Muitas mulheres em idade reprodutiva apresentam sintomas relacionados com as fases do ciclo mestrual. Somente nos casos onde os sintomas ocorrem na fase pré-mestrual e apresentam influencia decididamente negativa no funcionamento físico, psicológico e social da mulher, com conseqüente redução da sua qualidade de vida, é que podem fazer parte da Síndrome Pré-mestrual (SPM). A SPM pode ser definida como a ocorrência cíclica de sintomas físicos e emocionais, incômodos e persistentes, durante o período pré-mestrual, que retrocede durante a menstruação e apresenta uma fase assintomática no período pós-mestrual. Talvez pela influência do componente psicológico e não por apresentar nenhum padrão de referência biológico para validar diferentes de SPM, ainda não exista um consenso a respeito de critérios diagnósticos para SPM. Estudos têm sugerido as recomendações do American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), que caracterizam SPM como a presença de pelo menos um sintoma emocional e um sintoma físico durante o período pré- menstrual, com um período assintomático na fase folicular e que interfira acentuadamente nas atividades diárias das mulheres. |
Embora a SPM tenha sido estudada em diferentes populações, existe uma lacuna na literatura a respeito da prevalência dessa síndrome em atletas. Sabe-se que o exercício físico tem sido indicado como um dos tratamentos não farmacológicos para SPM; no entanto, treinamentos de alta intensidade têm sido associados a distúrbios no humor. Assim, não se sabe se o treinamento desportivo pelo qual passam as atletas pode afetar positiva ou negativamente a presença de SPM nessa população.
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A amostra final foi composta por 25 atletas de 10 modalidades esportivas: atletismo, basquetebol, ciclismo, ginástica rítmica, handebol, caratê, natação, voleibol, vôlei de praia e xadrez.
Para as associações, as atletas foram divididas em dois grupos: presença e ausência de SPM. Foi considerada presença quando a atleta apresentou SPM em pelo menos um dos ciclos menstruais (n = 12) e ausência, quando não caracterizou o quadro de SPM em nenhum dos ciclos menstruais analisados pelo diário de sintomas (n = 13).
Verificou-se que 83% das atletas com presença de SPM (10 atletas) confirmaram, através do acompanhamento diário, o diagnóstico estabelecido pela ficha de diagnóstico de SPM, ou seja, essas atletas relataram nela a presença de SPM e essa presença foi confirmada através do acompanhamento com o diário de sintomas da SPM. Já entre as atletas sem SPM, 46% delas (seis atletas) não relataram na ficha de diagnóstico da SPM sintomas suficientes para caracterizar SPM e realmente não apresentaram essa síndrome através do acompanhamento com o diário de sintomas da SPM.
Foram observadas associações significativas entre SPM e volume de treinamento semanal, número de sintomas totais, sintomas físicos, mastalgia e desconforto abdominal. A associação significativa de SPM com número de sintomas totais foi devida ao próprio critério diagnóstico para SPM utilizado nesse estudo requerer maior número de sintomas. Já a associação significativa com sintomas físicos confirma um quadro sintomatológico mais relacionado com a SPM, uma vez que, se o predomínio fosse de sintomas emocionais intensos, a caracterização poderia ser de transtorno disfórico pré-menstrual.
As associações significativas, sobretudo em relação à presença de SPM e maior volume de treinamento semanal, apontam para a necessidade de se estudar de forma mais aprofundada de que modo o treinamento intenso pode influenciar na prevalência da síndrome pré-menstrual em atletas.
Bruna Sousa Albino

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