O Mounjaro (tirzepatida) é um medicamento que atua nos receptores de GIP e GLP-1, contribuindo para a redução do apetite e da ingestão alimentar. Mas, quando a fome diminui, surge uma questão importante: será que a alimentação continua fornecendo todos os nutrientes de que o corpo precisa?
Durante o tratamento, algumas pessoas podem sentir saciedade mais rapidamente, consumir porções menores ou apresentar sintomas como náuseas e desconforto gastrointestinal. Essas mudanças podem dificultar a ingestão adequada de energia, proteínas, vitaminas e minerais. Isso não significa que toda pessoa que usa o medicamento desenvolverá deficiências, mas reforça a importância do acompanhamento nutricional.
Quando o volume das refeições diminui, cada escolha alimentar pode se tornar uma oportunidade de fornecer nutrientes importantes.
Por isso, o planejamento alimentar deve considerar fontes de:
Proteínas: importantes para a manutenção da massa muscular.
Fibras: presentes em frutas, verduras, legumes e cereais integrais, contribuindo para a saúde intestinal.
Vitaminas e minerais: essenciais para o funcionamento do organismo.
Gorduras de boa qualidade: que participam de diversas funções metabólicas.
A recomendação não é simplesmente comer o máximo de nutrientes possível em uma pequena porção, mas construir uma alimentação adequada às necessidades, à tolerância e às preferências de cada pessoa, na dúvida, sempre consulte um profissional.
E a massa muscular?
A perda de peso não acontece exclusivamente pela redução da gordura corporal. Estudos e revisões sobre terapias incretínicas apontam que também pode ocorrer perda de massa magra durante o emagrecimento.
Por isso, o cuidado nutricional deve ir além do número mostrado na balança. A ingestão adequada de proteínas, associada a exercícios de fortalecimento quando apropriados, é uma das estratégias discutidas para ajudar na preservação da massa muscular.
O que a ciência ainda está investigando?
As pesquisas sobre Mounjaro e outras terapias incretínicas estão avançando, mas ainda existem lacunas sobre a alimentação habitual dos pacientes, a adequação de proteínas e micronutrientes e quais estratégias nutricionais funcionam melhor em diferentes grupos.
Uma revisão de escopo publicada em 2026 identificou que a avaliação sistemática da ingestão de proteínas e micronutrientes ainda é pouco frequente nos estudos disponíveis. Isso mostra a importância de ampliar a investigação sobre a qualidade da alimentação durante o tratamento.
Curiosidade
A saciedade não é sinônimo de adequação nutricional.
Uma pessoa pode sentir-se satisfeita após uma pequena refeição e, ainda assim, não atingir suas necessidades nutricionais ao longo do dia. Por isso, a sensação de fome, embora seja uma informação importante, não é o único parâmetro para avaliar a qualidade da alimentação.
Post elaborado por Claudia Cryslla - Graduanda de Nutrição
Referências científicas
American Diabetes Association. Pharmacologic Treatment of Obesity in Adults: Standards of Care in Overweight and Obesity. 2026. Consultar diretrizes da ADA
Nutritional priorities to support GLP-1 therapy for obesity: a joint Advisory. The American Journal of Clinical Nutrition, 2025. Consultar artigo científico
Nutrition Strategies for Next-Generation Incretin Therapies: A Systematic Scoping Review of the Current Evidence. 2026. Consultar revisão sistemática de escopo
Medical nutrition in the glucagon-like peptide-1 era: Protein strategies, micronutrient monitoring, and lean mass preservation. 2026. Consultar revisão sobre estratégias nutricionais
Nutritional intake changes during GLP-1 receptor agonist therapy: A systematic review and meta-analysis. Diabetes & Metabolic Syndrome, 2026. Consultar meta-análise

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