidentados com aclives e declives dentre outros, permitindo também a prática do esporte-lazer. Condicionada a história da evolução da bicicleta, a história do ciclismo começaria apenas em 1855 com a introdução do pedal. Treze anos mais tarde, foi realizada a primeira competição de ciclismo no parque Saint-Cloud, em Paris numa distância de 1.200 metros. A primeira grande prova aconteceu em 1869 no percurso Paris – Rouen, de 123 Km, vencida pelo inglês James Moore com a marca de 12 Km/h, que era impressionante a época. No ano de 1890 quando, na cidade de Paris, foi construído o primeiro velódromo, já havia cinco mil ciclistas somente na França (CARPES & ROSSATO, 2005).

O ciclismo caracteriza-se pelo uso da bicicleta, sendo que as disputas são realizadas em estradas, trilhas ou em recintos fechados, estes em locais especiais ou velódromo, com pista de madeira. Para a prática desses esportes é necessário que a máquina utilizada esteja em perfeita harmonia com a habilidade do ciclista.

Conhecido em todo mundo, o ciclismo teve sua prática essencialmente esportiva separada do emprego da bicicleta como lazer, iniciada em meados do século XIX, na Inglaterra, logo que os aperfeiçoamentos na fabricação do veículo possibilitaram o alcance de maiores velocidades. Em 1865, já existiam na Inglaterra alguns círculos entusiastas do esporte, e vinte anos depois, com sua difusão por toda a Europa, era fundada na França, a União Ciclística Internacional. Desde a primeira Olimpíada da época moderna, em Atenas-1896, o ciclismo integra os jogos Olímpicos.

Poucos esportes alcançaram na Europa o prestígio do ciclismo, que passou a integrar os campeonatos pan-americanos e sul-americanos. As provas são realizadas individualmente ou em conjunto, em bicicletas de um ou dois lugares, de velocidade, de resistência ou de revezamento.

Os circuitos Paris-Roubaix, Paris-Yours, Bordeaux-Paris, Milão-San Remo, a Volta da França, a Volta da Itália, são algumas das corridas de estrada mais conhecidas.

O ciclismo no Brasil já era praticado em fins do século XIX e, em são Paulo, já vinha sendo considerado como o esporte da moda, onde foi construído um velódromo. Em 1925, surgiu a Federação Paulista de Ciclismo. O primeiro campeonato brasileiro aconteceu em 1938, na cidade de Porto Alegre.

A bicicleta de competição é diferente da comum, sendo mais leve e dotada de dispositivos de mudança de marcha que permitem ao ciclista o desenvolvimento de maiores velocidades.

3.1. O ciclismo no espaço urbano

O espaço urbano se configura como reflexo da sociedade e, conseqüentemente, um condicionante social. Um espaço fragmentado e articulado. Corrêa (2005) o define como um conjunto de símbolos e um campo de lutas. Produto, condição e meio para a reprodução das relações sociais, um espaço para a realização do ser social. Qualquer análise nesse espaço implica na análise da vida humana em sua multiplicidade.

E é nesse espaço de lutas e realizações do ser, que nos deparamos com algumas das grandes questões da atualidade: a crise de mobilidade urbana e a crise ambiental. Ambas contam com um agente desencadeador em comum: o automóvel. Como dito anteriormente, o aumento da frota de veículos motorizados no país vem causando grandes transtornos no que se refere à mobilidade urbana e conseqüentemente gerando danos ao meio ambiente, com o aumento da emissão de dióxido de carbono. Nesse contexto entra em cena a bicicleta como alternativa para o alívio no trânsito das grandes cidades e também como transporte ecologicamente correto, já que não emite gás carbônico.

Utilizar a bicicleta como alternativa para a redução do nível de poluição atmosférica não é coisa inédita. Em Amsterdã, na Holanda, que tem uma população de 730 mil moradores, existem 600 mil bicicletas e conta com mais de 400 quilômetros de ciclovias, e exemplos assim se espalham pelo mundo. Na França, em julho de 2007, mais de 20 mil bicicletas foram disponibilizadas pelo poder público em 1250 locais diferentes da cidade de Paris, principalmente nas estações de metrô. Berlin, na Alemanha, adotou o sistema de bicicletas públicas localizáveis por satélite. O custo é oito centavos por minuto. Já a China parece que caminha em sentido contrário. País que sempre chamou a atenção pelo uso da bicicleta, agora vive a invasão automobilística. Só na capital chinesa mais de 2,4 milhões de pessoas se locomovem de bicicleta diariamente, desde crianças escolares até profissionais de destaque na sociedade como o ambientalista chinês Liang Congjie, que diz usar a bicicleta desde a escola. Para ele já não é mais seguro pedalar pelas ruas de Pequim.

No Brasil várias são as cidades onde é crescente o uso das bicicletas como meio de locomoção, como é o caso de Curitiba que tem 120 quilômetros de ciclovias que ligam 20 parques e bosques da capital paranaense. Estimativas apontam que na cidade, onde vivem 1,7 milhão de habitantes, existe uma frota de 121 mil bicicletas. A cidade de Sorocaba também se destaca através de seu Plano cicloviário, que enfatiza a bicicleta como um meio de transporte saudável, pois possibilita o lazer, o esporte e uma melhor mobilidade urbana.

Estudos realizados na cidade de São Paulo, elaborados pela Companhia de Engenharia de tráfego (CET) e pela São Paulo Transportes S.A. (SPTrans) apontam que dos 23,4 milhões de viagens diárias na capital paulista, 130 mil são realizados com o uso das bicicletas e 5,1 milhões por automóveis. A pesquisa mostra ainda algumas das vantagens da bicicleta como meio de locomoção: baixo custo na aquisição e manutenção, agilidade nos deslocamentos para distâncias até cinco quilômetros, menor interferência no espaço público da cidade, contribuição à saúde do usuário e reduzido impacto ambiental. Segundo dados do Ministério das cidades e estudos da Associação Nacional dos Transportes Públicos – ANTP, 7,4 % dos deslocamentos feitos no Brasil são realizados de bicicleta, o que representam mais de 15 milhões de viagens diárias.

É notório o uso cada vez maior da bicicleta, seja por jovens ou adultos, para irem trabalhar ou estudar, e mais ainda como prática esportiva e de lazer. Nesse cenário a bicicleta emerge como alternativa para uma mobilidade urbana sustentável, pois a emissão de dióxido de carbono é zero, já que ao se locomover de bicicleta as pessoas não utilizam energia proveniente dos combustíveis fósseis, mas sim a energia do próprio corpo. Ao fazer isso, o sujeito pode vir a melhorar seu condicionamento físico bem como os sistemas cardiovascular e respiratório, promovendo maior gasto calórico, resistência muscular e diminuição do estresse. A bicicleta surge, além de opção de transporte urbano ecologicamente correto, também como opção de lazer e prática esportiva.

Ao ter a bicicleta como instrumento de sua prática, o ciclismo assume um papel importante na conjuntura político-ambiental da atualidade, pois a bicicleta além de possibilitar a prática esportiva, é também meio de transporte e o mais importante, não polui o ar com emissão de gases do efeito estufa, ao contrário do automóvel.

Postado por Daniela de Barba

http://www.efdeportes.com/efd150/ciclismo-meio-ambiente-e-mobilidade-urbana.htm

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