quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Prevalência de Síndrome Pré-Menstrual em Atletas




Muitas mulheres em idade reprodutiva apresentam sintomas
 relacionados com as fases do ciclo mestrual. Somente nos 
casos onde os sintomas ocorrem na fase pré-mestrual  e 
apresentam influencia decididamente negativa no funcionamento 
físico, psicológico e social da mulher, com conseqüente redução
 da sua qualidade de vida, é que podem fazer parte da Síndrome 
Pré-mestrual (SPM).
A SPM pode ser definida como a ocorrência cíclica de sintomas 
físicos e emocionais, incômodos e persistentes, durante o 
período pré-mestrual, que retrocede durante a menstruação
 e apresenta uma fase assintomática no período pós-mestrual.
Talvez pela influência do componente psicológico e não por
 apresentar nenhum padrão de referência biológico para validar 
diferentes de SPM, ainda não exista um consenso a respeito
 de critérios diagnósticos para SPM. Estudos têm 
sugerido as recomendações do American College of
 Obstetricians and  Gynecologists (ACOG),  que 
caracterizam SPM como a presença de pelo menos 
um sintoma emocional e um  sintoma físico durante o período 
pré- menstrual, com um período assintomático na fase folicular 
e que interfira  acentuadamente nas atividades diárias das mulheres.


Embora a SPM tenha sido estudada em diferentes populações, existe uma lacuna na literatura a respeito da prevalência dessa sín­drome em atletas. Sabe-se que o exercício físico tem sido indicado como um dos tratamentos não farmacológicos para SPM; no en­tanto, treinamentos de alta intensidade têm sido associados a distúr­bios no humor. Assim, não se sabe se o treinamento desportivo pelo qual passam as atletas pode afetar positiva ou negativamen­te a presença de SPM nessa população.


Foi desenvolvido um estudo do tipo inquérito, com 57 atletas, 
com idade  entre 18 e 47 anos, de 11 modalidades esportivas.
 Para identificar a  presença de SPM, utilizou-se se uma ficha
 autoaplicável baseada nos  critérios do American College of 
Obstetricians and Gynecologists; a confirmação diagnóstica
 foi feita através do preenchimento de um diário
de sintomas durante dois ciclos menstruais consecutivos.
A amostra final foi composta por 25 atletas de 10 modalidades esportivas: atletismo, basquetebol, ciclismo, ginástica rítmica, handebol, caratê, natação, voleibol, vôlei de praia e xadrez.
Para as associações, as atletas foram divididas em dois grupos: pre­sença e ausência de SPM. Foi considerada presença quando a atleta apresentou SPM em pelo menos um dos ciclos menstruais (n = 12) e ausência, quando não caracterizou o quadro de SPM em nenhum dos ciclos menstruais analisados pelo diário de sintomas (n = 13).
Verificou-se que 83% das atletas com presença de SPM (10 atle­tas) confirmaram, através do acompanhamento diário, o diagnóstico estabelecido pela ficha de diagnóstico de SPM, ou seja, essas atletas relataram nela a presença de SPM e essa presença foi confirmada atra­vés do acompanhamento com o diário de sintomas da SPM. Já entre as atletas sem SPM, 46% delas (seis atletas) não relataram na ficha de diagnóstico da SPM sintomas suficientes para caracterizar SPM e real­mente não apresentaram essa síndrome através do acompanhamento com o diário de sintomas da SPM.
Foram observadas associações significativas entre SPM e volu­me de treinamento semanal, número de sintomas totais, sintomas físicos, mastalgia e desconforto abdominal. A associação significati­va de SPM com número de sintomas totais foi devida ao próprio critério diagnóstico para SPM utilizado nesse estudo requerer maior número de sintomas. Já a associação significativa com sintomas físi­cos confirma um quadro sintomatológico mais relacionado com a SPM, uma vez que, se o predomínio fosse de sintomas emocionais intensos, a caracterização poderia ser de transtorno disfórico pré-menstrual.
As associações significativas, sobretudo em relação à presença de SPM e maior vo­lume de treinamento semanal, apontam para a necessidade de se estudar de forma mais aprofundada de que modo o treinamento intenso pode influenciar na prevalência da síndrome pré-menstrual em atletas.

Bruna Sousa Albino

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